Não Conte Nossos Segredos

29 Capítulo 29 - Final Parte II


Notas iniciais
Genteeeee, a fic chegou ao fim!! Depois de dois meses, Não Conte Nossos Segredos chega ao seu último capítulo. E eu venho agradecer imensamente e de coração a todos que acompanharam a história. Muuuuuuuito obrigada as leitoras que deixaram sua opinião, que recomendaram a fic e que não me abandonaram!! Pelo contrário, se não fossem vocês, amores, eu não teria chegado até aqui!! Muito obrigada por todo apoio e incentivo que vocês me deram!! Esse foi o maior projeto que tive até agora, e embora alguns imprevistos tenham acontecido, foi, definitivamente, a fic que eu mais gostei de escrever! Criei um laço especial com minhas personagens e vou sentir falta delas, mas eu com certeza vou sentir mais falta de vocês! De chegar em casa e ler os comentários adoráveis que vocês me deixaram!!
Então, mais uma vez, muuuuuuuito obrigada, de verdade!! Vocês são maravilhosas!! XD XD Vou sentir muita falta de vocês!!
E... Bom, aqui vai o último capítulo!!
Espero que gostem!!

As pessoas já tinham tomado conta do lugar, algumas choravam, outras tentavam se aproximar mais, e havia ainda aquelas que olhavam Alana e André de maneira acusadora. Os policiais tentavam cercar a área, mas estavam tendo dificuldades, alguns chamaram ambulâncias e foram até a linha do trem. Jornalistas estavam por toda parte e tentavam descobrir algo.

Um deles se chegou muito perto de Alana, e começou a fazer perguntas. Ela não escutava o que ele falava, estava atordoada demais para aquilo. Parecia que sua cabeça estava prestes a explodir e tudo a sua volta rodava. Sentiu braços quentes envolta do seu corpo e se viu sendo puxada por André. Ele a abraçou e fez com que ela apoiasse o rosto em seu peito, como se quisesse isola-la de tudo o que estava acontecendo.

–Ela é minha filha! Alana! – ouvia uma voz masculina gritar ao fundo, mas não conseguia reagir.

Mãos delicadas a puxaram e um perfume conhecido invadiu seu nariz. Sua mãe a abraçava e chorava, perguntando se estava tudo bem. Deu vários beijinhos no rosto da filha e começou guia-la até uma das ambulâncias assim que viu o sangue no corpo dela.

Enquanto andava, Alana viu rostos conhecidos. Os Campbell assistiam à cena abismados, Ana também estava lá e a olhava de uma maneira diferente. Viu um homem alto e charmoso, reconhecendo-o na hora. Henrique estava acompanhado por Pedro e Gabriel.

Uma enfermeira fez Alana se sentar em uma maca e começou a fazer curativos nela. Gabriel a olhava preocupado. Deu vários passos na sua direção e, quando estava se aproximando, foi barrado por dois policiais.

Uma luz clara e rápida cegou Alana por breves segundos e ela desviou o rosto, incomodada. Um desconhecido apareceu no seu campo de visão e ele logo foi empurrado por seu pai, que ameaçou tirar a câmera dele.

–Ela é menor de idade e eu não permito que tire fotos! Apaga essa merda! – o jornalista apagou desesperado, saindo de perto dele logo em seguida – Eu quero saber o que está acontecendo!

–Alana, você está bem, filha? – sua mãe perguntava, mas ela não conseguia responder.

Uma luzinha irritante apareceu nos seus olhos e logo ela percebeu ser uma lanterninha da enfermeira. Seguiu-a com o olhar algumas vezes e agradeceu mentalmente quando ela desapareceu.

–Está em estado de choque, é normal. – a enfermeira tranquilizou sua mãe.

Gabriel ainda tentava se aproximar dela e, sem pensar duas vezes, levantou-se com certa dificuldade e, com as pernas bambas, correu até ele, que a recebeu em seus braços. Lágrimas voltaram a cair e Alana se permitiu chorar o quanto quisesse, mesmo que aquilo fizesse com que sua cabeça doesse ainda mais.

