Não Escolhi Amar Ele

20 Capítulo 20 - Afinal o que é felicidade?


(Daniel)

— Olha Daniel, eu já me decidi. Você mais do que ninguém deveria ter entendido. – Diz ele se levantando e saindo da sorveteria. Para não parecer um escândalo e todo mundo ver, apenas, me levantei junto com a Fernanda e fomos atrás dele.

Ele foi em direção a praça, e subiu até os bancos que estavam vazios, no canto escuro do local de recreação do bairro. Sentou lá e ficou olhando para cima. Observando as estrelas. Em total silêncio.

— Está tudo bem? – Pergunto me aproximando.

— Não cara! Não está nada bem! – Uma lagrima escorre em seu rosto enquanto responde. – Olha como minha vida está. Quem gostaria de viver em um inferno desse? Eu não sei mais o que eu faço Daniel, não sei!

Eu olho para a Nanda, e ela acena com a cabeça, sinalizando para eu ir em frente. Sem pensar duas vezes me sentei ao seu lado e o abracei. Um forte abraço, respirando fundo em sua nuca. Deixando com que minha voz suave alcançasse seu coração.

— Quando achei que não tinha mais motivos para viver, me lembrei de você. No hospital, fechei os olhos numa noite, quando abri na manhã seguinte. Vi que minha felicidade sempre esteve ao meu lado. Percebi que os pequenos momentos que passamos juntos, não me deixam te esquecer. São eles que me tornam feliz, e é você, você Lucas. Que eu sempre quis.

— Eu tenho medo, tenho pavor de te amar. Não sei se devo continuar, mesmo com meu coração implorando, minha mente não permite.

Eu solto ele do abraço aconchegante e olho diretamente em seus olhos por alguns segundos. Passo a mão em seu rosto e o beijo. Sentir aquele saber reciproco me deixou empolgado e me trouxe segurança e paz.

— ihuuuuuuu! Que lindo vocês dois são. Meu Deus... Que perfeitinho meu primo amando. – Diz Fernanda, euforicamente.

Lucas interrompe o beijo e sorri de canto, isso me deixou feliz.

— Não é tão fácil assim Fer! – Diz ele se levantando do banco. – Meus pais nunca irão aceitar, e mesmo que eu ame o Daniel, não posso ficar com ele... Me diz gente. Por que a vida é tão rigorosa? Por que é tão triste?

— Amor, você sabe que juntos podemos vencer qualquer preconceito, não sabe!?

— Isso Dani, mostra para ele que os medrosos sempre perdem. E vocês dois juntos... não tem nada a perder.

— Amor? – Interroga surpreso.

— Desculpa pela intimidade. Eu te amo muito Lucas, estou disposto a lutar ao seu lado para sempre!

— Eu também te amo! Vamos fazer assim. Vou pra casa, descansar e pensar no próximo passo. Pensar em como enfrentar meus pais. Pode ser? – Naquele momento um sorriso enorme apareceu em meu rosto. Meus olhos brilhavam feio os do Bob Esponja quando caça águas-vivas. E meu coração, estava quase decolando feito foguete para fora de mim.

— Tá bom! Pode ser. Vou embora também então. – Me despeço com um abraço longo, e um beijo quente.

— Fernanda. Obrigado por tudo, obrigado por ter ido até mim. Por me dar uma chance de ser feliz. – Agradeço meu “cupido” que logo me agarra com um forte e carinhoso abraço de urso.

— Seja bem-vindo a família...

(Lucas)

Confesso que depois da noite de ontem, acordei até mais feliz. Podemos dizer que radiante... Enviei mensagens para o Dani, propondo arrumarmos um emprego. Já que provavelmente teremos que nos sustentar em breve. Ele topou na hora e disse que já ia fazer o necessário para iniciar a busca.

Imprimi alguns currículos, tomei banho e fui tomar café da manhã. Já estou correndo perigo de ficar sem moradia, preciso pelo menos garantir um sustento. Ainda não sei se o que estou fazendo é correto, mas eu o que eu quero para mim. Então, vou em frente!

— Acordou cedo hoje Lucas. Onde vai? – Pergunta minha mãe enquanto tomo café.

Eu ignorei, terminei de me alimentar e me levantei da mesa. Peguei as folhas de sulfite e ai então respondi sua pergunta, saindo para distribuir.

— Vou entregar alguns currículos. Já cansei de ficar em casa esperando a faculdade começar.

Imprimi em casa cerca de trinta folhas. É um pouco exagerado, mas também mais garantido. Comecei entregando nos comércios próximos do meu bairro, qualquer emprego já está valendo, desde que eu possa pelo menos ter um argumento para usar quando me assumir para toda a família.

