Nárnia Além Da Vida Parte II
13 Desesperados Parte II
Notas iniciais
Leiam a letra da música no final, pois ela inspirou esse capítulos, e acho que tem tudo haver com o momento.
Benjamim que estava armado com uma besta, furioso, apontou rapidamente para a cabeça de Alvaro, pois não suportava mais ver sua irmã ser humilhada e não fazer nada, mesmo que isso custasse sua vida, ele faria, e Tirza, astuta como sempre, com seus magníficos e melhorados poderes, desviou as mãos de Benjamim deixando que a besta ficasse apontada para a cabeça de Anna.
– Atreva-se a atirar agora meu rapaz – disse vitoriosamente, e o rapaz impotente, com dificuldade abaixou a arma e a bruxa o jogou para longe.
– Deixe os meus filhos em paz! — pediu Susana com mais força na voz e ganhando mais coragem.
– Digam-nos como chegaram aqui! — pediu Pedro
– Tudo bem rapaz – respondeu Miraz.
– Com certeza isso tem dedo seu, não é tio André? — Digory se pronunciou pela primeira vez.
– Tio não meu caro, você tem mais cabelos brancos que eu, e parece muito mais velho. — respondeu André.
– Claro que tenho mais cabelos, você é careca! — respondeu com desdém.
– Vão ou não nos explicar? — perguntou Edmundo fuzilando Jadis com o olhar.
– Calma querido, deixa eu te explicar, sei que tem saudades da minha voz – Edmundo bufou ao ouvir a cínica. — Isso é simples. André criou outros anéis mágicos, qualquer anel pode se tornar um anel mágico contanto que Tirza ou Tash usem seus poderes.
– Quer dizer que você virou uma inútil? — perguntou Edmundo.
– Quero ver você zombar de mim, quando seu filho estiver morto – respondeu friamente e Edmundo engoliu em seco. — Mas tem um porém, só uma pessoa pura poderia utilizá-los, então como Alvaro era o único limpo entre nós, foi ele quem chegou primeiro.
– Se só ele era puro como vocês entraram também? — perguntou Cornélius
– Corrompendo todos vocês. — respondeu Rabadash, para o horror de Susana, já que não conseguia acreditar que ele estava ali. — Tudo começou quando Anna se apaixonou por meu filho Alvaro, foi uma brecha para que Jadis também pudesse entrar, e bom o pequeno Edward contribuiu com a entrada de Miraz.
– O que meu filho tem haver com isso? — indagou Edmundo quase se descontrolando.
– Continuando – disse o ridículo piscando para Susana, como fazia quando tentava conquistá-la. — Bom, um foi dando legalidade para que outro entrasse, mas tudo se completou quando Tirza, a dama de verde para quem não sabe, seduziu o príncipe Rilian e ele caiu, isso foi a perdição de vocês. Sabem, Nárnia só teve reis e príncipes inconsequêntes.
– Mudando de assunto — disse Jill Pole – Se Susana entregou ao Edward o elixir de Lúcia, como você Jadis, conseguiu pegá-lo? Em nossa casa não há elixir nenhum, nem o mínimo sinal de que o remédio esteve lá, então como você transitou pela aldeia e entrou em nossa tenda?
– Com a ajuda de um antigo servo – disse Tash, para o arrepio de todos. Neste momento, Emeth deu uns passos para frente se apresentando no meio da multidão, e se ajoelhou aos pés de Tash.
– Meu senhor, espero ter ajudado. — disse o traidor
– Emeth como você pôde? – perguntou Tirian espantado
– Quem nasceu para servir a Tash, jamais serve a Aslam – respondeu Emeth
– Maldito! Miserável! Maldito calormano, você acabou com a vida do meu filho. — esbravejou Edmundo. — É isso que dá confiar em calormanos, isso é para você Anna. — espetou a sobrinha
– Não seja injusto Edmundo, a Anna não tinha como saber. — Defendeu Lúcia
Rabadash não tirava mais os olhos de Susana, e a rainha desde o começo sabia que eles não estavam ali apenas para ridicularizar sua filha, e se abraçava ainda mais a Caspian, com medo do que estava por vir.
– Já chega! – gritou Rabadash fazendo Susana estremecer. — Temos coisas muito mais importantes para tratar. É sobre você minha rainha. — Caspian apertou Susana, e mais uma lágrima escorreu pelo rosto dela.
