Não Conte Nossos Segredos
16 Capítulo 16 - Final
Notas iniciais
Eu sei que vocês leram "final" como nome do capítulo, e sim, é isso mesmo. Acontece que, a história ainda continua e mais capítulos serão adicionados, como normalmente.
Eu sei que parece confuso, e realmente é!! Mas para que vocês possam entender o que está acontecendo, é importante continuar acompanhando a fic, pois algumas das suas perguntas serão respondidas!! Logo mais você vão entender direitinho!!
Então, na terça-feira, tem mais um capítulo! Por favor, continuem acomanpanhando!!
E espero que vocês gostem desse capítulo!
Beijos!!^^
Exausta, era como Alana se sentia. Fazia dois dias que não conseguia dormir direito e que ajudava na organização do Festival. Fazia dois dias que a pessoa que a ameaçava não dava sinal de vida e há tempos não falava com Elvira. E era exatamente aquele silêncio que incomodava tanto Alana. Sem contar o fato de estar se sentindo mal
por André, no último olhar que trocaram, ele deixou bastante evidente sua dor, e lembrar daquilo fazia o peito de Alana doer.
Com muito custo, levantou-se da cama e se aproximou da janela. O pôr-do-sol estava maravilhoso e o céu não tinha uma nuvem sequer. Aquele era o dia mais bonito que já vira. Mas algo em dentro de si a fazia se sentir melancólica vendo aquilo.
Voltou sua atenção para a janela de frente para a sua. Ela estava aberta, mas Margarida não estava no cômodo, como normalmente acontecia. A velha tinha ido até sua casa na noite anterior, agradecer pessoalmente pela gentileza de sua mãe.
-Alana, já está se arrumando? – sua mãe gritou do andar de baixo.
-Já! – mentiu. Soltou um suspiro e fechou a janela.
Tomou um banho demorado, tentando acalmar a ansiedade por conta da comemoração, desde o momento que acordara, sentia que algo estava para acontecer. Colocou uma roupa um pouco mais ajeitada e, quando estava terminando de passar no lápis no olho, a campainha tocou.
-Alana, seus amigos estão aqui! – seu pai avisou. Colocou um casaco e desceu.
Assim que entro na sala, encontrou Pedro e Gabriel sentados no sofá, conversando com seu pai. Ao notarem sua presença, o moreno abriu um sorriso e o ruivo apenas a olhou. Depois do ocorrido no Pátio, acabaram se aproximando mais, e Alana adorou aquilo, daquele jeito, não ficava sozinha.
-Gata! – Pedro sem tom de malícia, mas mesmo assim levou um tapa na cabeça, dado por Gabriel, e um olhar raivoso do pai de Alana, que estava corada.
-Obrigada...
-Vamos? – perguntou Gabriel.
-Claro. – os dois se levantaram e os três foram até a porta.
-Daqui a pouco nós vamos. – disse sua mãe – Divirtam-se!
Enquanto andavam em silêncio pela rua, um grupo de crianças passou correndo, sendo seguidas pelo pai, que gritava desesperado para que elas esperassem. Pedro riu um pouco com aquilo e Alana abriu um pequeno sorriso.
-Então, teremos fogos para comemorar o fim do festival? – perguntou, tentando puxar assunto.
-Com toda certeza! – Pedro falou, animado – É tão bonito, que arrisco dizer que supera o Réveillon! – Alana concordou com um aceno de cabeça.
Olhou distraidamente na direção de Gabriel e notou que ele a olhava como se estivesse reparando em cada detalhe dela, o que a fez ficar envergonhada. Quando percebeu que Alana olhava para ele também, voltou sua atenção para frente.
Assim que chegaram no Pátio, Alana ficou impressionada com o que viu. O lugar estava todo iluminado, as barracas de cores diferentes davam um ar mais alegre, havia música tocando em algum lugar, as pessoas andavam e conversavam animadamente, sem contar as
crianças que brincavam e corriam de um lado para o outro.
