Não Desista. Nunca Desista.

7 Capítulo 6 - Por favor não, por favor não...


Notas iniciais
Desculpem a demora e obrigada pelos comentários *-*
Boa leitura (:

Capítulo VI


Hospital Seattle Grace Mercy West, 19:35hs

Arizona saiu da SO, mas durante a operação, especialmente no final estava inquieta e não sabia exatamente porque, tão inquieta que sua excitação provocada pelos beijos de Callie antes de entrar para operar já tinha minguado durante as horas até restar somente uma sensação desagradável que não sabia distinguir o que era. Por isso, saiu desesperada da SO ligando seu celular para ligar para sua esposa, queria ter certeza de que tudo estava bem, Arizona apertou a tecla de discagem rápida para ligar para Callie, o telefone começou a chamar...

Avery e Chef Richard estavam na porta do hospital esperando uma ambulância para atender um paciente que estava a caminho, enquanto esperavam ambos ouviram muito longe de onde estavam, um toque de celular, ambos se voltaram para a direção de onde vinha o toque e se deram conta que o celular estava muito perto da entrada do hospital jogado no chão. Avery intrigado, pegou o celular e viu na tela a foto da Dra. Arizona Robbins indicando uma ligação, no entanto quando ia atender o telefone parou de tocar. Avery pensou em retornar a ligação, mas o Chef disse que não, que era melhor procurar a Dra. Robbins e levar o celular para ela.

Arizona já nervosa porque Callie não havia atendido da primeira vez, voltou a ligar e se emocionou quando começou a ouvir ao longe o toque do celular que Callie tinha escolhido exclusivamente para ela, o som vinha do corredor a direita de onde ela estava, ainda não conseguia ver Callie então Arizona correu para a esquina do corredor enquanto o toque ficava cada vez mais alto.

No entanto quando virou a esquina do corredor, viu Avery com o celular tocando em sua mão e se decepcionou, logo quando Avery a entregou o celular ela constatou que era realmente o celular de Callie e um calafrio surgiu e percorreu toda a extensão de suas costas através de sua coluna.

Arizona que estava branca como uma folha de papel perguntou a Avery porque ele estava com o celular de Callie, Avery então respondeu:

Dra. Robbins, não sabia que esse celular era da Dra. Torres, o encontrei jogado no chão próximo a porta do hospital, o Chef e eu escutamos ele tocar e quando vimos sua foto na tela ele me disse para trazer o celular a você.

Enquanto ouvia Avery, Arizona tratava desesperadamente de encontrar alguma explicação lógica que justificasse a razão pela qual o celular de Callie fosse encontrado jogado na porta do hospital, mas no fundo de seu coração ela sabia que algo de muito ruim tinha acontecido a sua esposa, no entanto ela não queria acreditar, resistia com todas as duas forças para não acreditar no que seu instinto estava gritando.

Arizona então com seu celular ligou para o telefone de seu apartamento, repetindo para si mesma e pensando em Callie “Por favor, por favor, por favor atenda”, mas nada. O telefone tocava e ninguém vinha atender. Então seguindo com sua luta interna para não acreditar no óbvio, saiu em disparada para buscar sua bolsa e ir ao apartamento, no caminho pensava “Talvez Callie tenha perdido o celular e não se deu conta ainda, foi para casa e está tomando banho por isso ela não atende”. Arizona chegou ao prédio e subiu as escadas de dois em dois degraus, ofegante e suada abriu a porta com suas chaves e ao entrar gritou: — Callie, Callie, Callie... – enquanto corria para o banheiro, mas não, ela não estava no banheiro, o apartamento estava vazio e não havia nenhuma evidência que indicasse que Callie houvesse entrado nele.

Apartamento Callie e Arizona, 19:50hs

Arizona, derrotada, sem mais ideias, sem mais desculpas se deixou cair no sofá, baixou a cabeça e a colocou nos joelhos, suas mãos ao lado da cabeça, sentindo como se os monstros do medo, da angustia, do desespero e do pânico se apoderassem se deu peito. Arizona queria chorar, ainda que fosse para desafogar parte de sua angustia crescente, mas não podia, de seus olhos não saia nenhuma lágrima.

