Não Conte Nossos Segredos

28 Capítulo 28 - Final Parte I


Notas iniciais
Minhas lindas!!!! Não posso nem acreditar que chegamos a 400 reviews!!!! Eu realmente não pensei que a fic podia atingir esse número! Mas o que importa para mim de verdade é saber o que vocês estão achando da história, então, cada review que recebo de vocês é MUUUUITO importante para mim! Eu agradeço imensamente o apoio que vocês me deram ao longo desses dois meses! Então, muito obrigada, de coração! E mais uma vez, repito, se cheguei até aqui, foi pelo carinho e apoio de vocês! :D :D
Ah, e esse é o penúltimo capítulo!
Espero que gostem!!

As mãos de Alana tremiam enquanto seguravam o celular, era quase impossível acreditar no que estava vendo. Sabia que no fundo estava certa, mas a pergunta naquele momento era: por quê? Por que tinha feito aquilo.

Estava inerte em seus pensamentos, cogitando várias possibilidades, quando ouviu passos no corredor. Entrou em pânico, tinha uma ideia de quem seria. Colocou o celular de volta no chão e se escondeu atrás de uma das bancadas.

Assim que o fez, os passos entraram na sala e se aproximaram. O coração de Alana batia tão rápido e forte, que ela temeu que o barulho fosse audível. O sono e a moleza que sentia por conta do medicamento não a tinha abandonado, o que a fazia se sentir com ainda mais tontura.

Os passos sessaram e durante alguns minutos Alana sentiu a presença que havia ali. Ela precisava encontrar uma maneira de pegar aquela... Pessoa. Ela tinha que pagar pelo que havia feito, mas como?

Novamente ouviu passos, mas dessa vez eles se afastavam, e Alana esperou até que não fosse mais possível ouvi-los para sair de trás bancada. Com um andar lento, foi para o corredor, seguindo até o final.

-Você demorou... – Pedro comentou.

-Tive que passar no banheiro. – Alana mentiu – Gabriel, me leva para casa?

-Claro. – ele respondeu, abraçando-a por trás e dando um beijo em seu pescoço –Vamos? – ela assentiu com a cabeça.

-Juízo, ouviu?! – Mila falou em um tom malicioso. Alana revirou os olhos e despediu-se dos outros.

Não estava no clima para brincadeiras, sua mente estava carregada. Só queria ficar quieta em um canto e descansar um pouco para só depois pensar em tudo o que tinha descoberto.

-Você está bem? O mal estar piorou? – Gabriel perguntou enquanto andavam.

-É só o cansaço mesmo. – sorriu um pouco. Pensando bem, seria ótimo descansar com o Gabriel por perto, a segurança que ele passava era tranquilizadora.

A mão dele buscou a sua e seus dedos se entrelaçaram. Alana se aproximou mais e com um leve puxão, beijou-o. Quando foi se afastar, Gabriel a segurou pela cintura de uma maneira firme e selou seus lábios demoradamente.

Seguiram até a casa de Alana. Pararam em frente à porta e, enquanto ela pegava a chave, Gabriel encostou-se a parede.

-Vai ficar bem sozinha? – ele perguntou.

-Vou...

-Seus pais demoram para chegar? Não gosto muito da ideia de te deixar aqui sem mais ninguém em casa. Primeiro porque você está mal, segundo porque tem algum louco que machucou a Margarida ontem.

Alana achou fofa a preocupação dele e se voltou para ele com um sorriso meigo no rosto. Gabriel desviou o olhar, um pouco envergonhado. Ela pensou em algo. Sabia que era contra as regras da casa, mas...

-Quer ficar aqui comigo? – Gabriel voltou a encará-la com um misto de malícia e certo receio. Passou os olhos por todo o corpo dela e engoliu em seco.

-Não sei se é uma boa ideia. – falou um pouco rouco.

-Acho que não tem problema... – murmurou envergonhada diante dos olhares dele.

Entraram e Alana ascendeu as luzes.

-Fica a vontade. – falou para Gabriel e ele se sentou no sofá. Ela foi até ele e se sentou também.