-Nossa. – Alana sussurrou e Pedro sorriu.
-Gostou? E ainda não viu nada!
-É realmente bonito.
Era difícil pensar que, exatamente um ano atrás, Adriana estava naquele mesmo lugar. Perguntou-se se ela tinha alguma ideia do que estava para acontecer, se sabia do perigo que corria.
-Bom, vou para a minha barraca. – Pedro disse – Até mais tarde!
Ele começou a andar para o lado oposto ao qual Alana e Gabriel deveriam ir, deixando os dois sozinhos. Um olhou para o outro e, sem dizerem nada, foram para seus respectivos lugares.
Mila já estava lá e pareceu aliviada ao ver Alana. Assim que olhou para o lado, viu Marcos encarando as duas, logo em seguida voltando-se para as pessoas que queriam participar do tiro ao alvo.
-Já está aqui há muito tempo? – Alana perguntou, enquanto prendia o cabelo em um rabo frouxo.
-Não muito. – respondeu simplesmente.
Duas mulheres se aproximaram e pediram um pedaço de bolo de laranja com cobertura de chocolate. Enquanto Mila entregava o bolo a elas, Alana reparou no jeito da menina. Ela continuava quieta e cabisbaixa.
-Ainda está mal por conta do Marcos? – soltou assim que as duas se foram. Mila olhou para ele, como que querendo se certificar de que ele não prestava atenção no que elas estavam fazendo, e depois voltou sua atenção para Alana.
-Não é pelo o Marcos, em si. – falou baixo – É pela situação...
– suspirou – A ideia de que convivi com um assassino, que por acaso
costumava ser meu melhor amigo, me deixa muito mal. É como se, de uma hora para outra, eu simplesmente deixasse de conhecer uma pessoa que conversou comigo praticamente uma vida inteira.
-Entendo...
Outras pessoas começaram a se aproximar e Mila deixou que o assunto morresse no ar. Alana se esforçava para fingir que estava bem, mas não estava fazendo um bom trabalho. Tudo o que mais queria era que aquela noite acabasse o mais depressa possível.
-Está tudo bem? – Mila perguntou, preocupada.
-Está. – ela a analisou.
-Parece cansada. Vai dar uma volta, conhecer um pouco o lugar, deixa que eu tomo conta daqui.
-Tem certeza? – a ideia de andar um pouco não a agradava muito, mas pelo menos era uma oportunidade de se distrair um pouco.
-Claro. – Mila sorriu.
-Tá...
Alana saiu da barraca e começou a andar sem rumo. Algumas pessoas esbarravam nela e várias crianças pisavam no seu pé, mas ela não se importou.
Enquanto andava, viu, em uma das barracas, André conversando animadamente com uma moça loira, muito bem vestida. Ele ria de uma maneira que Alana nunca tinha visto e parecia estar se divertindo bastante. Aquilo a acertou como uma facada no meio do peito. Desvirou
o olhar antes sentir as lágrimas se formarem e voltou a andar.
Encontrou um lugar um pouco mais calmo, com alguns bancos e de onde era possível ver quase toda a minúscula cidade. Sem pensar duas vezes, sentou no banco e tentou se concertar apenas na brisa fresca que passava pelo seu rosto.
-Desanimada? – ouviu aquela voz grossa e familiar perto de si e viu a figura toda de preto se sentar ao seu lado. Alana olhou para Gabriel, que tinha o olhar fixo no nada, e sorriu sem humor.
-É... – suspirou.
-E por acaso esse desânimo tem alguma relação com um certo professor do laboratório de física? – Alana não respondeu, apenas começou a balançar os pés – Não fica assim. – não era só aquilo que estava incomodando Alana, mas ela com certeza não diria nada ao Gabriel, não havia necessidade. Sorriu, dessa vez por ter se sentido feliz diante das palavras dele.
-Mais fácil falar do que fazer. – murmurou.
-Verdade, mas já é um bom começo tentar fazer.