– Digam logo o que querem – pediu Pedro.
– Eu quero... — Rabadash tentou dizer, porém foi impedido por Tash
– Eu vim buscar o que me pertence.
– Aqui nada te pertence – disse Benjamim prevendo o que viria após.
– Não tem medo de morrer? — perguntou o abutre confrontando o rapaz.
– Não! A única coisa de que tenho medo é do seu bafo. — disse entredentes
– Benjamim não o provoque – implorou Rilian.
– Susana, a alma dela é minha e eu vim buscá-la – Soltou de uma vez, e Susana em total desespero afundou o rosto no peito de Caspian. O povo se revoltou e começaram a protestar – Ninguém vai levar nossa rainha! — uns diziam. — Mas quem puxou a espada foi Caspian, sem nem pensar direito no que estava fazendo, este queria partir para cima de Rabadash e fez sinal para que Benjamim atacasse Tash. Rabadash também sacou sua espada com destreza e ameaçou o rei.
– Sabe que não tem saída, mas se quiser morrer de uma vez, farei isso com todo o prazer. Esperei muito tempo, para acabar com a vida do verme que roubou minha mulher.
– Nunca mais diga que ela é sua mulher – Caspian rangeu os dentes. Susana com medo do que poderia acontecer com seus grandes amores, afastou Caspian de Rabadash e implorou para que Benjamim guardasse sua espada. Mas o garoto não obedeceu, seu sangue fervia e Benjamim mesmo sendo guerreiro nunca sentiu o ardor de uma batalha e a vontade de acabar com Tash era grande. Mas quando o rapaz tentou acertar o deus calormano, este fez a esada de Benjamim virar pó.
– Quem mais se atreve? — perguntou Tash aos narnianos
– Saiba que tenho coragem de sobra para acabar com todos vocês! — disse Liliana ironicamente
– Não se meta nisso Liliana! — pediu Lilian querendo engolir a filha
– Escute sua mãe Liliana, já percebi que a violência não nos levará a nada. — disse Pedro.
– Saibam que eu vim para buscar Susana, ela é minha e a alma dela me pertence.
– Como assim te pertence? Ela está aqui porque Aslam a aceitou. — disse Caspian convicto de que a esposa se safaria dos bárbaros
– E onde ele está? — devolveu o abutre
– Ele vai voltar, se pedirmos qualquer coisa em seu nome ele atenderá, foi assim comigo. — disse Rilian
– Lembre-se de o mascote de vocês não tem mais poderes. Aquele gatinho de estimação nem sabe o que está acontecendo. — falou Jadis sarcástica
– A trompa mágica de minha filha Susana o chamará. — Quando Tumnus disse isso, Anna ficou ainda mais arrasada ao lembrar-se que entregou a trompa a Alvaro, e além de se odiar, o odiou ainda mais. No olhar dela havia uma coisa, que nunca foi vista antes em um rosto tão angelical como o dela, ÓDIO. Anna queria matá-lo e se pudesse, o faria.
– Infelizmente vocês não a têm mais. — disse Alvaro, fazendo Anna olhá-lo não como uma vítima sofrida, mas como um animal selvagem faminto. — A princesa Anna me deu o trompa de presente, pelos meus serviços prestados.
– Já dissemos que viemos tratar de coisas mais importantes. Susana se esqueceu de Nárnia, portanto perdeu os direitos de vir para este lugar. Me agradeçam por eu ter esperado tantos anos, não devia nem ter permitido a entrada dela aqui. Amanhã voltarei para buscá-la.
– Amanhã? Tão rápido? Vão me levar aonde? — perguntava Susana se atropelando nas palavras de tanta angústia
– Levá-la? Como assim? Deve ter algum jeito, alguma forma, algum jeito de livrar Susana desse castigo. — dizia Caspian tão assustado quanto Susana
Rabadash deu uns longos passos, e parou bem em frente a Susana, ela estava completamente assustada, nunca sentiu tanto medo em sua vida, nunca. Rabadash a tirou dos braços de Caspian, que impotente, não tinha reação, Rabadash acariciou delicadamente o rosto de Susana e disse:
– É claro que tem um jeito minha rainha. Pra tudo tem um jeito, e é pra isso que eu vim, pra te salvar, pra te ajudar. Eu tenho a solução, mas preciso da sua colaboração e desse traste aí – disse apontando para Caspian com a cabeça – somente a renúncia.
