Mãos
1 I
Fazia cinco dias desde que o time 8 tinha partido.
O término da missão, contando com a volta para Konoha, levaria, no mínimo, mais três dias e Naruto se perguntava se conseguiria viver até lá.
O ninja mais forte da Vila, o futuro sétimo Hokage, o portador da Kyuubi estava sofrendo de algo que ninguém poderia curar.
Hinata estava longe.
Muitos pensaram — ele inclusive — que, por causa de seu passado, conseguiria suportar a situação de maneira resiliente e tranquila. Doce engano.
Não seria desonesto; nos dois primeiros dias aproveitou sim a ausência da esposa: comeu todo o ramen a que tinha direito, saiu para beber com os amigos e esqueceu completamente as tarefas domésticas. No terceiro dia, porém, acordou sentindo o incômodo silêncio da casa e o colchão vazio e gelado e saber que sua manhã seria, novamente, solitária tirava todo o prazer da refeição.
O pior eram suas mãos. Inquietas, carentes e ansiosas, em uma busca constante por Hinata. E não precisava pensar muito para saber o motivo disso. Elas eram viciadas, estavam sempre tocando nela: em suas mãos, seus cabelos, seu rosto, seus lábios…
Ao andarem juntos, espontaneamente entrelaçava seus dedos nos dela ou permitia que descansassem na cintura feminina. Caso o ambiente não permitisse tal informalidade — como a sala do Hokage e a mansão Hyuuga, por exemplo — o loiro fazia um esforço sobre-humano para se controlar, mas não conseguia impedir que uma das mãos ficasse estática, no pequeno espaço entre eles, o mais próximo possível do corpo da esposa.
E, agora, Hinata não estava ali.
Os dedos do Uzumaki deslizavam insatisfeitos pelo lençol, na parte em que ela dormia e, taciturnos, tinham que se conformar com o travesseiro da morena. Naruto puxava-o para si carinhosamente, aspirava o perfume que exalava e, só então, conseguia dormir.
— Quem diria?
Shikamaru zombou uma noite, enquanto bebiam. Apesar do tom de deboche, era nítido que sentia compaixão por ele.
— Hinata foi a primeira a se apaixonar, mas parece que você se apaixonou mais profundamente.
Naruto corou.
— Para o bem da Vila é bom que Hinata não faça mais missões longas. — Sai jogou a última pá de terra com um sorriso cínico.
— Calados! — o loiro ordenou com a voz embargada, o que só divertiu ainda mais os amigos. Embora quisesse ter dado uma resposta mais assertiva e até discordar, não poderia, pois não era mentiroso.
Voltou para casa tarde, iludindo-se que, dessa forma, não notaria a ausência. Entretanto, assim que abriu a porta e não encontrou Hinata sorrindo para recepcioná-lo, entristeceu-se ainda mais. Correu para o quarto, jogou-se na cama, abraçou o travesseiro dela e desejou intensamente que os dias passassem depressa.
O Uzumaki ficou tão feliz no dia em que Hinata voltou que sentiu como se fosse Ano Novo. Arrumou toda a casa, pediu ajuda a Hanabi para fazer rolos de canela, cortou o cabelo e tomou um longo banho.
Teve que fazer uso de todo o seu autocontrole para não correr e esperá-la nos portões da Vila. Sabia que antes de ir para casa, se encontrarem com suas famílias e terem o merecido descanso, a kunoichi e seu time deveriam entregar o relatório da missão ao Hokage e, naquele momento, agradeceu por Kakashi-sensei ser um dos homens mais sucintos e diretos que conhecera.
Quanto mais o tempo passava, mais forte batia o seu coração. De amor, de saudades.
Ouviu a chave na porta, a maçaneta girou e Hinata entrou, sorridente.
— Cheguei. Estou em casa.
Naruto se jogou nela. O rosto repousou em sua clavícula, o nariz entrou em seus cabelos, suas mãos, em abstinência, se fixaram na cintura dela.
— Hinata. — gemeu satisfeito, pleno. — Bem-vinda de volta. Você está em casa. Estamos em casa.
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