Nárnia Além Da Vida Parte II
12 Desesperados Parte I
Notas iniciais
Naquela noite Alvaro não conseguiu dormir, só em pensar no que deveria fazer no dia seguinte, por ordem de seu pai, seu coração já ardia de tanta agonia. Desprezo, ódio e rejeição foi tudo o que ele teve a sua vida inteira e no dia seguinte ele receberia tudo isso em dobro. Ele lembrava com carinho do tarde maravilhosa que teve com Anna, ela realmente o levou para o lugar mais lindo que ele vira na vida. Por muitos anos Alvaro ficou preso e assim que morreu foi para um lugar terrível já que adorava a Tash e depositava no falso deus a sua confiança. O jovem pode perceber que os momentos mais felizes, ou melhor, os únicos momentos felizes de sua vida foram ao lado de Anna, e descobriu que também tinha um grande amigo, William. Alvaro daria tudo para ficar em Nárnia para sempre, só em pensar que voltaria para o obscuro e terrível abismo ele ficava arrepiado, mas de que adiantava fazer a coisa certa se não poderia ficar lá? se em breve voltaria para aquele lugar de tormento? Era melhor ele agradar seu pai e Tash, ou sofreria as consequências, as terríveis consequências, e a única lembrança que ele poderia guardar de bom na vida era o amor de Anna.
A noite também não foi fácil para Liliana, a moça não conseguia dormir já que só pensava em Alvaro, Liliana não era super feminina, mas tinha sentidos apurados como qualquer mulher, ela sabia quando o perigo estava próximo. Temia por todos, por Alvaro, pela prima, pelos Narnianos e por ela, sim, pois se alguma coisa acontecesse ela seria considerada como uma traidora. Algo lhe dizia que a manhã que se aproximava não traria coisas boas, e Liliana precisava fazer algo, precisava falar com alguém, ela só estava esperando coragem para se levantar daquela cama e conversar com seu pai.
Liliandill não tinha o menor sono, estava alegre pois sabia que Liliana estava apaixonada e em breve realizaria seu sonho de casar sua filha. Lilian achava que viver sozinho não era bom para ninguém, ela também sabia o que era viver com alguém sem amar, e sem ser amada, e saber que a filha estava apaixonada era a coisa mais maravilhosa que ela poderia ouvir. Também sem conseguir dormir levantou-se, Lilian era agitada e ansiosa, tudo a deixava com insônia então ela foi lavar louça, no país de Aslam as pessoas levavam vidas simples, até os reis, não tinham servos e empregados, apenas a honra, roupas elegantes e tendas extremamente extensas.
Pedro, seu marido, era um homem muito carinhoso e romântico, e romance era o que o rei mais sentia falta, pois depois que Aslam se foi ele virou praticamente o líder de todos, o que lhe dava muitas preocupações. Pedro sentiu a falta da mulher em sua cama e foi atrás dela, mesmo fazendo coisas simples Liliandill continuava linda, mesmo tendo a ajuda de sua camisola de renda, o rei chegou silenciosamente por trás, e a puxou para um beijo maravilhoso que eles não davam a muito tempo. Lilian enlouquecia nos braços daquele homem tão belo e sedutor, Pedro era o sonho de muitas, desejo de todas, e realidade de Lilian. Aquele homem fazia qualquer mulher se esquecer do mundo quando estava nos braços dele, Pedro teve muitas mulheres, mas só tinha química com Lilian e o prazer que ela lhe proporcionava, ele nunca recebeu na Terra. O grande rei sentou-se na cadeira e puxou sua esposa sem se separar do beijo, e Lilian já sabia onde aquilo ia dar, Pedro tirou a camisa e em seguida abaixou as alças da camisola de Lilian, ele encaixou suas mãos nos seios dela por cima da seda e lhe arrancou um forte suspiro ao morder seu pescoço de leve. Mas o clima foi quebrado quando Liliana entrou na cozinha procurando pelo pai, assustando-os.
– Liliana! — disse Liliandill assustada levantando-se rapidamente do colo de Pedro.
– Oh... me desculpem – disse Liliana mais vermelha do que a maça mais perfeita – eu só é... — gaguejava – vim tomar uma água.