-Não é melhor trocar de roupa? Colocar algo um pouco mais confortável? – Alana olhou de canto para ele e, com um sorriso, respondeu:

-Tá bom, mãe. – e se levantou.

-Mãe, é?!

Gabriel puxou-a para si e a deitou no sofá, ficando por cima dela. Começou a fazer cócegas e Alana se contorcia e ria sem parar. Tentava fazer ele se afastar, mas era praticamente impossível.

-Para, Gabriel! – ela pedia, mas ele só fazia ainda mais cócegas.

Quando os dois se cansaram, ele parou. Alana estava ofegante e com o cabelo todo bagunçado. Gabriel continuava em cima dela, aos poucos o sorriso que ele tinha no rosto foi desaparecendo e seu olhar ficou sério e desejoso.

O sorriso de Alana também foi sumindo, entendendo o que provavelmente Gabriel estava pensando. Fixou seu olhar nele e, com leveza, passou as mãos pelos braços dele, até chegar em seu rosto. Ele se inclinou para baixo, tomando os lábios dela, e Alana abriu um pouco mais as pernas para que ele pudesse se acomodar melhor.

O beijo era calmo, ambos concentrando-se apenas em sentir o outro. Gabriel se apoiou em um braço só e, com a mão livre, começou a explorar a barriga de Alana por baixo da blusa. Ela, por sua vez, arranhava a lateral do corpo dele, descendo suas mãos até o cós da calça dele e depois subindo até sua nuca.

Gabriel subiu um pouco mais a mão, parando embaixo do sutiã dela. Bem de leve, passou sua mão pelos seios, e Alana se arrepiou com o toque. Os beijos desceram para seu pescoço e depois para o seu colo. Mexeu seu quadril quase que de maneira involuntária e sentiu a ereção dele roçar em sua intimidade. Gabriel arfou e mordeu um pouco sua pele.

Ele soltou seu sutiã e passou a acariciar um dos seios dela. Alana suspirou e passou as pernas pela cintura dele, puxando-o mais para si, e Gabriel passou a se movimentar de devagar, como se estivesse investindo contra ela. Com uma pressão no corpo dela um pouco maior, Alana gemeu. Sentiu a mão dele descer pelo seu corpo até chegar na sua calça, desabotoou e, quando estava quase tocando sua intimidade, um relâmpago iluminou o céu, seguido por um estrondo.

Ambos se assustaram um pouco com aquilo e Alana finalmente se deu conta do que estavam prestes a fazer. Constrangida e sem conseguir encarar Gabriel, empurrou delicadamente o corpo dele, fazendo-os sentar no sofá.

-Desculpa... – pediu baixo, temendo tê-lo magoado. Viu Gabriel fechar os olhos com força e respirar fundo.

-Alana... – ele chamou com a voz rouca – Olha para mim. – ele segurou o rosto dela gentilmente e a fez olhar para si – Se não se sente pronta... Não tem problema...

-Não está bravo ou magoado? – ele sorriu um pouco e lhe deu um selinho.

-De forma alguma. – ela também sorriu um pouco.

-É só que... Hoje não, está bem?

-Claro. – ele beijou o topo de sua cabeça – Agora, eu só preciso... Me acalmar. – Alana desviou o olhar, vendo rapidamente o volume na calça dele.

-Bom, vou me trocar, já volto.

Ela subiu para o seu quarto e pegou uma roupa mais confortável para vestir. Depois de se trocar, Alana viu Margarida na janela.

-Alana...

-Eu sei, falta apenas um dia. – ela suspirou – Só preciso pensar um pouco. – e saiu do quarto.

Assim que desceu para a sala, viu Gabriel sentado de qualquer jeito no sofá, e não pôde evitar reparar que ele não estava mais excitado. Aproximou-se com passos lentos e deitou no sofá, abraçando-o pela cintura e apoiando a cabeça em seu peito.

-O que quer fazer? – ela perguntou.

-Você decide. – ele respondeu passando as mãos no cabelo dela.