Eu realmente não sei onde vou morar caso tudo vá pra merda. Mas eu confio no Dani. Sei que daremos um jeito. Falando nele...

— Oi, já estou com meus currículos prontos. – Diz ele chegando na avenida onde eu estava.

— Oi. Então vamos para o centro? – Respondi com um sorriso leve, mas meigo.

Combinamos de nos encontrar no Lojão aqui da esquina, e ir até o centro entregar no comercio local. Mesmo que um pouco longe de casa, é a melhor opção.

Só de estar perto dele já me sinto melhor. Meu medo se vai e eu só sinto felicidade. O que era para ser uma tarefa chata, se torna agradável ao seu lado. Agora entendo o porquê de sermos tão amigos desde crianças.

— Lucas, já estou exausto. São 16:00hr. Acho que já vou embora.

— Tá bom Dani, eu também já vou embora. Mas, vamos dar uma voltinha rapidinho?

— Uma voltinha? Onde?

— Quero te dar um beijo antes de ir.

Avistei de longe o estacionamento do supermercado e logo imaginei um lugar perfeito na medida do possível.

— Vem. Vamos até o estacionamento!

— No estacionamento? Tá bom então!

Procuramos uma área mais tranquila e com muitos carros parados. Entramos entre os veículos. Segurei suas mãos e logo o beijei. Sempre que minha boca tocava a dele eu me sentia em outro mundo. Sem nenhum preconceito, onde o amor é para todos. Um mundinho perfeito.

(Daniel)

O mundo estava começando a fazer sentindo para mim, se viver para sempre com quem se ama é assim, então estou adorando. Agora entendo o porquê as pessoas anseiam se casar. Não é uma simples obrigação, é uma necessidade no qual o coração precisa suprir. Mas e minha mãe. Depois que meu pai se separou dela, nunca mais quis se casar novamente. Acho que ela desistiu do amor. Ou simples não encontrou a pessoa certa. Eu sei que um dia ela vai encontrar e eu vou apoia-la sempre!

— Oi Dan. Como foi a entrega de currículo? – Perguntou ela assim que entrei em casa.

— Foi bem mãe. O Lucas foi comigo, ele também está procurando emprego.

— Então quer dizer que vocês voltaram?

— Mais ou menos... Tem algumas coisas ainda para resolver, mas acredito que no final tudo vai dar certo.

— Que bom filho. Quero que você seja muito feliz, independente de como seja.

Aquele incidente no parque fez minha mãe mudar completamente. No dia em que ela descobriu de mim. Me julgou por causa das pessoas. Com medo da sociedade. Mas agora, ela voltou a ser a mainha que eu sempre tive. Que me ama independente da minha opção sexual.

Me joguei na cama, pulando feito criança que acaba de ganhar um brinquedo novo. Olhando para o teto tive uma brilhante ideia. Que provavelmente iria dar mais confiança para mim e o Lucas. Podemos dizer que é uma garantia caso ele seja expulso de casa.

Corri para a sala gritando minha mãe.

— Mãe! Mãe! Mãe!

— O que é menino. Da onde saiu toda essa alegria?

— Olha, quero te pedir uma coisa. É difícil. Mas não impossível...

— Hm.... quando começa assim não é coisa boa.

— Então. Quando eu disse que as coisas entre eu e o Lucas estavam mais ou menos, é por que ele vai se assumir para a família toda. Os pais dele já sabem e estão proibindo ele de me ver. Mas nos amamos e queremos ficar juntos. Vamos lutar para conseguir isso. Esse é o motivo dos currículos.

— Entendi o resumo de sua história. Mas o que você queria pedir?

— O Lucas pode vir morar aqui em casa?

— O que Daniel? Você está doido?

— Não mãe, é só caso ele seja expulso. Por favor mãe. Te imploro.

— Ai ai filho. Tudo bem, você sabe que isso não vai ser nada fácil. Os pais deles podem achar muito ruim. Pode dar uma confusão enorme.

— Sim, eu sei. Estou disposto a enfrentar tudo.

— É eu sei que está. Se for para te ver feliz. Eu te ajudo!

Ainda bem que tudo correu como eu esperava, realmente ela é fantástica. Espero não ter que recorrer a está alternativa, pois não será nada fácil.

—Zruum. Zruum. – Vibrou o celular

Peguei para atender. Lucas.

— Oi

— Oi Dani, tudo bem?

— Tudo sim!