– Ah claro – respondeu Pedro derrubando o jarro de água e derramando tudo na mesa – aqui está – disse dando um copo quase vazio já que derrubara tudo, e tentava secar com a camisa.
– Pai acho melhor colocar a camisa – disse sem graça. — É... deixa a água pra lá. Se vocês quiserem eu posso sair, sei lá, cavalgar por aí.
– Não. Sair por que? Não estamos fazendo nada, não é Pedro? — falou levantando as alças da camisola.
– Então bons sonhos, quer dizer, boa noite, acho que você não vão dormir.
– Vamos sim, a gente só veio se refrescar um pouco não é Lilian?
– É filha, já estamos indo pra cama.
– Percebi... Quer dizer, boa noite.
– E a água?
– Perdi a sede, tchau!
Liliana percebeu que não era uma boa hora para conversas, se vergonha matasse certamente Liliana já estaria morta, a cena que ela presenciou foi bem constrangedora, seus pais tão pudicos estavam se pegando na cozinha. Então deitou-se em sua cama e continuou pensando em Alvaro. Seus pais nem sabiam o que fazer, se realmente voltariam para cama ou continuariam de onde pararam, com certeza Liliana não voltaria de novo, então Liliandill tentando reascender o marido, envolveu suas pernas na cintura dele e Pedro a colocou em cima da mesa de jantar, e quando o clima estava voltando, a mesa se quebrou e derrubou os jarros, os pratos e os copos fazendo um estrondoso barulho, que deixou Pedro e Lilian ainda mais envergonhados, já que Liliana devia ter ouvido a confusão.
…
Um novo dia chegava e com ele nascia também um dos piores dias da vida de Susana. Os eternos namorados, Susana e Caspian, que acordaram bem agarradinhos, não faziam ideia do que aconteceria naquele terrível dia. Anna já tinha se levantado e tomado o café da manhã, na noite anterior o sono não queria visitá-la, mas mesmo assim ela dormiu, pois queria estar bem bonita para a chegada de seu noivo.
Na vida da doce e adorada princesa um sonho se realizava. Anna sempre ouvia muito atentamente os contos de fada que seus avós lhe contavam, e Susana não a proibia, como fazia com Benjamim na infância. O problema era que a jovem era inocente demais, se deixou levar por essas histórias, e se sentia privilegiada por ser uma princesa de verdade e morar em um mundo perfeito. Pena que os herdeiros dos quatro filhos de Adão e Eva, não conhecessem o mal, apenas o bem, com certeza isso os levaria a ruína, seus pais não gostavam muito de contar-lhes as coisas ruins que passaram na vida. Mesmo conhecendo a história do príncipe Caspian, Lúcio jamais saberia que seu novo ´´amigo´´ era Miraz, o maligno tio de Caspian. Liliana mesmo sendo a jovem que mais conhecesse as crônicas de Nárnia, não sabia muito sobre a história de sua tia na era do ouro, e nem fazia ideia de quem era Rabadash, se a sagaz jovem soubesse dessa parte obscura da vida de sua tia, certamente teria salvado a todos. E Edward, pobre Edward, nem imaginava com quem se metera, seu pai nunca lhe falou sobre a feiticeira branca, Edmundo tinha medo de ser um mau exemplo para o filho, e detestava lembrar de Jadis. Foi enterrando o passado, que os antigos reis o trouxeram a tona.
