Não Desista. Nunca Desista.

8 Capítulo 7 – Uma luz no fim do túnel


Notas iniciais
Pessoas lindas me desculpe a demora em traduzir, tinha algumas coisas a fazer e às vezes estava sem animação pra traduzir, prometo que não deixo mais vocês morrendo de curiosidade assim (:
Eu não reli o texto todo, então se tiver algum erro de digitação me avisem pra eu arrumar. Obg.
E qualquer coisa a culpa é da Yumiih apenas, HSUAHSUAHUS s2

- Boa leitura :)

Capítulo VII


Ainda no necrotério de Seattle, 07:35hs


Quando Mark viu a cara de horror de Arizona e depois ela enterrando o rosto em seu braço ele fixou bem o olhar no rosto da mulher, respirou fundo e disse:

Arizona calma, não é ela, não é a Callie. Olhe bem.

Arizona ainda atordoada, mas um pouco mais aliviada por causa das palavras de Mark ainda não estava segura, então um flash em sua mente a fez lembrar de algo e ela disse em voz alta.

Os dentes, os dentes superiores – pediu a Norman que ele mostrasse os dentes da mulher, Norman aceitou um pouco intrigado com o pedido da Dra. Robbins, pondo uma luva e usando seu polegar levantou o lábio superior da mulher e Arizona respirou aliviada quando viu os dois dentes superiores ligeiramente montados um sobre o outro.

Arizona fechou os olhos e respirou profundamente, aliviada momentaneamente ao se dar conta de que essa pobre mulher não era sua esposa.


Frink Park, Seattle, 05:10hs.


Umas duas horas depois que os sequestradores abandonaram o corpo de Norma Rivas e chegaram a casa alugada. Callie acordou ainda atordoada pelos efeitos da substância com a qual a doparam, quando abriu os olhos viu-se em um quarto escuro, apenas iluminado por uma luz tênue de uma fresta no teto, estava assustada, mas mais que assustada, estava furiosa, ainda não podia acreditar naquilo tudo que estava passando, no entanto, apesar do medo seu espirito não se dobrou, ela iria lutar até o final, ela não seria brutalmente assassinada como aquela pobre mulher.

Estava deitada em uma cama, quando levantou sentiu uma pontada de dor na parte de trás da cabeça, conseguiu se sentar na cama e quando o fez viu que seu tornozelo direito estava preso por algemas a longas correntes que estavam presas a um suporte firme no meio do quarto.

Fazendo um grande esforço se levantou da cama e foi até o banheiro onde jogou água no rosto. Justo quando estava ali um homem abriu a porta do quarto, era o mesmo homem que estava com ela na traseira da ambulância, com feições latinas, alto e magro. O homem com tom engraçado disse:

Ah, a bela adormecida já despertou, desculpe não ter feito isso com um beijo – Disse rindo – Vou deixar comida aqui pra você. E ali... – Apontou uma mesa com cadeira – ali tem papel e canetas e o modelo do pedido de resgate que você deve transcrever sim omitir nenhuma linha, nem uma vírgula. Virei buscar isso em uma hora, melhor que você cumpra sua tarefa. – Dito isso, fechou a porta a chave e Callie ouviu seus passos enquanto subia a escada, assim ela pode se dar conta de que estava em um sótão.

Callie se aproximou da mesa, não tinha fome, mas baixou a vista para pegar o papel e ler o conteúdo da solicitação do resgate, sabendo que tinha que seguir o que esses tipos diziam até que tivesse algum plano, sentou, pegou uma das canetas e começou a escrever. Exatamente uma hora depois o homem latino entrou no quarto, tinha luvas nas mãos, leu o que Callie havia escrito e acenou com a cabeça em sinal de aprovação, e perguntou a Callie o que ela havia escrito por último, e ela sem dar importância respondeu:

É como minha assinatura, para que a minha família tenha certeza de que fui eu quem escreveu.

Continuando com o tom irônico o latino respondeu:

Como se não fossem saber, suponho que eles conhecem a sua letra não ?

Callie apenas balançou os ombros.

