Não Escolhi Amar Ele
10 Capítulo 10 - Lutar e Amar
(Daniel)
Voltei para casa cabisbaixo e desanimado, deixei meu tênis no quintal e fui direto para meu quarto, comecei a tirar a camiseta e minha mãe me gritou lá da sala, fui até ela ver o que queria e provavelmente era sobre minha noite fora de casa já que não tinha tocado no assunto depois que acordei.
–Senta ai no sofá, vamos conversar! Diz ela
–Agora mãe? Já são 21:15hs. Disse tentando fugir da conversa
–Sim Daniel, agora...
Sentei no sofá e meu coração já foi acelerando, fiquei com medo das perguntas que ela faria e sempre que ela quer “conversar” não é coisa boa, fica aquele clima chato durante esse bate-papo e mãe sempre acha que está certa.
–Filho por favor me conta a verdade, onde você foi sábado?
–Fui até a casa de um amigo, e como você não conhece fiquei com medo de não deixar eu ir. Contei uma mentira tentando fazer parecer verdade.
–Daniel, você sabe que odeio mentiras, me diz, você está usando drogas?
–Claro que não mãe, para que eu usaria drogas?
–Só perguntei, você mentiu pra mim, foi para a casa de um garoto que eu nem conheço, passou a noite fora.
–Não estou usando drogas não, eu juro!
–Tudo bem então, quero conhecer esse garoto, já que ele é seu amigo preciso saber com quem você anda.
Fiquei sem reação, não podia apresentar o Fabio para minha mãe e se ela desconfiar de algo ou se ele der um vacilo e deixar escapar alguma coisa sobre nós dois.
–Ouviu né Daniel, quero conhecer esse garoto e como ele se chama?
–Ah sim, tudo bem mãe, vou ver o dia que ele pode vir. E ele se chama Fabio
–Vai dormir que amanhã você acorda cedo para ir pra escola.
Me levantei, dei boa noite para ela e fui para meu quarto, fechei a porta e apaguei a luz. Me deitei na cama olhando para a escuridão, pensando em como apresentar o Fabio para minha mãe, pensando no que Melissa poderia fazer com aquela foto, pensando no Lucas. É realmente minha cabeça estava totalmente bagunçada e não conseguia dormir, sempre vem um problema atrás do outro, não sei se posso chamar isso de vida, faço de tudo para tentar ser feliz mas não consigo, meu coração tá apertado, estou com vontade de um abraço, vontade de chorar. Comecei a pensar em desistir, pensei em parar de viver como estou vivendo, talvez colocar um fim em tudo, assim o Lucas poderia simplesmente continuar com sua vida e a safada da Melissa não vai perturbar a ninguém.
Em meio aos pensamentos sem sentido peguei no sono e só acordei com o celular despertando, levantei e fui tomar um banho bem quente, enquanto a água, quase fervendo caia sobre meu corpo fiquei lembrando das bobeiras que pensei durante a noite, nem acredito que pensei em tirar minha vida.
–Anda logo Daniel, vai se atrasar! Grita minha mãe lá de fora
–Estou saindo!
Me sequei rapidamente e fui até meu quarto terminar de me arrumar, passar perfume e pentear o cabelo, tomei leite com achocolatado e fui para a escola, cheguei lá faltando apenas alguns minutos para iniciarem as aulas e ainda não tinha avistado o Lucas, provavelmente ele faltou de novo para evitar os comentários insignificantes de sua ex-namorada. Entrei na sala de aula e para minha surpresa lá estava ele, sentadinho em sua cadeira.
–E ai Daniel, chega ae! Gritou
Fiquei admirado que ele tenha falado comigo aqui na escola já que ultimamente tem me evitado muito, me dirigi até minha cadeira que ficava ao lado da dele, cumprimentei ele.
–E ai maninho, tudo bem com você? Perguntei meio desconfiado de alguma coisa
–Tudo ótimo, acordei feliz hoje! E você como está?
Fiquei surpreso por sua felicidade e muito curioso para saber o motivo dessa alegria toda, até pensei em falar sobre a foto que a Melissa havia tirado mas deixei esse assunto quieto.
–Ah! Estou bem. Sorri após responder e me sentei
Logo começou a chegar outros alunos e também a Melissa, eu estava com tanto ódio dessa menina que mal conseguia olhar em sua cara de vagabunda, a aula começou mas eu não conseguia me concentrar nos estudos, muitos problemas e o Lucas radiante, alguma coisa estava errado e precisava descobrir.
Assim que o sinal do intervalo toca ele guarda seu material escolar rapidamente e se levanta, dá um tapa na minha mesa e fica em pé esperando até eu terminar de arrumar minhas coisas.
–Vai! Anda logo Daniel, Vamos! Diz ele todo apressadinho
–Estou indo, calma, preciso falar com você. Aproveitei esses 15 minutos para tentar descobrir o motivo de tanta alegria.
Como não gostávamos muito de comer na escola fui direto para trás da quadra de futebol onde era mais tranquilo conversar no momento, tinha alguns alunos na arquibancada outros perto das traves do gol, mas nada que me incomodasse e aparentemente também não incomodava ele.