– Renúncia? Renunciar o que? — perguntava Caspian apavorado.
– Você amor, eu quero você – disse Rabadash quase beijando Susana na boca, esta por sua vez, desviou e recebeu um beijo frio no rosto.
– Solta ela! Solte a mulher agora, eu não sei o que você quer insinuar, mas a Susana é minha. Minha mulher e minha esposa. — disse Caspian se aproximando dela novamente e a tirando de Rabadash.
– Como eu disse, a vida de Susana dependerá de sua renúncia. Acho que fui bem claro, mas se quer que eu desenhe. Tash tem direito a alma de Susana, e nada e nem ninguém pode impedí-lo, se Susana for para o abismo conosco, digamos que ela conheceria um verdadeiro inferno! Entendem agora? Se não aceitarem minha condição Susana sofrerá eternamente, e vocês nunca mais a verão, ela será castigada e martirizada dia e noite. É isso que acontece com todos os traidores, o que aconteceu com todos que não vieram para o paraíso, na última batalha.
– E que condição... — dizia soluçando – é essa? — falou encostando-se no peito de Caspian.
– Amor... eu esperei tanto por isso. Você já sabe, mas terei todo o prazer de dizer, quero que você seja minha, que venha comigo, que seja minha esposa, minha rainha, que case comigo como sempre sonhei. — dizia como um doente que acaba de fugir do hospício, e todos perceberam o quanto ele estava louco.
– Nunca pensei que sua doença fosse tão grave – dizia Tumnus horrorizado com a proposta – achei que fosse apenas um capricho de um príncipe mimado, nunca pensei que você pudesse chegar tão longe!
– Não! — disse Susana perplexa. — Eu não posso – um, dois, três e novamente desabou – Não Caspian, não deixe ele fazer isso comigo, por favor meu amor, não deixe que ele me leve. Eu imploro Caspian, faça alguma coisa, eu tenho horror a esse louco, tenho medo dele. Não permita que ele me leve. — Suplicava Susana quase fora de si, também parecia uma louca, ela tinha terror a Rabadash, e preferia morrer a ter que ficar com ele. Isso só fazia Caspian se sentir pior, pois não sabia o que fazer, seu corpo doía e sua ama mais ainda, mas não sabia o que fazer, qualquer reação mal planejada poria a vida de Susana em risco, com a dele ele não se importava Susana era sua vida. A rainha implorava ajuda ele agarrando-se em suas vestimentas e também precisou suplicar aos amigos que fizessem alguma coisa – Por favor, me ajudem, Pedro, Edmundo, Pai... alguém, Aslam? — Susana estava tendo um surto e o coração de todos ficou bem apertado e pequenininho ao ver a rainha desse jeito e não poder ajudar, principalmente sua família, Carlos estava entrando em desespero e Benjamim e Anna, nem se fala.
– Ninguém pode fazer nada amor, só eu, essa é a sua chance, me aceita vai. Tenho certeza de que em pouco tempo você estará completamente apaixonada por mim, além do mais você ficará comigo de qualquer jeito, aqui ou lá. Lá eu não poderei fazer nada por você, mas aqui... aqui eu posso te dar todo o amor do mundo, todo o amor que eu tive que conter em mim por todos esses anos. Eu vou te fazer muito feliz Susana, mas se você me desprezar, não será só a sua alma que correrá perigo, mas a de sua família também, e todos os que contribuíram com a nossa chegada aqui, e esse fedelho do seu sobrinho moribundo, será o primeiro a pagar, lembre-se de sua filhinha também, e seu querido enteado. Saiba que lá, você será minha de qualquer jeito, mas eu quero te dar a oportunidade de ter uma vida tranquila ao meu lado, e quem sabe até te permito receber visitas.
– Não – gritava. — Não eu não aceito. Prefiro sofrer as consequências de meus atos, mas deixe minha família fora disso. Se quer me levar, acabe com isso de uma vez. Eu me rendo – agora implorava por seu castigo, qualquer coisa seria melhor do que fingir ser feliz com Rabadash.
– Então se é assim amor, vamos! — Rabadash a puxou pelo braço.
– Solte ela, aceitaremos a proposta. — disse Caspian puxando-a novamente para si. E isso foi a coisa mais dura que ele teve que dizer na vida, mas sabia que no dia seguinte diria uma coisa muito pior: adeus.
