Mágica - Livro I
16 Apenas uma quinta-feira
Na quinta-feira, Thomas se levantou se sentindo melhor. Percebeu que havia dormido por quase 12 horas depois de muito tempo sem dormir, e talvez esse fosse o motivo da sua plena recuperação. Já pensava que não deveria subestimar mais o próprio sono.
Ele foi para escola de ônibus com ouvidos atentos. Nunca se sabe quando uma boa conversa revela algum detalhe levemente energizante. Seu ônibus para na rua de trás da escola, o que o leva a usar uma entrada menos convencional para os alunos, mas ótima para ouvir professores e outros trabalhadores da escola enquanto eles fumam.
Passando por eles, ele vê Cláudia, uma das zeladoras, fumando o cigarro que ele julga ser o mais fedorento de todos sob um beiral do prédio da educação fundamental.
— Bom dia, Cláudia! – ele sempre a cumprimentava.
— Dia, garoto!
— Eu vi que interditaram o banheiro do corredor três ontem, foi por causa do forro?
As reações dela eram engraçadas, ela trocava o peso de uma perna para a outra balançando a cabeça de forma exagerada e erguendo os dois dedos que seguravam o cigarro.
— Não te falei que ia acontecer? – quando ela falava mais do que duas palavras, era possível notar a rouquidão de sua voz – E eu tô avisando todo mundo faz dias, agora vão correr pra arrumar. E quem vai ter que se virar?
— Você, né?
— A otária aqui. – ela tragou o cigarro, raivosa – Mas eu acho que não vão arrumar tão cedo não.
— Mas e aí como fica?
— Vão arrumar só o vazamento e deixar aquele buracão no teto mesmo. Esse diretor aí não arruma verba para nada.
— Puta merda hein.
— É, eu falo! Ser diretor é fácil, qualquer amigo do primo do vereador consegue. Agora ser um bom diretor, aí já é outra coisa.
Às vezes as conversas com Cláudia rendem algum bom segredo de alguém. Hoje não parecia ser o caso, mas Thomas riu da piada da zeladora.
— Você tem toda razão. Eu vou lá, Cláudia, bom trabalho!
— Estuda bem, garoto!
Ele seguiu cruzando as quadras poliesportivas e o gramado, subiu a rampa que dava acesso ao prédio onde estudava e mantinha ouvidos atentos. Entrando no seu corredor, via um tanto de cima todos os outros alunos, o que ajudava a identificar rapidamente seus colegas de classe na porta da sala-de-aula.
Melissa conversava com Laulau, as duas eram, para ele, uma estranha dupla. Não tinham muito em comum, apenas uma amizade de anos.
— Não, e ele acha que eu tô sendo chata! – Melissa falava – Poxa, se ele não sabe o que vai fazer, o que custa escolher algo que tenha na mesma faculdade que eu quero prestar?
— Ele pelo menos viu? – Laulau respondia.
— Que nada, disse que não tem nada que interesse ele e pronto.
— Amiga, você não quer ir longe, às vezes ele também fica na região!
— Bom dia. – Thomas diminuía o passo se aproximando delas.
— E aí, cara misterioso! – Laulau estava o cumprimentando assim desde que a amiga de Melissa havia o abordado no festival.
— Bom dia, Tom. – Melissa o fazia se abaixar para cumprimentá-la com beijinhos no rosto – Amigo, me ouve aqui, diz se eu tô maluca.
Ela passou todos os minutos até o sinal descrevendo um problema mundano com o namorado. Ela quer fazer administração em uma faculdade próxima, ele não sabe o que quer fazer. Ela pede para eles tentarem a mesma faculdade, ele diz que não tem o que o interessa lá. Ela diz que ele não viu quais são os cursos e ignora o fato de ser uma faculdade relativamente pequena e particular, que talvez ele já saiba quais cursos estão disponíveis ou simplesmente não tenha dinheiro para pagar. Mas ao ouvir o sinal, o comentário de Tom se resume a:
— Administração é um curso bem comum, você já viu em outros lugares?
Ela levanta as sobrancelhas.
— Verdade, né?
Ele ri. Os três entraram na sala, Lucas ainda não chegou, mas ele se atrasa com frequência. André e Cass também não estão, o que sugere que ambos devem estar na escada de emergência aproveitando os efeitos de hormônios adolescentes. Ele não sentiu o campo telepático dela ainda desde que chegou, talvez precise estar no campo de visão dela? Perguntaria depois, já tinha uma pequena lista de perguntas sobre os poderes dela a fazer.