20:00hs

De repente o telefone do apartamento tocou e Arizona saiu em disparada para atender e o que escutou confirmou todas as suas terríveis suspeitas, ouviu um tom, como um começo de uma gravação e então escutou a voz de um homem distorcida por algum aparelho eletrônico do demônio:

A Dra. Calliope Torres foi sequestrada, exigimos que Carlos Torres venha para Seattle para definirmos o resgate. Nós entraremos em contato ligando exclusivamente nesse telefone. Não ousem chamar a polícia ou vocês vão se arrepender.”

Ouviu-se novamente o tom e a ligação se encerrou, Arizona gritou desesperada, se deixou cair no chão e começou a chorar, agora sim suas lágrimas saiam de seus olhos sem parar. Tirando forças sem saber de onde se levantou e pegou o celular de Callie, buscou o número de Carlos e ligou.

Carlos atendeu e disse feliz:

Calliope hija, finalmente você ligou, estava ficando preocupado com você...

Arizona o interrompeu quase gritando:

Sr. Torres não é a Callie, sou eu Arizona, acabaram de me ligar, Callie foi sequestrada.

Quando essas últimas palavras saíram de sua boca e Arizona ouviu a si mesma pronunciando-as o desespero mais intenso que havia sentido em sua vida percorreu todo o seu corpo, enquanto Carlos do outro lado dizia desesperado – “Não, não pode ser, minha filha não, a minha filha não”.

Os sequestradores exigem que o sr. Venha para Seattle imediatamente para combinar o resgate e que não chame a polícia. – Arizona se desfez em lágrimas e ouviu que do outro lado Carlos também chorava enquanto escutava ao fundo uma mulher angustiada perguntando o que havia acontecido, Arizona logo reconheceu que era Lucia a mãe de Callie.

Carlos tentou se acalmar e disse:

Lucia e eu estamos indo pra ai. Vou chamar meu piloto para que prepare o avião e em algumas horas estaremos ai. – Logo após desligou.

Arizona se deixou cair no chão novamente, chorando sem consolo. Sentia medo, raiva, desespero, angustia, um turbilhão de sentimentos espantosos. No dicionário ainda não apareciam as palavras para descrever um pesadelo como esse.

Em algum lugar entre SGMW e Frink Park, 19:10hs.

A ambulância ia rumo a Frink Park em velocidade média e na parte de trás estava amordaçada Callie Torres, ainda inconsciente, efeito do golpe que havia recebido na cabeça. Alberto Campos aproveitou o momento e passou um scanner sobre o corpo de Callie para verificar a existência de algum dispositivo de rastreamento via satélite, o detector não emitiu nenhum sinal. Nesse momento o celular de Robert tocou, era Peter quem estava ligando da casa alugada ao norte de Frink Park, Robert atendeu:

O que ? – Disse em tom áspero

Peter visivelmente contrariado disse:

Essa maldita casa é muito velha, houve um curto circuito quando estava preparando os equipamentos bloqueadores de sinal que já tinha preparado para 4. – Assim os sequestradores chamavam as vítimas, uma forma de despersonalizadas. Peter continuou falando: — Não podem vir pra cá, preciso de mais umas horas para verificar que tudo ficou bem.

Robert irritado disse:

Certo, o que você quer que eu faça ? Que eu ande Seattle inteiro com essa vadia enquanto você arruma esse desastre ?

– Não. Leve ela para Portland até que eu arrume tudo, não sei quando tempo vou levar.

Tudo isso é culpa sua, sempre querendo fazer as coisas com pressa, nós poderíamos ter sequestrado 4, quando 3 já estivesse morta. Não quero ter duas mulheres em cativeiro juntas.

– Mas que inferno, então mate ela, já cobramos o resgate mesmo. – Respondeu Peter.

– Sim, mas você sabe que damos esse tempo após cobrar o resgate, assim a família dessa infeliz sofre mais a agonia da incerteza antes de vê-la morta, mas já que não há outro remédio ...

– Argh, você e o seu maldito ódio com os latinos milionários. – Disse Peter

Se o seu pai tivesse sido explorado por mais de vinte anos como fez o latino rico, esse infeliz, para depois o jogá-lo na rua como um cachorro, você sentiria o mesmo ódio que eu sinto, mas está bem, nos falaremos... – Robert então pegou um desvio e foi rumo a Portland.

Era óbvio que Robert fazia tudo isso não só motivado pelo dinheiro e sim por um ódio irracional aos latinos milionários, o que sua memória seletiva não queria lembrar é que o chefe de seu pai o havia encontrado roubando e que justamente pelos vintes anos que ele havia trabalhado com ele, o chefe o despediu sem entrega-lo para a polícia.