-Hum... Então podemos apenas ficar assim e assistir à televisão?

-Claro.

Alana ligou o aparelho e deixou em um canal qualquer. Gabriel ficava acariciando seus cabelos e suas costas, e o sono voltou com força, fazendo Alana adormecer rapidamente.

Em um momento confuso de sonolência, notou estar nos braços de Gabriel. Ele a levava para o quarto dela e, ao sentiu o colchão macio em suas costas e os lábios dele nos seus, voltou a dormir.

Só acordou mesmo na manhã do sai seguinte com seu despertador tocando initerruptamente. Alguém abriu a porta do seu quarto e ela demorou algum tempo até perceber que era sua mãe e seu pai. Um deles desligou o bendito aparelho e eles se aproximaram da cama.

-Como se sente, filha? – sua mãe perguntou acariciando seu rosto.

-Bem melhor. – de fato estava bem. Dormira tão profundamente que nem sonhou, bom, pelo menos não se lembrava de nenhum sonho, e por tanto tempo que parecia ter recarregado completamente sua força.

-Que bom. – beijou-lhe a testa.

-Quem era aquele garoto que estava aqui? – seu pai perguntou.

-Gabriel? – ela perguntou, ainda um pouco confusa.

-Esse mesmo. – ele estava sério.

-Ele é só um amigo, pai... – mentiu.

-Achei que tivéssemos uma regra aqui...

-Eu sei! Aconteceu que eu não queria ficar sozinha, eu não estava me sentindo muito bem...

-Ele nos contou. – sua mãe falou.

-Podia ter ligado para um de nós. – seu pai soltou.

-Acontece que, mesmo se eu tivesse ligado, ambos estariam muito ocupados e não poderiam ficar comigo! – naquilo ela tinha razão. A menos que fosse de fato uma emergência, seus pais não sairiam do trabalho – E podem ficar relaxado, nada aconteceu. – ela se levantou.

-Acha que consegue ir para o colégio? – sua mãe perguntou.

-Sim... Vou só tomar um banho e já desço para o café.

-Tudo bem.

Os dois saíram do quarto e Alana foi para o banheiro. Era o último dia, ela tinha que pensar em algo para pegar sua mais nova descoberta. Deixou a água quente escorrer pelo seu corpo e respirou fundo. Até o final da aula teria um plano, decidiu. Colocou uma roupa qualquer e desceu para tomar café-da-manhã.

Enquanto caminhava para a escola com Gabriel ao seu lado, pensava em como agir caso quem ela não queria se aproximasse, teria de se esforçar ao máximo para não deixar evidente o que sabia.

Assim que chegaram, foram direto para a sala. Mila e Pedro se juntaram à eles e logo em seguida Marcos chegou. E enquanto conversava com eles, Alana viu quem não queria passando no corredor. Tratou de logo desviar seu olhar, temendo que fosse notada.

O professor da primeira aula chegou e todos foram para seus lugares. As horas passavam e Alana se desesperava cada vez mais diante daquilo, por mais que estivesse tentando, não conseguia ter nenhuma ideia.

Duas aulas depois do intervalo, Ana entrou na sala. Com uma expressão de desapontamento e leve irritação, ela foi até a frente da classe e pediu silêncio.

-Estou muito triste com vocês... – ela suspirou – O que aconteceu ontem foi provocado por conta de uma brincadeira besta entre vocês! – ela elevou a voz e logo em seguida se controlou – Enfim, não foi sobre isso que eu vim falar com vocês... Como vocês sabem, essa é a época que normalmente começamos as preparações para o Festival da Colheita... Mas devido à esse mal tempo, a prefeitura declarou que esse ano não haverá nenhuma comemoração, pelo menos por enquanto. – os alunos vaiaram e reclamaram, estavam indignados – Eu sei que isso é chato, mas acontece que com essas chuvas não dá para fazer a festa no Pátio, e não temos um lugar fechado que comporte o número de pessoas que participam! – os alunos não se acalmaram – Para você verem como está crítica a situação, até o trem vai passar mais cedo. Hoje à tarde é a passagem dele.