–Eu não tenho culpa, Gabriel. – sua voz era abafada pelo pescoço dele.

–Eu sei que não. – ele a abraçava forte e beijava seu rosto e seu pescoço, enquanto acariciava suas costas – Eu acredito em você, Alana... – ela se sentia minimamente mais confortável com o calor do corpo dele. Queria que tudo parasse naquele momento e que os dois saíssem dali, indo para bem longe.

–Acredita em mim...

–Eu já disse que acredito, Alana. – ele beijou sua boca com carinho.

–Me tira daqui, Gabriel... Por favor... – implorou – Minha cabeça está explodindo...

–Já vamos sair, espera só mais um pouquinho, está bem?

–Você promete?

–Prometo. – ele afagou seus cabelos.

–Delegacia?! – seu pai vociferou – Isso é um absurdo, não vê que ela não está em condições?!

–Eu lamento senhor, mas é preciso.

Sua mãe foi até ela e a tirou dos braços de Gabriel. Seu pai foi na sua direção e beijou seu rosto, segurando firme em sua mão. Enquanto andavam de volta até o Pátio, Alana olhou para Gabriel e ele fez um positivo com a cabeça.

Mais pessoas estavam lá. Foram até um dos carros da polícia e entraram, seguindo diretamente para a delegacia. Ainda que o trajeto do carro parado na frente do prédio até a construção fosse apenas alguns passos, Alana teve a impressão de que ela demorou horas para conseguir entrar.

Vários fotógrafos tentavam tirar fotos e havia tumulto ali também. Assim que entraram, foram para uma salinha, onde viu André sentado em uma cadeira, desolado. Ela e sua mãe se sentaram um pouco distante dele e seu pai ficou em pé, aguardando para saber o que fazer.

Um policial entrou e pediu para que Alana fosse a primeira a falar o que havia acontecido, mas seu pai não gostou nada daquela ideia, dizendo que ela só diria algo na presença de um advogado. Por fim, depois de muito discutirem, Alana contou de modo automático o que tinha acontecido. Só queria acabar logo com aquilo e ir para casa. Seu estômago embrulhava e ela ainda tremia, sem contar que detestava aquele ambiente.

–Mãe... – ela se aproximou – Estou com muita dor de cabeça... – assim que acabou de falar, tudo ficou negro.


******


Acordou em um quarto todo branco e com um barulho irritante que fazia beep em intervalos de tempo regulares. No primeiro momento, a claridade incomodou seus olhos, mas aos poucos ela foi se acostumando. Sua cabeça tinha parado de doer e, quando viu o curativo no braço, lembrou-se de tudo o que havia acontecido.

Sua mente ainda estava confusa, mas ela já conseguia entender algumas coisas, como, por exemplo, o motivo pelo qual Adriana tinha morrido. Respirou fundo e olhou onde estava. Notou que era um quarto de hospital, estava com a mesma roupa do dia anterior e tinha um gosto ruim na boca. Sua mãe, que estava sentada no sofá, assim que a viu acordada, correu para perto de Alana.

–Como se sente? – perguntou gentilmente.

–Melhor... – ela sorriu e recebeu um beijou no topo da sua cabeça.

Seu pai entrou no quarto e ao vê-la, sorriu. Abraçou-a delicadamente, e acariciou seus cabelos. Sua mãe apertou a campainha, chamando a enfermeira, e ficou afagando sua mão.

–Sabe que temos uma conversa pela frente, não é? – perguntou com a voz doce, mas o olhar sério.

–Eu sei. – Alana suspirou – Mas no momento, o que eu mais quero é ir para casa e tomar um banho.

Uma enfermeira entrou, seguida por um médico. Eles examinaram Alana e, depois de muitas perguntas, como: ”Você está bem?” e “Sente dor em algum lugar?”, a enfermeira ensinou sua mãe a fazer os curativos e Alana recebeu alta.

A agulha que tinha no braço, por onde entrava o soro com medicamento, foi retirada, assim como todos os fios dos outros aparelhos. Ao levantar da cama, sentiu suas pernas fraquejarem um pouco, mas o médico dissera que aquilo era por conta do tempo que tinha passado deitada.