Bom, não importa, isso é só um capricho seu e eu vou deixar passar. – Estendeu um envelope para Callie colocar a carta, ela obedeceu e ele saiu novamente levando o envelope consigo.

Callie ficou ali, ainda não tinha um plano, mas ao menos tinha feito algo importante com essa carta. Logo se encostou na cama e olhando o teto pensou em Arizona, as lágrimas começaram a brotar em deus olhos ela não podia controlar. Pensava o quanto Arizona não estava aterrorizada, não podia nem sequer imaginar como ela estaria nesse momento, assim que tratou de se concentrar em uma forma louca de tentar avisar Arizona através de seus pensamentos que ela iria lutar, que não desistir. “Não desista. Nunca desista” pensou, desta vez esse pensamento era para as duas, para ela que estava presa no sótão e para Arizona. “Por Deus Arizona, não desista, por favor, não desista”.


Apartamento de Callie e Arizona, 08:45hs.


Arizona estava tomando um banho rápido, desde que tinham chegado do necrotério essa manhã os sequestradores não haviam entrando em contato com eles, a angustia continuava instalada em sua alma, atormentada pela incerteza e o medo. Ao sair do banheiro e abrir um pouco a porta do quarto viu através da pequena abertura com certo assombro, que a mãe de Callie estava com Sofia em seus braços enquanto sussurrava uma canção e também viu sua filha sorrir para sua avó. A cena provocou um sorriso tímido nos lábios de Arizona enquanto pensava “Muitas vezes devem acontecer coisas que nos tiram o chão para que nós possamos reconhecer nossos verdadeiros sentimentos...” A mãe de Callie nunca quis pegar Sofia em seus braços, mas era possível que com tudo o que estava acontecendo ela sentisse que Sofia era sua única conexão com Callie agora que Callie não está. “Agora que Callie não está” esse último pensamento fez com que Arizona estremecesse e sem poder evitar novamente as lágrimas desceram pelo seu rosto. Enquanto caminhava até o guarda-roupa em busca de algo para vestir a mãe de Callie que já havia deixado Sofia em seu quarto, bateu na porta do quarto de Arizona suavemente pedindo licença para entrar, Arizona se voltou para vê-la e balançou positivamente com a cabeça. A mãe de Callie ofereceu então uma xícara de chá e um comprimido, dizendo que era algo suave, mas que ajudaria a acalmar os nervos. Arizona deu um leve sorriso e agradeceu, enquanto a mãe de Callie saia novamente para a sala.

Arizona não gostava de comprimidos, mas levando em conta o gesto de Lucia para com ela, o primeiro em sua vida, ela não quis desmerecer, assim que foi caminhando até sua cama com o comprimido em uma mão e a xícara em outra. Justo quando estava sentando-se na cama para tomar o comprimido, esse que acabou caindo de suas mãos, quando Arizona se agachou para pegá-lo viu com o canto do olho que debaixo da cama estava o cartão em forma de coração preso com um palito de madeira e na parte de cima escrito com a letra de Callie “Te Amo / I Love You”. Arizona pegou o cartão nas mãos e se sentou na cama e baixando a cabeça começou a chorar como uma criança, enquanto sentia sua alma ser despedaçada pela dor. Ainda chorando, subiu o olhar até o crucifixo que Callie havia posto na parede da cama, levantou e o pegou, voltou a se sentar na cama com o cartão e o crucifixo na mão, ainda chorando disse em voz alta:

Deus, se é verdade que você sabe de tudo, então você mais que ninguém sabe o quanto eu amo Callie, por favor, não permita que nada de mal aconteça a ela, traga ela de volta sã e salva, se você quiser levar uma vida, eu te ofereço a minha, me leve se você quiser, falo sério, você sabe que eu falo sério, me leve, mas não deixe que nada de mal aconteça a minha Callie, por favor, eu te imploro.

Arizona voltou o olha para baixo de novo e apertando com força o crucifixo e o palito de madeira, seu choro de criança voltou a se instalar em seus olhos e em sua garganta.

