Notas iniciais
Sinopse de As Crônicas de Nárnia: Invulnerável A minha próxima fanfic contará a história de um romance entre Pedro, Susana e Caspian. Isso mesmo, Pedro, ele não é filho dos Pevensie e quando descobrir isso vai fazer de tudo para ficar com Susana, que voltando para Nárnia vai ficar dividida entre o rapaz que acreditava ser seu irmão e o rapaz que conheceu em sua última ida a Nárnia. A história não para por aí, Caspian está noivo de Liliandill e quando Susana voltar, ele não vai ter coragem de lhe contar a verdade, pondo em risco sua relação. Haverá também uma profecia que dizendo que um dos filhos de Adão e Eva trairá Nárnia, e estão incluídos os irmãos Pevensie, Caspian e um novo personagem, um arqueiro que também mexerá com o coração de Susana. O grande mistério gira em torno desse traidor, todos eles agirão de forma suspeita, nenhum deles está livre da ambição de ser o único senhor ou senhora de Nárnia.

– Não me acuse Benjamim, a causadora de todos os nossos males é a Susana, se nossos inimigos invadiram nossa moradia foi por culpa dela.

– Chega! – disse Benjamim decepcionado. – Depois de tudo o que eu te disse, pensei que você fosse mudar de opinião. De qualquer outro homem eu poderia esperar essa reação Caspian, mas não de você. – disse o abandonando na sala de reuniões.

– Onde você vai Benjamim? – perguntou Caspian seguindo-o.

– Quero saber o que a Lúcia acha disso.

– Eu vou com você, mas tenho certeza de que você não vai gostar do que ela vai te dizer.

Lúcia se sentia menos pior, naquela manhã sua mãe a deixou sozinha para visitar Edward, e Lúcia resolver ir atender aos chamados que vinham de fora acreditando ser Lúcio, ela já estava preocupada com o desaparecimento dos filhos.

– Ah são vocês. Pensei que fosse o Lúcio, parece que o fantasma da Susana não vai me deixar em paz tão cedo. Entrem.

– Eu quero falar sobre isso mesmo tia, sobre minha mãe.

– Ele já sabe de toda verdade? – perguntou olhando para Caspian.

– Isso não é nenhuma verdade tia. Vocês estão cometendo uma grande injustiça com as pessoas que os amam.

– Injustiça? Agora a errada sou eu?

– Eu quero saber a sua opinião sobre esse assunto tia, foi para isso que eu vim.

– Ben acho melhor irmos embora. – pediu Caspian.

– Não Caspian, se Ben quer a minha sincera opinião ele vai ter. Sua mãe... é a pior das mulheres, é desprezível, não vale nada. E o seu pai é o mesmo, sem tirar nem por. Se eu fosse você, os rejeitava, se eu fosse você Benjamim, teria renegado o nome Cooper, aproveite que o Caspian, apesar de tudo ainda ao quer como filho.

– Vocês são dois loucos. – dizia com a voz fraca. – Eu jamais poderia esperar uma coisa dessas de vocês, logo vocês que conhecem a Susana tão bem.

– Nós temos todo o direito de não querermos mais saber da sua mãe Benjamim, ela nos feriu da pior maneira. Se você quer continuar a amando, tudo bem, você ainda é filho dela.

– Quem dera se tudo isso fosse verdade mesmo. Vocês não merecem o amor dos meus pais. Eu preferia que eles nunca tivessem se separado, pois de que adiantou a renúncia do meu pai? De que adiantou ele ter deixado minha mãe, para depois ela ser humilhada e desprezada por outro? Vocês não merecem o amor de ninguém, ninguém. Além de perder o amor deles, também perderão o amor dos filhos de vocês. Diga para mim tia Lúcia, se seus filhos ainda estão do seu lado? Meus irmãos conhecem o caráter do meu pai. E o mesmo vai acontecer com você Caspian, um dia você vai ter que contar toda essa história nojenta, e eles também vão te abandonar.

– Não sou obrigada a ouvir tudo isso Caspian – Lúcia se revoltava – quem garante que o Benjamim não sabia de tudo? Quem garante que ele não encobria o romance dos dois? Claro, eles deviam ter algum cúmplice para esconder esse romance tão bem durante tanto tempo. Não te julgo Benjamim, você é só um garoto e todo filho quer ver seus pais juntos.