Antes de sair do quarto, Alana se viu no espelho. Estava horrível, seu cabelo estava todo bagunçado e tinha uma expressão um tanto apática no rosto, sem contar que sua roupa estava imunda.

Passaram por vários corredores brancos até chegarem a uma porta grande e espelhada. Assim que passaram por ela, Alana identificou, sentados em cadeiras próximas à recepção do hospital, Gabriel e Pedro. O primeiro com uma expressão cansada e o segundo dormindo de mau-jeito.

Ao ver Alana, Gabriel se levantou rapidamente, acordando o irmão, que também se levantou. Eles deram dois passos para frente, mas pararam, parecendo receosos. Alana sorriu ao ver os dois ali e saiu em disparada na direção deles, jogando-se nos braços de Gabriel e sentindo o abraço de Pedro.

–Você quase matou a gente de susto! – Pedro brincou – Consegue imaginar como ficamos quando vimos você sair da delegacia no colo do seu pai, desmaiada?! Nunca mais faça isso com a gente!

Alana sorriu e beijou o rosto dele. Voltou-se para Gabriel e beijou-o, sendo beijada de volta da maneira mais carinhosa que já tinha experimentado. Quando se afastaram, fez carinho no rosto dele, notando como ele estava pálido e com olheiras.

–Vocês passaram a noite aqui? – perguntou aos dois.

–É claro. Eu não sairia daqui até que tivesse a certeza de que você estava bem. – ele sorriu e beijou-a novamente, mas dessa vez mais rápido.

–Cada médico que passava ele perguntava por você. – Pedro tirou sarro e levou uma cotovelada do irmão.

–Você conseguiu, Alana. – Gabriel sussurrou e ela olhou para ele – Você finalmente desvendou o tabu da cidade... – ao se lembrar de tudo o que havia acontecido, sentiu seu corpo estremecer e se segurou ainda mais em Gabriel.

–O que aconteceu, no final? E o André?

–Ele gravou a conversa que você teve com... Ela. – seu pai falou, aproximando-se deles – Inclusive a parte que vocês tentam alertá-la de onde ela estava... – ele respirou fundo.

–E... Vai acontecer alguma coisa comigo ou com André? – sua mãe sorriu.

–Não... A culpa não foi de vocês.

–Ah, você acordou! – ouviu aquela voz masculina e familiar atrás de si. Gabriel e Pedro olharam feio para Henrique, que se aproximava.

Ao vê-lo, Alana se lembrou do caso que ele tivera com Adriana e com o fato de que ele era o pai da criança que ela esperava. Detestou aquilo, balançou um pouco a cabeça, tentando se livrar daqueles pensamentos, e forçou um sorriso simpático.

–Oi...

–Esse é o meu pai, Alana. – Gabriel apresentou e Henrique a cumprimentou.

–Fico feliz por saber que você está bem. – e deu seu sorriso charmoso.

–Obrigada.

–Bom, é melhor irmos para casa. – seu pai se pronunciou, tocando gentilmente as costas de Alana.

–Vocês não estão com um carro, não é mesmo? – Henrique perguntou.

–É verdade, não estamos... Tinha me esquecido desse detalhe.

–Não tem problema, eu dou uma carona para vocês.

–Mas vai caber todo mundo? – sua mãe perguntou.

–Cabe, eu não vou para casa. – disse Pedro – Tenho um... Compromisso. – sorriu malicioso e tanto Alana quanto Gabriel reviraram os olhos, já imaginando que compromisso seria aquele.

–Não vai ter problema? – o pai de Alana perguntou.

–De maneira alguma, faço questão.

–Bom... Então, aceitamos. – Henrique sorriu e indicou para que o seguisse.

Alana segurou mão de Gabriel e foi na frente, seguida por seus pais, e antes de entrarem no carro, despediu-se de Pedro. Gabriel foi no banco do passageiro e Alana e seus pais foram no banco de trás.

