[ Narração em terceira pessoa]

Ela estava do lado de fora da escola, longe da agitação da feira, mas ainda podia ouvir as vozes dos outros alunos. Tinha tirado aquele tempo para pensar. Não ia ser uma invenção louca de Freddie que a faria sair por aí revelando as coisas. E isso nem ia a deixar chateada por muito tempo. “Por que a Carly tem sempre que se meter em tudo?” pensou bufando. Sam se preocupava apenas em brincar com a garrafa de água que ela tinha nas mãos. Até que alguém abriu a porta: — E aí? — Freddie perguntou se achegando.

— Carly mandou você me procurar? — ela perguntou desanimada, não deixando de brincar com a garrafinha.

— Não. — Ele a respondeu rápido

— Ah, então você não sabe que nós tivemos uma pequena discussão?

— Ela me contou sobre essa briguinha. E me disse para não vir procurá-la. — ele enfiou as mãos nos bolsos e se recostou na parede se preparando para permanecer ali o tempo que fosse para convencê-la.

— Que bom.— disse somente. Sam não tinha intenção nenhuma de manter uma conversa com ele, até porque ela já sabia o que viria pela frente.

— Carly está certa. — continuou. Ela só pensou em dizer: “Eu já sabia. Você sempre concorda com ela, seu pateta!”, mas se limitou a um “ Aaaaargh!” bem longo e tradicional dela mesma. Ele só esperou o ‘show’ como ele pensava, acabar. Já estava acostumado demais pra fazer algum comentário crítico. — Grite e bufe o quanto quiser...— Se limitou em dizer. Ela fez uma careta e o respondeu:

— Eu não me importo com o que seu estúpido aplicativo de PearPad diz sobre eu estar apaixonada. Eu não estou afim de Brad. —

— Ultimamente, todas as vezes que eu e Brad estamos fazendo algo juntos, você quer ficar conosco. — ele andou calmamente até perto de onde ela estava sentada, sem retirar os olhos dela por um segundo.— E isso significa que estou apaixonada por ele? — ela perguntou com a voz sarcástica.

— Bem, você me odeia! — ele disse sua teoria que fazia tudo fazer sentido. “Pobre menino iludido. E agora, o que eu faço pra sair dessa?” ela pensou.

— Eu nunca te disse ‘eu te odeio’. — ela deixou escapar sem querer. Tinha se esquecido dos milhares do momentos, incluindo o do primeiro beijo deles. Sam tirou os olhos da garrafa por alguns segundos e admirou a cara dele.

— Sim, você disse! — ele frisou bem as palavras, numa entonação que chegava a ser engraçada. Sam apenas deu graças a Deus, mentalmente, por ele não ter notado a declaração discreta de amor. Ela tinha entregado tudo com aquele simples – eu nunca disse que te odiava- “Sempre soube que você fosse um babaca desligado” ela pensou — Umas 900 vezes. Eu ainda tenho o cartão de aniversário que você me deu, que diz: “Feliz aniversário, eu te odeio ... Com ódio, Sam.” — ele continuou seu argumento nem aí pra cara de tédio dela.

— Vai emboooooooooooooooooora... — ela arrastou as palavras e sinalizou em direção a porta.

— Tudo bem, eu vooooooooou— a imitou tentando provocá-la.

— Tchau. — ela se despediu expulsando ele.

— Mas antes que eu vá... — ele disse.

— É isso aí... — Sam disse se levantando e indo na direção dele. —Saia daqui antes que eu faça meus punhos dançarem no seu rosto.— ela apontou para a saída novamente o olhando fixamente. Freddie rolou os olhos, já estava na hora de começar o discurso dele, e foi o que ele fez:

— Você pode ameaçar a fazer a dancinha do punho na minha cara o quanto quiser também. — ele fez uma pausa proposital.— Mas Carly ainda estará certa. Olha, eu sei que é assustador para você expor seus sentimentos assim... Porque você nunca sabe se a pessoa que você gosta te corresponde. Todo mundo se sente desse jeito... mas você nunca sabe o que pode acontecer se você não... — sua frase foi interrompida por Sam, que num impulso o segurou levemente pelos ombros e colou seus lábios nos dele. Freddie manteve seus olhos arregalados em choque durante o beijo, mas ele não se fez menção em se afastar em momento algum. Depois de cerca de onze segundos, Sam se afastou o encarando com cautela. Freddie piscou repetidamente. “O que está acontecendo?” pensou. Não que ele fosse idiota suficiente para não saber o que tinha acabado de acontecer, mas... por que? Ela gostava de Brad e não, nunca devia ter feito aquilo. Não, em hipótese alguma ela deveria ter feito aquilo.

