Notas iniciais
Minhas leitoras lindaaasss, chegamos aos 300 reviews e eu tenho que admitir, não esperava chegar tão longe!!!! Eu só tenho a agradecer profundamente a todas vocês, que estão acompanhando e dizendo o que estão achando!! Muuuuuuuuito obrigada por tudo, vocês são maravilhosas e me enchem de inspiração! Está sendo ótimo escrever essa fic tendo o apoio de vocês!!!! Então, muuuito obrigada, de coração!!!! :D :D E quanto às leitoras novas que apareceram nesses últimos reviews, sejam muito bem-vidas! Adoro vocês!! XD
Ah, e é com felicidade, e também já uma saudade adiantada, que eu digo que Não Conte Nossos Segredos está chegando em sua reta final!!^^
Bom, chega de enrolação! O capítulo está grande, eu sei, mas espero que vocês gostem!!

Alana passou a noite inteira pensando na mensagem que recebera, tinha a nítida impressão de que se arrependeria por ter feito aquelas perguntas para a mulher.

Na manhã seguinte, enquanto ia para o colégio, pela primeira vez em dias, não se sentiu ameaçada nem viu a necessidade de ficar olhando a sua volta o tempo todo para se certificar de que não estava sendo seguida. E aquilo era assustadoramente estranho.

Assim que chegou na escola, foi direto para sua sala. Encontrou Mila com a cabeça encostada na mesa, como se estivesse dormindo. Alana deixou seu material em sua carteira e foi até a outra.

–Noite ruim? – perguntou. Com algum esforço, Mila se levantou, ela tinha olheiras e seu rosto estava levemente pálido.

–E como. – fez uma careta – Não sei por que fui inventar de assistir aquele filme de terror. – ela revirou os olhos e Alana riu.

–Qual?

–Nem lembro o nome! Só seu que fiquei tão assustada passei a noite com a luz acesa, a televisão ligada, num canal para crianças, claro, e me assustando com cada barulhinho que eu ouvia. – Mila deixou sua cabeça cair e ela foi de encontro com a mesa, e pelo barulho que fez ao se chocar com o objeto e a careta de dor que Mila fez, Alana imaginou que a pancada foi mais forte do que a outra imaginara.

–O que aconteceu? – Marcos perguntou, encarando Mila como se ela fosse uma pessoa muito estranha. Ela grunhiu – O quê?

–Mila assistiu a um filme de terror e passou a noite em claro. – Alana traduziu de maneira simplificada. Marcos riu.

–Bem feito! – falou.

–Vai se ferrar, Marcos! – Mila brigou.

Alana viu Pedro e Gabriel chegarem na sala com o semblante fechado. Eles foram para seus lugares e Gabriel a procurou com os olhos. Com receio de saber o motivo para tanta seriedade, principalmente por parte de Pedro, Alana se aproximou, sentando-se em cima da mesa de Gabriel. Deu um beijo nos lábios dele e outro na bochecha do irmão.

–O que aconteceu?

–Brenda... – Pedro respondeu. Sem entender, Alana se voltou para Gabriel, que tinha uma das mãos apoiadas na coxa dela.

–A nossa empregada... Está desaparecida desde ontem. – aquelas palavras foram um soco no rosto de Alana. Sentiu suas pernas ficarem bambas e seu coração disparar, e uma culpa enorme tomou sua consciência. O sinal bateu e Ana entrou na sala, seguida pelo professor de geografia.

–Todos sentados. – ela pediu e olhou para Alana – Na cadeira, de preferência, Alana. – ela se levantou e Gabriel deu espaço na própria cadeira. Sentou-se ali, sendo envolvia pelo braço de Gabriel e sentindo o calor do corpo dele. Um pouco de calma surgiu em seu íntimo e ela suspirou, encostando levemente a cabeça no ombro da pessoa ao lado – Bom, como todos sabem, o Festival da Colheita é daqui a dois dias! – os alunos vibraram e Alana estremeceu. Sentiu um medo tão profundo ao ouvir aquele nome e saber que teria que passar por aquele dia, que quase entrou em pânico.

–Tudo bem? – Gabriel sussurrou, notando sua inquietação.

–Tudo...