Depois de acomodado na carteira, viu Lucas e André entrarem dando risada na sala de aula. E nada de Cass? Ela ainda não havia faltado nenhuma vez. Talvez o feitiço de ontem realmente tenha a exaurido. Deveria se preocupar?
Deixou passar as primeiras aulas, fingindo ser um bom aluno atento enquanto prestava atenção em conversas paralelas. No intervalo, esperou que alguém comentasse a ausência da garota, mas não o fizeram. Perguntar não era nada demais, era? Não, claro que não. Então o fez:
— A Cass não veio hoje, ela tá bem? – ele olhava para o grupo todo, mas principalmente para André.
— Eu não sei. – Laulau encolheu os ombros em dúvida.
Todos se entreolharam, negando com a cabeça.
— Achei que você ia saber. – Tom disse olhando para André.
— Eu? – o garoto pareceu confuso – Ah, eu pensei em mandar mensagem.
— Tsc, verdade, era uma boa desculpa pra puxar assunto! – Lucas fez que sim com a cabeça.
— Ah, sei lá… – André não parecia confiante e Tom não conseguia imaginar por qual motivo.
— Vocês quase se beijaram no Coliseu, eu acho que química tem! – Laulau fazia que sim com a cabeça.
— Mas depois a gente não teve mais nenhuma chance, nem ela deu abertura… – André se lamentava um pouco.
Tom sentiu um nó em sua mente, seu coração deu um leve tropeço, desacreditado. Ela fez! Elas fizeram! Nenhum deles se lembrava, apenas ele. Por quê? Assim, de repente? O que ele havia perdido em doze horas de sono?
— Pensando por esse lado, – Thomas voltou à conversa buscando soar natural – mandar a mensagem pode soar desesperado, ela provavelmente vem amanhã e você poderia só esperar para perguntar.
— É! É o que eu acho. – André fez que sim com a cabeça.
— Ai, vocês homens pensam demais. – Melissa girava os olhos.
A conversa voltou ao seu estranho normal, com notas escolares e comentários sobre a próxima festa junina da escola, mas algo se inquietava dentro de Thomas. Era pura preocupação, ele sabia que independente do que havia motivado Cass a seguir com o plano e alterar a memória de tantos, ela deveria estar arrasada.
*
Cícero havia começado a trabalhar muito cedo em uma restauração. Ensaiava em falar com a filha sobre seu amigo, mas Cass estava estranha ultimamente. Chegava da escola muito pensativa, no dia anterior parecia acabada e se colocar à disposição para conversar não vinha sendo suficiente.
Lavou as mãos no tanque no fundo da casa para entrar e buscar mais um café, se surpreendendo com sua filha mais velha ainda sentada à mesa, empurrando pedaços de fruta pelo prato como se não pudesse comê-los.
— Cass?
— Ah, oi… – ela estava ainda pior do que no dia anterior.
— Vocês não foram para a escola?
— Agda foi.
— Sozinha?
— Agda já se vira melhor do que eu, pai.
Cassandra deu uma risada seca e fraca, engolindo a ironia das coisas. Se lembrava de chegar nesse mundo com um pai fragilizado e uma irmã tão pequena que ela precisava ajudar a cuidar, e agora a pequena Agda e seu pouco gosto por regras que havia salvado a todos.
Cícero se sentou ao lado da filha, quieto e calmo se servindo de café.
— Filha.
— Hm?
— Tem algo que você deveria me contar, não tem? – a garota engoliu a seco, erguendo os olhos para o pai – Por que você não tem me contado?
Ela soltou o garfo sobre a mesa, pensando em como colocaria em palavras.
— Você me protege muito.
— Eu sou seu pai, essa é minha função.
— Mas eu me sinto mais protegida do que respeitada às vezes. – ela se sentia mal em dizer isso, sabia que o pai estava tentando, mas nunca houve uma conversa onde eles conseguissem pensar em jeitos melhores de tentar. Cícero não sabia como responder, e sabia que não precisava, porque ela continuou: – Nós estamos há tantos anos aqui e você nunca me disse o porquê! Eu tenho vontade de viver coisas que não sei como conseguir e você é o único que conseguiria antecipar e me preparar pra isso.
— Cass… – ele suspirava – Nós fugimos por uma questão de sobrevivência, eu acho que você já sabe disso.
— Sei…
— Então se você quer pensar no por que estamos aqui, no por que nós não estamos na nossa verdadeira casa ajudando a resolver o que nos trouxe para cá, é porque precisávamos proteger você e Agda. – Cícero não se sentia confortável em falar sobre isso, lembrava das loucuras que Ariane se comprometia a fazer – Porque em algum momento eu não vou ter peso nenhum nas suas decisões, não vou conseguir te impedir de nada, nem que seja muito estúpido, mas até lá meu trabalho é garantir que você cresça.
