Máquinas
1 One shot
Notas iniciais
boa leitura !
- Então, vamos passear? – Ele olhou em meus olhos e estava sorrindo, eu estava em uma cama, talvez eu estivesse acordando, ele estava de pijama. Tudo parecia muito claro. Olhei para os lados. Eu vi a cama bagunçada, os lençóis brancos amassados, meus chinelos no chão, ao lado dos chinelos dele. A visão perfeita de tudo o que eu sempre sonhei. Eu, ao lado do meu amor Joe, eternamente!
Olhei para minhas mãos, uma visão minimamente embaçada, como se eu olhasse para um holograma. “Não é nada demais, minha vista sempre fica assim quando eu estou com sono!” Pensei, pois o que realmente me importava naquele momento era o anel em minha mão direita.
Anel não! Permita-me corrigir, aliança. Uma aliança em ouro branco com pedras brancas, talvez diamantes, cravadas e dentro dela escrito “Eu estarei lá pra te salvar. Joe”.
Eu estava namorando ele? Como eu estou namorando o amor da minha vida e não me lembro? Eu não me lembro do que aconteceu ontem! Não me lembro o porquê estou deitada aqui! Não me lembro dele me pedindo em namoro. O que esta acontecendo comigo?
- Levanta logo amor, o dia não espera! – Joe me chamou mais uma vez.
Ainda confusa levantei da cama, não sentia meus pés, mas eu estava andando, como se eu assistisse a um filme, onde a câmera se aproxima das coisas. O que há de errado comigo?
Fui ao banheiro, escovei os dentes, mais uma vez não senti a escova em minha boca, mas eu sabia que ela estava lá. Olhei-me no espelho. Talvez alguém tivesse acabado de tomar banho, pois o espelho estava muito embaçado. Eu esfregava-o com minhas mãos, mas nada acontecia, assim como eu não sentia minha mão tocá-lo.
Realizei minha higiene matinal, como sempre, mas dessa vez apenas assistindo e não a executando. Achei estranho, mas aquele estado de êxtase que eu ficava a cada vez que olhava para Joe, me fazia esquecer de todas as minhas preocupações.
Fomos tomar café da manha juntos. Eu não reconhecia aquela casa. Era pequenininha, tinha poucos moveis, era tudo branco! Parecia casinha de boneca.
- E então amor... Vamos? – Joe se levantou da mesa e piscou para mim.
Estávamos próximo à porta, prontos pra sair... Joe parou na frente do espelho e começou a se admirar... Alguém tinha tomado banho na sala? O espelho estava embaçado assim como no banheiro. Joe parecia se ver, e eu o via no espelho, mas minha imagem ficava muito embaçada... O que há de errado comigo?
Decidi não perturbar Joe com minhas preocupações, podia não ser nada demais, apesar de estar me preocupando!
- Joe, aonde nós vamos? – Perguntei á ele um pouco atordoada.
- Se eu contar não será surpresa certo? – Disse o mesmo com uma carinha malandra...
- Você sabe o quanto eu odeio surpresas, sou curiosa, preciso saber!! – Eu insistia crente de que ele iria me contar, mas foi em vão.
- Não insiste anjinho, confia em mim.
Eu entrei no carro e o deixei me guiar, confiava nele cegamente, foi aí que comecei a pensar, como era nossa historia mesmo?
Eu sempre fui apaixonada por ele, isso sempre foi evidente, todo mundo sabia, menos ele, afinal ele era mais velho, popular e comprometido, e nunca, com certeza NUNCA nessa vida, cogitou a possibilidade da minha existência! Como teríamos chegado a este estagio de namorados? Como eu confio tanto nele? Como eu não me lembro de nada?!
- Namorados! – Pensei em voz alta, encantada, enquanto Love is on it’s way tocava no radio do carro.
- Namorados? – ele riu — Você quis dizer noivos né?
Fiz cara de quem estava surpresa, mas de quem estava gostando.