Portland, 22:15hs.

Quase três horas depois, a ambulância estava entrando na garagem da casa de Portland, onde Norma Rivas estava sendo mantida em cativeiro no sótão, presa pelo tornozelo.

Callie estava acordada, assustada, vendo Alberto Campos comê-la com os olhos, mas isso era o que menos importava agora. Callie já sabia que tinha sido sequestrada, pensou “Maldição”.

Robert estacionou pegou sua pistola com silenciador na parte de trás da cintura e desceu em direção ao sótão, amordaçou a mulher assustada, prendeu suas mãos e retirou as algemas que a prendiam no tornozelo. A agarrou pelas costas e empurrou-a escada acima. Quando chegou em cima disse para Alberto com tom humilhante.

Tire as amarras e desça ela da ambulância que eu quero que ela veja isso.

Era óbvio que seu ódio pelos latinos era global e não só os milionários, mas era ele que dava as ordens agora, desta vez ele que dava as ordens, desta vez ele era o chefe e a inversão de papéis lhe dava o prazer de humilhar Alberto sempre que podia, por isso obrigava-o inclusive a limpar o quarto das mulheres, lavar banheiros, cozinha...

Alberto obedeceu e desceu Callie da ambulância, Callie tentava se soltar, mas sua força não estava ajudando dessa vez, debilitada pelo golpe que tinha recebido na cabeça e por ter estado presa mais de três horas dentro da ambulância.

Finalmente Callie desceu do veículo e por breves segundos olhou nos olhos da mulher assustada, Callie notou que a semelhança entre elas era enorme.

Robert as colocou frente a frente de tal forma que as duas ficaram lado a lado de costas para ele, seus ombros quase se encostavam.

Robert gritou com a pistola nas mãos – Um passo pra trás.

Ambas deram um passo. Norma chorava, gritava, ainda que seus gritos não fossem altos por causa da mordaça que tinha na boca que a deixou dormente. Enquanto Callie terrivelmente assustada tinha os olhos fixos, sentindo que o coração ia explodir, inclusive sentiu o quanto as veias em seu pescoço estavam dilatadas palpitando no mesmo ritmo de seu coração acelerado. Callie fechou os olhos e deixou sua mente em branco, o rosto lindo de Arizona com seus brilhantes olhos azuis e seu sorriso encantador apareceu em sua mente, ao lado dela Sofia estava sorrindo, Callie fez força para manter essa imagem em sua cabeça, se ela fosse morrer essa noite queria que essa fosse a última imagem que seu cérebro registrasse antes que ela se fosse desse mundo.

Atrás das duas mulheres, Robert passeava manuseando a sua pistola, escolhendo quem ele ia matar. Alberto tentando adivinhar o que Robert estava pensando e perguntou:

O que, você vai matar as duas de uma vez ?

Robert com um sorriso retorcido respondeu – Talvez...

Nesse mesmo instante Robert se assustou quando olhou para baixo e viu uma cobra pronta para dar o bote, respondendo ao instinto deu um passo para trás e tropeçou em uma pedra, perdeu o equilíbrio e na queda acidentalmente puxou o gatilho. Se ouviu um disparo baixo devido o silenciador, uma das mulheres agora estava caída no chão agonizando, a bala entrou pelas costas diretamente no coração.

Robert rapidamente se levantou apontou a pistola para a serpente e arrancou a cabeça com um disparo certeiro.

Pegou a mulher que havia sobrevivido e a empurrões a levou ao sótão, prendeu novamente seus pés e saiu, cobriu a mulher morta com uma manta qualquer e a jogou dentro da ambulância fechando a porta atrás de si. Caminhou para dentro afim de tomar umas taças de licor para recuperar o controle.

Passaram mais de duas horas quando Robert escutou seu celular tocando, era novamente Peter:

Me diga que você já consertou a maldição dos aparelhos. – Disse Robert

Sim, já podem vir.

– Certo, vamos de carro, essa ambulância já rodou muito por hoje. – Robert saiu e jogou a mulher morta dentro do porta mala do carro fechando a porta com força. Depois foi ao sótão e com um pano molhado com uma substancia pressionou contra o nariz da mulher viva até que ela perdesse os sentidos e pudesse ser carregada para o carro. Terminado isso, chamou Alberto e saíram de carro em direção a Frink Park.