Ela não sabia, mas enquanto rezava, a mãe de Callie tinha visto e escutado tudo encostada na parte exterior da porta. Profundamente comovida pelas palavras sinceras de Arizona seus olhos se encheram de lágrimas e sem pensar muito, entrou novamente no quarto, se sentou ao lado de Arizona que seguia chorando descontrolada e passou um braço ao redor do pescoço trazendo-a para si em um gesto maternal, acariciou o ombro de Arizona e com doçura disse:

Tenha fé Arizona, tenha fé que a minha filha está viva, o coração de uma mãe nunca se engana, ela está viva.

Arizona a olhou nos olhos e a abraçou, apertando-se a mãe de Callie como se sua vida dependesse disso. Uns minutos depois, Lucia disse oferecendo a xícara e o comprimido que Arizona havia deixado sobre o criado mudo: — Agora tome isso e tente dormir um pouco.

Arizona obedeceu e se encostou na cama enquanto Lucia a cobria com ternura, justo quando ela ia sair do quarto, Arizona alcançou sua mão e respondeu: — Obrigada.

Lucia apertou a mão de Arizona e disse: — Tudo bem fique tranquila e tente dormir um pouco ok ?

Arizona assentiu e deitou de lado, fechou os olhos enquanto Lucia saía do quarto deixando a porta entreaberta. Arizona acabou dormindo com a cabeça na almofada de Callie, segurando entre suas mãos o crucifixo e o pequeno cartão que sua esposa havia feito.


12 de Agosto


Frink Park, Seattle, 03:00hs

Callie passou o dia presa nesse quarto, se sentia como um leão enjaulado, a única coisa que a distraia foi um pouco de leitura de um livro de suspense que o homem latino havia levado, mas não conseguia se concentrar em nada. Assim que chegou a noite, sabia porque os sequestradores não tinha tirado seu relógio, por volta das 21:00hs, tomou banho e comeu um sanduiche que haviam passado por debaixo da porta, deitou na cama e tentou dormir um pouco, mas não conseguia fazer isso e quando conseguia adormecer, novamente acordava inquieta, assim passou grande parte da noite, com olhos abertos olhando o teto, até que por volta das três da manhã uma ideia veio a sua mente. “Por Deus, no dia em que nasceram os estúpidos eu estava na primeira fila não é possível.” Disse a si mesma, enquanto passava a mão nos bolsos da calça, ali estavam os três chips com rastreador GPS, pegou-os na mão e logo pensou “as seringas”, imediatamente se levantou da cama e as encontrou no bolso de sua jaqueta. Rapidamente preparou um com suas mãos habilidosas e quando ia aplicar no braço pensou “Se esses idiotas detectam o chip me cortam o braço fora”. Assim que esperou um momento pensando onde seria melhor injetar, depois de um momento baixou a calça rapidamente e injetou o dispositivo em uma nádega, agarrou os dois chips e as seringas não usadas guardou-as no bolso da calça e voltou a deitar. “Agora preciso arrumar um jeito de sair daqui”. Novamente pensando no poderia fazer para escapar dali, ela tinha que pensar em algo e rápido.


Hospital Seattle Grace Mercy West, 13:15hs.


No hospital a notícia do sequestro de Callie havia se espalhado como pólvora pegando fogo, quase todo o pessoal, especialmente os que conheciam Callie, não escondiam suas caras de preocupação pelo acontecido, os que estavam mais afetados eram os mais próximos claro, desde Bailey, que tinha os olhos marejados e estava muito preocupada, passando por Richard Webber, Owen Hunt, Derek, Meredith, April, enfim, todas as pessoas que conheciam Callie estavam realmente preocupados com ela, até mesmo Cristina Yang, que já estava com problema com seu marido, agregou mais esse feito preocupante a seu decaído animo.

Cristina estava no posto de enfermeiras revisando a bandeja com correspondência interna na busca de uns resultados de exames que haviam sido enviados por fax por um antigo hospital, sobre um paciente cardíaco que estava no SGMW esta manhã para novos exames, enquanto verificava os envelopes um chamou sua atenção, se tratava de um envelope branco que tinha escrito “Para Carlos Torres”, com a letra inconfundível de Callie.

