Não Brinque com Rituais.
1 Uma nova brincadeira, um novo desespero.
Notas iniciais
O sinal soava na escola Marie Antoniette e todos os alunos saem de suas salas para o intervalo. Um garoto estava para sair de sua sala quando um grupo de pessoas comenta sobre um tipo ritual de magia negra. Ele para pra ouvir a conversa, depois que o assunto acaba ele sai da sala ao encontro de toda sua turma, no caminho, Karin acenava para ele, o que era estranho, pois Aaron era excluído pela maioria dos adolescentes. Ao chegar perto de seus amigos já vem gritando:
Aaron: E ae cambada!
Angélic: Cambada!?
Aaron: É, eu tenho uma novidade muito foda! — Falava com ânimo.
Maximiano: Depende o que você quer dizer com foda...
Micaela: Como assim?
Maximiano: Porque foda lembra a várias coisas, mas na frase em que ele falou da sentido de algo foda ‘bom’, mas ele nunca fala algo útil, então o foda dele pode ser algo ruim, inútil – Dando uma de nerd.
Micaela: Ah! — Demonstrava compreensão.
Ingrid: Bem, o que você falou não tem nem um pouco de sentido.
Aaron: BEEEEEM~ Isso não vem ao caso agora — Irritado — Como EU estava falando, eu ouvi falar na sala sobre um ritual de magia negra, onde um número par de pessoas tem de desenhar uma estrela no chão e bla bla bla, enfim, invocar um espírito. – Com a expressão séria por alguns segundos, depois voltava com a empolgação. – Ai eu estava pensando em a gente fazer.
Angélic: Ah, já li algo do tipo, é um ritual onde os indivíduos tem que doar uma gota de sangue à um espírito para que ele apareça, mas geralmente são demônios presentes e não se contentam com gotas de sangue...
Micaela e Ingrid: NEM FUDENDO QUE EU FAÇO ISSO!
Aaron: Medo? – Desafiador.
Davi: Isso é ridículo... — Sussurrava.
Thomas e Toni chegavam ao local um pouco atrasados.
Toni: Perdemos algo?
Aaron: Vamos fazer um ritual de magia negra!
Ingrid: Vamos?
Thomas: Beleza,vou ouvir, concordar com a cabeça e fingir que estou entendendo...
Toni: Onde e quando vamos fazer isso?
Aaron: HOJE! Mas eu não sei um local...
Angélic: Tem que ser um local abandonado e longe da população onde os demônios se escondem.
Thomas: A antiga escola do bairro.
Aaron: Onde?
Thomas: Vocês não sabem? — Em tom de indignação — Então ta né! É numa parte da cidade, só que muito antiga e para não ser destruída o governo interditou o lugar para turismo, porém, não mexeu nele e acabou ficando lá até apodrecer mais ou alguém tomar uma providencia e pedir reforma. — Falava com ênfase.
Angélic: Creio que já ouvi falar.
Aaron: Perfeito, pegue algum livro sobre isso Angélic e todos na minha casa depois da aula! Vamos comer lá e tudo mais.
O sinal toca e todos vão pra suas respectivas sala, ficam no local Ingrid, Micaela e Davi.
Ingrid: Ok, ninguém ouviu a gente né?
Micaela: Concordo contigo, e até parece que eu vou, aff né. — Indignada.
Davi: Ah, vamos gente vai ser divertido e além do mais, todo mundo sabe que demônios e espíritos não existem, não vai acontecer nada de mais, o máximo que pode acontecer é o Aaron e a Angélic tentando nos assustar.
Micaela: Hm.. Promete?
Davi: Sim sim!
Ingrid: Então ta bom. — Concordava não muito convencida.
Depois de mais um dia de aula, todos vão pra casa de Aaron como combinado. Depois de já terem comido algo, eles ficam pela casa até o tempo passar. Ingrid, Davi, Micaela e Maximiano ficaram jogando vídeo game, Thomas e Toni ficam no computador vendo um dos sites mais populares “PornôGarfo”, Angélic e Aaron procuram os matérias para o ritual. De repente a campainha toca, Aaron vai atender e Karin já ia entrando.
Karin: Então o ritual vai ser na antiga escola do bairro mesmo?
Aaron: O que você ta fazendo aqui? — Dizia surpreso.
Karin: Fazer parte da brincadeira.
Aaron: Ta, mas agora não da mais, estamos em número impar agora.
Karin: Sem problemas, eu trouxe um amigo.
Micaela ao ouvir a voz de uma pessoa não agradável, pula do sofá e vai em direção a porta de entrada.
Micaela: Quem te convidou? — Usava um tom ofensivo.
Karin: Eu vim porque eu quis, problema amour? — Retrucava de forma provocativa.
Micaela: Sim! Você é metida e desagradável.
Karin: E você falsa e hipócrita.
Aaron: Alguém me ajuda aqui? — Pedia em desespero.
Davi ao ouvir a discussão e o pedido de ajuda vai até a sala para ver o que está acontecendo, o resto do pessoal seguindo Davi também vai em direção a porta.
Davi: Gente, para que brigar? E também a propósito de que?
