Não Espere
5 O Alter Ego
Notas iniciais
desculpem a demora..=P
agr as coisas vao começar a se desenrolar aos pouquinhos..¬¬
Boa leitura.
Eu tentava me livrar de todas as formas de quem quer que fosse, mas esse tal alguém era muito forte.
- Caramba! Precisa mesmo se espernear desse jeito? Você pula feito um esquilo!
Parei. Eu conhecia aquela voz.
- Lissa?!
- E aí, gata.
Eu lhe dei um sorriso confiante, e ela me apontou o dedo.
- Não achou que eu ia esquecer, né?
Como resposta, eu a abracei.
- Feliz aniversário, amiga.
- Por que teve que me sequestrar?
Nós rimos.
- Eu decidi que não ia perder a sua festa por nada — contou Lissa. — Vi tudo de longe.
- Então era você! — descobri, dando-lhe um soco de brincadeira. Ela sempre me surpreendia.
- Eu precisava ver se você estava curtindo a sua festa. — falou ela, caminhando com as mãos no bolso da jaqueta. De repente, esboçou um sorriso malicioso. — Eu vi você com o loirinho...qual é a de vocês dois?
Tentei não ruborizar.
- Quem? Leon? Brian?
- Hmm...você tem outras opções.
- Lissa! — protestei, desconcertada com a situação. Ela riu.
- Só estou fazendo o que uma amiga faz. — ela se defendeu, com falsa inocência.
Paramos em frente a um barzinho agitado; um lugar mal iluminado com cheiro de bebida e cigarro. As paredes chegavam a tremer com a música.
- Tenho que voltar. — falei rápido. Eu não havia me esquecido da minha Morte.
- Relaxa; não tenha medo. — Lissa me tranquilizou. — Nada vai acontecer comigo aqui. Quero te mostrar uma coisa. — ela deu um olhar enigmático para o lugar. — Vem comigo. — ela deu um passo à frente e decidi segui-la. — Sabe, devia ter feito uma festa temática. — ela gritou por cima do barulho e sorriu, presunçosa. — Hey, não me olhe assim! — ela disse rápido quando a olhei de modo frustrado. — Devia ter sido uma festa dos anos 80. Bons tempos.
Nós começamos a nos empolgar e dançar.
- Você teria gostado dessa época. — ela me jogou uma bebida e tomou um gole da sua.
- Vou me lembrar de produzir uma festa temática no meu aniversário de 19 anos. — eu ironizei, e dei um gole. — Há quanto tempo está por aí, afinal? — eu quis saber.
Ela parou e deu mais um gole.
- Há mais tempo do que eu queria.
- Zattara sabe que está aqui? Quero dizer...comigo? — eu me preocupei.
- Ela meio que...afrouxou as rédeas — Lissa riu. Em seguida, deu um passo à frente. — Estou com ela há muito tempo. Conheço suas manias e jeito de agir. Mas não posso traí-la. Zattara salvou a minha vida e a de Max.
Um calafrio percorreu minha espinha.
- O que houve? — Lissa me segurou.
- Eu não estou me sentindo bem.
Lissa vasculhou ao redor.
- Não sinto a presença de nenhum outro Ceifador.
- A minha Morte é diferente. — contei. — Não sei dizer, mas ele é bom no que faz. Sabe se disfarçar muito bem.
Ela semicerrou os olhos.
- Devem haver espiões por aqui. — ela me olhou e sorriu. — Não pode ir embora sem receber o seu presente.
- O quê?!
Sem dizer nada, Lissa me puxou para um canto escondido do local. O ambiente começou a me parecer estranho — e aquela velha sensação de que todos estavam olhando pra mim.
- Não foi uma boa ideia vir aqui. — eu disse.
- Nem mesmo na própria Ordem você estará segura, Luna — argumentou Lissa. — A sua Morte não está sozinha. Ela vai usar tudo que estiver ao seu alcance para destruí-la. — ela engoliu em seco. — Até mesmo as pessoas que você mais ama.