— Eu... — ele tentou começar a dizer alguma coisa, mas não deu certo. Nem ela parecia preparada para dizer algo.

—... Sinto muito. — foi a primeira coisa que ela conseguiu dizer. Ela torceu o nariz e desviou o olhar “Eu não vou chorar, eu nunca choro, sem choro, Sam...” repetiu mentalmente.

—... Tudo bem. — Freddie gaguejou nervosamente, então olhou para sua esquerda, evitando totalmente o olhar dela.Se até aquele momento tudo estava sendo muito estranho e desconhecido para eles, imagina depois que eles descobrirem que Carly estava a ver tudo. Do outro lado da janela a morena apenas acompanhou a cena com o queixo caído. “Então não era Brad ...” pensou ainda chocada. Ela olhou Freddie com os ombros encolhidos ela não podia ver seu rosto, mas supunha que ele estava com uma cara confusa e assustada quase igual a de Sam.

[Ponto de vista de Sam Puckett]


Oh, droga! O que eu tenho na cabeça?” era a única coisa que eu conseguia pensar. Estava assustada demais pra fazer outra coisa. Eu tinha acabado de interromper o discurso moralista de Freddie com um beijo. Olhei para ele que ainda permanecia estático. Bom, deu certo, acho que ele não vai voltar a falar da minha ‘paixão’ por Brad nem tão cedo; na verdade, acho que ele não vai voltar a falar qualquer coisa nem tão cedo.


— Hum, ... uh ... desculpe, sério ... Eu... Eu tenho que ir agora. — Gaguejei me virando para ir embora. Se eu ficasse mais tempo ali daria mais tempo dele se recuperar e pedir explicações que eu não era capaz de dar. Tinha de ser rápida, avancei até a porta e quando estava preste a abri-la... Freddie agarrou meu pulso me forçando a parar. Virei-me para ele sua expressão era de quem tivesse acabado de acordar de um transe naquele exato momento.

— Sam, espera! — “como se eu tivesse uma escolha.”, pensei — Não era sobre Brad... é isso? — ele me perguntou. Sério, por que um buraco enorme não se abre no chão quando eu preciso dele? Eu revirei os olhos e bati em sua testa. “Idiota”, pensei. Rodei meus pulsos saindo do aperto dele. Tinha resolvido que ia fazer ele chegar a uma conclusão sozinho. Então, apenas me soltei e caminhei de novo em direção da porta. Ele novamente me segurou. Dessa vez ele entrelaçou suas mãos nas minhas e levou até as minhas costas. Ele se aproximou perigosamente e resolveu descansar o queixo no meu ombro aproveitando para sussurrar um: — Por favor, diga que não é uma brincadeira. — bem perto do meu ouvido.

— Não é uma brincadeira, nerd... — respondi. Ele me encarou com uma cara de questionamento. Eu o conheço bem o suficiente que ele iria levar aquela conversa até o fim. E o fim seria quando eu não tivesse segredos mais nenhum.

— Então o maldito aplicativo estava certo? Você está apaixonada...— insistiu. — Só que Carly está errada, era sobre mim não sobre Brad... É isso? — esperei ele parar de divagar pra responder:

— Sempre foi você. — suspirei. — Não me pergunte como, quando, nem porquê. Eu não sei... Eu só ... — “Oh, droga! O que eu tenho na cabeça?” me perguntei novamente. Eu estava agindo feito uma mocinha de filme romântico. Não era pra ter ajudado-o com aquele bendito aplicativo, não era para ter o beijado como eu beijei, não era pra ter dito nada daquilo, não era para eu estar ali até agora...

— Por que você não me disse isso antes? — ele perguntou mordendo os lábios.

