Máquina de Matar - Fedemila
17 Capitulo 17
Notas iniciais
(Por Ludmila)
Eu caminhei alguns passos e me encostei de novo na parede no corredor. Eu não sabia o que estava acontecendo comigo e me sentia estranha e, principalmente, péssima. Então, de repente, me dei conta. Eu sentia. Eu estava sentindo! Mas como? Eu não queria sentir aquilo! Voltei a caminhar e entrei na sala do Dr. James.
— Ludmila, onde está o rapaz? – Dr. James parou o que estava fazendo e olhou para mim
— Ele me prometeu que não vai contar nada. Pode soltá-lo.
— Você não deveria acreditar nisso. Não podemos deixa-lo vivo! Ele tem que ficar de boca calada!
— Olha, eu sei que ele não vai dizer nada. Se eu tivesse alguma dúvida, eu não pediria para soltá-lo.
— Você tem certeza?
— Você criou um ser superinteligente e não confia nele?
— Tudo bem. Mas se acontecer de uma pessoa saber, eu juro que te desligo. – Essa era a minha maior ameaça. Eles tinham o meu controle, podiam fazer qualquer coisa caso eu “desse defeito”. Inclusive me desligar. Isso seria como morrer.
— Isso não vai acontecer. Eu prometo.
— Tudo bem. Aqui está a chave da sala que ele está, quero que o acompanhe até a porta.
— Tudo bem. – Eu disse pegando a chave.
Fui andando o mais rápido que eu podia até a salinha em que Federico estava trancado. Virei a chave devagar e abri a porta. Ele estava deitado no pequeno sofá olhando para o teto. Ele não parecia nada bem e eu queria saber o que fazer. Quando entrei, ele nem me olhou.
— Você já pode ir. Eu consegui fazer com que eles não te matassem.
Ele se levantou e passou por mim, ficou olhando para o lado esperando que eu o levasse pelo caminho certo.
— É só me acompanhar. – Eu falei.
Fomos andando pelos silenciosos (e que agora pareciam torturantes) corredores brancos até chegarmos ao grande portão branco, onde o carro do Federico continuava estacionado.
— Tchau. – Eu disse. Mas ele não respondeu, nem sequer me olhou. Ligou o carro e saiu de lá o mais rápido possível.
Entrei na Sede novamente e fui até a Sala de Treinamento. Lá o Bryan me esperava.
— Tá atrasada, mas não se preocupe. Eu sei o que aconteceu.
— É. – Eu disse revirando os olhos.
— Você nos colocou numa fria.
— Ele não vai contar nada!
— Eu se fosse você não teria tanta certeza.
— Ele é um idiota. – Pela primeira vez, falar aquilo não era divertido.
— Bom, não vamos perder mais tempo. Vamos treinar.
Os primeiros trinta minutos foram normais, mas depois eu fiquei cansada. Eu nunca havia ficado cansada! Era muito diferente. Mas eu não podia deixar isso transparecer, senão iriam perceber que havia algo de errado comigo e eu corria o risco de ser desligada.
— Podemos parar Bryan? – Perguntei no meio do treino.
— Por que?
— Sabe, eu tô meio nervosa com isso que acabou de acontecer.
— Mas você não tinha certeza que ele não contaria nada?
— Eu tenho, mas isso tudo me deixou um pouco tensa.
— Tá bom então. Está dispensada.
Saí de lá o mais rápido possível e fui para o meu apartamento. Abri a porta com as mãos trêmulas, passei por ela e fui correndo para o meu quarto.
Me sentei na cama e encostei minha cabeça na cabeceira. Coloquei a mão no peito e senti algo. Não era possível. Arregalei os olhos e me olhei no espelho do meu quarto.
NÃO ERA POSSÍVEL.
Eu sentia a pulsação acelerada e forte e aquilo me assustava. Eu não conseguia acreditar, mas era real. O problema é que doía. Naquele momento doía demais e eu não sabia mais o que fazer. Senti meu olhos se encherem de água e minha visão ficar meio embaçada, até que uma lágrima escorreu pelo meu rosto.
Me deitei e fiquei ali por sei lá quanto tempo, me sentindo terrivelmente viva. Era muita coisa na minha cabeça. Acho que acabei dormindo, pois acordei com o rosto meio úmido com o barulho do meu celular. Agarrei ele na esperança de que fosse Federico. Mas não era. Era uma mensagem de León.
León: O que aconteceu com o Federico? Ele tá trancado no quarto há mais de três horas.
Fiquei olhando para a mensagem sem saber direito o que fazer. Olhei para o relógio e vi que já eram dez da noite. Ou seja, o resto da noite eu ficaria acordada. Resolvi passar na casa dele. Ferre-se que já eram dez da noite, ferre-se que eu teria que ir ao colégio no dia seguinte. Aquela sensação antes desconhecida estava me sufocando e eu já não aguentava mais.
Troquei de roupa e fui a pé até a casa de Federico. A casa estava escura, eu devia estar sendo muito inconveniente, mas eu não me importava muito. Toquei a campainha e depois de dois segundo esperando toquei pela segunda vez. Escutei as chaves na porta, que se abriu e pude ver Federico. Ele estava com olheiras e com uma cara péssima. Assim que me viu fechou a porta, mas eu o impedi.
— Federico nós precisamos conversar. – Eu disse segurando a porta.
— Não quero conversar com você.
— Não vou sair daqui até conversarmos.
— Fique aí então. – Ele disse quase fechando a porta, mas eu usei uma forcinha a mais e entrei.
— Vai embora. – Ele disse.
— Já disse que não vou sair daqui até conversarmos.
— Fala logo.
— Me desculpa Federico. O que eu disse aquela hora não era de verdade, eu só estava tentando parecer não me importar porque todos estavam lá ao nosso redor, não posso demonstrar fraqueza perto deles.
— Claro né, você é um robô. – Ele disse sarcástico.
— Federico, eu não queria te dizer aquilo! Eu juro!
Ele se virou de costas para mim. Ele não estava acreditando.
— Federico olha pra mim! – Eu disse ficando mais nervosa.
— Você acha que eu quero mesmo fazer isso? Você acha que é fácil olhar pra você quando eu consigo ver que você não passa de uma máquina inventada por um motivo que você não quer contar? Se você não quer me contar é porque você saber que eu só vou me afastar de você e então você não vai terminar essa sua pesquisa ridícula!
— Por favor, acredita em mim!
— Não consigo.
— Eu te conto tudo.
— Então me conte logo. Antes que eu me arrependa. – Ele disse se sentando no sofá impaciente.
— Eu sou um robô. Fui criada pelos Aliados, um grupo de pessoas superinteligente que não toleram outros tipos de pessoas que tenham uma capacidade mental menor que a deles. Eles me criaram e criaram milhares de outras máquinas pra acabar com essas pessoas. Isso acontecerá em poucos dias.
Ele me olhou incrédulo e espantado. É, eu também ficaria.
— Quer dizer que vocês querem matar todo mundo só porque...
— Isso.
— Que ótimo, serei um dos primeiros então.
— Mas eu acho que não quero fazer isso. – Eu disse completamente contrariada em ter que matar Federico.
— Você não tem escolha. Relaxa, você não vai mais precisar mentir pra mim quando me matar.
Olhei para o chão. Eu sabia o que ele estava sentindo. Doía tanto nele quanto em mim. Agora eu entendia. Levantei a cabeça e vi Federico olhando para o lado. Ele estava tenso, se segurando para não chorar.
— Eu... Eu te amo.
— Eu não acredito em você.
— Então eu vou te provar.
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