- Entendo que você esteja um pouquinho perturbada, mas até de mim você se esqueceu? – Ele perguntou sorridente com todos os seus dentes brilhantes.
- Não, eu não me esqueci de vo... – eu fiz uma pausa e olhei pra ele de olhos arregalados – Amor, porque eu estaria perturbada?
Joe fez uma cara de arrependimento evidente...
Antes que ele pudesse se explicar, nós chegamos ao tal lugar...
Um parque de diversões! Como era lindo!! Tudo colorido, encantador, musicas alegres tocando, barulhos de risadas. Facilmente se notava minha felicidade em estar naquele lugar encantador, com ele!
Entramos no parque, o primeiro brinquedo era a roda gigante, com luzes, até então apagadas, afinal a luz do dia, provavelmente elas não sortiriam efeito.
Olhei assustada, não havia ninguém nela! Olhei a minha volta, não encontrava ninguém!
- Quem quer maça do amor? – Joe me perguntou com duas maças do amor na mão.
- Meu doce favorito! – respondi pegando uma da mão dele.
- Eu sei anjinha, eu sei!
Parei por um momento, para observar os olhos dele. Aqueles olhos que me passavam tanta segurança, que me faziam feliz, que me seguravam no desespero... Que olhos perfeitos!! Além dos olhos perfeitos, ele é perfeito, me trouxe ao lugar perfeito, apareceu do nada com meu doce predileto na mão...
Apareceu do nada? Mais uma coisa estranha para minha cabeça... Parques de diversão vazios, imagens holográficas, minha vida sendo assistida, por mim mesma, e agora meu suposto namorado aparecendo com maças vindas do nada?
Como pode algo ser tão perfeito e tão confuso ao mesmo tempo?
- Anjinha! Vem pra cá. — Joe me chamava, dei a primeira mordida na minha maça do amor, a primeira mordida é sempre a mais difícil, e mais divertida, mas como já era de se esperar, eu não a senti. Minha mastigação foi interrompida.
Joe me chamava novamente, mas eu não o via. Fui então a sua procura.
Atualização 06/06
Saí correndo em busca de sua voz. Onde ele estaria?
Em frente á um grande labirinto, denominado labirinto do horror, havia quatro pessoas, de costas.
Enfim alguém naquele parque. As coisas estariam voltando ao normal?
- Com licença? – Gritei indo em direção á eles.
Três meninos e uma menina viraram-se para mim.
- Oi Hellô! – Respondeu Beatriz, a única menina da turma.
Senti uma forte dor em minha cabeça! Espera aí!!! Eu senti? Sim eu senti! Com certeza as coisas estão voltando ao normal!!!
Pequenos flashbacks começaram a se passar na minha frente. Flashbacks os quais me fizeram lembrar que não tinha apenas uma menina naquela turma... Tinham duas, e eu era uma delas. É claro! Meus melhores amigos, João Pedro, Matheus, Beatriz e Rafael..
Fiquei aliviada em vê-los, mas ainda estava preocupada com Joe.
- Que bom vê-la! – Disse João Pedro, tentando uma aproximação.
Aproximei-me deles, estávamos todos juntos agora.
Matheus olhou para mim, e logo em seguida olhou para a palavra “Horror” escrita na placa que indicava do que se tratava o labirinto.
- Então, dona Heloisa, já que você sempre foi a mais corajosa de nós, que tal nós entrarmos no labirinto pra você provar sua coragem? – Ele me olhou, com uma cara desafiadora.
- Com certeza! – Respondi. Adoro desafios. Logo em seguida, pensei NELE. – Talvez eu encontre o Joe lá dentro. – Completei.
Os quatro olharam pra mim, assustados:
- Heloisa, você veio pra cá com o Joe?
- Sim, por quê? – Respondi confusa, afinal, se eu tivesse realmente algo com Joe, meus melhores amigos saberiam não é?
Beatriz riu ironicamente:
- Não acredito que você caiu na lábia daquele safado! Não acredito que ele conseguiu enganar a menina mais esperta da escola!!! Ele realmente é bom.