O trem, aquilo chamou a atenção de Alana. Foi ele quem causou a morte trágica de Adriana, seria um cenário perfeito se tudo o que pretendia ocorresse lá. E então, tinha um plano.

-Bom, era esse o recado... – o professor se aproximou dela e eles trocaram algumas palavras baixas. Alana aproveitou aquele momento para mandar um e-mail para a Elvira.

“Estou pensando em ir para o Pátio ver o trem passar, depois da aula. Quem sabe assim eu entendo melhor como Adriana morreu...”.

Menos de três minutos depois, veio a mensagem.

“Não sei se vale a pena, mas toma cuidado.”

Alana sorriu amarelo e torceu para que seu plano desse certo. E se ele desse, tinha que pensar em algumas coisas, como, por exemplo, sair viva daquele encontro. Pensou no que podia acontecer e no que faria para se salvar. Definitivamente não seria fácil.

Ana se despediu e saiu da sala. A aula continuou normalmente e, a cada minuto, Alana ficava mais ansiosa e mais nervosa. Não conseguia pensar em mais nada que não fosse aquilo.

Por fim, o último sinal bateu e os alunos saíram aos poucos da sala. Alana logo arrumou seu material e foi até o portão do colégio acompanhada pelos amigos.

-Quer que eu te leve para casa? – Gabriel perguntou.

-Não precisa. Minha mãe pediu para ir até a empresa dela...

-Está bem. – deu um beijo nela – Até amanhã.

-Até. – beijou-o novamente e, de repente, ocorreu-lhe de que aquele podia ser o último beijo deles. Um aperto tomou conta do seu peito e ela segurou algumas lágrimas.

Esforçando-se, começou a caminhar para longe do colégio. Olhava a todo o momento para os lados, querendo saber se estava sendo seguida ou não e, pela primeira vez, desejou que sim.

Assim que chegou no Pátio, olhou para aquele lugar e respirou fundo, concentrou-se no que tinha que fazer e foi para o bosque. Conforme se embrenhava mais no mato, mais nervosa ficava. Estava ofegante e suas mãos tremiam, só queria acabar com aquilo de uma vez por todas.

Andou até chegar na estação abandonada, o lugar estava quase desmoronando e o bolor na parede parecia estar ali há séculos. Alana estava se sentindo péssima por estar ali, e imaginou como devia ter sido morrer naquele lugar.

Um relâmpago clareou o céu e Alana olhou para cima, só torcia para tudo dar certo. Ouviu um barulho sutil e tremeu por dentro. Respirou fundo mais uma vez e desejou conseguir. Era tudo ou nada.

-Sabia que você viria. – falou com a voz mais forte que pôde – Você jamais perderia essa oportunidade, não é Elvira? Ou será que devo te chamar de pessoa da máscara de palhaço... Ou quem sabe... Victória? – Alana se virou para trás e se deparou com ela, toda vestida de preto e mascarada. Aqueles olhos... Durante anos aqueles olhos tinham sido um dos maiores motivos para seus pesadelos, só não sabia como nem porquê.

Victória, deixando bem clara, apenas com os olhos, a raiva que sentia, tirou lentamente a máscara e abaixou o capuz. Ela estava a apenas alguns passos de distância de Alana, que não gostou muito daquilo e, para que ficasse um pouco mais longe, deu alguns passos aleatórios, como quem não quer nada.

-Como descobriu? – perguntou seca – Devo dizer que estou surpresa... Realmente achei que demoraria mais. – falou em um tom maldoso.

-E eu devo dizer que precisa ser um pouco mais cuidadosa. – Alana sussurrou, entrando no jogo da outra – Como sou uma pessoa muito educada, vou responder sua pergunta... Achei seu celular caído no chão do laboratório de física. Ele coincidentemente tocou quando eu mandei um e-mail para a Elvira... E qual foi minha surpresa ao ver que, junto com os e-mails que você trocava comigo, havia as ameaças que você enviava para mim!