Cass fazia que sim com a cabeça, mas mordia a própria boca com um pouco de raiva. Queria tanto conseguir brigar com o pai, mas entendia que suas motivações eram genuínas. Queria explodir, mas naquele momento sua dor maior não era aquela. Se levantou andando para a sala, secando lágrimas, odiava estar repetindo esse movimento tantas vezes nos últimos dias.
— Cass! – o pai vinha atrás dela – Cass, é por isso mesmo que você está assim?
Ela soluçava. Teria que contar que não namorava mais com André em algum momento, se sentia tão patética, uma garotinha chorona, mas o colo de seu pai seria tão reconfortante agora. Ela conseguiria explicar o que aconteceu sem falar de Thomas? Sim, sem dar detalhes, ela conseguiria. Desabou se sentando no sofá.
— Aconteceu uma coisa… – Cícero se sentou ao lado da filha, apenas a ouvindo – Eu e Agda tivemos que alterar a memória do André e de todos os meus amigos.
— Como assim? – ele esperava drama adolescente, não algo que parecesse tão complicado, afinal de contas quem das duas tinha essa capacidade? – Cass, isso é perigoso!
— Eu não tinha escolha! No festival, eu fui abordada por um cara bem mais velho, e era alguém com quem eu tinha estudado em 2001! – a voz saía trêmula – André estava comigo e entendeu que tinha algo errado. Ele… fugiu de mim. Nós tentamos alterar a memória só daquele instante, e funcionou um tempo, mas… O feitiço se desfazia. O único jeito era fazer ele esquecer que tínhamos namorado, e por consequência todos que chegaram a nos ver juntos… – Cassandra ficava vermelha enquanto falava.
— Por que você não me disse?
— Porque você ia achar que eu fui descuidada, e eu não fui! Tanto que nós alteramos todas as lembranças ontem a noite, – ela respirava fundo tentando evitar que a voz ficasse aguda – eu não tive sequer chance de me despedir e o pior é que nem foi tão difícil… Eu nem significava tanto quanto eu achava.
— Filha…
Cícero se comovia, mas como dizer “isso é só um coração partido” sem ofendê-la ou parecer insensível a sua dor? Ele não sabia ao certo. Tocou o braço da filha e ela o abraçou, chorando, desesperada em colocar sentimentos para fora. Naquele momento Cícero apenas se permitiu ser um pai, deu tapinhas nas costas, manteve a filha por perto e deixou que Cassandra chorasse. Ela o soltou aos poucos, se ajeitando no sofá.
— Eu sou patética. – ela murmurava.
— Você só está triste. – ele estendeu a mão e um copo com água vinha flutuando da cozinha.
— Mas eu odeio ficar triste!
— Não dá pra controlar isso, filha.
O copo estava perto dos dois, flutuando.
— Eu odeio que a única alternativa que eu tenho é sofrer em segredo igual uma coitadinha!
Cass falava com força, quase gritando entre os dentes, mas ambos perceberam quando o copo trincou. Trocaram olhares, desconfiados.
— Você fez isso? – Cícero olhou para a filha.
— Eu… acho que eu fiz?
Molhando o tapete da sala, a água começou a escapar pelas trincas.
*
Tom voltava para a sala depois do intervalo com seus amigos. Pensava em escrever uma mensagem para Cass, buscando saber se ela gostaria de conversar, mas ao mesmo tempo não teria como ouvi-la até às três da tarde.
— Garoto! – a voz chamou sua atenção, era Cláudia acenando para ele e fazendo para segui-la.
Ele apontou para si mesmo fazendo cara de dúvida.
— Você mesmo! – ela confirmava – Estão te chamando na secretaria.
— O Thomas na secretaria?! – Laulau fazia questão de manifestar seu estranhamento.
— Que susto, achei que fosse eu. – Lucas disse baixo.
Thomas se afastou dos amigos seguindo Cláudia, confuso. Em 18 anos na Terra, nunca havia sido chamado para a secretaria!
— Mas o que eu fiz? – ele quis saber.
— Eu sei lá, garoto, eu só busco os moleques.
A secretaria ficava ao lado da biblioteca, no exato ponto de união entre os prédios do ensino fundamental e do médio. Cláudia o direcionou para o balcão de atendimento, para onde ele seguiu. A estagiária da secretaria ergueu os olhos para ele.
— Mandaram me chamar. – ele disse.