– Isso é verdade filho? Você sempre apoiou seus pais Benjamim? Você também me traiu apesar de eu te tratar como filho? – Caspian parecia estar em transe.

– Não acredito nisso pai, isso é o fim. Não posso continuar vivendo com um homem que pensa essas coisas sobre minha mãe. Fico muito feliz por não ser seu filho de verdade, jamais poderia ser filho de um homem como você. Não se preocupe senhor Caspian, vou sair da sua casa e da sua vida também, se nela não existe um lugar pra minha mãe, também não existe pra mim. – Ben ameaçou ir embora.

– Espera Ben, também não é assim. Não precisamos brigar, nós não temos nada a ver com isso. Esses acontecimentos não podem destruir nossa relação.

Benjamim se deteve na entrada da porta, virou-se e deixou um recado para Lúcia e Caspian.

– Um dia – falou triste – vocês vão se arrepender amargamente por tudo isso, só espero que não seja tarde demais. Algum dia quando descobrirem toda a verdade, vocês não terão cara para pedir perdão, e se essas duas pessoas inocentes não quiserem aceitar suas desculpas, vocês terão que se conformar.

...

Rilian tinha ficado uns dias afastado de todos, ainda sofria bastante com a rejeição de Sunamita, e percebeu que culpa não era dela, afinal ela era uma sereia sem sentimentos. Ele resolveu ir até o rio, às vezes Sunamita ia para o alto-mar, mas geralmente ficava no rio que se encontrava atrás do castelo. Rilian ficou lá por meia hora esperando sinal de sua amada sereia, mas ele não encontrou quem esperava. A água começou a se agitar e Rilian creu que havia alguma criatura submersa, uma sereia que não era Sunamita, ergueu-se girando no ar exibindo sua bela cauda colorida e brilhante, depois de três giros no ar em torno de si mesma, Rilian percebeu que conhecia a sereia, era na verdade Roberta.

– Roberta é você? – perguntou confuso estreitando os olhos para ter certeza do que via. Mas a sereia não deu ouvidos e continuou se exibindo nas águas.

– Roberta fala comigo, o que aconteceu com você? Onde está a Sunamita?

– Meu nome não é Roberta, me chamo Eleonora e não gosto de conversa com estranhos.

– Eleonora? Que conversa é essa Roberta? O que aconteceu com você? Não lembra de mim? – Roberta não quis saber de Rilian e foi nadando em direção ao mar, cantando com uma voz encantadora, a mesma voz de Sunamita.

– Que coisa mais macabra, Robert e Lúcia precisam saber disso, mas quem eu busco primeiro?

Rilian apenas contou aos pais da menina que a tinha visto, mas não contou como ela estava. Uma hora depois estavam lá, Lúcia, Robert, Alice e Rilian. Mas a rainha nervosa começou a espetar o marido.

– Rilian onde a Roberta está? Não a vejo em lugar nenhum. – disse Bob.

– Não vai me dizer que viu o corpo dela... boiando.

– Claro que não Lúcia, a Roberta está bem, eu acho.

– Mas o que aconteceu com ela então? Ela não veio falar com você? – perguntou Alice.

– Afinal o que você faz aqui Alice? Não se meta em assuntos de família. – disse Lúcia enciumada.

– Deixe de ser grosseira Lucy!

– Isso tudo é culpa sua Bob, meus filhos estão desse jeito por sua causa. – Aborreceu-se Lúcia apontando para Bob.

– Quem armou todo aquele escândalo foi você. – gritou mais alto que ela.

– Por favor gente, para com isso, Roberta precisa de vocês. – pediu Alice deixando a rainha louca de ciúmes.

– E você cale a sua boca sua desgraçada. Você não nada mesmo não é Bob? E eu que achava que você só tinha uma amante. Quem garante que você também não estava com essa daí enquanto ainda estávamos juntos, quem sabe não estava com as três.