- O que? – Porque eles estavam me falando aquelas coisas sobre ele?
- Ok Hellô, até entendo que você esteja um pouquinho perturbada... – Interrompi Rafael no mesmo momento.
- Porque todo mundo entende que eu esteja perturbada, menos eu? – Eu estava cada vez mais confusa.
Rafael mostrou-se arrependido, e os outros o olharam muito bravos.
- Hellô, não dê ouvidos ao Rafa! Você sabe que ele não sabe o que fala. Deixe isso pra lá. O que importa é que agora você sabe que o Joe é um traste, e não vai mais se deixar enganar por ele, certo? – Disse Beatriz, desconversando.
- É. – Com certeza, aquele foi o “é” menos convincente e mentiroso que eu já disse, além disso, eles sabiam que eu não deixaria isso pra lá!
- Então, vamos entrar no labirinto? – Convidou João Pedro.
Atualização 11/06
Entramos no labirinto, o Sol começara a se por, já estava ficando tarde. Mas já?
- Tive uma idéia. – Disse Matheus.
Eu estava com a cabeça longe, observando aquele labirinto. Em suas paredes, pequenas frases pintadas, e fotos de pessoas, as quais eu não reconhecia o rosto. Ao começar a ler, as letras se confundiam em minha mente, e minha vista ficava ainda mais embaçada. Coisas estranhas haviam voltado a acontecer!
Matheus continuou:
- Porque nós não nos dividimos e apostamos uma corrida? Quem chegar por ultimo na saída, pagará o médico.
- Médico? – Perguntei confusa.
Eles se entreolharam do mesmo jeito que olharam para Rafael, á algum tempo atrás. Logo percebi que as próximas palavras, seriam mentiras e enrolações. O que eles estariam tentando esconder de mim?
- Médico é modo de dizer Hellô! Significa que a próxima coisa que nós formos fazer, e for paga, quem paga é essa pessoa. Nós sempre usamos essa expressão! Você não se lembra? – Rafael era um ótimo ator.
- Eu não me lembro de muita coisa. – Disse. Com certeza, naquele momento eles pensaram que eu tinha engolido a explicação fajuta de Rafael. Não era mentira, minha memória falhara muitas vezes hoje, mas eu sei quando as pessoas estão escondendo algo de mim.
- Mas enfim, parece uma boa idéia a do Matheus. Vamos nos dividir? – Disse Beatriz.
- Só temos um probleminha na divisão. O mesmo problema de sempre. Como dividir 5 pessoas em um número exato? — Matheus
- Algum grupo vai ficar em desvantagem. – João Pedro
- Do jeito que tá a cabeça da Heloisa, ela não conta como uma pessoa inteira, só meia. – Rafael.
- O que? – Fiz cara de brava.
- Você sabe que eu to brincando. Eu te amo — Disse o mesmo, me abraçando e me dando um beijo na testa, o qual eu não senti como era de se esperar. Um cheiro forte de maconha invadiu minhas narinas. Minha cabeça doeu fortemente e mais um flashback se passou em minha mente. Eu, com o cigarro na mão. Eu não! Nós...
Sorri falsamente.
- Então os grupos se dividem como? – Perguntei ainda um pouco atordoada.
- Que tal cada um por si?
Olhamos um para o outro e saímos correndo, um em cada direção.
Eu desviava das paredes, ainda tentando ler alguma coisa. Parei! Estava ofegante, a partir dali poderia começar a ir devagar. O objetivo era achar a saída e não correr desesperadamente pelo labirinto. Ouvi uma risada diabólica que me deu arrepio na espinha. Á essa altura, até tinha me esquecido que era o “Labirinto do Horror”.
Na parede, a figura daquele senhor de idade, desconhecido, se transformava diante de meus olhos. Quem era aquela pessoa que agora ocupava o lugar dele?
- Joe! – Gritei, inconscientemente.
Ele estava deitado no chão, se contorcendo, com dor. O rosto dele estava embaçado, e era impossível identificar a roupa que ele usava. Não que eu não a enxergasse, somente que meu cérebro estava incapaz de processar aquela imagem.