O hospital não ficava muito longe da casa de Alana e logo eles chegaram. Todos desceram e, enquanto Henrique conversava um pouco com os pais dela, Gabriel a abraçou por trás e beijou seu pescoço.

–Por que não me disse que estava procurando o assassino de Adriana? – Alana se virou para ele.

–Porque eu não queria que se machucasse... Sem contar que eu tenho quase certeza de que você me convenceria a parar de tentar achar o culpado... – Gabriel sorriu.

–Você está certa quanto ao fato de que eu tentaria te impedir de mexer com essa história. E obrigada pela preocupação comigo, mas, da próxima vez, pode deixar que eu te protejo. – Alana riu.

–Está bem. – ela o encarou e brincou com alguns fios de cabelo dele. Ao se lembrar de todos os momentos que tinha passado com ele, inclusive a noite que tinha dormido na casa dele, Alana sorriu e o beijou.

Ainda que pego de surpresa, Gabriel correspondeu imediatamente, segurando-a firme pela cintura e colando ainda mais seus corpos. O beijo era calmo, mas Alana sabia que, se não estivessem na companhia de outras pessoas, o beijo acabaria de outra maneira.

Ouviram um pigarro e se afastaram logo em seguida, olhando para o pai de Alana, que estava com os braços cruzados.

–Vamos, Gabriel? – Henrique o chamou.

–Tá. – ele beijou mais uma vez Alana e se afastou – Depois eu te ligo. – e piscou. Os dois entraram no carro e Henrique deu a partida, indo embora.

O pai de Alana abriu a porta e os três entraram. Ele se sentou no sofá e respirou fundo, parecendo bastante cansado.

–Eu sei que precisamos conversar. – Alana começou – Mas será que eu posso tomar um banho antes?

–Claro. – sua mãe disse – Eu te ajudo.

As duas subiram e foram direto para o banheiro. Alana tirou a roupa e sua mãe desfez os curativos. Enquanto tomava banho, nenhuma das duas dizia nada.

–Está namorando o Gabriel?

–Não sei... – Alana admitiu e sua mãe riu.

–Como não sabe? Alana, ele passou a noite atrás de você, tanto na delegacia quanto no hospital, vocês trocam beijos carinhosos e ainda não sabe se estão namorando? – Alana riu também diante da constatação dela.

–É que ele ainda não me pediu... – sua mãe revirou os olhos.

–Como se precisasse disso!

Quando o banho acabou, os curativos foram refeitos. Alana não tinha percebido como o corte na lateral do seu corpo era enorme e como o furo em seu braço tinha sido profundo. Colocou a roupa mais confortável que tinha e desceu para a sala.

Seu pai continuava no sofá, mas tinha assumido uma postura séria, e era acompanhado por sua mãe. Alana se sentou no outro sofá, de frente para eles, e esperou até que alguém se pronunciasse.

–Por que não nos contou nada, Alana? – seu pai perguntou.

Alana respirou fundo e explicou que, caso tivesse contado, eles não a deixariam continuar com aquilo. Respondeu tudo o que eles perguntaram em seguida, falando das ameaças e tudo o mais. Também explicou detalhadamente o que tinha acontecido na tarde anterior, emitindo apenas dois fatos. O primeiro era referente à Carolina, e o segundo era sobre a relação entre Victória e André.

Ao final da conversa, sua mãe a abraçou e agradeceu por estar tudo bem com ela. Seu pai também ficou aliviado por tudo ter sido explicado e a fez prometer que, caso algo acontecesse, ela diria imediatamente para eles.

–Bom... – Alana se ajeitou no sofá – Preciso fazer mais duas coisas...

–O quê? – sua mãe perguntou.

–Falar com a Margarida e com o André.

–Pretende fazer isso agora?

–Sim... Margarida me ajudou um pouco, sabe... E eu quero ver como o André está...

–Não acha melhor esperar até amanhã? Não está cansada? – seu pai perguntou.

–Não... Prefiro falar agora. – ela sorriu – E eu estou bem. Passei quase um dia dormindo, estou mais disposta do que nunca. – levantou-se do sofá e deu um beijo em cada um – Eu já venho. – pegou o celular e saiu de casa.