– Não isso não, Caspian eu não vou suportar...
– Então o que acha de uma troca Rabadash, a minha alma pela Susana. O que me diz Tash?
– Não eu não aceito trocas, quero Susana, o que eu faria com você? Essa é a solução, ou Susana vira a minha mulherzinha ou você vai sofrerá amargamente por não ter dado a ela a chance de ter a salvação.
– Salvação? Viver com você é salvação? Prefiro morrer e arder no mais profundo dos abismos, até ser devorada por esse abutre, mas com você eu não fico.
– Tenho uma proposta melhor, Eu e meu pai nos entregamos no lugar de Susana. — disse Rilian – duas almas por uma.
– Pensem bem na proposta de meu filho, e deixem minha esposa em paz.
– Três almas pela vida de Susana – disse Liliana fitando Rabadash friamente
– Não façam uma loucura dessas — disse Susana. — Por favor eu já tomei a minha decisão.
Miraz cochichou alguma coisa no ouvido de Rabadash e a sugestão do tirano, pareceu agradar o tisroc. Tash não se metia na negociação, o que ele queria era o alma de alguém, não importava quem fosse, ele sentia que conseguiria muitas.
– Esses vermes não me interessam, mas recebi uma ótima sugestão... a princesa Anna, pela rainha Susana. Miraz adoraria brincar um pouquinho com ela.
– Minha filha não. Deixem ela em paz – falava Susana ainda mais assustada com os rumos que a conversa estava tomando, e queria acabar logo com aquilo.
– Por mim tudo bem mãe, minha vida não tem mais sentido mesmo. E sei que mereço, não me importo de ser levada por eles.
– Susaninha você nem imagina o que faríamos com ela, tão jovem, tão linda e delicada, até me serviria bem, já que é bem parecida com você. Acho que os rapazes concordariam, Alvaro, Miraz, André e eu tiraríamos um bom proveito dessa coisinha linda.
– Não fale assim de minha filha. — bufou Caspian irritadissimo com a brincadeira de mal gosto. Ele virou a esposa para si, e tentou convencê-la – Susana olhe bem pra mim, vai ser melhor assim, de que adianta deixar você ir para o inferno com eles? Você não ssabe o quanto é duro pra mim, mas eu prefiro que você fique com Rabadash, me perdoe amor mas agora não posso fazer nada. — disse segurando o rosto dela, tentando secar algumas lágrimas. A frase mais difícil para ele saiu – amanhã podem vir buscá-la, nesse mesmo horário.
– Fizeram a escolha mais lógica, amanhã virei buscá-la...
Anna lembrou da famosa frase de Tumnus: Quando amamos uma pessoa, precisamos deixá-la ir. E era isso que seu pai estava fazendo, precisava deixar Susana para o próprio bem dela.
Enquanto os inimigos partiam vitoriosos, um grande silêncio tomou conta de todos, ninguém sabia o que dizer, o que fazer. Infelizmente foi o dia mais triste no lugar mais feliz do mundo, nem a natureza era mais a mesma, nem o sol e o verde da floresta queriam reagir, até eles choravam pela derrota de Susana. Não havia forte nem fraco, rei ou guerreiro, eram apenas almas tristes com os destinos traçados, a dor de todos era a mesma, se um sofresse todos sofriam, ainda mais se fosse por alguém tão especial quanto Susana. Ela ainda não com seguia acreditar no que acontecera, estava sendo tão difícil, tão duro, Susana percebeu que nunca havia sofrido em sua vida, nem a morte de seus pais e irmãos foi tão doloroso, como o terrível momento em que ela vivia agora e sabia que tudo ficaria muito, mais muito pior. A multidão ia se desfazendo aos poucos, todos iam para suas tendas devagar e desanimados, Edmundo e Jill iam abraçados e Edmundo queria desabar só em pensar no que seria, quando visse Edward perdendo sua vida em casa, o medo era muito grande, o que Jadis queria? Por quanto tempo seu filho resistiria a fome e as pestes? Jill olhava para ele tristemente sem esperança nenhuma. Além da dor de perder o marido, agora Lúcia sentia a dor de perder sua irmã mais uma vez, tinha tanto medo de que algo acontecesse com Roberta e Lúcio, dava graças por seu filho não estar envolvido em nada