Não Me Deixe Ir
10 Você não pode brincar com fogo e ter medo de se queimar..
Notas iniciais
You and I go hard
At each other like we're going to war
You and I go rough
We keep throwing things and slamming the doors..
One More Night— Maroon 5
(...)
— Você ainda vai me enlouquecer. — Adam falou, lutando para me soltar.
— Talvez. — fitei-o.
Não faço ideia de como eu estava, mas se os lábios dele estavam sujos de batom, os meus não estavam diferente.
— Aqui. — me aproximei dele sem jeito, limpando seu rosto.
Notei seus olhos me analisando, mas ele nada disse. Sorri sem graça, não sabendo o por quê de estar assim. Eu não era mais uma adolescente.
Voltei a encara-lo, ainda com minha mão em seu rosto. Sem que eu pudesse me dar conta ele tirou-a de lá, beijando o topo dela em agradecimento.
— Obrigado. — sorriu.
Senti meu celular vibrando na bolsa, o que acabou me dispersando.
Helen.
— Eu tenho mesmo que atender. — disse relutante.
— Sem problemas, já batemos nosso recorde. — sorriu.
— O que?
— Já se passaram 10 minutos e você ainda não ficou emburrada. — franzi o cenho.
— Sempre hilário, Adam. — tentei me afastar, mas ele segurou meu braço.
— Você volta? — levantei um sobrancelha na tentativa de fazer um charme.
— Talvez. — puxei o braço — E pegue essa maldita taça. — entreguei-a.
— Vai ter que dançar comigo, Claire. Não esqueça! — gritou.
Me afastei de lá balançando a cabeça. Como ele consegue ser tão idiota e legal ao mesmo tempo?
Peguei o telefone em mãos, retornando a ligação.
— Claire, oi! Desculpe a demora pra te ligar, eu acabei deixando o celular em casa..
— Tudo bem, Helen. Você não me deve explicação nenhuma, estou te ligando fora do horário de trabalho, não tem problema. — tranquilizei-a — Como sabe, amanhã volto para São Francisco.
— Isso, seu voo está programado para as 8 horas da manhã.
— Obrigada por me lembrar, Helen. — ri — Preciso que faça uma coisa pra mim, ligue para Lucious e marque uma reunião para a primeira hora da tarde. Acredito que já devo estar aí essa hora.
— Lucious Lyon? O presidente? — disse surpresa.
— Ele mesmo. Você pode fazer isso?
— Claro, tentarei entrar em contato com a secretária dele hoje mesmo.
— Obrigada, Helen. — agradeci.
— Mais alguma coisa, Claire?
— Sim, preciso que arrume suas malas. Você vai viajar comigo ainda amanhã, se possível.
— Ahn..— ficou em silencio — Como você quiser, mas posso perguntar o destino?
— Madison. — não revelei mais detalhes — É uma longa história, mas vou continuar aproveitando o casamento aqui. Por enquanto é só isso. Obrigada, Helen.
— Qualquer coisa é só me telefonar, Claire. Boa festa. — riu sem graça. Acho que ela ainda não sabe se pode ou não ter esse tipo de intimidade comigo.
— Tenha um ótimo domingo. — desliguei.
Te-la ao meu lado vai me ajudar muito.
Preciso de alguém que consiga me lembrar quem eu sou agora. A Claire assustada de 10 anos atrás vai continuar sempre dentro de mim, mas a nova Claire sabe muito bem o que quer. Helen vai ser de grande ajuda, e ela precisa adquirir experiencia. É uma menina esperta, vai tirar de letra.
Guardei o celular na bolsa, e me vi sozinha no salão, sem saber muito bem para onde ir.
Banheiro.
Banheiro é sempre uma boa opção.
Procurei alguma placa que indicasse a direção, percebendo que estava no caminho certo. Pela quantidade de mulheres que saíram de uma das portas, concluí que era lá. O lugar estava vazio, apenas uma mulher retocando a maquiagem.
Olhei meu reflexo no espelho.
Eu estava toda borrada, mas com um sorriso no rosto.
Abri a torneira lavando as mãos, mas uma coisa me chamou atenção. A mulher ao meu lado estava passando pó compacto no braço, e eu nunca vi coisa semelhante. Virei para encara-la. Seu rosto me era familiar.
— Tory, não é? — ela parou bruscamente, me fitando com os olhos arregalados — Nos conhecemos na casa da Jenn.
— Claire! — sorriu sem jeito, me cumprimentando com dois beijinhos — Eu acabei batendo meu braço na maçaneta da porta. — disse rapidamente.
— Jura? — assenti.
Sou advogada, sei quando alguém esta mentindo. Eu não perguntei nada, porque ela precisou me explicar?
— Sou muito desastrada. — riu fraca, continuando com a maquiagem.
— Você se importa? — me aproximei dela, virando o braço.
Sabia.
— O que você está fazendo? — puxou-o com força.
— Mike fez isso, não foi? — ela ficou estática — E não é a primeira vez.
— O que? Como pode dizer uma coisa dessas?
— Você não negou. — ela balançou a cabeça — Ele não tem o direito de fazer isso com você, sabe disso.