- E como quer me ajudar? — falei, já sentindo o gosto salgado do choro. — Você também é a Morte.
Ela suspirou.
- Eu não sei mais qual é o verdadeiro conceito de Morte.
Um forte ruído arranhou e atravessou todo o meu cérebro, e pus as mãos para aliviar a dor, mas caí de joelhos, grunhindo.
- Ai, ai!
- Luna! — Lissa se ajeitou ao meu lado. Eu a olhei, mas não escutei a sua voz.
Minha cabeça ia explodir.
" Sentiu minha falta, Luna? Estarei sempre um passo atrás de você, lembra? "
Era a mesma voz.
- NÃO! — gritei. — No meu aniversário...NÃO!!
Meu grito pareceu atiçar uma forte ventania que atingiu um lugar, como se uma tempestade se aproximasse. As pessoas começaram a correr, e tudo virou uma bagunça.
" Adoro esse seu estado de espírito! "
- ME DEIXA EM PAZ!! — vociferei.
- Luna! — Lissa me chamou mais uma vez. — Não entende o que ele quer? Está fazendo você perder o controle!
- Não vou deixar ele me humilhar! — eu disse, convicta.
Me levantei com um pouco de esforço.
- Apareça! Vamos, mostre quem você é! Ou você não é tão determinado quanto eu pensava?
Aquilo pareceu enfurecer o Ceifador.
" Talvez me ver não vá fazê-la mudar de ideia sobre mim...é melhor me sentir. "
Como se ele tivesse movido a mão contra mim, senti como se o meu coração estivesse sendo arrancado. Lissa parecia impotente ao meu lado. Num rápido movimento, ela me puxou para detrás do balcão e meteu a mão no bolso.
- Tome. — ela colocou um objeto sólido e pequeno na minha mão. — Acho que eles estão aqui por causa disso.
- Eles? — indaguei. — O que é isso?
Uma coisa bateu em cima do balcão e guardei o objeto. Era uma garota que nos olhava estranhamente.
- Fique atenta. — Lissa sussurrou, já pegando na minha mão.
" Vocês! ", escutei a voz do Ceifador dizer, " Peguem a garota! "
Como robôs, todas as pessoas olharam para mim em uníssono, e me aninhei atrás do balcão.
- Lissa...
- Shh — ela fez. — É bem pior do que eu pensava.
- O que significa tudo isso?
- O Ceifador está controlando o alter ego das pessoas. — contou ela. Quando franzi o cenho, ela continuou. — Ele tem total poder sobre eles.
- Tipo...controlando o lado mal delas? — eu me apavorei. Como resposta, ela suspirou.
- Isso é errado. — comentou ela, parecendo lamentar. — Não podemos nos aproveitar disso para eliminar alguém.
Eu ia responder, mas o balcão foi destruído com um único golpe. Ao observar os olhos das pessoas, percebi que eles eram órbitas negras por completo.
- Eles estão...possuídos? — a palavra mal saiu da minha boca.
- Não. — Lissa falou. — Vem. — ela me levou para subirmos as escadas. Como zumbis, a multidão nos seguiu.
- Por que ele mesmo não faz o trabalho sujo?! — eu me enfezei. — Por que ele teve que usar as pessoas?!
- Porque ele não quer ceder. — Lissa disse.
Por acaso, meu braço roçou em algo pontiagudo na jaqueta. Atarantada, removi a tal coisa, e vi que era uma pedra brilhante e transparente.
- Sei o que está pensando — Lissa sorriu, olhando para a pedra. — Não é uma pedra qualquer. É o presente que lhe falei.
- E o que isso faz? Onde pegou isso, Lissa? — eu a olhei séria; balançando a pedra em riste.
A porta que trancamos foi forçada até arrombarem.
- Lissa...você roubou essa pedra? Ela não pertence à você? — eu comecei a recuar.
Ela fez muxoxo e meneou a cabeça.
- Digamos que...isso vai ajudar você nos momentos certos.