disso, mas temia tanto por Edward e Susana, e o dó que sentia de Anna superava tudo. Rilian nem sabia o que fazer, tinha tanta vergonha e se sentia tão culpado, o rapaz nunca foi tão infeliz em toda sua vida. Com Anna não era diferente, se sentia a mais responsável pelo ocorrido, se não tivesse se apaixonado e se entregado a Alvaro, os outros não teriam entrado, seu primo estaria bem, Rilian não se sentiria assim, e qualquer coisa teriam a trompa e até nisso ela falhou. O que faria quando chegasse em casa? Seu pai parecia tão decepcionado, tão arrasado, era difícil distinguir quem estava pior, como ela olharia para seus pais? O que diria? Como olharia para as outras pessoas, se certamente todos a acusariam por tudo o que estava acontecendo. Mas ninguém se importava com isso, as pessoas que estavam lá eram realmente puras e não gostavam de julgar os outros, tinham pena da jovem e agradeciam por esse triste acontecimento não ter ocorrido com suas filhas. Ela era acompanhada pelos avós que não diziam nada pelo caminho. Liliana e Benjamim tentavam pensar em alguma coisa para ajudar Susana, e Pedro os parabenizou pela coragem deles, já Lilian reprimiu os dois, dizendo que eles poderiam ter morrido por nada, já que aqueles infelizes não eram de cumprir promessas. Com o tempo Caspian e Susana perceberam que não havia ninguém lá, então calados e amargurados até a morte foram caminhando devagar lado a lado.
Chegando na aldeia, Lúcio que estava perplexo com o que ocorrera e do perigo que correu por se relacionar com Miraz, foi para um canto reservado como gostava de ficar sozinho, mas ouviu uns gemidos baixos. Quando chegou perto viu quem se lamentava, era Carlos a pessoa que ele mais detestava, Carlos estava sentado em uns caixotes e chorava como nunca, aliás Lúcio nunca o viu chorar e sentiu pena, muito pena do primo. Carlos estava descontrolado e Lúcio percebeu o quanto o primo se sentia sozinho, com a mão no rosto Carlos gemia e chorava pensando na aflição dos pais e dos irmãos. Se sentia tão impotente por não ter feito nada, parecia que o coração do garoto ia explodir de tanta tristeza, e Lúcio sentiu seu coração doer muito ao ver aquela cena. E se fosse sua mãe? Se Lúcia e Roberta estivessem no lugar de Susana e Anna, Lúcio não aguentaria, ele sentia tanta pena, queria tanto fazer algo por Carlos, e mesmo que o ´´odiasse´´ partia o coração ver seu primo sofrer desse jeito, ele sabia muito bem o que era se sentir sozinho, mas essa situação não se comparava aos seu complexos de inferioridade. Lúcio percebeu o quanto sua vida era boa, o quanto ele era feliz sem saber, e também sentiu um aperto ao reparar que separou seus pais, que deu ouvidos ao inimigo. Carlos sentiu a presença de alguém e levantou o rosto, ficou surpreso ao Lúcio o olhando com os olhos cheios d´agua.
– Vo... você aqui? — disse com dificuldade e Lúcio quebrou as barreiras emocionais e foi abraçá-lo. Ele apertou o primo bem forte e chorou junto com ele, Carlos ficou muito agradecido pelo gesto de Lúcio. Os dois ficaram abraçados sem dizer nada, apenas um sentindo a dor do outro, Lúcio queria dizer umas palavras de consolo, mas não sabia o que dizer, não era bom com palavras, mas para Carlos isso não importava, só em ter o apoio do primo era suficiente para aliviar um pouco a sua dor.
– Vai ficar tudo bem, eu tenho certeza. — Lúcio quebrou o silêncio.
– O pior de tudo é ver minha família desse jeito e não poder fazer nada, sou um inútil.
– Não diga isso, você não sabe o que é ser um inútil. — disse Lúcio olhando para sua perna que doía por estar ajoelhado.
– De que adianta eu ter duas pernas e dois braços perfeitos se não sei lutar? — disse com os olhos ainda marejados
– Já vimos que não venceremos essa batalha por meio da guerra.
– De qualquer jeito eu não posso fazer nada, nunca servi para nada. Sou apenas um enfeite na família Pevensie, nem mereço ter o sobrenome Caspian XI.