— O que eu sei é que você é muito enxerida. — guardou a maquiagem na bolsa, quase como uma fugitiva. — Passar bem, Claire.
— Tory.. — segurei sua mão — Você precisa denuncia-lo, isso é crime.
— Quem está me machucando aqui é você. — levou a mão de encontro a outra — Aproveite a festa, o bolo está divino. — sorriu amarelo saindo de lá, como se nada tivesse acontecido.
Desgraçado!
Eu deveria te-lo denunciado quando podia. Mike não fica violento quando bebe, ele é violento.
Infelizmente agora não posso fazer mais nada.
Tory pode.
— Droga! — bati com as mãos na pia. A ardência na mão direita me lembrou o machucado da noite anterior. De alguma forma tudo estava relacionado a ele.
Eu quero, eu posso, eu consigo.
— Você está linda. — disse ao reflexo — Tem um cara muito gostoso aí fora querendo dançar com você. — sorri.
Como eu queria nesse momento ter meu corpo envolto por Adam.
Eu o desejo desde a primeira vez que o vi sentado naquela poltrona ao meu lado no avião.
Só não sabia disso ainda.
****
Fui até a mesa da família de Jenn cumprimenta-los.
— Então você vai tomar conta do escritório? — perguntei a Taylor.
— Pois é. — ela riu animada, provavelmente por causa da bebida.
— Se precisar de alguma coisa, é só me ligar. — sorri.
— Você vai estar pela cidade? Pensei que fosse embora amanhã.
— Eu vou, mas volto. Tenho alguns assuntos para resolver aqui em Madison. — um garçom passou servindo champanhe. Peguei uma taça. — Jenn já foi?
— Não, não. — balançou a cabeça frenética — Deve estar dançando com Sam por aí, ou agarrando ele. — riu.
— Tudo bem. — tirei o copo de suas mãos — Eu vou falar com ela, e você, chega de beber, ok? — Taylor assentiu rindo. Ela é jovem demais para ficar bêbada, muito menos no casamento da irmã mais velha.
Pelo canto do salão pude observar os dois dançando.
Adam estava certo, os opostos realmente se atraem. Os dois são tão diferentes, mas se completam de uma maneira especial. Não existe mais só o Sam ou só a Jenn, eles são o Sam e a Jenn.
— Claire! — ela pareceu me notar.
Acenei de volta, os dois vindo ao meu encontro.
— Parabéns pelo casamento. — nos abraçamos.
— Muito obrigada, de verdade.- sorriu.
— Parabéns pelo padrinho. — Sam riu, sendo fuzilado pela esposa — Ainda não acredito que vocês estão juntos. — Você já olhou para o lado?
— Nós não estamos juntos. — disse seca, tomando mais um gole.
— Querido, você pode me trazer uma bebida? Quero brindar com a Claire. — disse beijando a bochecha dele, que saiu sem questionar. — Ele parece idiota, mas não é bem assim. — riu.
— Ele é amigo do Adam, não é? — ri com ela.
— Touché. — ficou em silêncio, me analisando — Sabe, eu pensei que voltar pra Madison te faria mal, mas pelo visto você está ótima.
— É complicado, Jenn. — balancei a cabeça. Não queria importuna-la com meus problemas, o dia era dela — Você está certa. Obrigada por me convidar. — peguei a mão dela — Agradeço imensamente por você não ter me tirado da sua vida, mesmo eu tendo feito tudo o que fiz.
— Isso é passado. — sorriu — Fico feliz que você esteja aqui, e por estar com o Adam. — fitei o chão — Ele é maravilhoso, Claire. Sabia que daria certo.
— Como assim? — encarei-a.
— Eu já tinha planejado apresentar vocês dois no jantar, mas quis o destino que vocês se conhecessem antes.
— O que? — disse alto demais.
— Querida, sua bebida. — Sam lhe entregou uma taça.
— Ao destino. — ergueu a taça para um brinde.
— Você não presta. — ela sorriu. Brindei com eles, parabenizando mais uma vez pelo casamento. — Aproveitem a lua de mel.
— Muito obrigado pelo presente, Claire. Eu sabia que você não era má, é só a cara mesmo. — Sam me abraçou antes que eu pudesse questiona-lo. Jenn apenas sorriu.
— De nada. — dei tapinhas em suas costas — Nos vemos quando vocês voltarem.
— O que? — foi a vez dela me fitar surpresa — Você vai falar com James? Eu pensei que.. — balancei a cabeça.
— Quando você voltar prometo te contar tudo, mas agora, aproveite seu casamento. — sorri — Você merece.
— Vamos voltar a dançar, amor? — Sam começou a arrasta-la. Jenn me encarou séria, e eu sabia que teria que explicar tudo. — Até logo, Claire.
— Cuide bem da minha amiga! — ergui a taça — Que vocês sejam muito felizes.
Mordi minha bochecha como de costume, mas dessa vez foi diferente. Eu não estava triste, e sim feliz, como há tempos não me sentia. Lembrei de uma frase que mamãe me disse uma vez quando eu era pequena.
“Felicidade é quando você está feliz pelo outro” — e ela estava certa, hoje sei disso.