— Fiquei com vontade de ouvir sua voz, você está ocupado?

— Seu lindo. Não estou ocupado não.

— Brincadeira amor. Liguei para avisar que domingo meus tios vão vir almoçar aqui em casa, e eu pensei que seria o momento perfeito para anunciar o nosso namoro.

— Você tem certeza disso Lucas?

— Tenho sim. Mas por enquanto vamos manter em segredo. Preciso desligar agora. Até mais. Te amo!

— Também te amo amor!

(Lucas)

Já avisei o Dani que domingo não será um dia fácil. Mas estou confiante. Ainda mais agora que recebi um convite para entrevista de emprego. Amanhã cedo já irei lá na loja de papelaria conversar com o gerente.

Me alimentar e descansar bem essa noite vai ser primordial para que eu não fique muito nervoso amanhã.

As 8:00hr da manhã eu já estou plantado na porta da loja.

— Bom Dia! Você veio realmente cedo hein! – Diz o gerente no qual eu havia entregado currículo.

— Bom Dia. – Respondi com uma risada meiga.

— Entre, vamos no meu escritório.

Quando sai da loja estavam o Dani e a Fer me esperando em frente à loja. Eu olho espantado.

— O que vocês fazem aqui?

— Sua mãe me avisou que você tinha vindo fazer uma entrevista, então resolvi chamar o Dan para vir comigo lhe fazer uma surpresa e dar os parabéns pessoalmente.

— Parabéns? Pelo o que?

— Pelo emprego amor. – Diz ele sorrindo

— Ah! Mas eu não consegui o trabalho.

Fernanda olha para o Daniel com uma cara de desapontada e diz.

— Nossa, me desculpa primo, eu jurava que você iria conseguir.

— Estou brincando seus bobos. Consegui sim! Começo na segunda-feira

Levei alguns tapas o braço e na cabeça mas foi divertida a brincadeira.

— Seu idiota! – reagem enquanto me “espancam” em público.

Fomos comer alguma coisa. Enquanto eles preferiam salgados, eu optei pelo sorvete de casquinha. Existe algo melhor que sorvete? Claro que não!

Eu estava ansioso pelo domingo, e agora também pela segunda-feira. Tanta coisa acontecendo de uma só vez. Preciso me concentrar e manter minha sanidade, pois o resultado do anuncio familiar pode afetar meu primeiro diz de serviço.

Claro que eu amo meus pais, não queria desaponta-los. Mas preciso viver, preciso ser feliz. Eles já encontraram suas felicidades, já amaram. Agora é minha vez de viver, do jeito que eu escolher, do jeito que faz bem.

Enfim chegou o grande dia. Acordo as 10 da manhã e vejo que tem notificações de mensagens na tela do celular.

~~ Duas novas mensagens~~

Bom Dia meu amor, espero que você acorde animado, que tenha muita força e coragem para o que vai fazer mais tarde.

Aliás, saiba que eu sempre estarei ao seu lado e nunca, nunca vou te desapontar. Te amo!

Receber essas mensagens do Dani me fez ficar mais “corajoso”.

Minha mãe já estava na cozinha preparando a comida. Pelo horário, eu esperava que pelo menos alguns dos meus tios já tivessem chegado, mas nenhum sinal deles até o momento.

Depois de cuidar da higiene pessoal, aguardei no meu quarto até que o almoço ficasse pronto e os familiares começassem a chegar. Como sempre a Fernanda foi a primeira. Ela não perderia isso por nada!

— Ai priminho, estou nervosa.

— Você está nervosa? Imagine eu! Kkkk

— Força, lindo! Você consegue...

— Vou falar para o Dani fazer uma entrada fenomenal. Quando todos estiverem na mesa, eu vou busca-lo no portão e entrarei com ele em casa, no meio de todo mundo, de mãos dadas!

— Olha, você sabe que tem muita faca na mesa enquanto comemos né!? – Responde sorrindo. – Você é louco Lucas, mas vai ser engraçado! – Dou um leve sorriso de canto e respondo.

— Vai ser sim...

Aos poucos todos foram chegando. Tia Vera e Tio Eder já haviam chegado com a Fer. Depois tem Tio Marco e sua esposa Marli. Seus filhos João Vitor e Hugo. Graças a Deus a família é pequena, acho que com isso terá um impacto menor. Ou não.

Não esperei muito e enviei mensagens para o Dani com instruções de como ele vai chegar.

Amor. Se você quiser vir já, pode vir. Meus tios já chegaram e logo o almoço fica pronto. Chega e fica na calçada sentado, quando todo mundo estiver na mesa eu vou te buscar e entramos juntos em casa.