-Parabéns, Alana! Você descobriu! – ela começou a gritar – Fui eu! Eu matei a Adriana! Eu matei a Adriana! – Victória gritou mais e depois deu uma gargalhada.

-Você é um monstro! – Alana falou inconformada – Um monstro! Por que você fez isso com ela?

-Por que ela era uma vadia e merecia morrer! Ela era uma desgraçada que infernizava a vida de todo mundo dessa merda de cidade! – Victória cuspia enquanto gritava – Fazia questão de saber os segredos de cada pessoa desse lugar! E quer saber, ela morreu por saber demais!

-Isso é loucura!

-Não! É justiça! – falou com convicção – É justiça! Adriana fazia questão de torturar as pessoas com a verdade! Ameaçava todo mundo, dizendo que espalharia o que sabia pela cidade! Por que você acha que ninguém gosta dela?!

-E desde quando mata-la seria justiça?!

-Eu não apenas a matei. – Victória falou e depois voltou à sua postura mais calma – Eu a fiz provar do próprio veneno. Persegui Adriana até não querer mais e descobri tudo o que ela sabia, e então, comecei a ameaça-la. Sabia de cada passo que ela dava e cada deslize que ela cometia, e tudo isso era uma maneira de tortura-la. E, por fim... Não estava nos meus planos fazer aquilo, de verdade... Mas ela descobriu quem eu era, não tive escolha...

-Você é um monstro. – Alana murmurou, atônita – Um monstro! – falou mais alto – Isso não é um ser humano! Eu nem sei dizer o que você é! Não... Não encontro adjetivos...

-Epa! Espera aí! Sou assassina sim! – ela voltou a gritar – Mas você é tão assassina como eu!

-O quê?

-Pensa que não sei sobre a Carolina? Você a matou!

-Eu não fiz isso! A culpa não foi minha!

-Foi sim! E você sabe muito bem disso! Você é igual à Adriana! Descobriu um segredo dela e a torturou até que a pobre coitada não aguentasse e se...

-Eu ia pedir desculpas para ela naquele dia!

-Mentirosa! Hipócrita!

-É verdade! Eu sei que errei e sofro com isso até hoje! Não tem uma noite que eu não tenha pesadelo! Mas quem decidiu acabar com tudo foi ela! A ação foi dela!

-Ainda assim...

-E não mude de assunto! – Alana impôs – Estamos aqui por conta da Adriana. – respirou fundo – Como fez?

-Fiz o quê? – Victória perguntou com desprezo e começou a andar de um lado para o outro.

-Como fez para que a polícia não fosse atrás de você? – Victória sorriu de maneira sombria.

-Bom... Vou dizer que tem uma pessoa muito importante nessa cidade que se envolveu com Adriana... E ele tinha medo de que, caso começassem a investigar o ocorrido, seu nome vazasse nos jornais e na televisão... Então, usou seu poder aqui para que a polícia não se interessasse pelo caso.

-E vai me dizer que você não tem nenhum envolvimento com essa tal pessoa. – Alana sorriu de escárnio.

-Por incrível que pareça, não! Mas é claro que, se ela não tivesse tomado as providências, eu mesma faria isso. – Alana ficou analisando a informação e Victória riu – Sabe, vou aproveitar que estou de bom humor, e deixar você fazer todas as perguntas que quiser. Aproveite!

Eram muitas as perguntas que Alana tinha em mente, mas faria apenas as mais importantes, depois daria um jeito de sair dali e entrega-la para a polícia. Viu de canto de olho uma pessoa atrás de uma árvore. Fingiu dar alguns passos, como se quisesse entender tudo o que estava se passando, e aproveitou para ver quem era. André estava com o celular na mão e fez um sinal para que ela fosse em frente. Aquele era sua chance.

-O André sabe de alguma coisa? Por que não queria entrega-lo à polícia pelo o que ele fez com você?

-Porque ele sabe de uma parte... Quero dizer, sabia que eu não me dava bem com a Adriana... E ele falou que, seu eu o entregassem, ele me levaria com ele.

-E por que você não o matou? – Alana falou em tom de deboche.