– Pode me insultar o quanto você quiser, você está completamente louca Lucy, mas não admito que coloque gente inocente no meio. Por que tem que colocar todo mundo no meio das nossas brigas? Já não basta a Roberta e o Lúcio terem participado de tudo?

– Essa daí, a Susana, Você, Nárnia só tem gente que não presta, por isso aqueles miseráveis entraram aqui. Pensei que Aslam tinha dito que isso aqui era um paraíso, mas aqui só tem monstros. Lobos disfarçados de ovelhas, vocês não são assim? Até você Rilian teve coragem de nos trair. O que será de nós?

– Já chega, estou farto de você, cansado. Peça desculpas para Alice agora – dizia puxando os pulsos de Lúcia com violência, e Rilian ficou preocupado com a agressividade de Robert.

– Bob larga ela. – Rilian puxava ele pelo braço.

– Vai fazer o que Robert? Sua máscara de bom moço caiu, anda não ia me bater? Ou tem medo do Rilian.

– Nunca mais olhe na minha cara de novo Lúcia – disse vermelho de raiva – eu quero distância de você, nem que para isso eu deixe de ver meus filhos. Venha Alice.

– Parem os dois por um minuto – gritou Rilian que também estava com o sangue fervendo – a Roberta agora é uma sereia.

Robert e Lúcia ficaram chocados, mas o pai da menina não demonstrou, apenas deu uma última olhada par Lúcia, e ajudou Alice a montar no cavalo partindo em seguida.

...

Anna e Carlos estavam perdidos na própria casa, não entenderam a causa para Benjamim pegar todas as coisas que ele tinha no Peregrino da Alvorada e ir embora de vez, mesmo com os protestos de Caspian. Ainda estavam muito confusos com a atitude do pai, não sabiam o porquê ele se casaria com outra mulher se amava Susana, muitas coisas não esclarecidas que estavam dando um nó na cabeça dos dois. Após tentar convencer Ben a ficar inutilmente, mas foi para o que seria a sala de estar, queria ficar sozinho, espairecer, mas uma agradável visita cancelou seus planos.

– Majestade uma donzela que atende por Sunamita quer vê-lo. Deixo-a entrar?

– Claro Drinian. A conduza até o bar e peça para Gael levar algumas frutas.

Depois que Drinian o deixou sozinho, Caspian colocou a mão no bolso e constatou que a caixinha estava ali. Respirou fundo e foi até Sunamita. Ao chegar ao bar, não deixou de ficar sem graça pela forma como a moça o olhava, ela estava totalmente encantada. E Caspian teve certeza de que seu pedido seria atendido, reparou que desde que ela o olhou pela primeira vez tinha se apaixonado por ele, Caspian se repreendia por dentro por não ter sentido o mesmo.

– Que bom que você veio, eu precisava muito falar com você — a cumprimentou beijando sua mão.

– Eu precisava de te ver, que bom que me esperava. O que tem a me dizer.

– Antes gostaria de te mostrar o navio.

Caspian fez um tour pelo navio com Sunamita, a companhia dela era muito agradável e ele sabia que mesmo que não se apaixonasse por ela adoraria dividir sua vida com a bela moça, assim como foi com Liliandill, mas dessa vez ele não pensaria em Susana. Em certo momento eles deram de cara de Anna, que ficou decepcionada ao ver que o pai tinha outra companhia.

Caspian a levou para a proa do barco, segurou suas mãos e tomou coragem para fazer o pedido.

– Eu sei que não fazem nem 24 horas que nos conhecemos, você pode achar o meu pedido precipitado. Mas acho que o relógio não importa quando temos um coração e... – Caspian parou um pouco, por ter se lembrado da primeira vez em que viu Susana.

– E o que? – perguntou concentrada.

– Eu quero dizer que o tempo não impede ninguém de se apaixonar, e apesar de fazer pouco que tempo que te conheço, tenho certeza que já estou apaixonado por você – Sunamita ia interromper para dizer o mesmo, mas Caspian colocou o dedo nos lábios dela, para terminar com aquilo de uma vez – você quer se casar comigo Sunamita? Aceita ser minha esposa? – A moça ficou paralisada, o coração sairia pela boca a qualquer hora, mas finalmente ela conseguiu responder.