Por mais que uma madrugada seja longa, ela nunca dura para sempre. E as nove em ponto, todos já estavam de pé. Anna colocou seu vestido mais bonito, um claro e sua coroa, e ficou esperando ansiosamente pela janela, Susana não entendia nada e arrumava a mesa, já que Caspian e Carlos concertavam o Peregrino da Alvorada e voltariam com muita fome. Todos já empezavam seus afazeres quando de repente uma trombeta tocou, era uma trombeta de aviso, como aquelas que se tocavam nas guerras. O som parecia vir do centro da aldeia e imediatamente, famílias, anões, dríades, centauros, faunos, minotauros, fadas, animais, cavaleiros e reis iam ao encontro do som ver de quem era o chamado, chegando lá, muitos levavam o maior susto de suas vidas, outros nem faziam ideia de quem se tratava, mas ao ver o grande abutre, todos se arrepiavam a tremiam ao ver que ele não estava ali para uma festa. Anna foi a primeira de nossos conhecidos a sair de casa, ela chamou a mãe para ir junto, mas Susana queria terminar de botar o café da manhã e disse que ia depois, a garota saiu correndo, e mesmo achando a tal ´´família´´ de Alvaro estranha, estava muito feliz por ver que sua felicidade seria testemunhada por todos. Dos amigos de Nárnia o primeiro a chegar foi Rilian e levou o maior susto, ao ver os inimigos reunidos e perceber que foi mais ma vez enganado pela dama de verde, que fazia parte do grupo. Rilian queria desaparecer, sumir do mundo, mas precisava ficar e encarar os fatos. Logo após chegaram Robert e Roberta que não sabiam quem eram os visitantes. Lúcio chegou acompanhado de sua mãe, e Lúcia entrou em pânico ao ver todos os inimigos juntos. E assim foram chegando, Pedro e Liliandill, Joseph e Helen, Eustáquio, Ripchip e Brejeiro, Trumpkin, Cornélius e Tumnus, Liliana, Jill Pole e Edmundo, este último quando viu a feiticeira branca novamente teve a mesma sensação de quando morreu, ou pior, algo no fundo lhe dizia que a doença de Edward tinha a ver com aquela maldita visita. Mas quem ficou com mais medo foi Liliana, só em pensar no que Alvaro poderia fazer, e o que poderia acontecer com ele depois. Todos, exatamente todos, ficaram atordoados e temerosos, os únicos que não tinham chegado eram Susana, Caspian e Carlos. Anna era a única que estava radiante e não desconfiava do mal que estava por vir. Em fileira estavam: Tirza, Jadis, Miraz,o macaco Manhoso, Nikabrik, Poggin, André, Alvaro, Rabadash, o lobo Maugrim, e o terrível, temível e poderoso Tash. Assim estavam eles, um ao lado do outro, mudos, completamente mudos, esperando a vítima principal, Susana.
Tash olhou para o céu, e o sol desapareceu, a luz do dia ainda permanecia, mas o céu tinha ficado escuro, nebuloso e sombrio, a grama do chão estava completamente seca e sem vida, alguma árvores se contorciam ao perder várias folhas. Jadis fez o mesmo e um forte vento, alcançou a todos deixando-os com um frio insuportável, Alvaro sorria para Anna, e esta que confiava cegamente nele, retribuiu o sorriso emocionada. Ninguém sabia o que aquilo significava na verdade, não sabiam se era uma guerra, uma ilusão, uma invasão, ou um acerto de contas, todos ficaram imóveis e sem reação, esperando que algum dos inimigos se pronunciassem, a vontade de Pedro, Liliana, Edmundo e alguns minotauros era partir para a guerra, mas o medo de Tash era maior que tudo, maior que suas forças, e mais forte suas pernas. Lúcio não gostou nada de ver Miraz ao lado daquelas estranhas figuras, e teve plena certeza de que o seu ´´súdito´´ não era mais que um vilão. O cenário calmo e tranquilo, que fora dominado pelo silêncio, parecia um campo de batalha, onde grande parte dos moradores do país de Aslam estavam espalhados em volta dos inimigos que mesmo sendo poucos, pareciam muito mais fortes.