Não demorou muito para que ele me respondesse.

~~ uma nova mensagem~~

Tudo bem meu anjo! Estou um pouco nervoso só de imaginar seus tios me olhando. Mas tudo vai dar certo.

Até mais. Beijos te amo!

Em média 40 minutos depois, minha mãe me chama para comer. Foi um pouco mais rápido do que eu pensei, será que o Dani já está lá fora? Ai, e se ele não chegou ainda... Corri até o portão antes de me juntar a mesa e verifiquei se ele estava lá fora. Nenhum sinal dele. O desespero foi tomando conta de mim, queria que tudo saísse como o planejado. Mas ele estava se atrasando. Fiquei uns 4 minutos plantado no meio da rua olhando para a esquina, esperando ele aparecer. Mas não apareceu.

Empurro o portão para entrar em casa e ouço um grito lá longe.

— Lucas!

É o Dani, vindo lá longe. Eu dou um mega sorriso e aceno com a mão, sinalizando a calçada.

Entro dentro de casa e vou até a cozinha ver se já está todo mundo na mesa. Meu coração vai a milhão, minha respiração fica ofegante. Mas não posso desistir, não agora, vou até o fim. Vou me assumir!

Dou meia volta para ir buscar o resto do meu plano, que está lá fora me esperando.

— Onde você vai Lucas? Vem comer. – Diz minha mãe chamando minha atenção.

— Eu já volto, um minuto, só vou buscar uma coisa. – Viro e dou continuidade.

Chego lá fora e seguro as mãos dele.

— Tudo bem? – Pergunta preocupado.

— Sim, está tudo bem. Vamos entrar! – Respondo lhe dando um beijo rápido.

Fechei o portão após entrar e segurei forte a mão dele. Entramos juntos na cozinha e logo que minha mãe me avistou arregalou os olhos. Os meus tios que conseguiram visualizar sem ter que olhar para traz ficaram quietos, só olhando.

— O que é isso Lucas? – Diz minha mãe despertando o interesse do restante das pessoas que estavam na mesa.

Meu coração estava a milhão, por pouco eu não tive uma parada cardíaca. Apertei muito forte o Dani e então respondi minha mãe, e anunciei o meu namoro.

— Mãe, o Daniel e eu estamos namorando. Pedi para que ele viesse aqui hoje para anunciar a toda a família que sou gay. – Todos ficaram em choque, sem dizer nenhuma palavra até minha mãe se pronunciar.

— É isso mesmo que você vai fazer? Pode ir para fora da minha casa agora!

— Calma Tia, não é assim. – Retruca Fernanda.

— Cala a boca Nanda. – Diz tia Vera.

Eu abaixo a cabeça e seguro a emoção.

— Desculpa Dona, mas você quer mesmo que seu filho seja infeliz? – Diz Daniel se dirigindo a minha mãe

— Menino, faça o favor de se retirar da minha casa!

— Eu me retiro sim, só peço que ouça algumas palavras. – Continua ele olhando fixamente para todos na mesa. – A pouco tempo minha mãe também me expulsou de casa, exatamente quando descobriu minha sexualidade. Fiquei muito abalado, me senti a pior pessoa do mundo. Mas não tinha por que me sentir assim. Eu nunca matei, nunca roubei e não prejudiquei ninguém. Enfim. – Continua agora andando em círculos em volta da mesa. – Corri para um lugar onde não tinha ninguém, um lugar para ficar sozinho. E nesse lugar fui atacado por vândalos que queriam me roubar. Foi quando eu fui parar no hospital. A Senhora se lembra que o Lucas ia me visitar quase todos os dias? Pois é, eu quase morri. Por que minha mãe fez eu me sentir uma aberração na vida dela. E ela percebeu que prefere ter eu vivo e gay, do que ter eu em um tumulo no cemitério. Eu só quero que a senhora pense bem. Pois ele ainda é o mesmo filho que sempre foi. – Chega perto de mim, segura minha mão e me puxa para fora daquele lugar.

Eu fiquei surpreendido com a atitude dele, jamais imaginaria que ele teria tamanha coragem de falar para todo mundo sua história. Foi incrível ver ele dizendo todas aquelas palavras, só para que minha mãe percebesse que está errada.

— Não chora amor. Vai ficar tudo bem. – Diz ele olhando para mim.

— Obrigado! Você foi fantástico lá dentro.

— Não precisa agradecer. – Responde me abraçando em frente de casa.