–Os preparativos começam amanhã, lá no Pátio. Lembrando a todos que a presença e participação na organização do Festival é obrigatória, espero vocês às três da tarde! – mais uma vez os alunos festejaram – É bom ver que vocês gostam tanto desse dia! – falou, emocionada – Bom, é isso. Vou sortear as duplas das barracas – pegou os papeizinhos que o professor entregou-lhe – Alana e Mila, barracada dos doces. Gabriel e Marcos, tiro ao alvo. Pedro e Victória, pesca. – Ana continuava a falar os nomes, mas Alana não conseguia prestar atenção, sua mente estava tomada por um único pensamento: o de não querer ir à esse Festival de jeito nenhum – Não se esqueçam, amanhã às três horas da tarde!

Assim que Ana saiu, Alana foi se sentar no seu lugar e o professor tentou passar a matéria que tinha planejado para a aula. Mas os alunos estavam tão eufóricos que sequer faziam de conta que estavam prestando atenção.

Quando o sinal do intervalo tocou, Gabriel foi até sua mesa, seguido por Pedro. Alana terminava de guardar as canetas no estojo.

–Vamos? – ele perguntou, como seus olhos verdes fixos em Alana. Ela foi responder, mas foi impedida por Mila.

–Alana, vamos ao banheiro comigo? – Pedro franziu o cenho.

–Por que as garotas vão ao banheiro em grupinhos?

–Segredo! – respondeu Mila, visivelmente feliz por estar falando com ele. Alana sorriu um pouco – E então?

–Claro. Encontro vocês na quadra.

–Tudo bem.

Ela se levantou e as duas foram para o banheiro. Mila ficou em silêncio até chegarem, Alana ficou um tanto temerosa por voltar para aquele tipo lugar que realmente detestava, mas ao ver que o banheiro estava vazio, relaxou um pouco.

A outra foi direto para frente do espelho e começou a arrumar o cabelo, talvez em uma tentativa de parecer menos abatida. Feito isso, ela olhou para Alana com um sorriso malicioso no rosto.

–O que foi?

–Então o escolhido foi o Gabriel? – ela perguntou toda animada. Alana riu com aquilo e revirou os olhos, já devia esperar por uma pergunta daquelas – Eu sabia!

–Para com isso, Mila! – Alana repreendeu, ainda rindo.

–Por quê? Sério, parabéns! Você conseguiu conquistar o coração mais gelado da escola! Fora você, só a... – Mila deixou a frase morrer no ar, deixando o sorriso diminuir.

–Adriana? – Alana completou, com a voz baixa, já sem sorrir. Mila engoliu em seco, parecendo bem constrangida – Eu sei que eles namoraram.

–É... – Mila limpou a garganta e voltou com a expressão animada – O que importa agora é que vocês estão juntos!

O celular de Alana começou a tocar e ela viu no visor que era a sua mãe ligando. Estranhou por dois motivos: sua mãe quase nunca usava o celular; e o fato de ela estar ligando durante o horário de colégio.

–Alô.

–Oi, filha, tudo bem?

–Tudo... O que aconteceu?

–Sua tia acabou de me ligar, avisando que sua avó caiu e quebrou o braço.

–Nossa...

–É... Bom, ela vai ter que fazer uma cirurgia, então, eu e seu pai estamos indo para a capital. – Alana se assustou.

–Mas é tão grave assim?

–Mais ou menos...

–Então também quero ir!

–Não dá, filha... Já estamos na estrada. – sua mãe suspirou – Amanhã estamos de volta, tudo bem?

–Tudo. – respondeu mal humorada.

–Desculpa.

–Bom, me avisa depois de como estão as coisas por lá.

–Pode deixar. Tchau, filha.

–Tchau. – e desligou o telefone.

–Tudo bem? – Mila perguntou.

–Sim, nada demais. Vamos?

Elas saíram do banheiro e foram para a quadra. Gabriel estava encostado na grade, enquanto Pedro jogava e Marcos mexia no celular dele. Alana se aproximou do ruivo e o abraçou de lado.

Ficaram conversando o resto do intervalo e depois voltaram para a sala. Assim como todas as outras aulas, aquelas também praticamente não aconteceram por conta da atitude dos alunos, e no final, o professor da última aula liberou os alunos mais cedo.

Alana se despediu de Mila e Marcos. Pedro foi até ela, afobado, dizendo um tchau bem rápido, pois tinha um encontro com os amigos. Por fim, Gabriel se aproximou e sentou em sua mesa, esperando-a terminar de arrumar o material.

–Vai para casa? – perguntou.

–Sim.

–Se quiser, posso te levar. Mas no vou poder demorar muito, tenho que fazer algumas coisas para a minha mãe.

–Não se preocupa, vou sozinha. – sorriu.

