Notas iniciais
Fiz um novo vídeo para a fic. Acho que foi o melhor até agora. Espero que confiram. http://www.youtube.com/watch?v=OBFUX5UzFJs&feature=youtu.be

Caspian entrou no Peregrino da Alvorada e agradeceu aos céus por não ter dado de cara com Anna e Carlos. Foi direto para o quarto e quando finalmente ia libertar as lágrimas que estavam presas dentro de si, seu pai entrou no quarto o impedindo mais uma vez.

– Meu filho o que aconteceu? Por que está desse jeito? O que aconteceu há mais ou menos uma hora atrás dentro desse quarto? — Mas Caspian permanecia calado, respirava fundo, não queria dizer tudo de novo, não queria reviver tudo aquilo de novo. Apoiou as mão em cima da penteadeira de Susana e abaixou a cabeça. – Filho fala comigo Caspian, me responde.

– Uma coisa terrível – dizia balançando a cabeça lentamente, com o olhar vago – Tome, leia isto aqui.

Caspian IX pegou a carta amassada e se prontificou a ler. Ficou perplexo com as coisas que nela estavam escritas, seu coração doeu ao perceber o estrago que as palavras de Susana fizeram em Caspian. Antes mesmo de ter conhecido a rainha gentil, o velho rei sabia o quanto ela mexia com o coração de seu filho. Mas até o velho telmarino duvidou da veracidade daqueles palavras, não podia ser verdade. O senhor olhou Caspian com piedade compreendendo toda a dor que seu filho sentia, ele viu como Caspian estava atormentado e tentou animá-lo.

– Meu filho eu nem sei o que te dizer...

– Me deixa sozinho pai... eu não poderei segurar por muito tempo.

– Talvez tudo isso não passe de um terrível mal entendido. – Mas as palavras do rei fizeram um efeito contrário em seu filho, Caspian estava a ponto de desabar.

– Eu vi tudo pai! – esbravejou angustiado. – Eu a vi o beijando, eles estavam... estavam juntos bem na minha frente – disse soltando livremente as lágrimas e se jogando nos braços do pai. – Era tudo mentira pai – dizia tentando tapar a própria boca para abafar as lágrimas e o gemido que queria sair, mas o ar lhe faltava. – Ela nunca me amou de verdade, nunca. – falava sem parar apertando o pai mais forte, como se o aconchego de seu amado pai pudesse aliviar sua dor.

– Não fique assim filho, logo logo vai passar, você vai ver. – secava o rosto de Caspian com a mão direita, e com a outra colocava os cabelos do filho pra trás.

– Não vai passar nunca – balançava a cabeça como se quisesse fugir daquele pesadelo – e tá doendo demais. O que vai ser de mim? O que eu vou fazer da minha vida? – perguntava quando foi interrompido por Carlos e Anna que entraram no quarto, pegando Caspian desprevenido. Ainda não estava preparado para encará-los, não sabia como agir.

– Pai por que está desse jeito? Por que chora tanto? A mamãe está bem? – perguntava Anna com o olhar assustado, mas a pergunta sobre a mãe deixou Caspian irritado.

– Não quero falar sobre a Susa... – Caspian se repreendeu por dentro por quase pronunciar o nome dela. – Sobre isso, não quero falar sobre isso.

– Mas você está bem pai? Estamos muito preocupados e se pudermos ajudar, não queremos te ver sofrer. – Carlos abria um pequeno sorriso.

Caspian foi se aproximando devagar deles, analisando muito bem cada detalhe de seus gêmeos até que chegou bem próximo deles e pediu.

– Vocês podem me ajudar sim – acariciava o rosto dos dois levemente – prometam que vão me amar para sempre – disse puxando-os para um forte abraço – assim como eu amo vocês. Eu os amo mais do que tudo nessa vida. – Terminou enchendo-os de beijos, e seu pai respirou aliviado, já que temia a reação do filho. Caspian IX ainda estava chocado com o que acabara de ler.

