Não Escolhi Amar Ele
11 Capítulo 11 - A Felicidade Tem Nome
(Lucas)
Entrei no ônibus e procurei um lugar livre para me sentar, deixei o Daniel ir embora sozinho e aqueles meninos que nem sei quem são andando por ai, mas acredito que ele saiba se cuidar então não vai acontecer nada. Até chegar em casa fiquei pensando no momento em que segurei a mão dele na escola, estava tremula e fria, provavelmente ele estava assustado.
A minha felicidade era imensa, corri para dentro de casa e já fui para a cozinha almoçar, comi, lavei a louça e depois fui tomar um banho e estudar um pouco, terminei de estudar já estava anoitecendo peguei o celular e tinha algumas mensagens do Dani.
–“ E ai cara, só queria dizer obrigado por fazer aquilo na escola ”
–“ Sei que isso é muito brega, mas foi incrível e fico feliz que tenha se resolvido ”
–“ Estou com saudades de beijar você! ”
Confesso que também estava muito afim de sair com ele, não igual na escola, mas sair como algo a mais, queria poder sentir o toque dele sem que tivesse várias pessoas nos olhando torto e tentar esquecer os problemas que nos perseguem. Não esperei muito e logo respondi.
–“ também quero te beijar, o que acha de irmos na praça hoje à noite? “
–“ Tudo bem! Nos encontramos lá as 19:30 “ respondeu ele.
Meu pai ainda não tinha chegado do serviço então avisei que ia sair para minha mãe e fui me trocar, coloquei uma bermuda jeans, camiseta regata e meu tênis vermelho e preto, peguei um pouco de dinheiro que tinha guardado e fui até a praça pois já beirava 19:00hs. Fiquei alguns minutos esperando sentado até que ele chegasse, assim que ele chegou veio me cumprimentar e em vez de um simples aperto de mão me deu um abraço extremamente forte.
–Oi tudo bem? Perguntou ele
–Sim, só estava com saudades.
–Ah parece que resolveu mesmo ser feliz. Insinuou sorrindo
–É resolvi, fiquei preocupado com você quando entrei no ônibus.
–Não ia acontecer nada, aqueles garotos não me assustam não!
–Você conhece eles?
–Não, mas acho que estudam na escola.
Ficamos conversando por algum tempo e a praça foi se esvaziando, as quadras de esporte que tem no local já estavam praticamente desertas, estávamos sentados num banco mais afastado da iluminação, eu estava meio tímido para tomar qualquer iniciativa de aproximação quando simplesmente sinto a mão dele encostando na minha, olho para ele e vejo um lindo sorriso e então recebo mais um abraço, mas agora com mais sentimento, um abraço com mais vontade, ouço sua respiração enquanto fica com a cabeça sobre meu ombro e suas mãos em minha costa. Ele olha ao redor da gente e vê que está tranquilo o local, vem encostando suavemente seus lábios nos meus, como estávamos sentados no banco ele se levantou e ficou em pé na minha frente, subiu no banco e se sentou em meu colo, fiquei meio surpreso mas deixei rolar.
Ficou me beijando enquanto estava em cima de mim, eu já estava explodindo de tesão com aquela bunda esfregando no meu pau então me empolguei e comecei a esfregar minhas mãos nele, chupando seu pescoço e dando beijos em sua orelha. O clima já estava ficando muito quente quando ouvimos um grupo de pessoas se aproximando e então paramos com essa “pegação”. Já era quase 22:00hs e então decidimos ir embora por que tinha aula no dia seguinte
Cheguei em casa radiante, meus pais estavam na sala assistindo televisão então fui direto para meu quarto, não aguentei tanta felicidade e precisava compartilhar com alguém, peguei meu celular e mesmo sabendo que era tarde liguei para minha prima, ela não demorou para atender.
–Alô.
–Feeer! Tenho que te contar um monte de coisas!!!
–Eita, está feliz em priminho, sorte sua que eu ainda estava acordada. Diz dando risadas
–Hoje conversei com o Dani na escola e expliquei que contei tudo pra você, quando estávamos no intervalo alguém nos chamou de “bixinha” no meio do pátio e então segurei a mão dele e continuamos indo para a sala. Foi muito top me sentir seguro e confiante.
–Você é louco Lucas?! Sabe que alguém pode tirar foto, vídeo ou arrumar algum tipo de prova e usar contra você! Sabe que pode acabar apanhando de alguém!
–Então... Eu não pensei nisso antes, sei que fiz merda e depois no ponto de ônibus veio uns moleques nos ameaçar dizendo para pararmos com isso na escola se não iam bater na gente.
–Nossa! Toma cuidado primo, não brinca com essas coisas não.
–Tá bom Fer.
–Acho que vou dormir Luquinha, amanhã nos falamos, tá?