–Tem certeza? – Alana se aproximou e o beijou. Gabriel logo a puxou para mais perto e aprofundou o beijo.

–Claro. – respondeu, quando se separaram. Beijou-o mais uma vez e saíram do colégio.

Enquanto voltava para casa, Alana reparou que havia nuvens carregadas no céu. Se antes o dia estava ensolarado, naquele momento ele estava nublado e levemente mais gelado. Sentiu um pingo cair em seu ombro e mais alguns pelo resto do seu corpo. Apressou o passo afim de não se molhar, mas quando chegou na frente da sua casa, parou.

A chuva se intensificou, deixando Alana completamente encharcada, mas aquilo era a última coisa com a qual ela se preocuparia.

–Não... – falou em tom choroso, sentindo o pânico tomar conta de novo.

A figura toda de negro, que até aquele momento girava seu canivete entre os dedos, parou e olhou para ela. Aquela máscara deformada. Antes que Alana tivesse tempo de pensar em algo, a pessoa avançou para cima de si.

Assim que caiu no chão, sentiu o ar faltar por alguns instantes, devido ao forte impacto em suas costas. Viu o canivete vindo na sua direção e, por puro reflexo, bateu na mão alheia com a mochila e, logo em seguida, acertando a cabeça da pessoa.

Aproveitando a oportunidade e começou a correr. Um carro passava pela rua e ela atravessou a rua, quase sendo atropelada, mas conseguindo uma mínima vantagem em relação à outra.

Diante daquela confusão, só um lugar passou pela sua mente e decidiu que era para lá que iria. Foi jogada conta um poste, o que fez seu braço machucado levar a pancada, fazendo seu ferimento sangrar um pouco. Chutou o pé da outra o mais forte que conseguiu e saiu correndo mais uma vez.

A chuva ficou ainda mais forte, dificultando a visão, e aproveitou aquilo para usar a seu favor. Entrou em algumas ruas paralelas, torcendo para que elas também a levassem ao seu destino. Correu o mais rápido que pôde.

E então, viu sua salvação. A casa de Gabriel ficava no próximo quarteirão. Ofegante, lutou para que suas pernas não cedessem ao seu peso e, com esforço, chegou até a porta e, sem pensar duas vezes, tocou a campainha sem parar.

A porta de abriu, revelando um Gabriel sem camisa e bastante surpreso por ver Alana ali. Ela não disse nada, apenas olhava aqueles orbes verdes, tentando acalmar sua respiração. Gabriel também não falou nada, apenas deu espaço para ela entrar.

Ele andava na frente, e Alana pôde ver uma enorme tatuagem de um dragão negro que ocupava toda as suas costas, além de alguns símbolos que ela não sabia o que significavam, nos braços, próximos aos ombros.

Foram até o quarto dele. Uma música baixa tocava, mas nem por isso tinha a potência das guitarras e do baixo diminuída. Enquanto ele pegava algo em um armário, Alana viu vários papéis em cima da escrivaninha, e o computador estava ligado.

Sentiu um pano quente em suas costas, e quando olhou, viu que era uma toalha. Gabriel sentou-se na cama e ficou observando-a seriamente. Enquanto enxugava um pouco do corpo, sentiu o olhar dele em seus seios, perfeitamente marcados por conta da roupa molhada.

Ficou nervosa com aquilo e tentou ignorar. Ouviu quando ele se levantou da cama e se aproximou dela, uma mão a fez olhar para ele e logo em seguida seus lábios foram tomados. O beijo era calmo, quase uma leve carícia. A mão de Gabriel tirou a toalha de seu corpo e deu um passo para frente, o que fez Alana recuar. Foi assim até que sentiu suas costas encostarem na parede e ouvir a porta do quarto sendo fechada.

Gabriel parou o beijo e, olhando-a nos olhos, a fez afastar um pouco as pernas, encaixando-se ali. O beijo que veio a seguir foi bruto e selvagem, ambos pareciam precisar urgentemente daquilo. As mãos de Gabriel seguravam firme sua cintura, fazendo seus quadris se chocarem de leve. Alana enroscou seus dedos nos cabelos dele e, a cada contato que tinha com seu corpo, soltava um pequeno gemido.

Com força, Gabriel a levantou, fazendo-a passar as pernas por seu quadril e prensando-a mais uma vez contra a parede. Precisando de ar, afastaram minimamente suas bocas e encostaram uma testa na outra. Gabriel olhou fixamente para ela e depois desceu seus olhos de volta para seus seios. Ele deu um beijinho um pouco abaixo do pescoço dela e, voltou a encarar seus olhos. Alana se perdeu naquela imensidão verde, até que sentiu uma mão em seu seio. Gabriel aperto firme e depois fez uma massagem de leve. Alana não conseguiu conter um gemido.