Susana estranhou o silêncio, já que o dia amanhecera tão agitado e barulhento. Ela decidiu sair e ver o que estava acontecendo, nossa rainha ia pelo caminho cantarolando alegremente, e olhava para o chão observando atentamente as flores, levantava o vestido com leveza para caminhar mais facilmente. Abriu caminho pelo povo, e quando se deu conta estava de cara com eles... Rabadash e Tash, ao ver os dois Susana deu dois lentos passos para trás, sem acreditar no que via, suas forças falharam e ela quase caiu, mas foi segurada a tempo por Tumnus, seu pai. Susana ao rever o maníaco que quase destruiu um povo para casar-se a força com ela, e vendo, o abominável ser que sempre visitava seus sonhos, Susana deu um forte grito de pavor, e todos se deram conta do motivo de Tash e sua prole estar ali. O terror na cara rainha era visível, e Susana que não tinha forças para se manter de pé era sustentada por Tumnus, seu rosto, sua boca e seus olhos perderam a cor, as lágrimas nos olhos deixavam sua visão turva e embaçada. Rabadash olhava para ela com um maligno brilho no olhar, como se quisesse engoli-la e Tash também a fuzilava com os olhos, para ele as outras almas não tinham muita importância, mas a de Susana, essa sim era certa. Nossa rainha queria sair correndo, fugir, fugir para o mais longe dali, Tumnus sentia sua pele mais gelada do que de uma pessoa morta, e tinha medo de que a filha desfalecesse em seus braços. As duas últimas pessoas que faltavam chegaram, Carlos e Caspian. E quando viu o amado chegar, Susana pediu socorro com os olhos, Caspian sentiu o coração gelar ao ver os inimigos em sua frente, e entendeu o pedido que havia nos olhos da esposa. Ele nunca viu Susana tão branca e assustada, Caspian foi rapidamente para o lado dela e Susana largou Tumnus, escondendo-se atrás de Caspian, ela o agarrou por trás, e soltou baixos gemidos como se quisesse chorar. Vendo como ela tremia Caspian a puxou para o seu lado com força, para que ela não caísse, e a abraçou de lado, bem forte. Susana lançou um olhar desesperado para ele, uma, duas, três gotas quentes de lágrimas escorreram por seus rosto, e ele falou baixinho no ouvido dela: — Não precisa ter medo amor, nada de ruim vai acontecer, eu vou te proteger, eu prometo. — sussurrou com a voz embargada, lutando para não chorar.
Todos esperavam que Tash dissesse alguma coisa, mas a primeira a se pronunciar foi Jadis
– Olá Edmundo, quanto tempo hein! Pensei que tivesse te matado naquela vez, mas depois vi que falhei – disse com um sorriso sarcástico — Mas tudo tem concerto nessa vida, e por falar nisso, como está o seu filho Edward?
Edmundo perdeu o controle e puxou a espada – O que você fez com o meu filho sua bruxa? — gritou o mais alto que pode. Jadis gargalhou e ele foi segurado por Pedro e Benjamim. — O que você fez com ele sua maldita? Eu vou matar você! Se alguma coisa acontecer com meu filho eu vou matar você.
– Acalme-se Edmundo – disse Lúcia nervosa e com medo de que Tash fizesse mal ao seu irmão – Susana deu o meu elixir ao Edward, ele deve estar bem.
– Não Lúcia, Edward não tomou o suco da flor de fogo, ele continua mal, muito pior. — disse Edmundo chorando de ódio, e ainda sendo segurado.
– Mãe, a gente não viu o Edward tomar o elixir. — respondeu Benjamim, que já tinha entendido tudo. — Ela deve ter roubado o remédio dele.
Susana encostou o rosto no peito de Caspian e começou a chorar, tinha medo de ser a responsável pela morte do sobrinho, não só por não ter lhe dado o remédio, mas por Tash e os outros, terem invadido Nárnia por culpa dela.
– Como foi que vocês entraram aqui? — perguntou Caspian
– Pergunte ao seu filho, o Rilian! — disparou Tirza
– O que você fez? — gritou Pedro, largando Edmundo e puxando o enteado pelo colarinho.
– Solta o meu filho Pedro, eu te ordeno! — bradou Caspian em alta voz.
Rilian ficou verde, e nossa... seu mundo caiu mais uma vez, um remorso terrível o dominou ao lembrar que tinha dormido com Tirza.
- O querido príncipe Rilian, foi para cama comigo ontem a noite, sem nem pensar duas vezes. — respondeu vitoriosa — Como você foi idiota amorzinho, pensou mesmo que eu estava arrependida? Nunca pensei que você fosse tão imbecil, achei até que seria difícil, mas você é um machista sujo, que não pode ver uma mulher pelada.
Caspian fuzilou Rilian com o olhar, e o príncipe fixou os olhos no chão envergonhado e decepcionado com sigo mesmo.
– Mas como vocês entraram aqui? Nesse lugar só é permitido a entrada de corações puros. — perguntou Ripchip
– Várias coisas possibilitaram nossa entrada, mas o personagem que tornou essa aventura possível logo vai se apresentar – respondeu Miraz.
