Não é o que você está pensando!
12 Capítulo 12
Bakugou nem lembra a última vez que odiou seu despertador com tanta força. Ele havia dormido muito tarde, estava com dor de cabeça e havia chorado. Porra, ele chorou. E não foi pouco. Ele se odiou por isso, se sentiu fraco e inútil.
Doeu menos porque foi na frente de Jirou, alguém que ele sabia que não iria desprezá-lo por isso, ou mesmo provocá-lo. Apesar de ela sempre ter um comentário maldoso para alfineta-lo, não passava de uma boa brincadeira. Ela nunca realmente foi mais longe do que Katsuki poderia permitir. Havia um motivo para ela ainda estar viva. Se ele realmente tivesse se ofendido, não havia ninguém na terra que a mantivesse inteira.
Ela gemeu aborrecida quando Katsuki precisou movê-la para desligar o despertador. Em decorrência dos fatos na noite anterior, Kyouka acabou passando a noite no quarto de Bakugou. Não foi muito uma opção, antes que eles percebessem já haviam dormido. E Jirou não iria deixar Katsuki sozinho depois dele ter quebrado desse jeito.
— Aonde você está indo? — Ela resmungou puxando-o de volta — Fica quieto.
— Eu tenho que levantar, Orelha.
Kyouka abriu apenas um olho e moveu-se o suficiente para ver o relógio e fez uma careta.
— São cinco da manhã, Bomberman. Tem uma eternidade até a aula — Ela bufou irritada.
— Eu corro com o Kirishima esse horário, esqueceu? — Ele suspirou mais triste do que pretendia. Isso fez Jirou despertar completamente.
— Bakugou, você não tem que fazer isso. Não hoje — Ela contrariou sentando-se e pondo a mão no peito do garoto.
— Esse é meu treinamento, Orelha — Ele respondeu como se tentasse se convencer mais do que à Jirou — Se eu quiser ser o herói numero um, eu não posso parar. Eu nunca deixei um dia de treinamento, não vai ser agora que eu vou deixar.
— Você não precisa ir com o Kirishima — Ela insistiu segurando-o pelo braço — Vá para a academia, ou só mude a rota, eu não sei… Por favor.
Katsuki bufou uma risada e roçou o polegar na bochecha de Jirou. Ele sabia que ela só queria o bem dele. E ele também sabia que ia ser fodidamente difícil encontrar o Cabelo de Merda agora. Ele sentia os olhos pesados, o que quer dizer que estavam inchados.
— Eu vou ficar bem, Orelha — Ele exalou enterrando o rosto no cabelo dela para se impedir de chorar de novo — Eu vou lidar com essa merda.
— Ainda acho que não devia ir — Ela resmungou com um beicinho abraçando-o pelo pescoço. — Não vai fazer muita diferença um dia a menos no seu treinamento.
Bakugou riu porque o argumento de Jirou foi quebrado por um bocejo. Ainda era muito cedo para ela, já que a garota costuma acordar quase duas horas depois de Katsuki.
— Dá o fora daqui — Ele ordenou em tom de brincadeira — Vai pro seu quarto dormir, Orelha. Eu te vejo depois no café da manhã.
Bakugou levantou e esticou-se. Ele iria precisar de um banho bem demorado e esfregar muito os olhos para que ele tivesse alguma dignidade. Jirou se jogou de volta na cama enquanto Bakugou entrava no banheiro.
Ela deu um breve cochilo inconsciente antes de levantar-se e lembrar que realmente precisava ir para o seu quarto. Katsuki já estava no meio do banho quando ela abriu a porta, um pouco zonza de sono, e saiu.
Quando Kyouka fechou a porta e olhou no corredor, percebeu que Kirishima estava saindo do quarto ao lado, o dele, e demorou um pouco para entender os olhos arregalados de surpresa. Assim que compreendeu, o rosto de Jirou corou furiosamente e ela imitou a expressão de Eijirou antes de correr pelas escadas morrendo de vergonha.
Batendo a porta do próprio quarto e sentindo-se um pouco mais confortável pelo ambiente familiar, Jirou apoiou a testa na cabeça ao perceber a burrice que fez. Correr sem dizer uma palavra parecia muito mais culpado do que apenas negar que qualquer coisa tenha acontecido durante a noite em que passou no quarto de seu amigo.
