Máscaras de Vidro
4 Capítulo 4: Território Marcado
Dominic guardou o celular no bolso da calça de moletom, a mandíbula tão travada que um músculo saltava em seu maxilar. Ele se virou lentamente, a expressão fria substituindo qualquer vestígio da urgência que aquela mensagem havia provocado.
Ayla continuava no mesmo lugar, observando-o com os olhos cor de mel cheios de uma curiosidade assustada.
— O que foi? — ela perguntou, a voz suave quebrando a opressão do quarto. — Uma mensagem da empresa?
— Nada com que você deva se preocupar — Dominic respondeu. Ele caminhou até a porta do quarto e, com um clique seco, girou a chave na fechadura, trancando os dois ali dentro.
Ayla acompanhou o movimento, o coração dando um salto no peito.
— Por que está trancando a porta, Alexander? A segurança da mansão monitora os portões vinte e quatro horas por dia. Você mesmo sempre disse que este lugar era impenetrável.
— A segurança comete falhas. Eu não cometo — ele retrucou, aproximando-se da cama com passos predatórios. — A partir de hoje, as coisas vão mudar por aqui. Você não sai desta casa sem a minha autorização. E não vai a lugar nenhum sem os meus homens atrás de você.
O tom possessivo e autoritário fez o estômago de Ayla revirar em uma mistura confusa de indignação e um arrepio quente. O verdadeiro Alexander controlava a vida dela por meio de regras sociais e restrições financeiras; ele nunca agia como se ela fosse um tesouro valioso que precisasse ser escondido do resto do mundo.
— Você está me trancando? — ela desafiou, dando um passo à frente, a indignação dando-lhe uma coragem que ela raramente tinha. — Você passa seis dias sumido, volta agindo como um selvagem e agora decide que sou sua prisioneira?
Dominic parou a poucos centímetros dela. O calor que emanava de seu corpo recém-saído do banho a envolveu. Ele estendeu a mão, os dedos calejados subindo pelo braço pálido de Ayla, acariciando a pele macia com uma lentidão que a fez prender a respiração, até segurar firmemente a nuca dela.
— Eu não estou te fazendo prisioneira, minha linda — ele sussurrou, aproximando o rosto, os olhos cinzentos fixos nos dela com uma intensidade que parecia queimar. — Estou reivindicando o que é meu. Há pessoas lá fora que acham que podem me tocar. E a maneira mais rápida de me atingirem... é destruindo você.
Ayla tentou manter o olhar firme, mas a proximidade, o cheiro de chuva e pele quente dele, e a pressão daqueles dedos longos em seu pescoço estavam nublando sua capacidade de raciocinar.
— Quem quer te atingir?
— Ninguém que vá chegar perto o suficiente para contar a história — a promessa dele saiu sombria, quase cruel.
Dominic a puxou um pouco mais para cima, forçando-a a ficar na ponta dos pés. A boca dele roçou na bochecha dela, descendo até a linha da mandíbula, onde ele deixou um beijo demorado e deliberadamente possessivo. Ayla soltou um suspiro trêmulo, as mãos segurando os ombros largos dele para não perder o equilíbrio. O toque dele era um vício instantâneo, uma escuridão que ela sabia que deveria evitar, mas que seu corpo implorava para aceitar.
Quando ele se afastou o suficiente para olhá-la nos olhos, um sorriso de canto, perigoso e satisfeito, surgiu em seus lábios ao ver as bochechas dela coradas e os lábios entreabertos.
— Vá para a cama, Ayla — ele ordenou baixinho, a voz rouca arrastando-se pela espinha dela. — Amanhã eu tenho um império para assumir. E você vai precisar estar descansada para o que vem a seguir.
Ayla recuou, deitando-se sob os lençóis de seda cinza com o coração martelando contra as costelas. Dominic contornou a cama e deitou-se ao lado dela, mantendo uma distância segura, mas os olhos dele continuavam fixos nela através da penumbra do quarto.
Ela fechou os olhos, tentando se convencer de que aquele homem era o marido que ela odiava e temia. Mas, no fundo de sua mente, uma voz perigosa sussurrava que aquele homem era o maior e mais delicioso erro de sua vida. E o jogo mal tinha começado.
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