Anna se assustou com a reação de todos, inclusive a de sua mãe. Mas a jovem acreditou que tudo fosse um mal entendido e que seu amado Alvaro explicaria tudo. Por sua vez Alvaro deu um passo a frente, olhou para Rabadash, e este, com o olhar o mandou avançar.
– Bom dia meus amigos, se é que vocês acham este dia bom. Eu queria apresentar a todos, uma pessoa muito especial, uma vagabunda que se deitou comigo um dia após me conhecer. Essa prostituta tão fácil, e tão ordinária é a querida princesa Anna Susana. Sua filha rei Caspian. — Mais uma bomba foi lançada em cima de Caspian e ele não pôde acreditar, como é que esse miserável poderia dizer isso de sua filhinha?
– Alvaro não! — disse Liliana desesperada. — Não faça isso!
– Liliana de onde você conhece esse animal? — bradou Pedro.
Anna olhou assustada para Alvaro, não o reconhecia, levantou a cabeça incrédula. Não, não podia ser ele, aquele monstro não podia ser Alvaro. E todos olharam espantados para ela.
– Anna, quem é esse cara? O que ele está dizendo é verdade? — Perguntava Caspian, chocado. — Me diz que é mentira filha! Por favor Anna, me diga que isso é um engano, um grande erro.
– É mentira Aninha? Não é verdade que você transou comigo, assim tão fácil? Conta pro seu papaizinho o que nós dois fizemos.
– O que é isso Alvaro? O que você está fazendo? — perguntava ela
– Então você conhece ele filha? Me responda Anna! — gritou nervoso.
– Não pai – a voz da garota mal saía e começou a chorar, não conseguia dizer a verdade.
– Coitadinha tão inocente – ironizava Alvaro – tinha que ver, foi só eu agarrar os seios dela, que a ordinária se entregou. Você está de parabéns rei Caspian, sabe fazer muito bem os seus filhos, e fez uma cadela sedenta.
– Cala a boca seu demônio, eu vou te matar! — Caspian puxou a espada e quando ia partir para cima de Alvaro, Tash o levantou no ar com seus poderes, e fez a cabeça do rei doer tanto, que saía sangue de seus ouvidos e nariz, em seguida deixou o rei cair no chão e Caspian rolava e gritava de dor. Susana se abaixou tentando ajudá-lo e Tirza com seus feitiços a jogou para trás.
– Quem vai matar quem? — dizia Tash. E o rei continuava no chão, parecia que todos os ossos de Caspian estavam sendo triturados, ele girava e se contorcia no chão. Anna gritava e pedia que parassem de torturar o pai. Alvaro disse que só seria possível se ela confessasse e foi o que a jovem fez.
– Sim pai! Eu fiz, mas eu não tive culpa – ao dizer isso Tash deixou Caspian, e este parou estirado no chão. — Eu não sabia, eu não sabia o que estava fazendo, eu estava apaixonada e ele me enganou, me perdoa, por favor! — a garota precisou ser amparada por Lúcia já que estava quase gritando de angústia.
– Eu... eu não posso acreditar – respondeu o pai soluçando de tanta dor, no corpo e na alma.
– Me perdoa, ou eu não vou conseguir sobreviver. — o coração dela foi destroçado e parecia que sairia pela boca.
– Ah Susaninha, você devia ter ensinado algumas coisinhas a sua filha, até que ela sabia fazer direitinho, mas porque eu fui um bom professor. Tão bom que ontem essa... vadia foi me procurar querendo mais, e claro que eu aceitei, tão novinha e inexperiente, que homem não quer. — Alvaro dizia tantas barbaridades, que Liliana chorou pois não sabia como Alvaro estava sendo capaz de fazer aquilo. — O que você pensou Aninha? Achou que eu fosse me casar com uma perdida como você? Sabe pessoal, essa garota queria que eu me casasse com ela só para que o papai e a mamãe não descobrissem nada, mas quem aí se casaria com uma vadiazinha? Aninha mesmo que você esteja no cio, quando quiser, espere ao menos uma semana, nem todos os caras gostam de mulheres atiradas como você, isso mesmo, mulher, eu que fiz isso não é mesmo? Ou será que foi outro? Sabe-se lá quantos você já teve?