– Que isso sempre te achei tão importante.
– Importante eu? O eu já fiz de importante? Importante é você, seus pais e todos te amam e se preocupam com você. Faria qualquer coisa para estar no seu lugar.
– Não diga isso, está louco? Querer ficar no meu lugar? E meu pai e os outros não se importam.
– É você que não enxerga isso, se afasta tanto das pessoas que não percebe o quanto é importante.
– Então porque meu pai não liga pra mim? E nunca está comigo?
– Seu pai só fala em você o tempo todo. Já estou até enjoado do Robert, e ele está sofrendo tanto por você odiá-lo.
– Eu nunca disse isso, nunca disse que o odiava. — disse Lúcio sério.
– Mas ele acha que sim, sempre achou isso. Sempre teve medo de não ser o pai ideal pra você.
– Então por que ele quer ir embora? — disse chateado.
– Porque é difícil pra ele ver o quanta mágoa você tem dele. Robert acha que você merecia ter um pai melhor, e quer ir para que sua mãe refaça a vida dela, que se case com outro.
– Me desculpe Carlos. Por tudo, por sentir tanta raiva de você.
– Tudo bem, eu gosto muito de você Lúcio, e saiba que sua companhia está me fazendo muito bem.
– Eu gostaria de... ser o teu irmão.
– No meu coração sempre foi...
Anna chegou ao peregrino da Alvorada acompanhada de Helen, Joseph e Tumnus. Não tinha coragem de encarar os pais, e tinha medo do que diriam quando chegassem. Seus avós não deixavam de consolá-la quando seus pais chegaram, Anna esperava na entrada do navio e quando os pais entraram ela foi atendida apenas por Susana que a abraçou, Caspian nem quis olhá-la e passou direto por ela, o que a fez se encolher nos braços de sua mãe e chorar ainda mais.
– Caspian volte aqui. — pediu Susana, mas o pai da família não queria saber da filha, estava de cabeça quente e seria grosso com por isso foi direto para o quarto.
– Ele nunca vai me perdoar mãe. Me desculpa por favor, me perdoa.
– Não tem que me pedir perdão amor, e seu pai, dê um tempo a ele. — disse Susana conduzindo-a até o quarto da jovem, e foram seguidas por Tumnus, Joseph e Helen.
Quando Emundo e Jill chegaram em casa, resolveram que não diria nada a Edward, contara ele o que estava acontecendo com ele mesmo, não devia ser bom para a saúde do garoto. Jill foi dar um banho em Edward e Edmundo a ajudou a carregá-lo, quando deixou o garoto na banheira, Edmundo voltou para ver se achava algo que tivesse haver com Jadis. O rei procurava pela casa e nada, olhou em baixo da cama, dentro dos jarros, nas roupas de Ed, devia ter alguma coisa. Cansado de procurar por toda a cômoda, jogou uma gaveta no chão com raiva, e viu que esta gaveta tinha um fundo falso, pegou a gaveta e abriu o fundo desta. Quando pegou o conteúdo secreto da gaveta levou um susto, ao ver um pote familiar e ver que dentro dele haviam os doces preferidos de Edward: Trufas. Edmundo sentiu um forte arrepio e deixou o pote cair, entendeu tudo e colocou as mãos no rosto sem saber o que fazer.
– Liliana seu pai por estar nervoso, pode não ter percebido, mas quero saber de onde você conhece aquele desgraçado?
– Não me enche, não vou dizer nada. Hoje o dia foi cheio e apenas começou.
– Quem é aquele rapaz? E de onde você o conhece? — disse segurando o braço da filha
– Tudo bem, se você insiste. Se lembra que eu disse que estava apaixonada? Era por ele, é ele que eu amo mamãe. — assim que Liliana terminou a frase Lilian deu um forte tapa na cara dela, não acreditando no que ouvira
– Você quer me dizer que contribuiu para a nossa desgraça? Você ajudou aqueles malditos? Liliana como você pôde? — perguntou histérica
– Como pode me bater? Eu não contribui com nada, ao contrário, tentei impedir que Alvaro fizesse isso. Até tentei falar com você, mas como você é uma mulherzinha fútil não me ouviu.
– Não fale assim comigo, sabe que está errada. Então você sabia que aquele infeliz ia fazer isso e não nos disse nada?