O impulso imediato de Cristina foi pegar o envelope, mas antes de suas mãos tocarem o papel pensou “Minhas digitais”, se aquilo era o que ela pensava que seria era melhor não tocar no papel com suas mãos, enquanto corria para os escaninhos para buscar luvas disse a Kepner que estava passando: — Não deixe ninguém tocar na bandeja de correspondência, eu já volto. Ouviu Kepner ? Ninguém ! – E voltou a correr. April ficou paralisada com cara de assombro, mas Cristina já havia virado a esquina do corredor então ela ficou ali cuidado de uma bandeja cheia de papéis sem saber porque.

Poucos minutos depois Cristina já estava de volta e enquanto colocava as luvas disse a Kepner:

Ainda bem que naquela crise do tiroteio onde eu fiquei sem operar um tempo, eu vi bastante CSI em casa.

O assombro no rosto de Kepner continuou até que Cristina com as luvas colocadas pegou o envelope com ar triunfal e mostrou a Kepner, quem de imediato entendeu ou pelo menos crê que entendeu. Cristina então continuou: — Vou correndo, acredito que eles devem estar esperando isso. – E saiu correndo rumo ao apartamento de Callie.


Apartamento de Callie e Arizona, 13:30hs.


A poucos minutos a campainha do apartamento de Callie tocou, o Sr. Torres abriu a porta e assustado diante da mulher que com traços asiáticos que estava parada a sua frente suando com sinais visíveis de que havia chegado correndo disse:

Desculpe, mas quem é você ?

Antes que pudesse responder, Arizona apareceu na porta e disse assustada:

Cristina ?

Cristina que ainda não tinha recuperado o folego para falar, simplesmente de limitou a levantar o envelope que tinha em suas mãos, quando o Sr. Torre viu e reconheceu a letra de sua filha fez um gesto com a mão para pegar o envelope, mas Cristina foi mais rápida e desviou o envelope da mão de Carlos dizendo: — Suas digitais. Carlos entendeu e Cristina entregou o envelope para um dos policiais que já tinha colocado suas próprias luvas.

O policial abriu o envelope e leu a carta, enquanto todos os olhavam ele disse:

Antes de ler, permita-me colocar a carta dentro de um plástico para não encher o papel de digitais. – Assim o fez e o passou ao Sr. Torres para que lesse, Arizona ainda não havia tido a a oportunidade de ver a mensagem escrita no papel, no entanto esperou porque Carlos se dispôs a ler em voz alta.

Escrito pela própria Callie, a mensagem dizia.

Estas são as instruções que deverá seguir ao pé da letra se desejam ver sua filha com vida.

Coloque em quatro maletas pretas, em várias notas trocadas, vinte milhões de dólares, cinco milhões em cada mala. No dia 15 de agosto, exatamente às 15:00hs, você deverá estar sozinho, sem policiais, próximo aos telefones públicos do terminal de ônibus de Seattle, nós nos comunicaremos com você por um desses telefones para dar as instruções.

Você estará sendo vigiado o tempo todo, se nós vermos policiais vamos matar sua filha.

Como você pode ver junto com esse papel tem um chip, leve esse chip no dia combinado.

Não use jaquetas, bonés, toucas, você deverá se vestir com uma camisa amarela e uma calça esportiva sem bolsos.”

Depois que Carlos terminou de ler a mensagem ficou pensativo tentando entender o que parecia o desenho que Callie tinha feito no final da mensagem:

O que será que significa esse desenho ?

Arizona intrigada se aproximou de Carlos e esse passou a carta para ela pra que pudesse ver. O primeiro raio de esperança se mostrou pela primeira vez no rosto de Arizona quando ela viu que no final da mensagem Callie havia desenhado uma mão fechada com um sinal de positivo e uma carinha feliz. Arizona com lágrimas nos olhos, mas com um sorriso tímido em seu rosto disse a Carlos: — Significa não desista, nunca desista.

Todos os presentes sorriram e Carlos com um tom que demonstrava o orgulho que sentia por Callie: — Essa é minha filha sempre caminhando a beira da varanda, essa vez eu espero que ela pule, mas nos nossos braços.