– Só ama eles dois? – perguntou Benjamim também entrando no quarto. Caspian se afastou dos dois filhos e com a mão fez um gesto para que o rapaz que estava encostado na porta se aproximasse.

– Você é meu filho, filho do meu coração e eu te amo muito. Da mesma forma que amo Rilian e esses dois aí. – Caspian ainda com a mão no ombro de Benjamim olhou para trás mirando Carlinhos e Aninha. – Nunca duvidem do meu amor por vocês. Nunca permitam que alguém nos afaste. Vocês são tudo o que eu tenho, são o maior bem que um homem pode ter. – Caspian parecia ter esquecido sua dor e conseguiu dar um sorriso, pensando em seguir em frente, mirando um futuro vazio e sem Susana.

Ultimamente uns sonhos vinham atormentando Edmundo, o mesmo sonho que teve um tempo atrás, antes de Nárnia começar a desmoronar. Aproveitando que estava sozinho com Edward que dormia, Edmundo decidiu com um forte aperto no coração colocar seu plano em prática. Chegou a conclusão que seus sonhos queriam dizer alguma coisa, e se isso fosse necessário, faria, faria tudo para salvar seu pequeno Ed.

Edmundo ajoelhou-se na cama ao lado de Ed, e suplicou algumas coisas em seu ouvido mesmo que o garoto não estivesse o escutando.

– Você prometeu que acordaria Ed. Precisa ser forte, forte como um leão, forte como Aslam. Eu confio em você, tudo vai ficar bem... – disse quase sussurrando ao mesmo tempo em que tirava um punhal de seu cinturão. Estendeu a mão direita tremendo, deu uma última olhada para Edward, fechou os olhos, e proclamou: — Por Aslam e por Nárnia! – gritou diferindo um forte golpe na barriga de Edward, e apenas deu um fraco gemido de dor, seguido por um forte suspiro. Ainda com os olhos fechados, e com o rosto banhado de lágrimas, com as duas mãos Edmundo abria a barriga de Edward cortando-a do umbigo até um pouco abaixo do peito. Não sabia bem o que estavam fazendo, mas sabia que devia fazer aquilo, era loucura, mas ele precisava.

Inglaterra...

Depois da morte de Alice e Victor o tempo no nosso mundo voltou a ser diferente de tempo em Nárnia, apenas com uns dias de atraso. Atrás do grande jardim do orfanato, Chad, Dona Marta, Josh, Dereck, Chloe, Amanda, Paty, Prunaprismia, as crianças e o velho e misterioso Allan participavam do triste enterro de mãe e filho. Quebrando o silencio, dona Marta se pronunciou.

– Meus queridos não se desesperam por essa grande perda. Ainda temos a esperança, de que o grande Aslam os acolherá em Nárnia.

Ao ouvir isso Allan sentiu fortes pontadas na barriga e quase desmaiou de tamanha dor.

– Allan você está bem? – perguntava Chad preocupado. O velho se contorcia com a mão na barriga quase caindo no chão.

– Aaaahhhhhhhhhhhhh dói muito. – gritou chamando a atenção de todos, a essa hora Allan já tinha desabado no chão.

– Rápido me ajudem a leva-lo para dentro. – Pedia Chad a Josh e Dereck.

– O que está acontecendo? – perguntava Amanda extremamente preocupada.

– Parece que... – gemia. – é como se estivessem rasgando minha barriga com uma faca afiada.

– Tudo vai ficar bem Allan, acalme-se. – dizia Josh tentando passar tranquilidade.

– Acho que... que não vou resistir. – Olhou para o céu e viu uma cena que lhe parecia inédita, mas que ele já tinha vivido antes.

“ Não parecia mais um homem, e sim um... leão. O maior e mais belo de todos. Caminha lenta e tristemente para a direção de uma grande mesa feita de pedra, seu coração doía ao ver a estranha mulher que com ódio nos olhos o aguardava. Criaturas estranhas gritavam e zombavam dele com tochas acesas, algumas delas o amarraram com cordas e cortaram sua juba, em forma de humilhação. Ele ouvia as terríveis palavras de uma mulher má, o vento gelado o fazia estremecer, ele nunca teve medo de nada, mas ao ouvir dela que as pessoas que ele amava estariam desprotegidas, ele se amedrontou. Olhou para o céu escuro e estrelado, e depois não viu mais nada.”