Ainda sem tirar os olhos dos dele, sentiu sua outra mão subindo pela sua coxa, passando pela lateral do seu corpo e chegando ao outro seio. O toque neles se intensificou quando Gabriel pôs as mãos nele por baixo na blusa dela. Alana mordeu de leve o lábio inferior dele, sentindo um volume em sua calça tocar seu sexo.

Gabriel se afastou da parede com ela no colo e a colocou delicadamente em sua cama. Tirou sua blusa e a calça que ela vestia. Sem esperar mais, tirou também o resto da roupa que vestia. Com toques suaves, tirou o sutiã dela, e assim que sentiu o tecido ir embora, Alana protegeu aquela parte do seu corpo com os braços.

–Não esconde. – Gabriel sussurrou com a voz rouca e tirou os braços dela da frente. Tirou também sua calcinha e, durante algum tempo, apenas a observou – Você é linda.

Alana sentiu seu rosto corar e desviou seu olhar. Gabriel abriu um pouco suas pernas, ficando entre elas e, com o rosto muito próximo ao seu, beijou-a. No começo foi com carinho, mas depois passou a ser com puro desejo. Desceu para o seu pescoço e depois para os seios dela. Ali, mordiscou, lambeu e sugou um pouco, fazendo com que Alana arqueasse um pouco seu peito de encontro à boca dele e gemesse baixo. Continuou a fazer um caminho de beijos até que chegou em sua intimidade.

Quando sentiu a respiração pesada dele naquela parte de seu corpo, um arrepio percorreu todo o corpo de Alana e a fez ficar ansiosa pelo o que viria. Gabriel deu pequenos beijinhos ali, para depois acaricia-la com a língua. Alana segurou forte em seus cabelos, tendo a certeza de que, se aquilo continuasse, logo atingiria o ápice.

Puxou-o carinhosamente de volta e, assim que ficaram próximos, selou seus lábios, sentindo o próprio gosto. Gabriel se levantou e foi até o armário, voltando com algumas camisinhas na mão. Alana o observou atentamente enquanto ele colocava uma, sem conseguir afastar o pensamento de como Gabriel era lindo.

Ele sorriu ao perceber que era alvo da total atenção de Alana e, calmamente, se debruçou sobre ela. Posicionou-se de uma forma mais confortável e, enquanto acariciava o rosto dela com a mão, sussurrou:

–Se doer muito, me avisa.

Alana assentiu com a cabeça e sentiu o membro dele entrar ao poucos e devagar. A dor se fez presente e em uma intensidade maior do que a esperada. Fechou os olhos com força e, quando o sentiu romper sua barreira, cravou as unhas nos braços de Gabriel. Ele distribuía beijos pelo seu rosto enquanto ela se acostumava com ele inteiro dentro de si.

Quando a dor diminuiu um pouco, moveu fracamente seu quadril de encontro ao dele. Gabriel entendeu e começou a se movimentar devagar. Depois de um tempo, até mesmo o incômodo que Alana sentia passou. O ritmo aumentou, assim como a força com a qual ele investia. Alana não conseguia pensar, sua mente era uma completa confusão, ela só conseguia ouvir a musica ao fundo enquanto olhava diretamente para os olhos de Gabriel.

Quando ele acertou um ponto em especial, seu corpo deu sinais de ela estava quase chegando ao clímax. Gabriel aumentou ainda mais os movimentos e a abraçou, gemendo baixo em seu ouvido, fazendo-a se arrepiar. Alana mordeu o ombro dele para que os gemidos não saíssem tão altos e, quando ele se afastou minimamente para ver ser rosto, atingiram seus limites. Uma onda de prazer inundou o corpo dela e, antes de fechar os olhos e se entregar àquela sensação, viu a expressão de êxtase no rosto de Gabriel.

O torpor em seu corpo começou a passar e Gabriel continuou se movendo minimamente, até parar por completo. Ele jogou o corpo um pouco para o lado, onde apoiou o peso de seu corpo, e ficou com o rosto apoiado delicadamente sobre os seios dela.

O cansaço tomou conta de Alana e, antes mesmo que pudesse notar sua respiração se normalizar, acabou adormecendo.