Um raio de esperança, uma pequena luz no fim do túnel vislumbrou a todos quando se deram conta que Callie, corajosa como sempre continuava lutando e si ela, sendo a que tinha a vida por um fio estava disposta a seguir lutando sem desistir, então não havia desculpa para que sua família desistisse.

Cristina vislumbrou o raio de esperança que cruzava pelos olhos de Arizona e tratando de fazê-la sorrir, aproximou seus lábios do ouvido dela e sussurrou em tom de brincadeira: — Fui estupida uma vez, mas juro que se você deixar ela, eu mudo de time, largo o Owen e fico com ela...

Arizona riu diante da brincadeira e respondeu com outro sussurro: — Obrigada Cristina. Ah e não sonhe, Callie é minha e eu não vou deixa-la.

Justo antes de sair do apartamento, Cristina voltou porque lembrou algo importante e dirigindo-se a Arizona perguntou:

Estão monitorando o GPS ? Creio que Callie levava consigo os chips esse dia.

Arizona abriu bem os olhos e disse em voz alta: — Os chips, como eu pude esquecer os chips ?

Carlos intrigado perguntou a Arizona quando ela explicou o que haviam conversado esse dia no almoço e Carlos lembrou e explicou aos policiais, quem de imediato com os dados que ele passou configuraram o notebook para monitorar a partir desse momento qualquer movimento que tivessem esses dispositivos.

Com os dados carregados, todos olharam cheios de expectativa para a tela para saber se havia algum movimento, um olhar de desilusão cruzou os rostos de todos, mas o policial disse: — É possível que esteja presa em algum lugar onde o sinal não seja muito bom, mas se ela se mover saberemos de imediato, isso é bom, por experiência própria garanto a vocês que isso é bom.

– Certo. – Disse Carlos – Minha filha é uma mulher muito inteligente e corajosa, tudo isso me deu um pouco mais de esperança, assim que vou ligar para a pizzaria e pedir algo para comermos. Ok ?

Todos aceitaram. Arizona então disse a Cristina: — Obrigada por tudo, de verdade Cristina, obrigada. Quer ficar para comer pizza ? Você sabe que é bem-vinda.

– Eu adoraria, mas tenho que voltar ao hospital.

Arizona a abraçou e Cristina um pouco incomodada com a reação carinhosa, soltou o abraço e disse indo para a porta.

Bom, nos vemos logo e já sabe, se você a deixar...

Arizona apenas sorriu.

Uns quinze minutos depois todos estavam sentados no sofá comendo pizza, ainda que a preocupação e a angustia não os abandonasse, o monitorador de satélite que já estava operando e o desenho de Callie havia renovado suas esperanças. Com esse animo e claramente orgulhoso de sua filha o Sr. Torres começou a dizer:

Minha filha é uma pessoa corajosa e quando há problemas ela nunca foge, sempre luta, até nos piores momentos ela sempre consegue uma forma de enfrentar os problemas. Ela nasceu forte e tem o dom de transmitir essa força aos outros desde criança. Me lembro uma vez por exemplo que Aria sua irmã estava doente, estava com infecção de urina e teria que tomar alguns antibióticos, mas eram injetados e Aria odiava injeções, bom ainda as odeia. Aria tinha 3 anos e Callie 8. O certo é que Aria chorava e chorava porque não queria tomar os remédios injetados e dizia chorando “agulha não, agulha não” – recordou o pai de Callie com um tom nostálgico em sua voz. – Todos tratamos de convencê-la, dizíamos que era pelo seu bem, mas nada, assim que Callie pôs a mão na testa de sua irmã e disse: “Aria, eu sei que as injeções doem um pouco, mas vamos fazer um trato, eu digo ao papai para me dar uma injeção primeiro para você ver que não é tão ruim assim e então quando você ver que eu tomei, você aceita e toma a sua também, ok ?”. Callie não estava doente, não precisava de nenhuma injeção, mas quis fazer isso para dar forças a sua irmã, assim que baixou sua saia e empinou a bunda enquanto dizia: “Papai, injete em mim primeiro para Aria ver”. Assim que peguei uma seringa e coloquei soro fisiológico, enquanto injetava o soro Callie tratou de sorrir o tempo todo. O rosto de Callie era um poema, obviamente doía, mas ela apertava os dentes e sorria. Carlos e Lucia deram gargalhadas lembrando a expressão no rosto de Callie.