Edmundo colocou a mão por dentro do ventre de Edward como se procurasse uma coisa. Sem muita coragem, afastou um pouco a parte aberta da barriga do garoto que sangrava muito, Edward estava morto sem dúvida alguma, e aquilo moía o coração de Edmundo, já que nem ele entendia a besteira que estava fazendo. Edmundo olhou para a arte interna do estômago de Edward e quase vomitou com o que viu. Uma boa parte do estômago de seu filho estava podre... estragado e haviam vermes que dançavam em cima de uns manjares turcos, que tinham um brilho verde. Com a mão ensanguentada, Edmund fazia uma limpeza, tirava todos os bichos e impurezas do estômago de Ed, incluindo os manjares turcos, até que... sentiu que por dentro, Edward estava completamente congelado.

Jill Pole chegou mais cedo em casa do que imaginava e caiu em desespero quando viu a loucura que Edmundo cometeu. Correu e se jogou nas costas dele tentando puxá-lo para longe do filho.

– O que está fazendo? Está matando nosso filho... seu... seu louco.

– Me solta Jill. O Edward já está morto. Eu estou tentando salvá-lo.

– Matando ele? – gritava enfurecida. – você acabou com todas as chances que meu filho tinha. Por que Ed? Por que?

– Confia em mim Jill – pedia colocando as mãos no rosto dela, sujando de sangue – eu não sei o que estou fazendo, mas... vai dar tudo certo.

– E se não der? – perguntava com os olhos marejados. – Não aguento mais isso Ed... eu prefiro que ele... que ele morra de uma vez, mas não assim, em paz. Eu queria ter me despedido.

– O Edward me prometeu que vai ser forte, prometeu que ia acordar de novo. – disse por fim abraçando-a.

– Mas ele não respira mais – dizia entre suspiros – a aliás, ele está muito gelado.

– Aqueles manjares – apontava para os doces que estavam no pano branco no chão coberto de sangue – estavam envenenados. Parece coisa da feiticeira verde, não foi só obra de Jadis, o estômago dele está podre, haviam bichos até. E o interior de Edward está congelado.

– Me abrace Edmundo!

Edmundo envolveu Jill em seus braços e eles ficaram assim por alguns minutos, silencio, o silencio reinava e eles derramavam lágrimas finas que chegavam ao chão.

Mas de repente a estrutura da tenda começou a balançar e um estranho vento precedido por ruídos os fazia estremecer. Em vez de um ar gelado, pairou naquela tenda um ar quente como se fosse uma respiração. O barulho era... era o rugido de um leão, e Jill e Edmundo acreditaram que fosse de Aslam. Jill e Ed sentiam um sopro, e Jill lembrou-se da primeira vez em que esteve em Nárnia, de quando conheceu Aslam e o que ele fez em cima da montanha, com o sopro ele fez Jill flutuar, e ela sentia-se flutuando novamente.

– Aslam é você? — perguntava Edmundo e Jill Pole olhava em volta tentando ver se encontrava o leão. Suas roupas voavam levemente pelo corpo, mas uma tosse lhes chamou a atenção.

Era Edward que tossia e tentava inspirar fortemente o ar, mais corado e aparentemente melhor ele suspirou como se quisesse mostrar aos pais que estava bem.

– Edward! Ele está vivo Jill. O nosso filho acordou. — dizia Edmundo abobalhado.

– Não é certo quebrar promessas pai! — acendeu um sorriso que iluminou o coração de Edmundo. Edward nem parecia que esteve doente e a beira da morte, só sentia mal por causa da grande abertura em seu ventre.