Pela primeira vez, não teve a necessidade de ficar olhando para todos os lados, sentia-se segura para andar livremente pelas ruas. O céu ainda estava nublado, mas o tempo começava a melhorar, o vento gelado tinha diminuído. Andou até a casa de Margarida e tocou a campainha, e como se a velha já estivesse esperando, imediatamente abriu a porta.

–Como é bom te ver, Alana. – falou com um sorriso sincero – Entra.

Alana entrou um pouco tímida, e as duas seguiram até a sala. Margarida fez um sinal para que ela se sentasse e foi para a cozinha, voltando minutos depois, segurando duas xícaras.

–É chá de erva-doce. Gosta? – perguntou entregando a xícara para ela.

–Adoro. – Margarida sorriu e se sentou no outro sofá. Houve um breve silêncio.

–Como se sente?

–É estranho... – Alana foi sincera – Parece que me libertei de algo que durou anos... – ela encarou Margarida – Aliás, durou anos, não foi?

–O que quer dizer?

–Que eu me lembrei de cenas... – ela analisou as palavras – Foi como se eu tivesse me lembrado de coisas que ocorreram nas minhas... “Vidas passadas”... – fez aspas com os dedos e Margarida sorriu.

–É exatamente isso, Alana. Você acaba de se libertar de uma história cíclica... – Alana ficou olhando Margarida.

–Como assim...?

–Alana, Adriana nunca se conformou com a morte que teve... E sua raiva foi tão grande pelo o que aconteceu... Que ela simplesmente não superou e amaldiçoou esse lugar. – Alana sentiu um calafrio percorrer seu corpo – Então, ela escolheu você para ser... “A vítima”, digamos assim...

–Mas... Por que eu?

–Porque ela se identificou com você, Alana...

–Mas...

–Me conta, exatamente, o que aconteceu entre você e a tal de Carolina. – Alana perdeu as palavras por alguns instantes.

–Ela era uma aluna da minha sala... Ela era daquelas garotas populares que têm tudo o que querem, vivia me importunando... – suspirou – Um dia, descobri que ela era cleptomaníaca... A peguei roubando uma loja perto de onde eu morava... E simplesmente comecei a tortura-la, sabe... Eu queria dar o troco, queria que ela vivesse um inferno, assim como eu vivi nas mãos dela. – fez uma pausa – Mas peguei pesado demais e ela não aguentou... Ela... Simplesmente se matou no banheiro da escola... Cortando os pulsos... Todos os alunos estavam ocupados e a chance de ela ser socorrida a tempo era mínima... Aquele dia foi horrível, eu fui a primeira a encontra-la... Eu ia pedir desculpas para ela... Eu ia parar de fazer aquilo. – algumas lágrimas escaparam – Até hoje tenho pesadelos com isso.

Margarida passou a mão pelo rosto de Alana e sorriu de maneira gentil.

–Foi exatamente por isso que Adriana te escolheu... Sabe, Alana... Adriana costumava desabafar comigo. – ela soltou uma risadinha – Acredite se quiser, mas era porque eu sou considerada maluca... E isso dava confiança a ela, afinal, se eu resolvesse contar algum segredo seu, quem acreditaria na minha palavra? Ela me contava tudo o que fazia e sabia... Tanto é que sei que Marcos tem um romance com sua mãe, que Henrique era o pai do filho dela, e até mesmo que Victória tinha relações com André.

–Você sabe de tudo isso? – Alana se impressionou.

–Assim como sei que você achou que Marcos e Henrique eram os culpados pela morte dela. Acontece que Adriana achou graça em saber o segredo dos outros e começou a tirar vantagem disso... Até que ela escolheu a vítima errada. Ela queria fazer com Victória o que ela fazia com os outros, mas não deu certo. Victória nunca se conformou com aquilo e começou a perseguir Adriana, descobriu tudo o que ela sabia e começou a fazer chantagem. Adriana finalmente soube como era ter seus segredos ameaçados e tentou parar de fazer aquilo com os outros, mas Victória não deixou, ameaçava-a de todas as formas possíveis. Ela conseguiu fazer Adriana perder a cabeça e, na última briga delas, matou-a. – ela fez uma pausa – Ela escolheu você, Alana, por que queria desmascarar Victória, e você estava procurando a chance de se redimir pelo o que fez com Carolina... O problema é que isso virou algo cíclico, e enquanto você não descobrisse a verdade, não acabaria.