Todos estavam rindo, então Arizona perguntou com um sorriso nos lábios:

E o que aconteceu com Aria ? Finalmente deram a injeção nela ?

– Sim, claro. – Respondeu Carlos – O mais cômico é que Aria teve que tomar três injeções e ela não quis tomar nenhuma se Callie não tomasse primeiro, assim que Callie historicamente teve que deixar ser espetada três vezes e sempre com a mesma cara.

Todos riram, finalmente o riso foi contido e todos se puseram pensativos e a expressão de preocupação e angústia voltou aos seus rostos novamente.


Frink Park, 21:00hs


Callie passeava nervosa de um lado ao outro do quarto, com a corrente presa em seu tornozelo nas mãos, para que não fizesse tanto barulho. Estava pensando em algo para escapar dali ou pelo menos uma desculpa para subir com a esperança de que o chip que já tinha sido injetado fosse detectado ainda que por alguns minutos apenas. Começou a examinar todo o quarto e tudo o que havia dentro dele, em busca de algo que pudesse ajuda-la. As algemas não eram opção, a menos que tivesse a chave e isso era improvável, a corrente muito menos, assim que observou a pilastra que estava presa no chão, se ela conseguisse algum objeto que a permitisse desprender a pilastra do solo, talvez tivesse alguma oportunidade, era óbvio que os idiotas não tinham considerado que Callie sendo cirurgiã ortopédica estava acostumada a utilizar ferramentas em seu trabalho e era tão habilidosa com elas como o melhor pedreiro em uma construção.

Callie começou a vasculhar todo o quarto, finalmente viu que embaixo da cama, um dos pés de metal que sustentavam o colchão estava parcialmente solto, assim que se sentou no chão e metendo sua mão debaixo da cama começou a mover o pé para cima e para baixo com a intenção de que o metal cedesse com o movimento contínuo.

Estava fazendo esse trabalho aproximadamente a uma hora, até que finalmente o pé cedeu, com sorte os parafusos eram planos e não de estrelas e o pé encaixava quase que perfeitamente na cabeça dos parafusos. Ainda tinha muito trabalho pra fazer, os parafusos eram grandes, dava pra notar pelo tamanho das cabeças, eram 4 parafusos por lado, um total de 16 parafusos e o mais difícil seria afrouxá-los com o pé da cama que não parecia tão forte como ela havia querido que fosse. Nesse momento pensou brincando consigo mesma. “Na próxima vez que me sequestrarem, além da trazes o chip GPS nos bolsos da calça, vou trazer também uma chave de fenda”. Callie riu da própria brincadeira. “Bom, mãos a obra Calliope Torres, essa noite será longa e você vai ter que fazer tudo sozinha, sem assistência, a cirurgia ortopédica mais importante de toda a sua vida”.

Apartamento de Callie e Arizona, 23:30hs.

Arizona estava deitada na cama de barriga para cima, com a cabeça na almofada de Callie, a Sra. Torres já havia preparado um chá e levou para la com um comprimido para dormir, em que na noite anterior ela tinha conseguido dormir um pouco, ainda que com muitos pesadelos, decidiu que tomar esse comprimido outra vez não seria uma má ideia, precisava dormir. Se pôs a pensar nos acontecimentos do dia, certamente seguia muito angustiada, mas o conhecimento de que existia uma possibilidade com o rastreador por satélite e especialmente pelo desenho de Callie no bilhete do resgate, haviam levantado um pouco o ânimo.