- Joooooooe!!! – Gritei o mais alto que eu consegui, na esperança de ele me ouvir. Foi em vão... Onde ele estaria? Como eu faria para minimizar aquela dor que ele sentia que agora, doía em mim também?
Atualização 13/06
Correr desesperada pelo labirinto não me parecia a melhor opção, porém no momento, estava muito atordoada para pensar, precisava achá-lo imediatamente.
Eu corria cada vez mais rápido entre aquelas paredes, as frases passavam diante de meus olhos, fazendo com que eu juntasse metade de uma, com a metade de outra, tornando as frases malucas, e me deixando maluca junto com elas. Comecei a ouvir gritos aterrorizados... De onde vinha aquele barulho?
Um monstro pintado de palhaço, com uma boca enorme, que gritava como um louco foragido do hospício apareceu na minha frente, me fazendo cair brutamente no chão.
Chorava, não de medo do monstro, aquilo não me assustava! Mas as coisas girando na minha cabeça, aquelas vozes gritando, o medo de perder o Joe, e estar sozinha naquele lugar horrível já havia me deixado louca!
O monstro saiu de perto de mim, me sentei no chão, encostei-me em uma das paredes e comecei a pensar, porque tudo aquilo estaria acontecendo? Porque comigo... Eu chorava cada vez mais assustada, já não sabia mais o que fazer!
- Heloisa? – Olhei para cima.
- Matheus! – Ele estava parado, olhando pra mim, parecia preocupado.
- Está tudo bem? – Ele perguntou estendendo uma mão, para me levantar.
Não respondi, apenas aceitei sua ajuda pra levantar. Abracei-o, enquanto chorava em seu ombro. Diferente do que eu senti quando abracei Joe hoje, aquele abraço não me passou segurança, só mais medo, tornando meu choro infinito.
- Ta vendo o que ele faz com você?
- Como assim? Ele quem?
- O Joe. Você estava correndo atrás dele, não estava? – Olhei pra ele desconcertada – Não precisa mentir pra mim, eu sei que tudo o que falamos dele, entrou por um ouvido e saiu pelo outro, você sempre foi assim, mas se eu fosse você, começaria a pensar em tudo o que falamos. Não falamos á toa. Você sabe que nós queremos o melhor pra você.
Atualização 21/06
Quando ele encerrou aquela frase, ouvi uma voz, longínqua dentro de minha cabeça. “Será que é ele quem te faz mal?”. Mais um flashback incontrolável de minha mente.
- Heloisa, meu cigarro! – Beatriz estendia a mão para mim, esperando algo.
Abri a minha bolsa e retirei de dentro dela uma caixa de cigarros, quase vazia.
- Aqui! – entreguei a ela.
- Não vai querer Hello?- João me perguntou ascendendo o seu.
- Não! Eu to reduzindo... – eu sorri, orgulhosa.
- Reduzindo? Que coisa careta é essa dona Heloisa? Pensei que você fosse das nossas! – Disse Rafael rindo.
- E sou. Mas eu tenho meus motivos. – Me virei parar pegar algo na minha bolsa...
Eu respirava ofegante, como se aquele flashback tivesse me consumido. Faltava-me ar, eu estava tremendo. Afastei-me devagar de Matheus e olhei pra ele com certo nojo.
O gosto do cigarro veio em minha boca me causando enjoo.
- Eu fumo? – Pensei em voz alta.
- Não mais. – Matheus me respondeu.
Eu me sentei no chão novamente, e ele se sentou ao meu lado.
O que será que eu ia tirar da bolsa? Qual o motivo de eu ter parado de fumar?... Mais perguntas sem respostas...
Atualização 28/06
Ficamos por mais algum tempo sentados lá, até eu recuperar meu fôlego para continuar.
- Eu acho melhor nós prosseguirmos juntos, você não me parece nada bem! – Disse Matheus.