– Eu te amo tanto que... seria louca se te desse outra resposta que não fosse um sim. – Caspian deu um sorriso fraco. Voltando para dentro do castelo, Sunamita foi contando o pouco que lembrava, na verdade o que Tirza colocou na cabeça dela. Disse que era uma sereia e que sua amiga a fez virar humana, contou para Caspian que foi a feiticeira verde, mas ele não temeu que a moça tivesse más intenções, Sunamita transmitia segurança para qualquer um, a sereia arrogante deu lugar a uma doce e amável jovem, e também se ele fosse má, não contaria sobre a feiticeira para ele. Caspian se deu conta que quem armou para que ele se encontrasse com Sunamita foi Tirza, achou que ela queria afastá-lo de Susana, mas para ele foi um favor que ela fez. A moça também contou que morava no castelo de Rabadash, mas raramente só tinha contato com Tirza, Caspian percebeu que a moça era inocente e nem fazia ideia de com quem se metera. Tirza realmente não prestava, enganou Sunamita dizendo que Susana apesar de ser esposa de Rabadash, mantinha um relacionamento com Robert livremente, e que ele sempre a visitava.

– Sunamita por acaso neste castelo onde você mora, tem outra moça?

– Ah tem sim, sei que é uma rainha, só a vi umas duas vezes.

– E sabe me dizer o que ela faz? Se está bem? Se está triste?

– Pelo que sei, ela é muito feliz lá, estava cansada da antiga vida e da família. – disse sem perceber o estrago que fez em Caspian.

– Ah... coitada, agora que está livre deve estar muito feliz – disse com mágoa a raiva misturados na voz.

– Sei também que ela se dá muito bem com o marido, o dono do castelo, mas não entendo uma coisa.

– O que?

– Apesar de ser casada com Rabadash, que ele viva para sempre, ela tem um outro amor, e o marido permite tudo. Esse namorado dela a visita quase todos os dias, sei que eles são muito apaixonados, devem formar um casal muito lindo não é?

– É. Eu sei disso. Mas vamos falar sobre o nosso casamento. – disse colocando o braço em volta do ombro dela.

– Claro, não vejo a hora, vai demorar muito?

– Por mim eu me casava hoje mesmo. Mas teremos que esperar um tempo, para nos conhecermos melhor, meus filhos assimilarem tudo isso. Pretendo casar minha filha no mesmo dia que nós, só preciso conversar com o pretendente a noivo, sabe ela está grávida, quero esperar pelo menos 5 meses.

– Por mim tudo bem. – disse sorridente.

– Tem uma coisa Su... – se repreendeu por dentro por chama-la pelo mesmo apelido de Susana.

– Adorei a forma como me chamou. Pode me chamar sempre assim? De Su, acho que fica mais fácil.

– Vou tentar. Mas eu queria dizer que quero que você se mude pra cá. Já que será minha esposa, não tem que morar de favor com outras pessoas, more aqui. Se possível venha hoje mesmo.

Victor entrou na sala e ouviu algumas coisas sobre casamento que não entendeu muito bem.

– Desculpe-me por interrompe-los, mas posso saber quem vai se casar? – perguntou curioso.

– Você e eu Victor – disse Caspian, vendo a expressão de espanto no rosto de Victor.

– Seu Caspian, o senhor me perdoe, eu não tenho nada contra, o senhor é até meio jeitosinho, mas não dá. Eu gosto mesmo é de mulher, e tudo bem que meu pai foi chegado nessas coisas, mas eu não.

Caspian riu da confusão que Victor fez, e Sunamita fez o mesmo.

– Não Victor, você não me entendeu, você não vai se casar comigo, mas com minha filha Anna. Ela está grávida.

– Seu Caspian, por favor seu Caspian me escuta, não fui eu que engravidei a sua filha, nunca encostei um dedo nela.

– Eu sei, eu sei, por isso preciso da sua ajuda, tenho que casar minha filha e só você pode fazer isso.

– Ah... menos mal, pelo menos ela é mulher e é bonita.

– Você aceita?

– Claro. Tudo bem que a Lili vai sofrer muito por mim, mas fazer o que se todas as mulheres me querem?

...