Era muito certo o que havia pensando aquela vez, quando chegou a conclusão de que Callie era um verdadeiro “Homem bom em meio a tempestade”, o que ficou novamente explícito, não só pela bela estória que o pai de Callie havia contado mais cedo essa tarde, mas também pelo significado que tinha o desenho de Callie no pedido de resgate, o qual obviamente era dirigido a ela, que era a única que poderia entende-lo. Essa foi sua forma brilhante e engenhosa de dizer sem palavras “Não desista, eu não desisti e te prometo que seguirei lutando, confie em mim...”

Arizona ao pensar nisso, sentiu uma torrente de admiração por sua esposa ainda em cativeiro e com sua vida em perigo iminente, estava demonstrado mais uma vez sua grande coragem e valentia. A primeira vez foi interpondo-se entre um homem armado e ela. A segunda vez quando lutou por sua vida e sua recuperação e agora isso. Era ela que estava sequestrada e ainda assim teve calma para transmitir parte de sua força inesgotável para dar valor e esperança aos que no começo tinham a tarefa de salvá-la, isso sem contar com ter furado seu traseiro quatro vezes quando era uma menina para que tomasse injeções que não precisava. Arizona voltou a rir imaginando sua Callie com apenas 8 anos aguentando a dor de uma agulha que não era necessária, somente para apoiar sua irmã menor, tratando de colocar o seu melhor sorriso ainda que fosse com uma cara apertada.

O comprimido estava fazendo efeito, mas antes de dormir Arizona pensou: “Te amo Calliope, onde quer que você esteja, eu te amo”.

... Arizona estava nua, com seu cabelo preso deixando a mostra seu pescoço, entrou em um banheiro, havia uma enorme banheira pronta para ser usada, com aromas deliciosos que cheiravam a sândalo e mel, duas das paredes que faziam uma “esquina” não eram de concreto, mas sim de vidros temperados e abaixo se via o mar, tranquilo, azul, calmo, havia pétalas de rosas espalhadas pelo piso e duas taças de vinho esperando para saciar a sede do espírito e ali estava ela: sua esposa, nua, linda, somente com uma pequena bata transparente que só fazia incrementar a luxúria, paixão e desejo. Callie sem dizer uma palavra e com seu enorme sorriso perfeito desenhado em seu rosto tirou a bata fazendo um gesto insinuante com sua sobrancelha levantada e mordendo o lábio inferior, estendeu sua mão direita convidando Arizona para se juntar a ela na água borbulhante.

Arizona se aproximou e entrou na banheira com Callie escoltando sua entrada. Callie se sentou primeiro, fazendo repousar suas costas na banheira de frente para o mar, pegou Arizona pela cintura e suavemente a sentou de costas para ela. Arizona soltou um primeiro gemido quando sentiu os mamilos eretos de sua esposa roçando em suas costas nuas. Callie ainda sem dizer uma só palavra, com sua mão direita tocou suavemente o rosto de Arizona e aproximou seus lábios pouco a poucos para encostá-los, convidando a um beijo mais profundo. Callie abriu sua boca e suavemente beijou a Arizona que respondeu com um novo gemido.

Callie começou a roçar seus lábios no pescoço de Arizona, beijando atrás da orelha, acariciando com sua língua a parte interna, ao mesmo tempo com sua mão esquerda acariciava suavemente seus mamilos eretos pela paixão transbordante e com a mão direita acariciava suas coxas, muito próximo de seu centro, úmido e quente que desejava com fervor o contato iminente. Arizona gemia com cada beijo, cada carícia. O movimento suplicante de suas cadeiras e sua respiração entrecortada evidenciava o que Arizona estava pedindo desesperadamente.

Esta vez Callie não a fez esperar, com a habilidade de sua mão direita, dois dedos abriram a porta de seu paraíso privado e com o dedo médio começou a massagear seu clitóris palpitante traçando círculos lentos, provocando em Arizona um grito de êxtase e uma torrente de excitação que fez vibrar cada músculo do seu corpo. Callie seguia beijando e acariciando Arizona, ainda sem dizer uma só palavra.