- Não Má, eu estou bem. Alem disso, preciso estar sozinha para colocar minhas idéias no lugar. Obrigado viu! – Disse a ele o mais carinhosamente que eu conseguia.
- Ok Hellô, mas não se esqueça de pensar, principalmente sobre o que eu te disse. – Ele estava se referindo á Joe.
Consenti com a cabeça. Agora, tinha que continuar minha procura por Joe. A falta que ele fazia, era cada vez maior, meu peito apertava toda vez que eu pensava nele. “Será que meus amigos têm razão?”. Por um momento saí de mim! É claro que eles não teriam razão, o que o Joe teria feito de mal a eles pra eles ficarem com tanta raiva dele?
- Anjinha? – Eu reconheci aquela voz imediatamente.
- Meu amor!! – Me virei pra olhar pra ele. Que alivio!
Ele estava encostado em uma das paredes do labirinto, com pose de galã. Aproximei-me dele e notei que o desenho da parede contornava seu corpo, e acrescentava uma coisa a sua silhueta. Uma aréola.
Não rir diante daquela cena, era impossível. Abracei-o fortemente, ainda rindo um pouco da situação.
- Como é bom te ver!!!
- Que foi anjinha?
- Ta tudo tão confuso! – Talvez aquela, não fosse a melhor hora pra contar a ele tudo o que estava acontecendo, mas eu sentia que ele era o único que poderia me ajudar. – Começou hoje de manha, e agora... – Comecei a chorar desesperadamente, mais uma vez.
Joe me olhou desconfiado.
- Anjinha, por um acaso, você encontrou com seus amigos?
- Como você sabe? – Olhei pra ele, já não tão surpresa, afinal, parece que todo mundo sabe mais da minha vida do que eu!
Ele riu ironicamente.
- Hellô, eles te falaram alguma coisa sobre mim?
- Não! – Me doía muito mentir pra ele, mas achei que teria que tirar minhas conclusões, sozinha, e a opinião dele, com certeza, acabaria influenciando na minha!
- Heloisa, não mente pra mim! – Ele parecia muito bravo e rude. Assustei-me com o comportamento dele, e ele percebeu. – Quer dizer... – ele limpou a garganta [n/a: ecaa!]
- Anjinha, eu sei tudo o que eles disseram pra você, palavra por palavra... Porque você mentiu pra mim?
Parte 2.
Senti meu rosto enrubescendo.
- Você não vai entender!
- Desde quando eu não entendo alguma coisa que você me conta amor? – Ele disse decepcionado.
- O problema, é que nem eu entendo! Eu não sei pra onde ir, eu não sei á quem dar ouvidos, eu não sei nada nem sobre minha própria vida, e vocês ainda ficam pressionando-me, tentando me fazer acreditar em algo, que eu nem me lembro se eu realmente vivi... – Meu desabafo deixou-o sem fala, ele apenas me abraçou.
- Eu sei que você esta confusa, e imagino que não esteja sendo fácil pra você, mas nós temos que continuar. Nós temos que sair desse labirinto. – Ele segurou minha mão, e me acompanhou.
- Joe, você esta bem? – Perguntei á ele, recordando a cena que eu havia visto na parede do labirinto.
- Claro anjinha. Nós estamos juntos, não estamos?
- Não foi isso que eu quis dizer. De saúde? Você esta bem de saúde? – Eu estava claramente preocupada.
- Acredite, a minha saúde é a que menos importa nesse momento. – Ele disse com um leve sorriso no rosto.
- Se não a sua, a de quem?
- A sua! – Ele parou, e manteve os olhos fixos em mim. Será que agora seria a hora de contar a ele sobre meus devaneios, meus flashbacks, minha perda de memória? Ou será que ele já sabia? Se soubesse, não me surpreenderia, afinal, parece que todo mundo aqui sabe mais de mim, do que eu mesma.
- Minha saúde ta perfeita amor. – Disse á ele, dando uma risadinha mentirosa no termino da frase e dando um selinho nele.