– Eu não sabia exatamente o que ele queria. Mas Alvaro vai se arrepender e quando isso acontecer vou me casar com ele. Tenho certeza de que Anna não vai perdoá-lo, então ele ficará comigo.
– Nunca mais repita uma loucura dessas. Então você quer as sobras de sua prima? Você é realmente uma invejosa.
– Você é que não deve falar comigo desse jeito, eu não sinto inveja da Anna, nunca senti. Se quisesse poderia ser melhor que ela, mas quero ser eu mesma, aliás eu também tenho o direito de ser feliz.
– Tire esses pensamentos inúteis de sua cabeça, prefiro morrer ao vê-la com um miserável desses, e se o ama tanto nem diga isso ao seu pai, ou ele certamente o matará. Liliana antes que se destrua como sua prima, eu caso você com outro, qualquer um, mas com esse maldito você não fica! — disse Lilian fora de si
– Me casar? — perguntou incrédula. — Com quem? Com o seu queridinho, o traidor do Emeth?
– Todos nos enganamos com aquele rapaz. Mas em breve, em breve, arrumarei um casamento para você. Um homem que te domine, e tira essas loucuras de sua cabeça.
– Pra ser infeliz assim como você foi com Caspian? Um fantoche do seu papaizinho? Eu não serei, prefiro que você me odeie, mas nunca serei a filhinha que você quer, nunca me casarei com outro homem que não seja o Alvaro e se você me obrigar, eu prefiro que você... morra. — disse antes de sair correndo
…
Depois de deixar Anna aos cuidados de seus pais, Susana dirigiu-se para seu quarto, em breve ela partiria e precisava aproveitar o resto do tempo ao lado de Caspian. Ele estava sentado na cama de lado e percebeu quando ela entrou. Silencioso não conseguia dizer nada a amada, se sentia muito mal e infeliz, sentia-se culpado por não poder ajudar a Susana.
— Me perdoa, por não ter feito nada, por não te ajudar, por ter te entregado tão fácil a ele. — A vergonha era tanta que ele nem conseguia olhá-la, Susana subiu ajoelhada na cama, e abraçou as costas dele.
– Não é sua culpa. Me desculpe, eu perdi o controle e te deixei ainda pior, sabia que alguma coisa ruim estava para acontecer, mas não pensei que fosse tão grave. — dizia com a voz fraca e triste, se segurando para não chorar de novo.
– Entenda que também é muito difícil pra mim... nossos filhos... eu não esperava.
– Não foi culpa deles, esse é o meu passado voltando e nossos filhos e sobrinhos não merecem ver esse sofrimento e pagar por meus erros.
Caspian se levantou da cama e passou as mãos nos cabelos, como se quisesse arrancá-los.
– O que vai ser de mim Susana, o que eu vou fazer sem você... mais uma vez, mais uma vez você vai me deixar e eu acho que não vou suportar isso – agora ele teve que chorar, e por incrível que pareça, Susana se sentia mais forte que ele. Só um pouco mais forte, mas não com forças o bastante para segurar o choro. Ela se levantou da cama e foi até ele, Caspian se virou, mas agora eles ficaram mudos. Se olhavam frente a frente, um com pena do outro, um secava as lágrimas do outro, um sentia a dor do outro, mas os dois se sentiam perdidos, da mesma forma.
A cada segundo os dois ficavam mais próximos... até que seus lábios se encontraram, e eles se beijaram, não como sempre, não era aquele beijo calmo, terno, e cálido, paixão tinha, muita paixão, mas também havia desespero e angústia, como se quisessem aliviar todas as dores com aquele beijo. Beijo longo e eterno, que não lhes tirava o folego, pois esse já tinha sido tirado na ágora, por aquele... Rabadash.