–Mas dessa vez eu tive menos tempo...

–Verdade... Talvez Adriana já estivesse cansada... Talvez ela tivesse perdido as esperanças e essa seria sua última chance.

–Sabe o que teria acontecido caso eu tivesse errado?

–Não... Sinceramente, não sei... – houve uma pausa demorada.

–Como sabe de tudo isso? – Margarida suspirou.

–Digamos que eu tenho um dom... Tenho uma sensibilidade, uma intuição, que me faz ver o que vai acontecer antes mesmo de acontecer. Por isso sou considerada esquisita e ninguém fala muito comigo... Sabia do que ia acontecer com Adriana antes mesmo de ela começar a conversar comigo, assim como sabia quem você era antes de mudar de cidade.

–Isso é...

–Estranho? Eu sei. – e sorriu.

–E por que você não podia me ajudar?

–Não posso interferir... Uma palavra dita na hora errada, e eu posso mudar o rumo de muitas coisas... Então, é melhor eu não falar nada.

–Nossa... – tomou um pouco do chá – E por que o assunto Adriana era proibido na cidade?

–Depois da morte dela, qualquer pessoa que ousasse falar Adriana era ameaçada e tinha parte do segredo que guardava revelado. Victória fazia terrorismo e as pessoas ficaram com medo... Por isso ninguém gostava de falar sobre esse assunto. Era como se, de alguma forma, Adriana continuasse viva.

–Isso é... Inacreditável... – Margarida sorriu e se levantou.

–Bom, se você quiser conversar com a próxima pessoa da sua lista, é melhor se apressar, senão pode ser que ela vá embora. – e piscou.

Alana demorou um pouco para entender, mas logo se deu conta de quem ela estava falando. Levantou-se também e foram até a porta. Margarida, com certo receio, abraçou-a e Alana retribuiu o gesto.

–Mais uma vez, Alana, é bom ter você aqui. E aproveita sua nova vida.

–Obrigada. – Alana sorriu e se despediu.

Enquanto andava pelas ruas, tentando acertar o caminho para onde queria ir, perguntava-se como Victória tinha descoberto sobre Carolina. Pegou o celular e ligou para Roberta.

–Achei que já tivesse me esquecido. – choramingou e Alana riu.

–Até parece. Você é minha amiga de infância, Roberta, nunca vou te esquecer. – a outra riu – Só não liguei porque esta sem tempo.

–Sei, sei... Mas diga, a que devo a honra de receber uma ligação sua?

–Preciso saber se alguém entrou em contato com você querendo saber da Carolina. – houve uma pausa.

–Agora que você falou, me lembrei. Uma garota... Não consigo me lembrar do nome dela... Perguntou sobre o que houve entre vocês... Disse ser uma amiga sua e que você estava muito mal com o que tinha acontecido... Queria te ajudar...

–E você contou?

–Sim... Ela falou tanto sobre você que realmente pareceu ser sua amiga... – Alana chegou à conclusão de que Victória tinha espionado toda a sua vida – Fiz mal?

–Não... Só, não fale para mais ninguém o que houve, mesmo que essa pessoa diga ser minha amiga...

–Está bem.

Alana chegou em frente à um prédio azul e logo reconheceu quem guardava as malas em um carro.

–Eu preciso ir, te ligo depois. – não esperou pela resposta e desligou o celular – Podemos conversar? – André pareceu surpreso por vê-la ali, demorou algum tempo para raciocinar, mas depois respondeu:

–Claro.

–Se importar de irmos a um lugar?

–Não, vamos.