Anoiteceu rápido e a raiva de Robert já tinha passado, ainda estava muito preocupado com o fato de sua filha ter se tornado uma sereia. Era louco pela Roberta e ficava desesperado só de pensar em quem teria feito essa maldade com ela. Tinha medo de não saber como fazê-la voltar ao normal, mas o dia tinha sido muito cheio, resolveria tudo no dia seguinte. Estava profundamente chateado com Lúcia, mas imensamente feliz por ter encontrado apoio em Alice. Na verdade agora só podia contar com ela e seu avô.

– Já vai dormir? Se deitou tão cedo.

– Oi Alice, já estou cansado.

– Não vai comer? Ainda está cedo. – perguntou se ajoelhando ao lado da cama dele.

– Muito obrigada por tudo. – disse segurando a mão dela.

– Mas por que? – falava passando a mão nos cabelos dele. – Eu não fiz nada.

– Você acredita em mim, está ao meu lado.

– Como é que eu não estaria? Eu te conheço Bob. – agora acariciava o peito dele que estava descoberto.

– Quem deveria me conhecer bem, não conhece. – ele a fitava profundamente.

– Eu devo estar me equivocando, mas acho que quero estar ao seu lado mais do que como uma amiga.

– Como o que então?

– Como mulher. Você me aceitaria?

Diante do silencio de Robert, Alice se aproximou vagarosamente dos lábios de Robert, vendo que ele não tentava recuar, o beijou. No início foi lento, calmo e bem ritmado, nenhum dos dois tinham pressa, e eles sentiram uma paz imensa. Robert não sentiu nenhuma culpa, pois estava desimpedido. Ficaram minutos assim, beijando-se calmamente, até que as coisas foram tomando outro rumo, o calor do beijo foi aumentando, Alice subiu na cama ficando colada com Bob, e eles perceberam que em breve perderiam o controle.

– Me desculpe, eu sei que você não vai querer. – Alice colocava um pouco de cabelo para trás da orelha.

– Bom, se fosse a algumas horas atrás eu não conseguiria, mas depois de tudo o que aconteceu hoje, com a Lúcia e tudo mais, percebi que não tem volta. E não vou parar minha vida por causa disso. Quem ama confia.

– E eu confio em você Bob.

– Eu sei – respondeu Bob calando-a com um beijo nos lábios, agora um beijo mais quente e destemido. Poucos minutos depois, sem perceber eles já estavam fazendo amor.

...

Sunamita foi acompanhada por Drinian ao castelo para pegar suas coisas. Quando Rabadash e Tirza ficaram sabendo da notícia, vibraram por saber que Caspian se casaria com a moça. Susana passava pelo corredor quando viu a jovem arrumando suas coisas.

– Licença, eu posso entrar? – pediu Susana curiosa.

– Claro majestade, entre – dizia Suna com um sorriso de satisfação.

– Você mal chegou e já vai embora? – Susana foi se sentando na cama ajudando-a a guardar as roupas que tinha ganhado de Tirza.

– Ah sim, nem nos conhecemos direito. Prazer eu sou Sunamita – disse apertando a mão de Susana.

– Você parece ser uma boa pessoa... apesar de estar com eles. Mas vai por que?

– É que eu vou me casar – disse com um sorriso que ia até as orelhas.

– Que maravilha, vai me convidar para o casamento não é? – brincava Susana.

– Sabe, eu ainda não tenho madrinha, seria maravilhoso ter uma rainha como madrinha do meu casamento, você aceita?

– Nossa que convite maravilhoso, eu nem sei o que dizer, mas eu aceito sim, muito obrigada.

– Promete que vai mesmo ser minha madrinha?

– Claro que sim, fiquei lisonjeada com seu convite, é irrecusável. Aposto que você vai ser muito feliz, o seu noivo deve te amar muito.

– Sim ele me ama, e muito, e olha que faz tão pouco tempo que nos conhecemos, mas me apaixonei assim que o vi.

– E já vai morar com ele? Não imaginava que em meio a tanta calamidade, poderia ainda haver uma cerimônia tão festiva.

– Tirza quer patrocinar tudo, ela e Rabadash querem fazer a maior festa que Nárnia já viu.