–Tudo bem gata, dorme com Deus até amanhã!
Nem tive a chance de falar para ela do que rolou na praça e acho que foi melhor deixar essa parte escondida por enquanto já que tínhamos abusado dos beijos e abraços, fiquei parecendo bobo apaixonado e nem acredito que eu estava sendo feliz, achei que depois da traição seria mais difícil, mas o Dani me ajuda muito e faz me sentir especial.
Acordei atrasado e tive que fazer tudo na correria para tentar chegar na escola a tempo, nem tomei café da manhã e fui correndo ao ponto, peguei o primeiro ônibus que passou mas mesmo assim cheguei alguns minutos atrasado e não me deixaram entrar na primeira aula, fui obrigado a esperar a segunda. Podia muito bem ir embora mas estava muito afim de assistir a aula hoje.
Esperei até que desse o horário certo e entrei para a sala antes mesmo do próximo professor chegar, apenas olhei para o Daniel e sorri de canto com os lábios, fui até meu lugar e me sentei, pensei muito no que tinha feito ontem e não queria correr o risco de apanhar, assisti a aula do professor Marcelo mas sempre dava uma olhadinha no Dani e também na classe toda verificando se estavam nos observando, mas aparentemente minha sala estava tranquila e todo mundo prestando atenção na explicação do professor.
Na hora do intervalo fomos atrás da quadra de novo, estava virando rotina passar esse tempo lá, já que era mais tranquilo que o pátio, para minha sorte Daniel trouxe bolacha e comemos, eu estava faminto por não ter tomado café em casa antes de sair.
–Lucas achei que você não ia vir hoje.
–Ah foi mal, eu perdi a hora.
–Hm... estava sonhando com o que? Deu risadinhas e fez olhar de safado
–Com nada mané, fui dormir tarde falando com minha prima.
–Entendi, aliás acho que vou contar para minha mãe. Disse ele naturalmente
–Contar que é gay? E que fica comigo?
–Uhum, isso mesmo.
Ele afirmava ele numa tranquilidade, parecia estar decidido e confiante de que seria o certo a se fazer, mas lógico que eu não vou apoiar essa decisão, e se a mãe dele não aceitar e ainda contar para meus pais...
–Você é doido Daniel? Para de pensar besteira estamos bem assim
–Cara depois que você pegou na minha mão em frente à escola toda, não tenho medo de mais nada e minha mãe vai entender.
–Não faz isso mano... Você sabe que pode dar merda, as mães nunca esperam isso de seus filhos.
–Relaxa, vai dar tudo certo e depois vamos poder sair sem medo.
–Sem medo? Claro que não! Você está pensando só em você. E meus pais?
–Ah é, tem isso também, mas você pode ir em casa porque somos amigos então nem vão desconfiar de nada
Ele se aproximou me deu um selinho e foi andando de volta para a sala de aula, me levantei e fui atrás dele, fiquei muito pensativo nisso tudo que ele disse. Está muito cedo para tomar uma decisão tão importante, ele precisa ir com calma mas sei que não vai me ouvir então preciso pensar em uma forma de fazer ele esquecer esse pensamento de se assumir agora, não faz nem um mês que ele beijou o primeiro homem.
Na sala de aula fiquei trocando mensagens com a Fernanda pedindo conselhos, mas ela também não sabia muito o que dizer, pensei bem e decidi falar para ele me deixar fora desse assunto com a mãe dele, se ele quer se assumir que faça, mas não fale nada de mim, ainda não estou pronto para isso mesmo gostando muito dele.
Na hora de ir embora peguei minhas coisas e fui falar com ele, tentar impedi-lo de fazer isso ou pelo menos pedir para me tirar desse rolo por que não queria isso.
–Daniel, espera ai!
–Oi?
–Dani, pensa bem antes de fazer isso cara.
–Relaxa Lucas, você está com medo?
–Um pouco, mas estou sim...
–Quem vai se assumir é eu, então fica de boa! Eu mesmo não estou com medo da minha própria mãe.
–Okay, se você quer contar para ela, se você acha certo falar, apenas me deixa fora disso.
–Não quer que eu conte de você?
–Não, não quero! Se contar sinto muito mas vou me afastar de você!
–Beleza então, se é assim que você quer, estou indo até mais!
Ele simplesmente virou e saiu, mesmo pedindo para ele não contar nada sobre mim ainda estava preocupado, por que ele podia se ferrar e claro que não quero ver ele mal, mas a decisão é dele, vou apenas respeitar e seguir com o que eu disse. Entrei no ônibus e fui embora para casa, minha mãe estava na cozinha terminando o almoço e então fiquei imaginado como ela me trataria caso soubesse toda a verdade, mas sou filho único e com certeza não vai ser nada fácil, ainda mais para meu pai que é machista ao extremo.
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