Não é sobre casas

1 Sinto saudade de casa


Sinto saudades ao amanhecer e no decorrer do dia. Nas idas ao supermercado, nas vezes em que saio sem rumo. Sinto saudades mesmo no trabalho, conversando com outras pessoas; por um milésimo de segundo, eu saio de mim e me imagino lá.

Sinto saudades das vezes em que ela me ouviu, incansavelmente, sobre os mesmos assuntos: trabalho, família ou apenas bobagens sem sentido. Ela me ouvia. Me fazia sentir em paz, de bem comigo mesma e capaz de qualquer coisa. Ela me ensinou tanto... sobre tantas coisas.

Mas, infelizmente, nem sempre a nossa casa será nossa para sempre. Por inúmeras razões, a vida nos despeja, e não há nada a fazer além de aceitar. A gente junta os sentimentos, empacota as coisas e sai em busca de um novo teto.

Mas a gente torce. Torce para que o novo inquilino seja gentil. Torce para que ele seja bom e cuidadoso com a estrutura que um dia nos abrigou. Fica a esperança de que ela continue de pé, inteira, bem cuidada e cheia de girassóis. Que haja amor transbordando com o novo morador.

Queridos leitores, isso não é sobre casas...

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!