Arizona gemia, se retorcia de prazer, ela tampouco queria que esse momento mágico nunca terminasse. Diante de uma das caricias de Callie, especialmente excitante Arizona arqueou suas costas, jogou sua cabeça para trás e abriu a boca gemendo sem controle, então Callie aproveitou para beijá-la novamente e enquanto o beijo se prolongava, Arizona voltou a arquear as costas e sentiu como seu corpo ficava cada vez mais tenso, até que o clímax mais poderoso fez seu corpo todo tremer sem controle, ainda assim, Callie não abandonou o centro palpitante e ereto de sua esposa e em pouco tempo, delicada e lentamente conseguiu um orgasmo e logo mais um, enquanto o corpo de Arizona tremia incontrolavelmente para logo se render em um abraço quente, protetor e os beijos ternos do ser que tanto amava.

Foi então quando a luxúria deu espaço ao amor, quando o beijo já não buscava uma reação no corpo e sim na alma, foi então quando a alma alcançou seu próprio clímax, que se manifestou com um estremecimento que não se sabia de forma certa de onde vinha, mas era tão real como o sentimento, esse que não se pode tocar, esse que é intangível, mas tão certo e tão poderoso que sem ele todo o resto perde seu sentido e sua beleza. Esse, que marca a enorme diferença entre ter só sexo ou fazer amor. Esse que é incondicional e que se sente apesar da dor e da distância. Esse que pode viajar através dos sonhos.

Arizona, sentindo esse amor mais forte que nunca em sua alma e em seu coração, disse a Callie quase que com desespero:

– Te amo, te amo, te amo.

E em resposta a essas palavras que Callie também sentia em seu coração, finalmente falou:

– Eu também te amo e estou lutando para que isso não seja somente um sonho, não desista, eu não farei isso nunca, confie em mim...

Arizona acordou, ainda com as últimas palavras de Callie repetindo em sua mente, estava confusa, não sabia se chorava ou ria. A umidade ainda latente em seu corpo e a voragem de emoções que Callie despertou nela nesse sonho que ainda percebia em todo o seu ser, frente ao sentimento de vazio e profunda solidão que ficou marcado em sua alma ao acordar e se dar conta que toda a felicidade que havia sentindo somente era produto de um sonho. Essa contradição era o testemunho silencioso de sua atual tragédia: a incerteza e a angustia de não saber se algum dia poderia em sua realidade e não em seus sonhos ter ao seu lado novamente o ser que mais havia amado em toda a sua vida e que a ganância e a maldade tinham arrancando de forma cruel.

Mas por outro lado, o sonho levava implícito uma mensagem de esperança e de fé, Callie havia dito: “Não desista, eu não farei isso nunca, confie em mim.” E sim, Arizona Robbins confiava cegamente em Callie. Arizona estava segura que se alguém tinha força, coragem e determinação para sair viva de uma tragédia como essa, esse alguém era Calliope Torres, a mesma que enfrentou um homem armado conseguindo com que ele a agradecesse ao invés de atirar nela, a mesma que encarou a própria morte e a venceu, a mesma que muito provavelmente estava lutando nesse precioso momento para sair desse pesadelo e convertê-lo nos mais belos sonhos.

Arizona não tinha dúvidas nesse sentido, sua esposa tinha a coragem e a inteligência para lutar até o final sem se entregar, mas também era certo que Callie precisava de umas doses de sorte ou ajuda divina para conseguir conquistar seu objetivo e vencer de novo a adversidade. A grande pergunta era, chegará a ter essa sorte quando decidir que é o momento de atuar ?

A resposta para essa pergunta é a que no final definiria se Arizona teria que viver para sempre sem Callie e se conformar em vê-la em sonhos ou sentir a enorme vontade de recuperá-la para que sua esposa seguisse fazendo seus sonhos realidade, inclusive aqueles que Arizona nem sabia que tinha.

Arizona não pode voltar a dormir, tinha sentimentos demais dentro de si e a incerteza de não saber o que se passava torturava sua alma...


Essa história continuará ...


Notas finais
Callie não morreu, fiquem felizes õ/ õ/ õ/
Não faria sentido ela morrer, mas quando eu li a fic a primeira vez eu jurava que ela tinha morrido cara ://
enfim, vou fazer o possível pra ser bem mais rápida com o próximo capítulo ♥
beijos beijos :*