Caminhavam em silêncio, um ao lado do outro. André não sabia muito bem como se comportar e ele colocou as mãos dentro dos bolsos da calça. Foram até o Pátio e andaram até o ponto onde dava para ver a cidade inteira. Tinha lembranças do quase beijo com o Gabriel naquele lugar.

Aproximaram-se da cerca e André apoiou os braços ali, assim como Alana. Ficaram mais alguns segundos em silêncio, apenas admirando a paisagem de final de tarde, mesmo que o céu estivesse com bastante nuvens.

–Vai passar algum tempo fora? – Alana perguntou, lembrando-se das malas que ele colocava no carro.

–Vou me mudar... Já pedi demissão no colégio e conversei com um amigo de outra cidade... Vou para lá essa noite. – ele fez uma pausa – Não quero mais ficar aqui... Quero me libertar de tudo relacionado à Victória... Eu não aguentaria ficar nessa cidade... Quero recomeçar minha vida.

–Eu entendo...

–E você... Vai fazer o quê?

–Pretendo ficar... Quero ter a chance de realmente conhecer a cidade e as pessoas que moram aqui. Quem sabe... Ela não é tão ruim quanto parece. – sorriu um pouco, mas logo voltou a ficar séria – O que tinha na gravação que você deu para o policial.

–Apenas a parte que Victória confessa que matou Adriana e uma pequena parte que ela explica os motivos...

–Então... Não tem a parte que ela conta sobre você ou sobre Carolina?

–Não. – ele ficou um tempo em silêncio – Vai contar sobre mim? – Alana olhou para ele.

–Eu deveria... Mas não vou fazer isso. Victória não quis te entregar... E se ela, que era “vítima”, não quis, eu, que não tenho nada com essa história, não vou fazer... Vou simplesmente fingir que não sei de nada... Chega de me meter nos segredos dos outros.

–Sabe... Na noite que eu tirei a virgindade da Victória... Eu estava completamente bêbado. Sei que fui um canalha, por isso, depois do que aconteceu, eu me tornei o bichinho de estimação dela. Sentia-me culpado e deixava-a fazer o que queria comigo. Naquela noite que você viu a gente, ela tinha me mandado uma mensagem, mandando eu me encontrar com ela naquele beco. Pela hora, fiquei preocupado e fui. Ela começou a me seduzir, a fazer de tudo para que eu... – ele pigarreou – Bom... Quando eu fiz, ela começou a dizer que não queria, mas o corpo dela dizia o completo oposto... E quando eu te vi para no beco, entendi o que estava acontecendo. Tentei te explicar, mas você não deixou...

–O que eu ia pensar diante de uma cena daquelas?

–Eu te entendo, por isso achei melhor deixar quieto por um tempo. – outra pausa.

–Por que foi atrás de nós, ontem?

–Vi Victória sair praticamente cuspindo fogo do colégio, e coisas boas não acontecem quando ela fica daquele jeito. Resolvi ir atrás e me deparo com ela confessando tudo... Eu não podia perder aquela chance... – os dois voltaram a olhar para frente.

–Como estão os pais dela?

–Arrasados... Não sabem se ficam mais chocados com a morte da filha ou pelas coisas que ela fez.

–Isso me lembra... E os pais de Adriana?

–Resolveram se mudar quando o laudo policial disse que ela era a culpada pela própria morte. Nunca mais ouvimos nada sobre eles. – um vento um pouco mais frio passou por eles, fazendo Alana ficar arrepiada – Está ficando tarde... É melhor voltarmos.

–É...

Do mesmo jeito que foram, voltaram, com o silêncio reinando. As únicas palavras trocadas foram as de André insistindo para acompanha-la até sua casa. Andaram despreocupadamente até chegarem.

–Então... É isso... – Alana suspirou.

–Sim... – ele concordou.

–Isso é um... Adeus? – encarou aqueles orbes castanhos que certa vez tinha amado, mas naquele momento ela não sentia nada além de... Certo carinho por eles.

–É. – André respondeu, engolindo em seco. Ele se aproximou e a abraçou bem apertado – Eu realmente espero que você seja feliz, Alana... Que tudo dê certo para você. – sussurrou em no ouvido dela.