Gabriel olhou para Alana e ela se perdeu naqueles orbes verdes tão intensos e hipnotizantes. Perguntava-se por que se sentia tão estranhamente familiarizada com eles.
-Disse que não gostava de Marcos... Por quê?
Assim que fez a pergunta, odiou-se. Queria parar de reparar tanto em Gabriel, mas detestou ter mencionado o nome daquela pessoa que causava calafrios. Ele pensou um pouco, voltou sua atenção para frente e respirou fundo.
-Nunca tinha notado muito a presença de Marcos... Mas ano passado ele ficou... Diferente. – Alana notou a hesitação na fala de Gabriel.
-Diferente como? – ele deu de ombros.
-Sei lá. Ele se tornou uma pessoa instável, sabe. Uma hora estava bem e, na outra, chutava e esmurrava a parede, descontando nela alguma frustração.
Segundo Mila, aquele comportamento tinha desaparecido a partir do momento que Adriana tinha morrido, mas Gabriel não mencionou aquilo, então preferiu também não falar nada.
-Por que a curiosidade? – perguntou. Um vento frio passou por eles, fazendo Alana se encolher.
-Nada.
Fez-se silêncio. Gabriel apoiou os cotovelos nas pernas e ficou olhando a cidade. Alana aproveitou sua distração para poder analisa-lo melhor. As mãos grandes e masculinas, o pescoço razoavelmente grosso, com uma corrente e um cadeado como pingente, o rosto atraente, os cabelos bagunçados, os olhos destacados, lábios avermelhados, roupas pretas e o coturno. O típico roqueiro misterioso que tinha como lema “dane-se o mundo”. Complemente o oposto de André.
-Gosta do que vê? – Gabriel perguntou sorrindo. Alana foi pega de surpresa pela pergunta e pelo sorriso debochado. Ajeitou-se no banco, tentando voltar a olhar para frente, mas uma mão quente fez com que ela virasse seu rosto, tendo a boca de Gabriel a milímetros de distância da sua.
O hálito quente dele tinha cheiro de hortelã e Alana ficou tentada a experimentar seu gosto. Seu coração batia com tanta força contra seu peito, que temeu que Gabriel pudesse ouvi-lo. O jeito com que ele segurava seu rosto era extremamente diferente do de André, era firme e quase bruto, sem deixar de ser delicioso.
Aproximou-se um pouco mais e, quando estavam quase se beijando, sentiu seu celular vibrar. Com o susto, afastou-se, acabando com qualquer contato, e pegou o aparelho.
“Adoro pessoas com um pingo de juízo. Muito bem, como recompensa por ter se afastado do seu amado professor, garanto que seu segredo será guardado... Pelo menos por enquanto.”
-Problemas? – Gabriel perguntou, estranhando a expressão atordoada de Alana.
-É Mila. – mentiu – Precisa que eu volte para a barraca.
-Tudo bem, então vamos, também preciso voltar.
Os dois caminharam em silêncio, Alana perdida em seus pensamentos. Custava a acreditar que quase tinha beijado Gabriel, e tinha a nítida impressão de que ele era bom naquilo, só pela maneira como a tinha tocado.
Espantou a imagem dos lábios dele de sua mente e foi para perto da Mila, que atendia alucinada aos clientes que não paravam de chegar.
-Ainda bem, estou precisando sair um pouco! – ela disse.
-Sem problemas, vai lá. – trocaram de posto e logo Mila saiu.
Perdeu a conta de quantas pessoas tinha atendido, a cada minuto chegava mais gente e Alana correia para conseguir fazer tudo. A confusão era tanta que perdeu a noção de tempo.
-Isso aqui está bem movimentado! – Pedro falou enquanto se aproximava.
-Pois é! – Alana concordou.
-Onde está sua ajudante?
-Saiu um pouco.
-Ah... – ele deu uma olhada a sua volta – Pelo visto o Marcos também.
Ao ouvir aquilo, o sangue de Alana gelou, só então percebeu o tempo que tinha passado desde que Mila tinha saído. Por impulso, pegou o celular e viu que tinha uma nova mensagem. Já ficando nervosa, leu.