– Deixe a minha filha em paz! — pediu Susana horrorizada e penalizada com a vergonha da filha, Anna não sabia onde enfiar a cara, Susana queria consolá-la, mas não consolava nem a si mesma. Quem é você?
– Sabe meu amor – falou Rabadash pela primeira vez – esse é o nosso filho. Quem diria hein amor? Sua filha louca de amores pelo meu herdeiro. — Susana sentiu nojo ao ouvi-lo falar desse jeito, e o que mais a assustava era Rabadash chamá-la de amor.
– Bem, foi assim que eu cheguei aqui, um rapaz puro e correto, que se caiu na lábia de uma qualquer, até que foi bom me sujar com essa aí, não sei se é digno dizer o nome dela tantas vezes, mas acho que ela gostou muito de ser usada, tem certeza que não ouviram os gritos dela na cachoeira ?
Com a ajuda de Carlos, Caspian se levantou, arrasado, sangrando por dentro e por fora, era muita decepção ver dois filhos perdidos, Rilian e Anna. Ele nunca esperou isso de seu primogênito, nem de sua garotinha, para Rilian não era tão grave, ele era homem e as pessoas logo esqueceriam, mas Anna, uma jovem de 15 anos, era uma mancha que nunca sairia de sua família, ver sua filha sendo humilhada na frente de todos, pelo filho de seu rival, era demais. Ainda tinha sua esposa, ela estava tão frágil, tão abatida, e Caspian talvez estivesse pior que ela, mesmo que estivesse cercado por uma multidão, o rei se sentia sozinho, todos sentiam pena, mas o que diriam? O que poderiam fazer se não tinham coragem nem para mover suas pernas?
Mas o discurso não terminou por aí, Alvaro disse muitas, muitas coisas constrangedoras sobre Anna. Descreveu até como eram algumas partes do corpo da menina, caso duvidassem. E a jovem que nunca imaginou viver nada assim, queria morrer, daria qualquer coisa para que aquele abutre, o tal Tash, a matasse ali mesmo, pois Alvaro, tirou sua inocência, sua alegria, sua honra, sua dignidade, sua vontade de viver. A jovem desabava nos braços da tia, e seu avô Tumnus também sofria por ver o conto de fadas de sua neta, virar a pior história de terror que poderia existir. Anna chorava muito, estava vermelha e o rosto encharcado, Joseph e Helen, não aguentavam ver a neta desse jeito e foram consolá-la. Mas Alvaro puxou Anna bruscamente dos braços dos avós, e a trouxe para si, ele a xingava e rasgava a roupa da menina, Alvaro com uma imensa brutalidade puxou Anna pelos cabelos e arrancou sua coroa, Caspian queria tirá-la das mãos dele, mas estava muito machucado e impossibilitado, a revolta crescia dentro de todos, e a pequena Roberta chorava no peito do pai, impressionada com as terríveis coisas que ela estava vendo.
– Não faz isso Alvaro, eu te imploro, eu te amei tanto. — perdia ela desabando.
– Aninha, você já me deixou fazer coisas piores com você, é assim que tratamos as perdidas. Não é Tirza?
– Claro querida, seu irmão fez o mesmo comigo. Creio que seus tios deviam ter muitas mulheres, sei que o rei Pedro já se deitou com várias como você, seu tio Edmundo também. Quem sabe até o rei Caspian?! Não é como um lixo que vocês tratam as mulheres? Agora vejam como é quando fazem isso com uma de vocês.
– Você disse tudo Tirza! Lixo, é isso que essa cadela é, e merece ser tratada como tal – Alvaro rasgou a parte da frente do vestido dela, e a garota morta de vergonha cobriu os seios com os braços.
– Não, não façam isso com a minha filha – gritava Susana de pavor, por ver sua filha sendo humilhada daquele jeito.
– O que você queria seu lixo? Casamento? Mulheres como vocês, se pegam, usam e depois se joga fora – disse a última frase e jogou a menina com força no chão.
– Anna chorava sem conseguir se levantar, estava acabada, arranhada, machucada e despedaçada. Não tinha forças para levantar dali, não conseguiria olhar nos olhos das pessoas, seu amor quebrou o seu coração e acabou com a sua vida.
Notas finais
Nossa o Alvaro foi um miserável, como ele pôde fazer isso? será que ele merece perdão?
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