11 de agosto, Seattle, 03:00hs

Às três da madrugada o carro com os dois sequestrados e as duas mulheres estava chegando a Seattle. Robert visualizou que estavam passando por uma rua residencial onde não se via uma só alma e somente se ouvia o som dos latidos de um cachorro muito longe, Robert estacionou o carro e acionou o botão para abrir o porta malas, desceu rapidamente e tirou a mulher morta, deixando-a jogada na guia, como fez isso rapidamente uma parte da manta acabou descobrindo a mulher deixando a mostra parte de seu cabelo preto comprido e seu rosto incrivelmente lindo.

Apartamento Callie e Arizona, 05:00hs.

Arizona estava deitada de lado na cama apoiando a cabeça no travesseiro de Callie e segurando muito próximo ao seu nariz o pijama preferido de sua esposa. Queria absorver seu cheiro, o aroma divino e inconfundível dela, sentia que era uma forma de estar próxima, para tentar amenizar a saudade.

Arizona não havia dormido a noite inteira, tinha os olhos vermelhos e inchados de tanto chorar, tinha medo, muito medo. As emoções eram muito piores daquelas que ela lembrava quando Callie estava a beira da morte por causa do acidente de carro. Pelo menos daquela vez, durante toda a agonia, desde o momento em que horrorizada a viu sangrando jogada através do para-brisa até aquela feliz tarde que Callie acordou dizendo “Sim, sim, sim, eu caso com você” todo esse tempo Arizona estava ao seu lado, não desgrudou um minuto sequer, mas agora, agora ela estava ali jogada na cama sozinha, sentindo-se perdida, angustiada, sem saber se Callie estava viva ou morta, si a estavam torturando ou causando algum tipo de dor nela, sem saber se algum dia voltaria a vê-la , toda essa incerteza estava corroendo a alma, esta era sem dúvida a pior noite de agonia que ela havia experimentado em toda a sua vida, sem contar que horas antes enquanto pensava em Callie, Arizona sentiu o mesmo aperto no peito de quando estava na cirurgia, aquela mesma sensação ruim...

Exatamente às 5 da manhã a campainha tocou, Arizona atordoada pela dor em sua alma, levantou da cama e foi até a porta, olhou no olho mágico e viu Carlos e Lúcia acompanhados de dois homens bens vestidos. Arizona abriu a porta e sem pensar duas vezes abraçou Carlos colocando seus braços envolta do pescoço e apoiando sua testa no ombro dele chorando inconsolada. Carlos também se pôs a chorar e em um gesto protetor abraçou Arizona na cintura o mais forte que podia, Arizona percebeu por um segundo a sensação de segurança que sentia quando Callie a abraçava , era óbvio que ela havia herdado essa força de seu pai. Um minuto depois Arizona levantou o olhar e seus olhos se encontraram por um momento com os olhos marejados de Lucia, a mãe de Callie.

Arizona ainda chorando soltou o abraço e acenou para que todos entrassem. Já dentro Carlos apresentou a Arizona os dois homens que estavam com eles, se tratava do comissário da polícia de Seattle Paul Tuner e o Sub-Comissário Norman Cooper. Feitas as apresentações, Carlos explicou a Arizona que ainda que os sequestradores tivessem advertido sobre a presença da polícia, ele sabia que sempre era melhor contar com a experiência da força policial treinada especialmente para esses casos e explicou também que como os sequestradores haviam dito que iriam se comunicar apenas pelo telefone do apartamento, os policiais iriam estabelecer sua base de operações ali.

Arizona aceitou e os policiais começaram a instalar os equipamentos na sala e um dispositivo de rastreamento de chamadas no telefone do apartamento.

7:00hs

Mark Sloan saiu de seu apartamento com Sofia em seus braços, tocou a campainha do apartamento de Callie e uns segundos depois Arizona abriu a porta, quando ela viu Sofia estirou os braços para abraça-la e chorando outra vez a abraçou com força. Mark que não entendia nada o que estava acontecendo e se assustou quando viu que dentro do apartamento estavam Carlos, Lucia e dois homens sentados conversando entre eles. Carlos se deu conta da cara de assustado de Mark e fez sinal para que ele entrasse, Mark atendeu o pedido e entrou com um olhar de angustia ainda sem do que se tratava, fechou a porta atrás de si. Carlos olhou para ele e disse:

– Ontem à noite Calliope foi sequestrada.