– E o noivo? Me fala dele. Deve ser muito sortudo por ter uma moça tão linda como você.

– Ah ele parece me amar muito mesmo. É tão lindo, tão meigo, a presença dele é tão especial. Vamos nos casar depressa, bom já que não nos conhecemos ainda é cedo, mas será só daqui a 5 meses.

– E por que daqui a cinco meses?

– É porque a filha dele está grávida, e vamos nos casar junto com ela.

– Ah filha dele está grávida? – Susana se sentiu um pouco desconfortável com a informação, mas ainda não sabia o motivo, de tanta inquietação.

– Sim. Mas acredito que esses 5 meses passarão rápido.

– Ah passa sim. E quem é o noivo? – perguntou Susana voltando a ficar animada, coisa quase impossível de acontecer naquele castelo.

– Achei um homem tão especial que é rei. Ele se chama Caspian. Caspian X. E a filha que vai casar se chama Anna.

O semblante de Susana mudou em fração de segundos, a palidez ao ouvir o nome de Caspian se apoderou dela, e se a rainha não estivesse sentada cairia. Susana as roupas soltaram involuntariamente de suas mãos, e seus olhos se encheram, ficando pesados, sem falar da garganta que ficou seca e o coração destroçado.

– O que foi majestade? Se sente mal? Ficou tão estranha de repente, o que houve? – perguntou Sunamita preocupada.

– N-Não... nada eu... eu só estou um pouco – dizia se levantando depressa, sem ter consciência do que fazia.

– Parece atordoada majestade. Sente-se.

– Não é isso – a voz saía chorosa – eu só estou um pouco tonta. Prefiro ir deitar no meu quarto.

– Sim é claro, parece tão mal, precisa descansar. Ah e não se esqueça tá?

– Esquecer... esquecer o que? – ia para a porta cambaleante.

– Que vai ser minha madrinha oras – Sunamita sorria abobalhada – hoje mesmo eu vou falar com o Caspian, ele vai ficar tão feliz quando souber que uma pessoa tão nobre como a senhora aceitou ser nossa madrinha.

Mas Susana não respondeu mais nada, deu um sorriso forçado que a qualquer momento viraria um choro. Saiu correndo dali, e deu de cara com Rabadash, que a vendo sair daquele estado do quarto de Sunamita, sorriu por perceber que ela já sabia da verdade. Amor de Rabadash era cruel e sádico, ele não suportava ver Susana feliz, gostava de vê-la sofrer. Adorava vê-la arrasada e logo iria para o quarto se divertir com o sofrimento dela.

– Sunamita não esqueça de dizer ao seu noivo, que eu quero que a festa e a cerimônia sejam aqui. Eu vou bancar tudo, pode deixar, e não aceitarei um não como resposta.

– Ah sim, e eu pediu a sua esposa para ser minha madrinha.

– E ela aceitou – perguntou com um sorriso ordinário.

– Sim, ela prometeu, mas depois que disse o nome do meu noivo ela começou a passar mal e não pudemos conversar mais. Já que ela vai ser a madrinha você tem que ser o padrinho também.

– Oh claro será um prazer, uma honra – dizia quase gargalhando.

– Muito obrigada por tudo majestade.

– Não tem que agradecer.

– Tenho sim. O senhor é um grande homem, uma pessoa de bem. Tem um bom coração. Deve fazer sua esposa muito feliz.

– Que isso. Só cumpro com minhas obrigações, faço o meu papel de ser humano e cidadão de Nárnia. – respondeu cinicamente.

...

Rilian foi jantar na casa de Caspian, que convidou a família, lá estavam também, Edmundo e a família e também a família de Pedro, Lúcia preferiu não ir, e Helen e Joseph que também foram convidados ficaram com a filha mais nova. Caspian nem se atreveu a chamar Benjamim para evitar confusões. Quando todos estavam a mesa antes do jantar ser servido, Caspian surpreendeu à todos dizendo que que brigou com Susana e eles se separaram definitivamente. Os irmãos da rainha pediram explicações mais detalhadas, ele respondeu que eles tiveram muitas desavenças e que partiu da própria Susana a decisão de se separarem, falou também que se apaixonou novamente, mas ninguém engoliu a história. Contou que se casaria novamente, junto com Anna e Victor, todos se surpreenderam mais uma vez. Liliana principalmente quando descobriu que a prima estava grávida de Alvaro, mas se aliviou por saber que se casaria com Victor e não Alvaro. Caspian tentou passar uma falsa alegria, e falsa paixão, com a suposta empolgação do pai, até Rilian conseguiu assimilar o inesperado divórcio e a nova relação.