— Lucas! Lucas! Espera. – Grita meu tio Eder e a Fernanda. – Olha, sei que sua mãe não vai gostar muito do que vou fazer agora, mas se você quiser ficar lá em casa. Temos um quarto disponível, você pode dormir lá até se resolverem. – Diz!

— Quero sim tio, muito obrigado!

— Tudo bem então. Você nem almoçou, vai comer onde?

— Ah! Vamos comer lá em casa. Não se preocupe. – Responde Daniel.

— Está bem, até mais. – Se despede, enquanto vamos até a casa do Dani.

Minha mãe não teve a reação que eu queria, já esperava isso. Mas não quis acreditar que seria assim. Ela podia ter me aceitado como eu sou, a mãe do Dani aceitou. Por ela não pode!

Agora ela está infeliz. Eu. Por enquanto não estou bem. Mas vou continuar, um dia ela vai ter que aceitar. Eu amo ele, eu sou assim!

— Olha, tenho uma coisa para te contar. – Diz ele. – Minha mãe deixou você morar em casa com a gente.

— Serio? Quando você perguntou pra ela?

— Faz alguns dias. Talvez seja melhor não envolver seu tio nisso. Brigar com sua própria irmã pode trazer mais conflitos na família.

— Sim, é verdade! Então quer dizer que vamos morar juntos?

— Vamos sim, e já vou te avisando o lado direito da cama é meu! – Responde dando risada. Que sorriso lindo, que sensação é essa que tomou conta de mim quando soube dessa notícia.

Todo o rancor que estava sentindo sumiu, e a alegria começou a florescer novamente.

Cheguei na casa dele e mãe dele já estava terminando de guardar a comida. Aparentemente ela almoçou sozinha, isso deve ser muito ruim. Mas logo a situação vai mudar. Vai ter mais alguém em casa.

Assim que entrei e ela me viu, veio andando até mim. Me abraçou e disse.

— Tudo vai ficar bem, logo ela percebe que está errada. Você pode ficar aqui quanto tempo precisar.

— Obrigado! – Respondi.

Esquentamos a comida novamente e comemos, Dani é acostumado a ajudar a mãe dele, então lavou a louça que sujamos e eu guardei. Depois decidimos ficar deitados na cama e assistir filme. Eu já me sinto mais calmo. Confiante. Amanhã é o dia do meu primeiro emprego, então não posso desanimar.

Antes de dormir coloquei o celular para carregar e tinha 9 chamadas perdidas do telefone de casa. Será que aconteceu algo? Então o celular tocou, a secretária anunciou um novo recado!

— Filho, por favor desculpa a mãe. Eu estava nervosa e com medo. Volta para casa. Por Favor Lucas.

As lagrimas de emoção tomaram conta de mim, contei para o Dani sobre a mensagem e então fui até em casa.

— Me desculpa amor, mas é minha mãe e ela está preocupada. Vou conversar com ela. Ver o que vai acontecer daqui pra frente.

— Tudo bem então, vou com você caso dê algo de errado.

Quando cheguei, bati no portão. Meu pai abriu para mim, cumprimentou o Dani normalmente como se nada tivesse acontecido e o convidou para entrar. Minha mãe estava na sala, sentada no sofá.

— Lucas... Tudo bem meu filho? – Pergunta ela assim que me vê entrando pela porta.

— Acho que sim. – Respondi.

— Me desculpa meu filho. Eu percebi que é a sua felicidade, e não a minha. Seu pai abriu meus olhos. Você não deixou de ser nosso menininho, ainda é o mesmo príncipe que eu criei. Mas gosta de outros meninos... vai demorar um pouco para eu me adaptar com essa novidade. Mas eu te imploro, volta pra casa. – Comecei a chorar muito ao ver as lagrimas escorrerem em seu rosto.

— Está bem mãe, eu volto sim. Obrigado. – Chorando a abracei.

— Daniel. Já está ficando tarde, o que você acha de dormir aqui hoje e amanhã cedo te levo embora. – Diz meu pai.

— Se não for incomodo.

— Nenhum, fiquei a vontade!

Meu pai é mais compreensivo que minha mãe. Jamais imaginei isso. Acho que agora minha vida começa a se ajeitar. Tenho meu pai do meu lado. Meu namorado. E minha mãe, logo entenderá que isso me deixa feliz.

Só é preciso dar tempo ao tempo e quando me perguntarem o que é felicidade. Eu responderei que felicidade é o prazer de poder sorrir mesmo com várias dificuldades. É a alegria de fazer alguém sorrir. É a vontade de ver sua família completa. São esses os momentos mais felizes de nossa vida!

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!