O que ? – Mark estava perplexo e sentiu como suas próprias lágrimas invadiam seus olhos, Carlos contou resumidamente tudo o que sabiam até agora, prontamente Mark dirigiu seu olhar para Arizona e sem aviso foi ao seu encontro e a abraçou com força, e ela aceitou o abraço.

Meia hora mais tarde o telefone do Sub-Comissário Norman tocou, imediatamente ele atendeu e enquanto escutava as informações seu resto ficou sombrio, finalizou a chamada dizendo: – Ok, estamos indo pra lá agora.

Quando encerrou a chamada Norman observou todos os rostos brancos e assustados de todos os presentes, assim que respirando fundo disse de uma vez só:

Acabam de me informar que encontraram um cadáver de uma mulher em uma zona residencial em S. Lake St, aparentemente foi baleada pelas costas segundo a informação preliminar do forense, morreu faz poucas horas... – Fez uma pequena pausa para continuar – E a descrição do cadáver coincide com ... a Dra. Calliope Torres. Preciso que um de vocês, menos o senhor, Senhor Torres que deve ficar aqui para um possível contato dos sequestradores me acompanhe para identificar o corpo.

Quando Arizona escutou o nome de sua esposa proferiu um grito aterrorizador, caiu de joelhos no chão e repetia sem parar em um tom suplicante: — Por favor não, por favor não, por favor não...

Mark super impactado pela terrível notícia tomou Arizona nos braços e a levantou, abraçando-a com sua força e com o tom mais terno que pode disse:

Vamos Robbins, fique calma, fique calma.

Mas Arizona não escutava, apenas seguia repetindo a frase: — Por favor não, por favor não...

Passaram alguns minutos e como um flash Arizona ainda nos braços de Mark recordou a foto que havia visto na tv mais cedo, a outra vítima que tinha sido sequestrada e que nesse momento ainda a polícia estava a sua procura, lembrou que ela parecia muito com Callie e um pequeno rastro de esperança tomou conta de sua alma. Talvez a polícia as tivesse confundido. Não longe suas esperanças eram poucas, já que lembrava com horror que de acordo com a notícia cada mulher aparecia morta no mesmo estado onde tinha sido sequestrada e se a mulher foi localizada em Seattle as chances de que fosse Callie eram enormes.

Arizona preferiu não pensar mais nisso, assim que respirou fundo em busca de algum autocontrole, olhou Carlos nos olhos e disse: — Eu vou lá.

– E eu vou com você, não quero que faça isso sozinha, se acontecer de ser ela, Deus queira que não, não quero que você passe por isso sozinha. – Disse Mark amigo.

Arizona ao escutar Mark e vê-lo também chorando, entendeu porque Callie sempre havia sido fiel a sua amizade e porque ele era seu melhor amigo. Mark podia ser um mulherengo imaturo e infantil, mas ele amava Callie, ela era provavelmente a única relação e afeto estável que ele tinha em sua louca vida de solteiro. Mark, Cristina, Bailey, Addison, ela mesma, o grande coração de Callie não deixava ninguém indiferente. Uma imensa onda de amor e dor pousou em sua alma e outra vez ela começou a repetir para si mesma “por favor não...” enquanto caminhava chorando para a porta do apartamento abraçada a Mark, para reconhecer o final de sua vida feliz ou a pequena esperança de que ainda podia recuperá-la.

Necrotério de Seattle, 07:30hs.

Uns vinte minutos mais tarde, Arizona acompanhada de Mark e de Norman caminhavam pelos corredores do necrotério para identificar o cadáver da mulher que havia sido encontrada morta essa manhã. O coração de Arizona batia descontrolado dentro de seu peito, um imenso terror percorria cada músculo de seu corpo enquanto Norman abria a gaveta em câmera lenta: lentamente Norman começou a deslizar o lençol que cobria o corpo, lentamente aparecia diante de seus olhos o cabelo negro de Callie... Arizona ficou horrorizada ainda mais quando finalmente a cara ficou descoberta, tapou sua boca com a mão, abafando um grito de dor, por um segundo ela viu o lindo rosto de sua esposa desenhado nas feições inchadas do cadáver em frente a ela até agarrar o braço de Mark e enterrar seu rosto nele, Arizona não acreditava, não podia acreditar ...


Essa história continuará.

Notas finais
Tentem não me odiar com esse suspense todo D:
beijos e até o próximo capítulo (: