Notas iniciais
Aqui está mais um capítulo!! Ele é quase uma introdução e espero que esclareça algumas coisas!
Espero que vocês gostem!!

“Dizem que para seguirmos em frente, temos que deixar o passado para trás. Mas como fazemos quando o passado se torna mais presente do que nunca? Estar de volta naquele lugar me fazia sentir como se eu estivesse estagnada no tempo, um tempo que eu já tinha vivido. Eu tinha certeza, lá estava eu, de volta ao meu inferno particular.”

*****

Os corredores do colégio estavam ocupados pelos alunos, que andavam de um lado para o outro, uns indo para suas salas, outros, até os banheiros. Alguns conversavam encostados na parede, e ainda tinham os alunos que apenas estavam lá, parados, sem fazer algo, aparentemente.

-Alana! – parou ao ouvir seu nome. Ao virar-se para trás, viu Mila e Marcos andando na sua direção. Abriu um sorriso e esperou eles se aproximarem.

-Como foi o final de semana? – Mila perguntou animadamente e eles foram para a sala.

-Normal... Sabe como é, estudando para a prova de matemática.

-E o seu, Marcos?

-Normal. – respondeu, dando de ombros – Meu pai foi viajar e eu fiquei com minha mãe.

Entraram na sala e Alana foi para o seu lugar, a carteira ao lado da mesa que nunca era ocupado. Pegou seu material e, assim que se sentou, Pedro e Gabriel se aproximaram. O moreno tinha um enorme sorriso no rosto, enquanto que o ruivo apenas a olhava com os lábios levemente repuxados, o que Alana imaginava ser uma espécie de
sorriso.

-Aprontou muito esse final de semana? – Pedro perguntou.

-E como! Dei uma super festa com meu livro de matemática! – Alana respondeu e riu, logo em seguida, sendo acompanhada por Pedro – E vocês, fizeram o que?

-Fui para uma balada, aqui perto. Nossa! Acho que fiquei com umas cinco garotas muito gostosas! – falou com um sorriso exibido no rosto e endireitando o corpo, orgulhando-se do que tinha dito. Gabriel e Alana reviraram os olhos.

-E você? – ela perguntou.

-Fiquei tocando meu baixo. Ouviu a música que eu te passei?

-Ouvi, e ela é muito boa! Simplesmente me apaixonei por Seek
And Destroy
!

-Pronto, lá vão vocês começar a falar de assuntos que eu não entendo! – Alana riu.

O sinal bateu e a professora de matemática entrou na sala. Todos os alunos foram para seus lugares e já se prepararam para a prova. Ela tirou um bolo de folhas de dentro da pasta que carregava e fez a chamada.

-Bom. – começou – Depois de alguns problemas com a gráfica, — ela fez careta – o número de provas veio reduzido. Então, decidi que será um teste em dupla. – a sala comemorou – Mas eu escolho os pares.

Alguns alunos reclamaram e ela anunciou as duplas. Alana caiu com Gabriel, Pedro com Mila e Marcos com Victória. O barulho de mesas arrastando tomou conta da sala, e o silêncio só voltou quando todos já estavam com suas devidas duplas.

-Ainda bem que você estudou. – sussurrou Pedro, que estava sentado na frente de Alana.

-Esquece, seu idiota, não vamos passar cola para você! – Gabriel rebateu e Pedro fez cara feia.

-E por que não?

-Fica quieto, Pedro! – Victória brigou – Vem, eu sei fazer as questões. – Pedro se voltou para frente e Alana sorriu.

-Sabe fazer? – Gabriel perguntou.

-Algumas. – admitiu – Matemática não é muito o meu forte. – disse, enquanto olhava as questões, algumas parecendo mais impossíveis do que as outras. Dois dias estudando não tinham sido o suficiente.

-Tudo bem, eu sei a maioria.

Grande parte das questões foi respondida por Gabriel, enquanto Alana só fazia as fáceis, que também eram revisadas por ele. Sentindo-se constrangida, ela tentava prestar atenção nos cálculos que ele fazia para ver se entendia alguma coisa, mas aqueles números só bagunçavam sua mente.

No final, todos entregaram as provas para professora e ela saiu da sala. enquanto o outro professor não chegava, Victória saiu da sala e Pedro virou sua cadeira para trás, pegando um dos cadernos de Alana e rabiscando.

-O que está fazendo? – ela perguntou.

-Um autorretrato meu. Assim, quando bater a saudades e eu não estiver por perto, você pode olhar.

Alana riu e Gabriel arrancou o caderno das mãos do irmão, que tentou pegá-lo de volta, mas não conseguiu.

-Você é um chato, sabia Gabriel? – Pedro fez um olhar de desdém.

-E você é um idiota. Por que ela sentiria saudades de você?

-Está com ciúmes, Gabriel? – ele perguntou com um sorriso malicioso, recebendo um tapa na cabeça logo em seguida.

O professor de história entrou na sala e todos ficaram em silêncio. À pedido dos alunos, ele permitiu que continuassem em duplas desde que não fizessem bagunça, e começou a passar a matéria na lousa. Enquanto copiava a matéria, Alana notou o olhar um pouco perdido de Gabriel.