“Peguei sua amiguinha. Estação de trem. Agora.”
Desesperada, Alana saiu de trás do balcão, entregando um avental para o Pedro.
-Pode ficar no meu lugar por um instante, tenho algo importante para fazer. – saiu, sem esperar uma resposta.
-Claro! – ouviu Pedro gritar.
Procurou com os olhos um lugar que parecesse uma estação de trem. Demorou, mas encontrou, e ela ficava no bosque, exatamente na direção que tinha ido no dia que desmaiou. Engoliu em seco e foi.
Estava tudo escuro, mas ainda era possível ver uma pequena trilha no chão. Mesmo assim, sentiu que não precisava dela, era como se já soubesse o caminho.
Com o coração acelerado, a respiração difícil e pesada, suando frio e extremamente nervosa e preocupada, Alana andava o mais rápido que conseguia, torcendo para não ser tarde demais.
Chegou a uma construção abandonada, com algumas partes já destruídas. Sua cabeça latejava e sentia vontade de voltar, mas não podia, tinha que achar Mila primeiro. Com passos lentos e inseguros, começou a explorar o lugar, alerta a qualquer barulho.
Viu a linha de trem mal cuidada e teve uma péssima impressão ao se lembrar de que deveria ter sido ali que Adriana morrera. Andou até o prédio, sempre olhando para todos os lados, tendo a sensação de que era observada.
Ouviu o gemido de alguém, que logo identificou ser o de Mila. Correu na direção de onde vinha o som e se deparou com a garota dentada no chão, toda amarrada e amordaçada.
Quando foi se aproximar dela, ouviu o barulho de um galho se quebrando e, imediatamente, virou-se para trás, deparando com Marcos.
-Não devia ter vindo! – ele gritou. Por dentro, Alana estava morrendo de medo, mas reuniu o pouco de coragem que tinha e soltou:
-Para deixar você machucar a Mila? Nem pensar, Marcos!
-O quê? – arregalou os olhos.
-Não se faça de desentendido! Conseguiu matar a Adriana, mas não vai fazer nada com a Mila!
-Do que está falando? – perguntou, irritado. Alana sentiu o chão aos seus pés começar a tremer. Devia ser a hora que o trem passava.
-Não precisa fingir que não sabe, Marcos! Sei que Adriana descobriu que o que você e sua mãe fazem e que ela começou a te torturar com isso! Você se informou para saber a hora que o trem passava, trouxe ela para cá e depois a matou! – Alana tremia de tão
nervosa que estava.
Ao terminar de falar, o trem começou a passar, fazendo o chão tremer ainda mais. Marcos chegou a abrir a boca para dizer algo, mas não o fez. Seu olhar focou em algo atrás dela e seu rosto foi tomado por uma expressão de puro pavor.
Aos tropeços, Marcos se apressou em se virar e sair correndo. Alana não estava entendendo nada quando, de repente, Mila gritou, com a voz embolada devido ao tecido em sua boca.
-É uma armadilha, Alana!
Assim que ouviu aquilo, virou-se para a Mila, mas já era tarde demais. Sentiu uma lâmina cravar em seu peito. O som do trem desapareceu de imediato e sua visão ficou turva, mas ainda podia ver aqueles olhos... Olhos tão conhecidos por ela. Olhos marcantes e sombrios. Olhos que a encaravam quando deu seu último suspiro.
Notas finais
Eu sei que vocês leram "final" como nome do capítulo, e sim, é isso mesmo. Acontece que, a história ainda continua e mais capítulos serão adicionados, como normalmente.
Eu sei que parece confuso, e realmente é!! Mas para que vocês possam entender o que está acontecendo, é importante continuar acompanhando a fic, pois algumas das suas perguntas serão respondidas!! Logo mais você vão entender direitinho!!
Então, na terça-feira, tem mais um capítulo! Por favor, continuem acomanpanhando!!
E então, o que acharam??
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