— Será que posso cobrar aquela dança agora. — Adam sussurrou. Meus pelos se eriçaram (de novo) da cabeça aos pés. Virei para encara-lo, ele estava com uma das mãos estendida.
Escutei a primeira nota.
Maldito.
— Justo essa música? — sorriu.
— Eles disseram que o dj estava aberto a sugestões.
— Ah, então é assim que você conquista as mulheres? — ele deu de ombros.
— Se eu estou sozinho até hoje talvez você seja a primeira. — fiquei sem saber o que dizer e ele percebeu, sorrindo por ter me deixado desconcertada. — Vamos? — segurei sua mão, me dirigindo a pista de dança. Muitos casais estavam ao nosso redor, mas nossa proximidade não chegava nem perto a deles. — Por favor, Claire. Nem parece que nos beijamos horas atrás. — disse me puxando para perto — É assim que se dança uma música lenta.
Balancei a cabeça, encostando minha cabeça em seu ombro.
(a música é Tenerife Sea, Ed Sheeran — um extra especial, espero que curtam.)
You look so wonderful in your dress
I love your hair like that
— Sabe, desde a primeira vez que escutei essa música tive a certeza de que seria a música do meu casamento. — não sei porque disse isso, mas as palavras simplesmente saíram da minha boca.
— O fato de que eu tenho escolhido essa música não te faz pensar que talvez eu seja o noivo perfeito? — sorte a minha ele não conseguir ver meu rosto, porque eu estava mais uma vez corada.
— Adam, Adam.. — ri entre seu pescoço.
— Cause all that you are is all I'll ever need — cantou no meu ouvido — I'm so in love..
Me afastei, queria encara-lo nesse momento. Os olhos dele eram tão bonitos, de uma cor intensa. Nunca tinha me sentido segura em relação a outra pessoa como me sinto com ele.
É tudo tão sólido, real.
E ele estava ali, agora, na minha frente cantando Ed Sheeran no meu ouvido dizendo que estava apaixonado por mim.
Sorri com os olhos, beijando-o novamente.
Não sei se estávamos mesmo girando, ou se eu estava me sentido assim. O que mais uma vez começou calmo foi ficando intenso, e tive que conte-lo.
— Vamos sair daqui. — disse puxando-o pela mão. Adam assentiu anestesiado, me seguindo com o olhar.
A festa de casamento foi realizada no salão comunitário da cidade, que por sorte não ficava muito longe do hotel.
— Você não pode brincar com fogo e ter medo de se queimar, Claire.. — falou enquanto tentava acompanhar meu ritmo.
— Quem disse que eu estou com medo? — me limitei a fita-lo. Continue andando, já avistando a quadra do hotel.
Abri o portão tentando fazer o mínimo de barulho possível, mas dei de cara com Joshua na recepção.
— Boa noite, Claire. — ele me encarou de uma forma esquisita.
— Boa noite. — sorri para ele, seguindo até o elevador. Não sabia se ria ou ficava irritada quando vi meu reflexo no espelho. Meu batom estava borrado, chegando até a bochecha.
Dane-se.
Tinha certeza de que Adam subiria pelas escadas, então fui espera-lo na porta de emergência.
— Claire.. — disse ofegante, parando no momento em que empurrei para parede.
Fitei-o de cima a baixo, ameaçando beija-lo, mas recuando.
Eu tinha o controle.
Adam começou a mordiscar minha orelha, me fazendo baixar a guarda. Ele aproveitou o deslize e me empurrou contra a parede, segurando meus dois pulsos. Não quis abrir os olhos, sabia que não conseguiria me controlar se o fizesse. Senti seu hálito na bochecha, me beijando até chegar a boca.
Consegui soltar minhas mãos e agarrei sua camisa, puxando seu corpo contra o meu.
— Aqui não.. — sussurrou entre o beijo.
— Vamos para o seu quarto.. — disse quase soltando um gemido.
— Não. — se afastou.
— O que? — minha voz saiu alterada. Ele tinha acabado de me rejeitar?
— Você não é mulher de uma noite, Claire. — fitei-o — Eu não quero começar assim, quero te levar pra jantar, fazer as coisas direito. — Não contive um riso. Era sério isso?
Ele se aproximou, colocando uma mecha de cabelo caída atrás da orelha.
— Você aceita?
— O que? Sair com você? — ele assentiu — Eu vou embora amanhã, Adam.
— Tudo bem, nós podemos jantar em São Francisco se você quiser. — deu de ombros.
Sorri fraca.
— Não vou ficar lá por muito tempo, no máximo um, dois dias. — franziu o cenho — Eu vou voltar para Madison assim que puder. — para minha surpresa ele sorriu — Porque você está sorrindo?
— Eu ouvi você falando para Jenn que ficaria aqui por mais uns dias, e estou feliz que me contou a verdade, o que significa que você está interessada.. — se aproximou, mas eu o contive.
— Não é você que quer fazer as coisas direito? — levantei uma sobrancelha.
Segui o corredor, puxando meu vestido para baixo, até a minha porta.
— Claire.. — ele agora estava ao meu lado — Você quer jantar comigo?
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