– Jill corre pegue alguma coisa para estancar o sangue, traga compressas, tens umas ervas ali na mesa. Traga rápido. — tirava o cinturão afobado. Imediatamente Jill Pole trouxe um panos e os entregou a Edmundo que colocou sobre a barriga de Edward e apertou os tecidos fortemente com o cinto, impedindo a hemorragia.

– Jill vá atrás do Cornélio e peça que ele traga curativos. E que também esteja preparado para uma pequena cirurgia no ventre do Ed. — dizia Arfando, mas sorrindo, fazendo uma pasta com ervas e um óleo. — Ah amor antes de ir dê um pouco de água pra ele, acho que ele está desidratado.

– Edmundo deixei água fervendo naquele bule, use com aqueles panos, você vai colocar essa pasta nele?

– Dizem que é ótimo para cortes profundos, em outros tempos em Nárnia usávamos muito. Agora vá Jill. — dizia sem tirar os olhos de Edward que estava na cama.

Robert queria ir pra bem longe dali, bem longe de Lúcia e de tudo que a cercava, não queria dar de frente com Caspian e também não estava preparado para a possível rejeição de Lúcio e Roberta. Depois de uma longa caminhada ele foi parar em outra parte da aldeia, bem longe do acampamento real, numa parte onde haviam mais criaturas mágicas e telmarinos. Foi muito bem recebido na aldeia e resolveu que ficaria por ali, todos ficaram lisonjeados pela presença do rei, esposo da rainha destemida. Sentado em um tronco parecia não dar atenção as pessoas que lhe cumprimentavam até que uma conhecida lhe chamou atenção.

– Se estiver cansado pode se hospedar em minha tenda que é bem confor... — parou a mulher, quando pôde reconhecer Robert.

– Alice! É você mesma?

– Sim. Robert então você realmente estava aqui.

– Já faz um bom tempo. — disse se levantando. E foi abraçado timidamente por Alice.

– Por acaso você viu meu filho em algum lugar? — sua expressão era preocupada. — Estou feito louca o procurando.

– Como se chama o seu filho mesmo? Se não me engano ele estudava com o Benjamim.

– Victor. Victor Moore.

– Ah aquele rapaz.

– Você o viu? — perguntou esperançosa.

– Sim. Ele salvou meu filho... deve estar com Benjamim.

– Pode me levar até ele?

– Eu queria te ajudar, mas é que, bom eu não quero voltar pra lá tão cedo. Mas se quiser...

– Depois eu vou atrás dele. Acho que você precisa desabafar.

– E muito. Estou cansado de ser incompreendido.

– Não se preocupe, não vou te jugar.

– Que bom – deu um sorriso abatido e desanimado.

Helen foi fazer uma visita a Lúcia, mas estranhou o silencio na casa. Chamou do lado de fora, mas ninguém respondeu, sendo assim resolveu entrar. Se assustou ao ver uma mesa e vários objetos jogados no chão, inclusive cacos de vidro. Olhou por trás da cortina e viu que alguém se encontrava deitado na cama. Lúcia estava desacordada e Helen pensou que ela estava desmaiada, preocupada a sacudia desesperada.

– Lucy minha filha, fala comigo meu amor.

– O que foi mamãe? Aconteceu alguma coisa? — dizia tentando abrir os olhos e compreender a confusão da mãe.

– Eu é que te pergunto minha filhinha, aconteceu alguma coisa amor? Tem vários objetos quebrados, e que carinha é essa Lulu? — Lúcia voltou a chorar quando se lembrou de tudo o que acontecera.

– Acabou mamãe. Acabou pra sempre. A Susana não podia ter feito isso comigo mãe, por que ela me destruiu desse jeito?

– Não estou entendendo nada Lucy. Me explique com calma.

– Não quero falar disso, não agora. Só sei que nunca mais quero ver aqueles dois na minha frente de novo.

– O que sua irmã fez Lúcia? Os dois quem? Está falando do Robert?

– Só me abraça mãe. Por favor só me abraça. — e foi atendida por Helen que sentiu o quanto Lúcia estava tensa.