Os vidros foram quebrados violentamente, e figuras negras começaram a rodopiar ao redor.
- Pesadelos. — Lissa murmurou, parecendo surpresa.
- O que eles são? — eu quis saber.
- São criaturas que invadem a sua mente e fazem você ver coisas horríveis — revelou ela. — Dá sonhos ruins, trazendo os seus medos à tona. Espera aí. — ela parou. — Quem está controlando as pessoas...
- ...são eles. — eu completei. — Eles desenvolveram o alter ego nelas.
- Então...onde está o Ceifador? — Lissa falou devagar.
" Se entregue, Luna. "
- Jamais. — falei o mais firme que pude.
Os Pesadelos rodopiavam em volta de mim. Seus corpos etéreos formaram uma espécie de "telão" onde tudo o que eu mais temia estava sendo mostrado. Isso parecia sugar minhas forças.
- Luna, resista! — gritou Lissa. Ela estava fora do círculo.
" Desista, Luna. Você é fraca demais. "
Fechei os olhos com força e engoli. Quando um dos Pesadelos me tocou, eu agi.
Eu o puxei com toda a força, mas algo saiu errado, e ele veio na minha direção e me atravessou.
Tudo o que vi foi a completa escuridão.
" Já vi que você tem um forte escudo. ", a voz continuou, " Mas já sei como lidar com você. Não irei mais caçá-la. Você vai implorar por mim. "
A escuridão então se desmanchou como uma gosma. Me vi de pé em um lugar alto, pronta pra me jogar — e pior, decidida a fazer aquilo. Me vi com uma faca na mão. Por fim, me vi em um rio, e estava me afogando.
" É assim que vai ser. "
Em câmera lenta, caí de joelhos e arquejei. Algo dentro de mim havia mudado.
Porém, um guincho de dor e fúria me fez virar a cabeça. Vi Leon enforcando um Pesadelo até ele virar uma fumaça desmanchada. Ele me encarou com raiva — mas não por mim. Em seguida, deu passos duros.
- Belo plano. — ele se dirigiu à Lissa. — Atraí-la para a sua execução como belas e boas amigas. — ele foi sarcástico.
- Eu não a atraí — Lissa se defendeu. — A Morte veio até ela.
- Você é um deles! — Leon apontou-lhe o dedo. — Achou que simplesmente conseguiria porque são amigas? Não tem vítimas pra caçar?
Lissa suspirou.
- Parem com isso — eu me levantei, grunhindo.
- Exatamente como quase fez com Marion. — Leon continuou.
- Aquela vadia me escapou por pouco. — Lissa falou com nojo. — Eu teria o maior prazer em cortar a garganta dela. Luna é diferente. — sua voz suavizou.
- Gente, eu não tô legal.
Ao me levantar, fiquei um pouco zonza e quase caí. Era como se meus sentidos estivessem bagunçados.
- Um Pesadelo tocou em você? — Leon franziu o cenho, parecendo alarmado.
- Mais ou menos. — respondi, fraca.
- Não é nada demais. — Lissa disse.
Leon olhou incrédulo pra ela.
- Não é nada demais? Você sabe o que isso significa?
- No máximo, ela só vai ter lembranças ruins; vai passar. — Lissa deu de ombros.
- Lembranças terríveis que só farão com que a Morte só chegue cada vez mais perto dela.
Com raiva, virei as costas e fui embora.
- Ei, Luna.
- Estou cansada de vocês dois! — eu me virei abruptamente. — Mas que droga! Vocês agem como se fossem eternos rivais! Vocês são Lissa e Leon; minha amiga e meu namorado.
Lissa meneou a cabeça.
- Você está certa. Mas eu só quis aproveitar esse último momento com você.
- O quê?!
Foi bom ver você pela última vez. Não podemos ser amigas, ela disse na minha cabeça.
Lissa sumiu antes que eu interpretasse o que ela quis dizer.
Notas finais
Obrigada por lerem!!
nos pros cap as coisas ficarao + acirradas!!
Bye bye
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