******


Acordou com um barulho diferente, mas nem por isso irritante. Mexeu-se minimamente na cama, percebendo que estava toda coberta, sentindo o pano cobrindo-lhe o corpo ainda nu. Abriu lentamente os olhos e viu Gabriel sentado de maneira bem relaxada na cadeira, com os pés em cima da escrivaninha, sem camisa e tocando seu baixo.

Sorriu com aquela cena. Olhou para a janela e percebeu que já estava tudo escuro do lado de fora, o que a fez lembrar de que já tinha passado da hora de ir embora. Soltou um suspiro desanimado.

–Te acordei? – perguntou com a voz rouca.

–Não. – ela sorriu e olhou para ele. Sentou-se na cama, trazendo consigo o cobertor.

–Acho que já vi tudo. – ele disse e apontou para a manta.

–Gabriel! – Alana brigou, envergonhada.

Sorrindo, ele se levantou da cadeira e sentou na beirada da cama, de frente para ela. Inclinou-se na sua direção e beijou-a de maneira calma, porém desejosa.

–Tudo bem com o seu corpo?

–Sim... – “tirando o leve desconforto”.

–Que bom. – ele sorriu.

–Bom, é melhor eu ir embora. – falou, já se movimentando para ir sair da cama.

–Seus pais já chegaram? – Gabriel perguntou, sério.

–Bom... – murmurou – Eu não sei que horas são, então... – Alana tentava enrolar. Algo a impedia de mentir para ele, mas ao mesmo tempo não queria dizer a verdade, ele não a deixaria ir, e a última coisa que queria era dar trabalho.

–Alana. – ele insistiu. Ela revirou os olhos.

–Eles não chegam hoje... Estão na capital

–E você estava pensando em passar a noite sozinha?! – seu tom saiu incrédulo. Alana deu de ombro e ele suspirou – Você vai passar a noite aqui. – ela se surpreendeu.

–O quê?! Gabriel, isso é loucura!

–Loucura é deixar você sozinha depois de ter sido perseguida! – ele falou bravo e Alana se calou.

–Como sabe que...

–Por que mais você chegaria aqui, encharcada e ofegante?

Gabriel levantou da cama e foi até o armário, pegando uma muda de roupa e outra toalha, deixando-a em cima da cama. Depois de alguns segundos em silêncio, foi até a porta.

–Vou ficar de olho em você, Alana. – ele falou com a voz carregada de determinação – Perdi a Adriana. – Alana desviou o olhar, incomodada com o fato de ele ter sido da outra – Mas com certeza isso não vai se repetir com você... Não vou deixar. – e saiu do quarto.

Sozinha, Alana encostou a cabeça na parede e fechou os olhos, quando aquilo acabaria? Sentia que algo estava prestes a acontecer, mas não conseguia definir se isso era algo bom ou não.

Voltou sua atenção para as roupas e a toalha em cima da cama, vendo que não tinha alternativa, pegou-as e levantou da cama. Suas pernas estavam bambas, o que quase a fez cair sentada, e o desconforto aumentou um pouco. Com passos um tanto incertos, chegou a uma porta que ficava quase escondida pelo armário.

Ao abri-la, Alana se deparou com um banheiro grande, com piso e pia de mármore e muito bem arrumado. Pendurou as roupas e a toalha e entrou no Box, ligando o chuveiro logo em seguida.

Enquanto tomava banho, lembrava-se do que tinha feito com Gabriel, e era impossível não ficar corada com aquilo. Ainda tinha o cheiro dele impregnado em sua pele e algumas marcas de beijo eram visíveis.

Quando terminou, enxugou-se e vestiu o shorts que ele tinha deixado e uma camiseta verde escuro que era quase um vestido nela. Penteou o cabelo e, assim que saiu do banheiro, encontrou Gabriel sentado na cama, com o corpo apoiado nos cotovelos.

–Gostei. – ele sorriu de maneira maliciosa.

–Besta. – ela murmurou.

–Vamos descer? O jantar já está pronto.

Assim que chegaram na sala de jantar, Alana viu o mesmo homem dos porta-retratos sentado à gigante mesa. Ele estava vestido com roupa social e tinha um ar cansado. Assim que a viu, abriu um sorriso de lado e Alana notou como ele era charmoso.

–Uma amiga? – ele perguntou.

–Namorada. – Gabriel respondeu como um rosnado, e Alana não sabia se ficava mais surpresa com o que ele tinha falado ou com a maneira com a qual ele o fizera.