–Fala, o que você tanto quer conversar comigo? Pergunta ironicamente
–Nada demais, só queria saber o porquê você está tão feliz hoje
–Só isso? Podia ter me perguntando na sala de aula. Respondeu gargalhando
–Eu só pensei muito ontem depois que fui embora da sorveteria, por alguns minutos fiquei muito abalado deitado na minha cama, até que minha prima chegou em casa com meus tios e me viu naquele estado. Eu sem saber o real motivo da sua felicidade voltei a questionar
–Tá, mas o que sua prima tem a ver com tudo isso?
–Tudo! Ela sentou na minha cama, colocou minha cabeça no seu colo e disse. – “O que foi neguinho? Você está tão triste ultimamente”
–Naquele momento senti que eu ia explodir, não aguentava mais segurar tudo aquilo dentro de mim e então contei para ela.
–Você contou para ela? Não acredito que fez isso!
–Sim! Comecei chorar e contei tudo... –“Eu beijei o Daniel, minha ex-namorada viu agora fica infernizando minha vida e eu não sei o que fazer, meus pais não podem descobrir Fer. ”
–A princípio ela ficou muito assustada. –“ Sério Lucas? Não brinca com isso pelo amor de Deus”
–Comecei a me arrepender de ter contato. –“ Desculpa Fernanda, eu estava triste e por isso desabafei sem pensar, por favor não conta para ninguém e tenta esquecer”
–Me levantei de seu colo e fiquei sentado sem nem olhar para ela, Recebi um abraço forte e ouvi lindas palavras em seguida –“Calma Lucas, você é meu primo, sempre vou te amar, sempre vou te apoiar e vou fazer o possível para te ajudar a esconder isso dos seus pais. Agora vamos secar essas lagrimas e sorrir antes que alguém entre aqui no seu quarto”
–Dani, você não faz ideia de como eu fiquei feliz depois de ouvir isso!
Ouvi toda essa história do Lucas fez-me notar que ainda posso ser feliz e não preciso pensar em bobagens, se ele conseguiu aparentemente superar eu também consigo.
–Acho que faço ideia da sua felicidade sim, consigo ver em seus olhos! Disse sorrindo
Ele olhou bem em meus olhos e o sinal toca avisando a volta para a sala de aula, descemos as escadas e fomos em direção a classe. No meio do pátio ouço um ridículo dizendo “olha as bixinhas” meu coração acelera drasticamente por que não esperava ouvir isso, Lucas segura firme na minha mão e diz.
–Relaxa, apenas ignora e continua andando sem nem olhar para trás.
Olhei para ele sem entender nada e mais assustado ainda, mas o sorriso dele me deu confiança.
–Por que segurou na minha mão no meio da escola toda? Perguntei enquanto não chegava na classe
–Assim mostramos para a Melissa que ela não nos assusta mais e vamos tentar fazer ela apagar a foto que tirou.
Sentei na minha cadeira enquanto as amigas da sem vergonha olhavam para trás e riam de mim e do Lucas, olhei para ele e vi que estava confiante então demonstrei segurança e continuei assistindo a aula.
Quando o sinal tocou para a troca de professores Melissa se levantou e veio até mim com aquela cara de sínica.
–Se vocês acham que podem dar a volta por cima estão enganados!
–Me diz Melissa, por que você quer ver nossa desgraça? Só por que não pode ficar com o Robert?
–Ele já não me importa mais, só acho engraçado fazer meu ex-namorado sofrer, por ter me traído com outro menino!
–Volta para seu lugar Melissa! Diz a professora de português
Nesse mesmo instante percebi que essa garota tem que se tratar no psicólogo, Lucas olhou para mim com cara de curioso, acho que querendo saber o que ela veio falar comigo. Voltei a prestar atenção na aula e nem dei importância para o que aquela louca havia dito.
Pelo menos agora eu estava feliz, Lucas estava feliz, enfim o que eu mais quis se tornou realidade só tenho que tomar cuidado para não chegar nos ouvidos de minha mãe e nos pais do Lucas, com o tempo devemos afastar essa louca de nosso pé e vamos namorar escondido dos pais. Não sei por quanto tempo o Lucas vai ficar nessa alegria então vou aproveitar e tentar fazer ele o mais feliz possível.
Hora de ir embora e o Lucas ficou me esperando para irmos juntos até o ponto de ônibus, saímos da sala de aula mas como amigos, sem dar as mãos, mesmo assim algumas pessoas ficaram olhando para gente e fingimos nem nos importarmos, fomos em direção ao ponto que estava cheio de pessoas, aquilo era realmente um saco, parecia um formigueiro humano, então decidimos esperar até que a maioria fosse embora e ficamos sentados na esquina da escola até passarem os próximos ônibus que no caso estariam mais vazios.
Passaram em média 30 minutos e nos levantamos a caminho do ponto, e alguns meninos nos seguiram até lá, achei que simplesmente iam pegar o ônibus mas me enganei completamente, um deles chega a nos ameaçar.
–Então seus viadinhos, só vou dizer uma coisa. Se continuarem com essa viadagem dentro da escola vamos quebrar vocês dois na porrada!
Depois do recado viraram as costas e saíram, fiquei olhando para o Lucas sem reação nenhuma, sem saber quem eram aqueles garotos e tentando esconder o meu pânico.
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