Ele sorriu, sabia que eu estava mentindo. Não sei como, mas eu sei que ele sabia!!
Continuamos seguindo, de mãos dadas por um longo tempo, até que ouvi um grito.
- De novo não! – Pensei em voz alta. Uma lagrima escorreu de meu olho involuntariamente.
- Hellô, fique aqui, eu vou ver o que esta acontecendo.
- Não vai não! Você não pode me deixar sozinha aqui, eu estou com medo. – Admitir o medo nunca foi meu forte, mas eu não podia deixá-lo ir.Naquela circunstancia, meu maior medo era perdê-lo.
- Heloisa! – Uma voz se aproximava. Virei para ver quem era.
João Pedro, Beatriz, Matheus e Rafael estavam atrás de mim. Eles olhavam fixamente para Joe, e Joe retribuía o olhar.
Me senti no meio de um tiroteio, agora era a hora da verdade!
Atualização 02/07 Parte 1
- Você não ouviu nada do que dissemos não é? Como você é teimosa! – Disse Beatriz me repreendendo.
- O que você disse á ela Beatriz? Alguma coisa me diz que ela fez bem em não te ouvir! – Disse Joe exaltado.
Matheus ascendeu um cigarro... Senti uma forte dor de cabeça, falta de ar, minha vista escureceu....
- E sou. Mas eu tenho meus motivos. – Me virei parar pegar algo na minha bolsa...
Segurava em minhas mãos, uma caixinha. O motivo de eu ter parado de fumar. Sorri e a abri.
Recuperei-me de mais aquele flashback com lagrimas nos olhos. Eles não tinham como saber o que havia se passado em minha mente, então resolvi encenar... Jogar verde, pra colher maduro.
- O que vocês disseram pra ela? – Joe estava gritando muito alto.
- Apenas a verdade... Que você não presta. – Rafael respondeu, sem medo algum.
Joe avançou pra cima dele, mas eu o interrompi.
- O que esta acontecendo aqui? Parem com isso. Joe se controle! – Olhei pra ele, minimamente irritada.
- Chegou a hora da verdade – Disse Matheus tomando a frente – Está mais do que na hora da Heloisa saber o que esta ocorrendo.
- Ah, por favor, né! Até que enfim, alguém do meu lado.
- A historia é a seguinte... – Nos sentamos no chão. Meus amigos de um lado, Joe do outro, e eu no meio. À medida que João Pedro ia falando as coisas iam se passando na minha cabeça, me fazendo chorar incontrolavelmente... – Hellô, você, eu, a Beatriz, o Matheus e o Rafael, somos amigos desde nossa infância... Aos cinco anos de idade, já tínhamos mais historias para contar do que nossos avos terão um dia. Ano passado, mudamos todos juntos pra escola de Sorocaba.
O interrompi:
- Não me enrolem, comecem dos cigarros, por favor.
Joe continuou:
- Eu te conheci no inicio desse ano, você era fumante, drogada, e bêbada. – Ao ouvir aquilo da boca de Joe, meu coração doeu com uma força imensa. – Eu apenas te salvei de tudo isso.
Tirei minha aliança, e olhei dentro dela... “Eu estarei lá para te salvar. Joe” Agora fazia sentido...
- Salvou? Você a roubou de nós! – Acusou Matheus. – Hellô, nós éramos felizes! Éramos o quinteto perfeito... Todos nos invejavam, nossa vida era ótima! As drogas eram apenas pra nós nos divertirmos um pouquinho...
- Ninguém te salvou de nada, porque você não queria ser salva! – Disse Beatriz. – Esse menino, se intrometeu na sua vida, e tirou a sua felicidade! Ele te afastou de nós Hellô, seus amigos.
Grandes amigos esses, que me levaram pro “melhor caminho”... Tendo eles, nem preciso de inimigos... Joe havia realmente me salvado. Apenas pensei isso, não disse nada... Queria terminar de ouvir a historia...
- O motivo de eu ter parado de fumar..? – Perguntei
- Esse pateta que você chama de noivo pediu pra casar com você.