— Tirando uma coisa que se chama orgulho, que me impedia... — zombei. —Você me odeia! Não se lembra? —

— Eu nunca disse que odiava você. — Freddie repediu a frase dita por mim mesma anteriormente. Eu ri. Acho que a essa altura, com uma ironia dessas eu merecia rir um pouquinho.

— Você disse sim. Várias vezes! — gargalhei novamente, ele me olhou com uma cara estranha e eu continuei: — Acho que a mesma quantidade de vezes que eu já te disse que te odiava. —

— Anh, então admite que disse que me odiava?

— Está óbvio, não está? — perguntei arqueando as sobrancelhas.

— Então... Você não ia me falar nada disso mesmo? — Freddie perguntou. Desci outro tapa nele.— Não. Claro que não. Eu... não tinha nada para falar. Não era para eu ter feito isso, ok? Só... esqueça que aconteceu. —

— Ou, já fiz isso uma vez, não vou ‘esquecer e não contar a ninguém’ novamente. Onde isso vai nos levar? — Freddie perguntou. — Vai passar um tempo, vai acontecer de novo e de novo vamos esquecer e não contar a ninguém, como um ciclo vicioso. E outra... saber disso é importante pra mim

— Eu preciso ir... — resmunguei. Funguei baixinho, tentando prender o choro. “Vai chorar? Porque não sabe se controlar, não devia ter pulado no pescoço dele.” me repreendi mentalmente. “Como se isso me levasse a algum lugar.” Continuei. Freddie parecia surpreso. Será que era realmente tão estranho me ver derramando algumas lágrimas. Não muitas, mas algumas.

— Precisa ir pra onde? Por que? — me indagou, e eu estaquei em frente a porta.

— Eu não sei... eu só preciso ir. — respondi olhando para os meus pés que eu arrastava distraidamente pelo chão.

— Então você não vai. — Freddie disse, me virou na incômoda posição de frente para ele. Levantou meu queixo me fazendo olhar para ele. — Sam, você gosta de mim... não é? — perguntou me olhando fixamente para meus olhos.

— Sim, Benson. Isso também não está bem óbvio? Lembra que eu acabei de te beijar? — ela disse sarcasticamente. Freddie esfregou a parte de trás do seu pescoço, parecia encabulado por ter feito uma pergunta idiota.

— Certo. — ele começou e eu virei meu rosto evitando encará-lo. — Ei, dá pra olhar para mim? — pediu, mas eu continuei com a cabeça baixa. Senti ele tomar uma respiração funda, levantou meu queixo novamente e, quando eu dei por mim, ele já estava lá, me dando outro beijo. Pela segunda vez naquela noite nossos lábios se encontraram, durou pouco mais que o outro. Quando ele quebrou o beijo e se afastou, meus olhos estavam tão arregalados quando os dele... —Sam? — ele murmurou me tirando do transe. “Tudo bem, agora o que ele tem nada cabeça?” eu pensei dessa vez.

Resolvi sair logo dali. Não, em hipótese alguma eu ia viver da pena dele, nem mendigando um pouco de seus beijos e sua atenção. Dessa vez eu ia sair dali e ele não seria capaz de me impedir. Segurei na maçaneta da porta e olhei só uma vez para trás seu rosto estava ilegível.— Quer ser minha namorada? — ele perguntou tão rápido, quase atropelando as palavras.Eu olhei para a porta, depois pra ele. Pisquei mil vezes meio aturdida.

— Então... então você gosta de mim? —, perguntei a ele. Freddie revirou os olhos para mim e deu-me um tapa na testa como eu tinha feito com ele.

— Isso não está bem óbvio? Lembra, eu acabei de te beijar? — ele perguntou, repedindo novamente frases já ditas por mim. E pela primeira vez eu não fiquei irritada por isso, muito pelo contrário, eu sorri e me inclinei para beijá-lo novamente. Onze segundos a mais.

— Ok. Já que você não consegue viver sem a mamãe aqui, eu vou ser sua namorada, Benson. — respondi sorrindo.

Notas finais
Hey, angels. Momma's back. Um mooonte de fics pra postar. Quem gostou dessa? Digam-me o que acharam. o/
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!