Kyouka deslizou com as costas na porta. Ela estava tão ferrada. E foda-se o que Kirishima tenha pensado. Ela tinha um problema bem maior. Ela gostava de Bakugou. Sim, Jirou soube no momento em que viu Katsuki sofrendo tanto por Kirishima. Seu coração afundou tão pesado que parecia ter partido. Foi a mesma sensação de quando soube que Momo e Todoroki começaram a namorar. Foi a dor de um amor não correspondido.
Até que fazia sentido, já que ela não se importava tanto quando Momo a abraçava, ela devia ter percebido que o motivo de não se sentir tão atraída por Yaoyorozu era porque ela se sentia assim por Bakugou. Afinal, não foi por isso que ela pediu a ele para não ser tão íntimo com ela? Porque sua frequência cardíaca disparava cada vez que ele a abraçava mais apertado, sua respiração parava quando ele a cheirava e seu corpo aquecia quando ele o aconchegava colado ao dele?
Foi diferente de Momo, talvez por isso ela tenha demorado tanto a perceber. Como Momo ela poderia admirá-la por horas, vê-la sorrindo e nunca se cansar. Jirou faria qualquer coisa para fazê-la sorrir e se sentia a pior de todas as pessoas todas as vezes que a desapontava ou permitia que alguém fizesse isso.
Bakugou… Bakugou era o mais incrível e capaz de todos os garotos que ela conheceu. Ele sempre se mantém no topo de tudo que faz. Kyouka o admira, e adora provocá-lo também. É verdade. Vê-lo tão sério e furioso o tempo todo a diverte. Ela não consegue conter a língua quando ele começa a gritar com todo mundo.
Ainda assim, ele é tão doce. Claro, quando não está tentando matar ninguém. Sempre querendo proteger os amigos, fingindo que não se importa quando na verdade se importa até demais. Jirou tem certeza que Katsuki não hesitaria em agredir alguém só pela menção de atacar qualquer um do Bakusquad. Especialmente Kirishima.
Kirishima.
O cara por quem ele estava sofrendo na noite anterior. O cara. Lembrando vivamente que Katsuki é gay. totalmente gay. E apaixonado por outra pessoa.
Jirou tinha um dedo podre não é? Ela não podia gostar de alguém com quem ela tem pelo menos uma ínfima chance. Não, ela tinha que escolher aqueles com quem nunca poderia nem sonhar em ser correspondida. Não podia ser menos estúpida que isso.
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Enquanto Jirou se odiava silenciosamente em seu quarto, Kirishima entrou no quarto de Bakugou para encontrá-lo saindo do chuveiro em meio a tudo revirado.
— Bakugou, você ficou maluco?! — O ruivo o interrompeu corando violentamente — O que você e a Jirou fizeram aqui ontem a noite?! Não, não me diz! Eu não quero saber! Cara, isso é contra as regras! Vocês não deviam ter feito isso e…
— Ei! Cabelo de Merda, pode ir parando por aí! — Katsuki o interrompeu, empurrando-o contra a parede e o levantando pela camisa furioso — Jirou não é uma puta para você pensar isso dela, então pode ir parando com essa sua merda toda aí. Até porque, o que aconteceu aqui não é da sua conta!
— Cara, eu acabei de ver ela saindo daqui. Olha o seu quarto!Todo mundo sabe que vocês são um casal, porque você está mentindo pra mim? — Kirishima pareceu tão ofendido que Katsuki soltou-o e se sentiu culpado.
— Eu não estou mentindo, porra. Não aconteceu nada e nós não somos a porra de um casal. — Ele suspirou esfregando a palma da mão na cabeça.
— Cara, o que aconteceu com o seu quarto? Como…
— Eu acordei cedo para treinar, Cabelo de Merda, não para ficar dando satisfação da minha vida!- Bakugou berrou irritado. Ele respirou fundo e grunhiu perturbado — Dá o fora do meu quarto — Ele ordenou conciso.
— Que?
— Agora!
Katsuki jogou Kirishima para fora e bateu a porta. Kyouka tinha razão ele não tava preparado para encarar o Kirishima ainda. Depois de se acalmar, ele decidiu que sairia para correr. Ele podia precisar espairecer, mas ele não ia deixar esse tipo de coisa afastá-lo do seu objetivo.
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