-Por que não fazemos uma troca? – ele perguntou, sussurrando bem próximo ao seu ouvido, fazendo Alana sentir um leve arrepio.

-Troca?

-É. Eu te ensino matemática, e você me explica história. O que acha?

Alana pensou um pouco. Toda ajuda era bem-vinda, e não custava nada ajudar Gabriel. Sem contar que, com as coisas que andavam acontecendo, a última coisa que queria era ficar sozinha em casa.

-Gostei da ideia. – e sorriu.

-Ótimo. – ele se mexeu, fazendo uma pose bem relaxada na cadeira, o que fez Alana o achar incrivelmente atraente. Estava tão entretida em observar Gabriel copiando a matéria, que nem percebeu o quanto o estava observando. Só foi se dar conta quando seus olhares
se cruzaram. Envergonhada, ela voltou sua atenção para o quadro com a matéria, mas não sem antes ver Gabriel arqueando uma sobrancelha.

Durante as duas aulas seguintes, Alana evitou olhar tanto Gabriel. Ela não conseguia entender o que era, mas ele, assim como todos naquela cidade, parecia-lhe estranhamente familiar.

Assim que o sinal tocou, anunciando o intervalo, Alana foi até Mila e Marcos, que ainda conversavam sobre a prova. Eles foram até a cantina e, assim que Mila pegou seu lanche enorme, foram para a quadra, onde Pedro jogava.

-Não sei o que vocês veem nesse Pedro. – Marcos falou como se sentisse nojo.

-Ainda bem. – respondeu Mila – Caso contrário, eu acharia que você é gay. – ele lançou um olhar ameaçador para ela e Alana sorriu – Nada contra! – Mila levantou as mãos, como se fosse se defender – Só estou dizendo que nunca te vi com uma garota. Então, se você começasse a reparar em homens, seria mais do que natural achar que...

-Você não tem que achar nada, Mila. – interrompeu-a mal-humorado – E, se quer saber, eu estou interessado em uma pessoa. – Mila lançou um olhar malicioso e ele logo completou – Uma mulher!

Alana riu com a conversa dos dois enquanto prestava atenção nos movimentos de Pedro.

-E eu posso saber quem é? – a garota perguntou, bastante curiosa.

-Claro que não! – Marcos respondeu com um sorriso.

-Ah! Por que não? – Mila fez sua voz manhosa e se esfregou um pouco em Marcos, parecendo uma gata.

-Porque não, oras! – Marcos se afastou, o que fez com que Mila quase caísse no banco onde estavam sentados.

-Como você é mal! – ela falou, fingindo irritação – E você, Alana?

Alana voltou sua atenção para a amiga, que já tinha recuperado seu sorriso malicioso. Ela arqueou uma sobrancelha.

-Eu o quê?

-Pensa que não reparei como você ficou com o Gabriel, durante a prova? — Alana franziu o cenho.

-O que tem? – Mila bufou.

-Ai, como você é lerda! Está afim do Gabriel, não é? – Alana revirou os olhos.

-Claro que não, Mila, não começa.

-Sei, sei. Vai dizer que...

-Cuidado! – Pedro gritou.

Mas antes que Alana tivesse a oportunidade de virar o rosto, uma bola atingiu em cheio. Com a pancada, sentiu uma dor no pescoço e na cabeça, obrigando-a a fechar os olhos e apoiar o rosto nas mãos.

-Alana, tudo bem? Me desculpa! – Pedro parecia desesperado.

-Alana? – Mila a chamou.

Quando abriu os olhos, percebeu que várias pessoas a olhavam de maneira preocupada, inclusive Pedro, que parecia mais atordoado do que ela.

-Eu estou bem. – disse, tentando tranquiliza-lo.

-Tem certeza?

-Claro! – e sorriu um pouco. Na verdade, sentia sua cabeça rodar um pouco, mas nada que julgou muito preocupante.

-Não é melhor você ir para a enfermaria? – Marcos sugeriu.

-Boa ideia. Posso ir com você. – Pedro se ofereceu.

-Gente, é sério, eu estou bem. Não precisa se preocupar, Pedro. – ela suspirou – Eu só vou para a enfermaria para pegar um remédio para dor de cabeça. – levantou-se do banco, sentindo as pernas um pouco bambas.

-Tem certeza de que não quer que eu vá com você? – Pedro a ajudou a se segurar.

-Tenho. É rápido.

Alana saiu do pátio e entrou no prédio. Por ser o intervalo, os corredores estavam vazios, por isso, ela nem se preocupou em prestar muita atenção para onde estava indo. E quando fez uma curva, esbarrou em alguém, e só não foi para o chão, porque a seguraram.

-Alana? – Gabriel a chamou. Assim que ela levantou o rosto se de deparou com aqueles olhos verdes, perdeu-se profundamente – Você está bem? – ao ouvir a oz dele, saiu do transe. Gabriel parecia preocupado.

-Está! Eu só estava...

Algo no chão chamou sua atenção. Uma pasta, muito parecida com o histórico escolar de alguém. Alana se abaixou para pegá-la, quando o viu o nome que a atormentava. O nome que parecia persegui-la, sem nem saber o por que. O nome que era o motivo para a sua perseguição. Adriana Golveia.

Notas finais
E então, o que acharam?? Alguma sugestão??