– Nossa pai, eu juro que fiquei muito surpreso com o divórcio, não esperava. Mas vejo que está feliz.

– Sim filho muito. Ela é uma ótima pessoa, vão adorá-la.

– E como ela é? É gata pai?

– Meu deus, eu é que queria casar com ela, muito mas muito gata mesmo. – disse Victor fazendo todos rir, menos Liliana.

– Safado, nem casou e já quer pular cerca. – Liliana jogou uma ameixa na cara dele.

– Calma Lili, eu que sou a noiva não ligo.

– Ela é muito linda filho. Muito linda mesmo. Logo logo está chegando.

– Não vejo a hora de conhecê-la. Ai estou muito ansioso, eu mesmo quero servi-la.

– Vamos comer logo, creio que ela não se importará.

– Espero que toda sua empolgação não seja passageira Caspian. – dizia Liliandill preoxupada.

– Eu a amo Lilian, tenho certeza disso – servia vinho para si mesmo.

– Comigo também foi assim. No começo jurava que me amava e estava numa empolgação só, mas esse amor e toda sua felicidade não duraram nem uma semana após o casamento.

– Ela tem razão Caspian, e você nem conhece essa moça direito, acabou de se separar. Ainda gosta da Susana, só deve estar chateado.

– Por que querem me frustrar? Querem me ver sofrer é isso? Será que não tenho o direito de ser feliz. – batia com a mão na mesa. – Parem de me aborrecer com essa história da Susana.

– E desde quando o nome da mamãe é motivo para aborrecimentos pai? – perguntou Carlos que assim como Anna estava alheio a tudo aquilo.

– O motivo do meu casamento até entendo, apesar de ser desnecessário, mas o seu papai, nunca vou entender.

– Eles já estão na mesa? – a voz de Sunamita vinha no fundo, e Trumpkin que morava no navio respondeu que sim.

Todos ficaram espantados com tamanha beleza e simpatia da moça, mas Rilian parecia ter visto um fantasma. Foi o único que teve reação diferente dos outros, todos sorriram e a cumprimentaram, mas ele em um ato de desespero, ele jogou toda a comida que acabara de ser servida no chão.

– Rilian o que foi isso? – levantou Caspian assustado como todos.

– Não pode ser... o que é isso? Não pai, você não fez isso comigo. É um pesadelo o que está acontecendo? – o rapaz estava muito, mais muito chocado, não sabia se era por ela ter pernas e andar ou se era por ser a noiva de seu pai.

– O que não pode ser Rilian? – perguntava Caspian assutado.

– Isso é jeito de receber sua madrasta? – dizia Edmundo.

– Está tudo bem rapaz? – perguntava Sunamita sem se lebrar de Rilian.

– Pai não me diga que... não me diga que ela é... – Rilian agarrava Caspian pela roupa.

– Ela é a minha noiva filho, Sunamita, era uma sereia que se tornou humana. Vá cumprimenta-la Rilian, parece que viu um fantasma.

– Não pai, você não pode se casar com ela... ela é – Rilian foi se aproximando da jovem – ela é minha – e a beijou a força deixando todos de boca aberta.

– O que é isso Rilian? Larga a minha noiva – Caspian o puxou pelo ombro, e o rapaz se virou indignado.

– Explica pra ele Sunamita. Vai fala pra ele. – pedia nervoso.

– O que? Eu nem te conheço, nunca o vi antes. – respondia confusa.

– Não faz isso Sunamita, não mente.

– O que foi Rilian? Por que está tentando estragar o meu jantar?

– Pai eu amo a Sunamita desde quando ela era sereia. E nãoi sei o que aconteceu, coisas estranhas vem acontecendo, a Roberta virou sereia e a Sunamita mulher. – dizia rápido e gaguejando. – Mas eu a amo pai, e não acredito que ela é sua noiva, ela vai se casar comigo.