-Você é idiota? Primeiro, eu teria uma trabalho muito grande para isso, segundo, ele é uma pessoa próxima à mim... E tudo o que eu menos queria era a polícia investigando a morte de alguém tão próximo...

-Certo... E por que todo esse ódio da Adriana? O que ela sabia? – Victória se mostrou abalada com a pergunta por breves instantes e logo assumiu mais uma vez sua postura de superioridade – Ah, ela descobriu o que você fazia com o André... – Alana disse cínica – Pobre Victória.

-Cala a boca, Alana!

-Não calo! Isso não justifica sua atitude nojenta! – Alana se irritou – E quero saber por que você ficou me ameaçando! Aliás, por que me ajudava e me prejudicava?!

-Eu nunca te ajudei, Alana! As mensagens que eu te mandava eram para dar pistas falsas e você acabar indo para o lado errado! As ameaças eram as que eu mais gostava de escrever! Você nada mais é do que uma desgraçada que entrou na minha vida para me atrapalhar! Eu não podia deixar barato!

-Como eu nunca percebi isso... – ela murmurou.

-Não se culpe, Alana. – Victória sorriu de maneira simpática – Quem imaginaria que uma garota quieta, que vai bem nos estudos e que quase não tem amigos, poderia fazer isso?

-Você é... Inacreditável!

-Eu sei, muito obrigada!

-Como conseguiu o número do meu celular?

-Ana tem a mania adorável de deixar a porta da sala dela aberta, mesmo quando ela não está lá. Foi fácil.

-Então, deixa eu ver se entendi... Você matou a Adriana porque ela te torturava com o seu segredo e porque achou que ela tinha que provar do próprio veneno... Ela descobriu que era você quem a ameaçava e... Pronto?

-Exato.

-Se aproveitou da tal pessoa importante para manter a polícia longe de você.

-Isso.

-Não entregou André por medo, e não o matou por conta do trabalho que isso daria.

-Correto. – ela bocejou, fingindo estar entediada.

-Começou a me perseguir e ameaçar porque eu represento um perigo para você?

-Entendeu agora? – ela perguntou com uma expressão de tédio – Sinceramente, você às vezes é muito lerda. – ela sorri – Mas devo admitir que me diverti um pouco. Adorava ver seu medo diante das minhas mensagens e aparições. Como entrou na paranoia de olhara sempre para todos os lados e suspirando achando que não estava sendo seguida, quando, na verdade, eu estava sempre bem atrás de você. E como ansiava desesperadamente por uma companhia para passar o resto do dia enquanto seus pais trabalhavam. Foi quase tão divertido quanto foi com Adriana... A única diferença é que ela realmente pirou.

-Você é nojenta... Desprezível... Filha-da-puta! Você critica Adriana, mas você é pior que ela!

-Não é verdade! – Victória gritou.

-É sim! Até onde sei, ela não matou ninguém!

-Ela não valia a pena!

-Muito menos você!

-Chega! – ela vociferou, ofegante – Muito bem, Alana, agora você sabe de tudo... E sabe o que isso significa? — ela sorriu – Que não posso deixar você sair viva daqui.

Antes que Alana pudesse fazer qualquer coisa, Victória já estava em cima dela com o canivete à mão. Sentiu quando a lâmina cortou sua cintura e o sangue começou a escorrer. Um corte mínimo na lateral do seu pescoço também foi feito antes de ela dar um soco no estômago de Victória e conseguir se afastar um pouco.

Aproveitou o momento de distração da outra para acertar-lhe outro soco no rosto. Tentou tirar o canivete das mãos dela, mas um chute em sua perna a fez cair e, quando abriu os olhos, viu a ponta do objeto prateado ir na direção de seu rosto. Como reflexo, colocou o braço na frente se sentiu quando foi perfurado.

Gritou de dor e tentou tirá-la de cima de si várias vezes, mas estava difícil. Viu quando André saiu de trás da árvore e avançou na direção delas, mas antes que ele pudesse chegar, Victória virou-a de costas para si e encostou o canivete no pescoço dela.