–Desejo o mesmo para você... – ela falou, contendo algumas lágrimas. Eles se afastaram e André beijou sua testa.

–Tchau.

–Tchau. – ela sorriu um pouco e foi até a porta. Ele acenou brevemente e ela retribuiu o gesto. Só quando já estava dentro de casa, foi que André foi embora... Para sempre.

–Tudo bem, filha? – seu pai perguntou.

–Tudo... – ela suspirou.

–Quer comer alguma coisa? – sua mãe perguntou da cozinha.

–Não, obrigada... Acho que vou deitar... – despediu-se dos dois e foi para seu quarto.

Margarida não estava na janela e Alana riu um pouco ao notar aquilo. Pegou o celular e apagou todas as mensagens e e-mails que tinha recebido, não queria ter nenhuma lembrança de Victória. Deitou na cama e, sem perceber, acabou dormindo.


******


–Alana, acorda, filha. – sua mãe a chamava.

–Já é de manhã? – perguntou com a voz rouca por conta do sono.

–Já, e você tem uma surpresa te esperando lá embaixo.

–Surpresa? – ela se espreguiçou enquanto perguntava.

–É... Vai lá ver o que é.

Alana se levantou da cama, prendeu o cabelo e escovou os dentes. Quando chegou na escada, viu Pedro fuçando nas estantes, Marcos olhando a coleção de livros raros de seu pai, Mila tentando conversar com ele e Gabriel mexendo no celular.

Quando ouviu os passos dela, ele olhou para a escada e sorriu. Os outros também voltaram seu olhar para ela, que foi tímida até a sala, perguntando-se o que estava acontecendo.

–Aqui está a mais nova detetive da cidade! – Mila brincou e foi até ela, abraçando-a.

–Para com isso, Mila! – Alana a repreendeu, sorrindo.

–Por quê?! Ela está certa! – Pedro se aproximou e beijou sua bochecha – Da próxima vez que tiver um mistério na cidade, é você quem vai investigar! – todos riram e Gabriel foi até ela.

–Como você está? – perguntou depois de beijá-la e abraça-la pela cintura.

–Ótima.

–Que bom! – Marcos comentou.

–É, porque você vai ter que nos aturar o dia inteiro! – Mila comemorou.

–E as aulas? – Alana perguntou, sentando-se no sofá.

–Depois da pequena confusão que você causou, as aulas de hoje foram suspensas. – Pedro falou animado – Até porque, ainda tem o luto pela Victória... – houve um breve silêncio desagradável e Alana detestou aquilo.

–Então, quer dizer que eu vou ter que aguentar vocês me enchendo o saco o dia inteiro? – ela perguntou, fingindo estar inconformada.

–Hey, eu não encho o saco! – Gabriel brincou e fez biquinho. Alana não aguentou e começou a rir, recebendo um beijo logo em seguida.

–Enche sim! – Pedro brincou e recebeu um olhar bravo de Gabriel. Mila riu daquilo, e sua risada foi tão escandalosa, que os outros começaram a rir também.

–Sabem... Acho que estou começando a gostar dessa cidade. – Alana comentou, amando a clima descontraído que nunca tinha sentido com eles.

–Acho bom mesmo! – Gabriel falou – Porque, no que depender de mim, você não sai daqui tão cedo! – todos fizeram um “ahn!”.

–O amor é lindo! – Pedro tirou sarro e apanhou logo em seguida –Ai!

–Concordo com você! – Gabriel foi irônico – E essa é a minha maneira de demostrar como gosto de você!

–Marcos, sai de perto dessa estante e socializa um pouco! – Mila brigou.

–Para quê?! Você faz isso por mim e por você! Não para de falar! – ele rebatou, deixando Mila brava.

–Como é?! Escuta aqui...

–É, realmente vou gostar de ficar aqui. – Alana comentou, rindo da situação. Finalmente conheceria aquela cidade sem o fantasma da Adriana assombrando a todos.

Notas finais
Bom, é isso! O que acharam?? Espero que tenham gostado!! Mais uma vez, muito obrigada!
Beijos!!^^
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!