– Eu não sei do que ele está falando Caspian. – a moça se aninhou nos braços de Caspian. – Deve ser porque perdi a memória. Rilian eu te amava? – perguntou diretamente para ele, e todos assistiam tudo sentados, como se fosse um filme. Com a pergunta da moça o príncipe ficou sem palavras.

– Não. Não me amava. Mas porque sereias não tem sentimentos. Um dia você ia me amar, ainda vai me amar.

– Eu amo o seu pai, e é ele que eu quero na minha vida.

– Não fala isso amor – pedia chorando tentando abraça-la mas Caspian o impediu.

– Sinto muito filho, mas nos amamos e vamos nos casar.

– Como pode fazer isso comigo? Eu sou seu filho, você ama a musa, a Sunamita é minha.

– Rilian isso vai passar, você já namorou tantas moças, vive se apaixonando, amanhã já estará interessado em outra.

– Por ela é diferente, não é brincadeira e nem aventura eu a amo.

– Daqui a cinco meses vamos nos casar Rilian, e você vai ter que aceitar.

Rilian ficou extremamente magoado, e prometeu que enquanto seu pai não desistisse daquela loucura, não voltaria a colocar os pés lá. Também disse que era melhor Caspian esquecer que era seu pai. Todo os presentes não sabiam se ficavam ou se iam embora, o clima ficou tenso e estranho, apenas Anna e Carlos seguiram Rilian, que saiu do navio as pressas. Caspian resolveu que a janta seria novamente servido.

– Querido eu recebi um ótimo presente de casamento.

– É? O que? – tentava disfarçar o nervosismo.

– O Rabadash nos ofereceu o castelo para fazer a festa, e ele vai bancar todas as dispesas.

– Sua noiva é amiga do Rabadash Caspian? – perguntou Pedro indignado, e Sunamita não entendeu porque a expressão de todos mudaram.

– Calma Pedro, depois eu explico, Sunamita perdeu a memória e foi acolhida por eles.

– Deve ter sido a Susana que a acolheu – defendeu Jill e todos concordaram.

– Ah falando na rainha Susana...

– O que tem ela? – Caspian não conseguiu esconder o interesse.

– Ela vai ser a nossa madrinha de casamento. Ela e Rabadash, a Susana adorou o convite. – Caspian se assustou com a notícia, sentiu mais raiva ainda.

– Aposto que eles vão adorar. – respondeu em seguida com ironia. – Principalmente Susana.

– Caspian você não vai aceitar esse absurdo né? Casar no castelo deles?

– Sim, eu vou aceitar, nosso casamento será patrocinado por Rabadash, no castelo.

...

Susana se jogou na cama e chorou sem parar, o corpo todo doía como se tivesse apanhado. E Rabash foi lá incomodá-la.

– Chorando tanto por que querida? A cama vai ficar toda molhada. – disse com um sorriso enorme que Susana não pôde ver, pois estava com o rosto afundado no travesseiro.

– Me deixa em paz por favor. – Dizia baixo e entre soluçõs.

– Vai chorar ainda mais quando souber que sua filhinha vai se casar, mas não será só de emoção não, porque seu amorzinho vai casar também, e adivinha, com a mulher que seria a futura nora. Isso mesmo, com a mulher que Rilian ama.

– Foi você não foi? – perguntou tremendo com o rosto banhado.

– Eu? Eu não sou tão gênio assim. Eles se apaixonaram por livre e espontânea vontade.

– Não acredito. Caspian me ama.

– Tem certeza? – perguntou deitando ao lado dela, mexendo com seu cabelos – eles até nos convidaram para padrinhos sabia? Gosto desse Caspian, convidar a ex-mulher para ser madrinha quer dizer que ele não guarda rancores.

– Por que não me mata logo? Não é isso que você quer? Acho que me odeia.

– Eu te amo. E sabe amor... vamos nos casar com eles também. Mas ninguém vai saber, será surpresa. Sua filha e um tal de Victor, Caspian e Sunamita, eu e você, em um casamento só. Não vejo a hora.