Rapidamente, me vi abrindo a caixinha que eu havia tirado da bolsa naquele flashback...
Ele era o motivo... Com certeza, ele tinha me salvado...
- A maior das perguntas.. – Disse olhando nos olhos de cada um deles... – Porque estou aqui? Porque o comportamento de vocês? Porque meus sentidos estão confusos? Porque tenho esses flashbacks repentinos que estão me enlouquecendo? PORQUE EU NÃO LEMBRO DE NADA?
- Um acidente... – Rafael começou.
Parte 2
Um clarão invadiu minha vista... Eu já não os via mais... Apenas os ouvia...
João Pedro:
- Em um parque de diversão...
Matheus:
- A noite...
- Quem é o corajoso que vai à montanha russa?
Eu levantei a mão... Eu sempre era “a corajosa”
- E o corajoso que vai me acompanhar?
- Eu ainda não estou drogada o suficiente pra fazer isso... – Disse Beatriz aspirando o pó branco da mesa.
- O egoísmo, vai ‘cheirar’ tudo sozinha mesmo? – disse Rafael tomando a carretilha de sua mão.
- Não entendo porque vocês ainda fazem isso!!! – Disse indignada...
- Não entendo porque você não faz mais... – Disse João Pedro, que já estava completamente alto.
Sorri levemente...
- Joe!
- Claro! A nossa desgraça... Porque esse cara tinha que aparecer na nossa vida? Careeeta!!! – comentou Matheus.
- Vamos pra montanha-russa logo?- Eu disse me levantando.
“Quem vai no carrinho da Hello?... Quem vai na frente?... Eu vou primeiro!!... Medroso!!”
Aquelas vozes rodavam em minha cabeça, sem imagens, seguidas de risadas... Era possível deduzir o que estava acontecendo... Aquela mancha de sangue me veio a cabeça...
“Socorro!!... Isso esta fora de controle!!!... Não tem como parar!... Eu vou te amar pra sempre!... Doutor, como nossa filha esta?... Coma induzido!!”
Senti uma dor forte pelo corpo todo... Estávamos dentro de uma sala de espelhos, eu, meus amigos, e Joe.
- Agora que você já sabe, você terá que escolher – Disse Joe.
Eu não estava entendendo nada...
- Ou você vem conosco, e volta pra tudo aquilo, que causou o acidente, mas que um dia te fez feliz, ou vai com o senhor careta! – Disse Beatriz
- Nunca pensei ter que escolher entre vocês!!!
- Você tem que decidir amor... Os seus amigos, e ir com eles, ou vir comigo... – Disse Joe, carinhosamente.
Era difícil escolher entre eles, mas algo me dizia que eu teria que tomar aquela decisão á qualquer custo. Meus supostos amigos, que me levaram as drogas? Ou meu amor, que me tirou de tudo isso? O Joe, não estava na montanha-russa! Dei a mão pra ele, e não senti mais nada...
- Dr., minha filha ficará bem? – A Mãe de Heloisa estava aos prantos
- Ela esta em coma induzido. O acidente na montanha russa causou graves lesões no crânio... – Disse o doutor.
- Eu quero falar com a minha filha, por favor!
- O que podemos fazer pela senhora, é tirar sua filha do coma, por alguns minutos, mas nada mais do que isso.
- Quero isso agora!! – Disse Joe decidido.
- A senhora concorda? – Perguntou o medico com a seringa na mão.
A mãe de Heloisa consentiu com a cabeça...
- Mãe?
- Filha! Ai graças ao bom Deus!!!
- Joe?
- Sim, sou eu anjinha... Sou eu!
- Mãe, onde estão meus amigos? – Heloisa perguntou com a voz ainda fraca.
- Eles não sobreviveram ao acidente...
- Então, quando eu decidi entre meus “amigos” e o Joe eu estava escolhendo entre a vida e a morte? – Pensei em voz alta.
- Doutor, eu acho que ela esta alucinando. – A mãe de Heloisa gritou
FIM!!!
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