Ele puxou uma cadeira para Alana, que notou estar a uma boa distância do pai dele, e Gabriel se sentou à sua frente.

–Pode pegar o que quiser, Alana. – seu mais novo namorado disse, com delicadeza.

–Obrigada. – falou baixo e, timidamente, serviu-se de uma pequena porção salada e um pedaço de peixe grelhado.

–Alana vai dormir aqui. – aquilo não foi uma pergunta, foi um aviso.

–O quarto do Pedro estará disponível...

–No meu quarto. – Gabriel o cortou – Ela dorme comigo. – Alana rapidamente olhou para ele e ouviu seu pai soltar uma pequena risada.

–Bom, não vão fazer nada que já não tenham feito, certo? – perguntou, cínico. Alana não gostou do que ele disse e Gabriel já estava pronto para responder, quando uma empregada entrou no aposento.

–Senhor Henrique, telefone para o senhor.

–Obrigado, Carmélia. – ele sorriu e depois se voltou para Gabriel – Queiram me dar licença. – e se retirou.

–Não liga para ele, Alana... – Gabriel falou, ainda um pouco irritado – Ele não tem noção às vezes.

–Tudo bem... – ela falou, mesmo não tendo gostado muito do sorrisinho que ele tinha dado.

O resto do jantar só não foi silencioso porque jogaram conversa fora e, por fim, voltaram para o quarto de Gabriel. Ele disse que estava com sono, mas algo dentro de Alana dizia que ele apenas não a queria perto de seu pai.

Gabriel apagou a luz e deitou na cama, fazendo Alana deitar em cima de si, com uma perna de cada lado do seu corpo. Tomou seus lábios com vontade e a fez sentar em seu colo, acariciando suas costas por baixo da camiseta que ela usava. Sentindo as mãos dele indo para a parte da frente de seu corpo, Alana achou melhor se afastar e parar com aquilo.

–O que foi? – sua voz saiu baixa e era evidente que estava confuso.

–Não vou conseguir sabendo que seu pai está aqui. – apesar da escuridão, Alana conseguir enxergar pequenos brilhos verdes no rosto dele – Desculpa. – murmurou e ele sorriu um pouco.

–Não tem problema. – e a puxou para que apoiasse a cabeça em seu peito. Ficaram algum tempo em silêncio.

–Onde o Pedro está?

–Deve ter ido para alguma “festinha” com os amigos dele, se é que entende... – ele mexia em seu cabelo.

–Ah. – ela respirou fundo – Gabriel, por acaso ela não gostava de Adriana? – sentiu o corpo embaixo de si ficar tenso e temeu pela reação dele.

–Para falar a verdade... Nem eu sei direito. Numa hora ele era gentil com ela, na outra, estava sendo grosso e a evitava a qualquer custo. Parando para pensar, nunca entendi direito o porquê disso e ele também nunca falou.

–Entendi... – Gabriel bocejou – O que seu pai faz?

–Ele é dono da maior parte das empresas aqui da cidade. Ele é um “homem de negócios”. – falou num tom de deboche – E tudo o que quer, consegue. É o tipo de pessoa que não pensa nos outros. – falou com desprezo e aquelas palavras fizeram uma luz ascender na mente de Alana – Mas não quero falar sobre ele.

Gabriel se ajeitou e, em poucos minutos, acabou dormindo.


******


Sem sono, Alana apenas fazia carinho no peito definido que tinha ao seu alcance. Estava presa imersa em seus pensamentos, quando um barulho chamou a sua atenção. Uma porta foi aberta e alguns passos soaram no andar de baixo.

Com cuidado, Alana saiu dos braços de Gabriel e, na ponta dos pés, foi até a porta. Abriu-a devagar e procurou de onde vinha o barulho. No andar debaixo, Henrique saía de uma sala, a mesma de onde Alana ouvira a conversa no outro dia. Ele subiu as escadas e, nesse momento, Alana fechou a porta do quarto de Gabriel, só voltando a abri-la quando os passos sessaram e outra porta foi fechada.

Com um pouco de dificuldade, ela desceu as escadas sem fazer barulho e entrou onde Henrique estivera. Encostou a porta e acendeu a luz, notando estar em uma espécie de escritório. Passou os olhos pelo lugar, sem saber o que estava procurando, mas quando viu um papel em especial em cima da mesa, seu coração disparou.

Sentou-se na cadeira e leu várias vezes o que estava escrito ali.

“Exame de gravidez... Adriana Golveia... Positivo”.

Notas finais
E então, o que acharam?? Alguma sugestão??