Caspian parou de beijá-la e começou a fitá-la, Susana também retribuiu os olhares apaixonados, os intensos olhos azuis dela pediam socorro, ajuda, falavam mais que mil palavras. Os olhos de Caspian diziam eu te amo e tudo vai ficar bem, os dois não precisavam de palavras, suas almas se completavam, mas sabiam que precisavam aproveitar bastante o tempo, não tinham certeza se tudo realmente ficaria bem, mas tentavam acreditar. Caspian passou os dedos pelo pescoço dela, e sem resistir passou a beijá-los, Susana forçava a cabeça dele contra seu pescoço, ela acariciava os cabelos dele, precisava sentir seu cheiro, sentir seu toque. O rei ainda em silêncio, a virou de costas para si e começou, lentamente a despir-lhe o vestido, ao livrar-se das roupas de sua esposa, tirou também as suas com calma, como se tivessem bastante tempo. Uma vez em Nárnia em apenas um minuto eles se despediram, mas agora era muito mais duro e difícil, agora eles tinham uma vida juntos, uma trajetória, uma família, um legado, o amor deles era um exemplo para todos, e eles nunca imaginaram que se despediriam outra vez. Acreditavam fielmente que sua última despedida tinha sido na tarde ensolarada em um jardim na casa de Susana, aquela despedida também não foi tão dolorosa, os dois tinham uma promessa, uma esperança. Mas se eles venceram a distância entre dois mundos, a diferença dos tempos, o estilo de vida, as impossibilidades, e ficaram juntos quando tudo parecia impossível, duas vezes, já que outra vez Susana esqueceu-se de Nárnia e de Caspian, mas o amor deles era maior que isso e venceu, e agora venceriam de novo. Era apenas mais uma batalha, talvez a mais árduas de suas vidas, mas eles eram bons soldados e certamente venceriam, seria difícil, triste, angustiante, mas o amor deles era maior que os mundos, os mundos que os dividiam, e Rabadash não poderia ser maior que eles.
Quando se deram conta, já estavam se amando na cama, desesperadamente, ardentemente, pareciam duas brasas acesas, mas isso não significava que estavam bem, ao contrário, estavam mais sofridos que nunca, sentiam as lágrimas rolarem do rosto do outro, mas estavam unidos e agora eram um só. Permaneciam em silêncio naquela manhã fria e sombria, seus corpos colados não se desgrudavam nem para os mais prazerosos movimentos, Caspian as vezes era um pouco rude e descontrolado, chegava até a machucá-la, não porque queria, mas porque estava simplesmente desesperado, em resposta era arranhava suas costas, e assim eles ficavam quites. A tarde chegou, mas ainda sim, mesmo com seus corpos exaustos e molhados não se separavam, continuavam se amando intensamente, não queriam saber de descanso, só queriam estar assim, juntos para sempre. A noite chegou e eles permaneciam juntos, já não aguentavam mais, não diziam nada, só choravam e se amavam, o que mais importava? E se nunca mais pudessem ficar juntos? É bom aproveitar cada segundo juntos, antes que a verdadeira escuridão se aproximasse e destruísse o amor mais puro. Era justo? Os dois se amavam e se correspondiam, tinham uma família, não era justo. Uma hora eles tiveram que parar, a meia noite, seus corpos doíam e quase não mais respiração, quase morreram, não se alimentaram o dia todo, estavam encharcados de suor e ofegantes. O peito de Caspian arfava e Susana deitou-se sobre ele, as lágrimas dela molhavam o peito dele, e ela gemia baixo, sentia o coração dele acelerar por vê-la chorar desse jeito. Mas o choro de Susana estava deixando de ser silencioso e se tornava alto e agoniante, Caspian tentou abafá-los com beijos, não aguentava vê-la assim. E em menos de um minuto ela adormeceu, com seus lábios ainda nos dele, Caspian a deitou na cama de lado e a cobriu, deitando-se em seguida para abraçá-la e esperar pelo terrível dia que se aproximava.
Deseperados/ Noel Scharjris
Sua boca que chama minha boca
Seu corpo que sabe do meu corpo
Mil jogos proibidos
Sofridos batimentos
Amando-te na borda do céu
Teu beijo que ferve meu sangue
Suas mãos dançando em mim
Espinho sem rosa
Sua flor perigosa
Me tem, me mata, me toma, me queima...
Estamos enlaçados, vida
Coração condenado, menina
Ao fogo abandonados
E quase, quase desesperados.
Você e eu em carne viva
À um passo de quemse lastima
Neste amor tão encurralado
E quase, quase desesperados
Oh oh desesperados
Me perco em um mundo distinto
Que tira o luxo do meu instinto,
Salvagens carinhos,
Amargas delícias
Duas vítimas para o delírio
Que louco querer desta forma
Sem normas para os sentidos
Saltamos, caímos
E nada tememos
No mais perfeito vazio
Posso arriscar tudo
Já não me sinto só
Você me dá liberdade
Posso te querer mais e mais
Fale com o autor