-Não se aproxima! – ela gritou e André parou.

-Calma... – ele pediu. Alana segurava o choro e tremia.

-Sai daqui, André.

-Victória...

-Saí! Não estraga ainda mais meus planos! Já basta o que você fez comigo!

Alana notou como ela ficou nervosa ao perceber a presença dele e decidiu aproveitar aquela chance. Sem pensar duas vezes, deu uma cotovelada na têmpora dela com o máximo de força que tinha. Victória a soltou imediatamente e Alana se virou, pegando o canivete da mão dela e correndo para onde André estava.

Quando se recuperou do golpe, Victória olhou furiosa para os dois. André mantinha uma posição na qual, na primeira tentativa de fuga da prima, sairia correndo atrás dela. Alana mantinha o canivete apontado para a outra, sentindo seus três ferimentos doerem, principalmente o braço.

-Chega, Victória. – André começou a falar no tom mais calmo possível – Para com isso...

-Não estou gostando do seu tom! – ela brigou. O chão começou a tremer e o barulho do trem estava não muito distante – Não me diga que você...

-Eu gravei... E vou te denunciar, Victória. – ela riu com amargura.

-Não vai! Faça isso e você é preso por pedofilia!

-Que se foda! Olha toda a merda que você já fez! – ele se alterou – Vou para a cadeia, mas você vai comigo! Eu estrago a sua vida!

-Mentira! Você é um covarde! Não iria mesmo para a cadeia! Aposto que nem gravou o que eu falei!

-É mesmo?! – ele pegou o celular – “Então, deixa eu ver se entendi... Você matou a Adriana porque ela te torturava com o seu segredo e porque achou que ela tinha que provar do próprio veneno... Ela descobriu que era você quem a ameaçava e... Pronto?” – Victória arregalou os olhos e deu um passo para trás.

-Você não teria coragem...

-Ah, eu teria! Você já prejudicou muitas pessoas, Victória, e eu não vou deixar você continuar com essa merda.

-Não! – ela gritou – Você não pode fazer isso comigo! – sua voz continha o desespero.

-Não só posso, como vou! – deu um passo à frente e Victória recuou, aproximando-se do trilho.

-Victória... – Alana tentou alerta-la, mas foi ignorada.

-Volta aqui, Victória! – André a chamou.

-Não! – disse dando vários passos para trás.

-Victória, não! – Alana gritou e André correu na direção dela. Victória virou e, pela última vez, saiu correndo.

Assim que o trem a atingiu, o mundo parou para Alana. De repente, várias cenas do que já tinha vivido invadiram sua mente. Pessoas que ela não conhecia, a cena de Marcos beijando a própria mãe, o teste de gravidez de Adriana, a briga entre Henrique, Pedro e ela naquele mesmo lugar, sua primeira vez com Gabriel, a noite que passou no apartamento de André e suas várias mortes. Cada vez que a lâmina atravessava seu corpo, os olhos de Victória ficavam presos em sua mente por breves segundos e, em seguida, ela estava de volta àquela cidade.

Um relâmpago iluminou o céu, mas Alana não ouviu o barulho que normalmente ecoava em seguida. Uma chuva forte começou a cair, mas ela não se importava com aquilo, era como se não sentisse nada. Viu André usar o celular e pouco tempo depois vários policiais estavam ali com eles, e conforme o tempo passava, mais pessoas chegavam.

Alana simplesmente não ouvia nem sentia nada, ela estava presa em seus pensamentos, refletindo sobre absolutamente tudo o que tinha acontecido. Era igual àquele dia... O dia em que Carolina se foi. O mundo girava rápido demais e ela parecia estar completamente estagnada.

Sentiu um gosto salgado nos lábios e só então ela percebeu que chorava. Ela olhou para as pessoas à sua volta. Elas estavam horrorizadas com a cena que viam. Outro relâmpago se fez presente e ela olhou para o céu, finalmente se dando conta de algo... Acabado... Finalmente aquele inferno havia acabado...

Notas finais
E então, o que acharam?? Alguma sugestão??