Micaela: Não teria discussão se ela não fosse metida e aparecesse onde não foi chamada!
Karin: Agradeça por alguém como eu estar aqui.
Juan: Calem a boca e parem de serem infantis as duas! — Falava enquanto entrava.
Depois de controlarem a situação, Angélic surge atrapalhada com todos os matérias necessários. Todos se organizam para ir à antiga escola, eles pegam as bicicletas da garagem, onde pai de Aaron as guardava antes de alguma competição que organizava. Percorriam o caminho em silêncio, chegando às 23 horas, entram na escola que estava destruída pelo tempo, acumulando poeira pelos cantos, sendo uma construção hospedeira de vários insetos e animais, ao andarem pelos corredores da escola percebem que há algo de errado com Ingrid que havia parado inesperadamente e quando notam uma aranha pendurada por sua teia logo em frente da garota que estava paralisada.
Toni: O que houve com ela?
Micaela: Ai meus Deuses! Tirem aquela aranha da frente da Ingrid, ela tem insectofobia.
Enquanto Davi tirava a tal aranha, Juan comentava em voz baixa.
Juan: Quem é que tem insectofobia!? – Falava indignado.
Micaela: Shiiiu! – Pronunciava o som enquanto levava o dedo indicador em frente dos lábios.
Ingrid: Eu quero ir embora!!
Karin: Ótimo, vá e estrague a brincadeira.
Ingrid: Ta bom, eu fico.
Continuavam o trajeto até o segundo andar do prédio, no momento em que passavam em frente à porta do banheiro feminino, ouviam um barulho de descarga. Todos paravam, fitavam a porta e alguns até se assustaram. Logo a porta era aberta e saia dela um mendigo que usava roupas remendadas e carregava um jornal velho debaixo do braço. Os adolescentes trocavam olhares com o mendigo. O velho que não demonstrava nenhuma expressão voltava para o banheiro e trancava a porta.
Thomas: Isso realmente aconteceu? – Sem acreditar no que seus olhos tinham visto.
Maximiano: Sim... E eu acho que ele não completou seu trabalho muito bem.
Toni: É... estava ereto. – Sua voz demonstrava medo.
Angélic: O que leva um indivíduo a perceber isso?
Depois do ocorrido bizarro, acham uma sala adequada para o ritual, Angélic fazia os preparativos com a ajuda de Aaron, enquanto os outros esperavam pelos cantos da sala. Quando terminavam os preparativos, havia um círculo com um pentagrama desenhado em giz, em cada ponta tem seu elemento, num deles um punhado de terra, num outro uma taça com água potavel, no próximo uma vela acesa e no quarto uma vasilha vazia que representava o ar, na ultima ponta ficava sem qualquer objeto representativo e no centro uma taça de cristal. Reuniam-se todos em volta do pentagrama e Angélic explicava o que deveriam fazer.
Angélic: Bem, temos que ficar em volta deste circulo que eu fiz, uma faca vai passar na mão de cada um, façam um corte e coloquem uma única gota nessa taça vazia. Vamos ter que começar exatamente á meia-noite. Não quero que ninguém fique demorando muito ou irá dar tudo errado – Olhar acusativo para Ingrid e Micaela. – Agora são 23:58. Vamos esperar.
Todos ficaram no seu lugar seguindo as regras impostas por Angélic. Ao chegar meia-noite, todos davam as mãos formando um circulo em volta do pentagrama desenhado no chão, Angélic então iá citando as palavras do livro.
Angélic: “Por nossa livre espontânea escolha, nos reunimos para ti invocar, deus do caos, das trevas, do pecado e de todo o mal. Venha realizar seu show de ferocidade e prove sua existência.”
Angélic deixava o livro a trás de si, pegava a faca e fazia um pequeno e profundo corte na palma de sua mão e colocava uma gota de seu sangue na taça no meio do circulo e logo passava a faca a diante e continuava a falar.
Angélic: Em troca de sua aparição daremos uma gota de nosso sangue, esteja satisfeito com o que podemos oferecer.
A faca ia passando de Angélic para Aaron, Davi, Maximiano, Juan, Karin, Thomas, Ingrid onde ocorreu uma pequena pausa, Toni e por fim Micaela onde quase estragou tudo, mas pensou no apoio que havia recebido antes e se cortou. Ao cair a ultima gota na taça, os presentes na sala tinha a sensação de que acabaram de acordar de um pesadelo.
Acordavam em um quarto totalmente branco, pequeno, sem janela alguma e sem saída, uma cama com lençol branco se encontrava no canto, junto com um criado mudo de cor branca e sobre ele um relógio digital que marcava 00:00, que piscava constantemente sem mudar o horário. Na parede oposta à cama, estava escrito em sangue “Estou entre vocês, me achem”. A princípio todos ficaram confusos, achavam que era um sonho mas sabiam que não era, tentavam se recordar de como foram parar ali, pensamentos emergiam no ambiente até serem interrompidos com um grito agudo de Micaela.
Micaela: AAAAAAAAAAAAAAAAH!
Aaron: O que houve? – Preocupado.
Micaela: M-minha mão. – Dizia com a voz trêmula.
Fale com o autor