— Thomas? – ela perguntou e ele afirmou com a cabeça – Ali.
A estagiária apontou para uma área lateral de espera, onde Thomas reconheceu a garota de faixa rosa no cabelo se levantando de um sofá. Ele foi até ela, curioso.
— Oi, Tom.
— Agda, eu notei. – ele queria aproveitar o momento para falarem, mas imaginava que teriam pouco tempo. – Vocês fizeram!
— Sim, aqui está a nova versão oficial dos fatos. – ela lhe entregou um caderno brochura de capa azul – Desculpe não conseguir entregar mais cedo, eu estava passando a limpo.
Ele folheou o caderno, ele possuía datas e resumos do que parecia ser as alterações realizadas por Agda. Leria com atenção depois, agora tinha outra pergunta:
— Como ela está?
— Destruída, né? – a irmã deu de ombros – Ela teve que me emprestar energia para fazer isso, foi um processo doloroso.
— Mas por que ela decidiu fazer isso do nada?
— Ué, por você!
“Por mim?” Thomas pensou. Não conseguia conectar os pontos e sua confusão transparece, porque Agda continuou:
— Ela falou que você parecia fraco ontem enquanto o feitiço estava se desfazendo, você está melhor?
— Sim…
— Eu também não entendi de cara. Mas o feitiço estava perdendo força, André estava desconfiado de alguma coisa e eles discutiram por ligação. Daí ela considerou contar a verdade para ele, porque ele ficava exigindo sinceridade, mas tinha você.
A confusão deu lugar para a culpa. Ele engoliu a seco, por um lado agradecido por ela ter o considerado, já que ele julgava “contar a verdade” uma decisão muito ruim. Por outro lado, Cass sofria agora, abdicando de se arriscar porque havia notado, antes mesmo dele, que ele sofreria. Afinal de contas, agora o segredo era de todos eles.
— Mas que bom que você está bem. – Agda falava em um tom firme demais para a idade que tinha – Tem só mais uma coisa que eu tenho que te falar. Te pedir.
— Pode dizer. – ele respirava fundo.
— Eu menti para Cass. Memórias importantes são difíceis de apagar ou de reescrever e eu disse para ela que as memórias de André não foram tão difíceis para quem se dizia tão apaixonado…
— Puta que pariu. – Tom estalou a língua, sua energia aumentou levemente. – Por que deixar ela ainda mais acabada?
— Porque se ele pensa que eles não tiveram nada, pode muito bem achar que ainda podem ter uma chance! – a menina se explicava com pressa – Você não pode deixar eles ficarem se aproximando de novo.
— Eu?!
— É! Quem mais?
— Como eu vou fazer isso?
— Sei lá, não deixa ele ficar sozinho com ela… Ou fica com ela você, só dizendo. – ela desviava o olhar e olhava para ele de novo buscando sua reação.
— Não sei se é uma boa ideia. – ele não transparecia, mas por dentro se perguntava se Agda havia notado alguma coisa.
— Tem coisas mais perigosas do que isso.
Uma das trabalhadoras da escola chamou atenção deles ao longe.
— Agda, você precisa voltar! – ela avisava.
— Já vou! – Agda respondia e olhava para Tom de novo – Só pense no que eu disse.
— Eu vou tentar ajudar. – Não do jeito que ela estava sugerindo, e com certeza não agora. – Avise sua irmã que se ela quiser conversar comigo, ela pode aparecer.
— Isso! Boa iniciativa.
— Não é uma iniciativa.
— Tchau, Tom! – a menina se afastou voltando para a ala do ensino fundamental.
— Tchau!
Ele segurou o caderno com as duas mãos, respirando fundo. Cass estava solteira, mas estava sofrendo, não era hora de pensar em oportunidades. Ele nem fazia o tipo dela mesmo, as probabilidades não estavam a seu favor.
*
Agda chegou em casa, estranhou o silêncio, mas percebeu a porta dos quartos aberta para o quarto de Cass. Seguiu até lá e estranhou a cena quando entrou. Seu pai e sua irmã estavam sentados, ele na cama e ela em uma cadeira, ambos encarando seriamente um copo de vidro trincado que flutuava.
— O que é isso? – ela perguntar.
— Cass fez isso. – o pai apontou o copo.
— A gente acha que eu fiz. – a irmã corrigiu.
— “Isso” o que exatamente?
— O trinco. – Cass respondeu.
— Estava flutuando, do nada ela falou mais alto e puff! – Cícero explicou.
— Ah…
A menina mais nova chegou mais perto, se inclinando para frente para ver o copo de perto, na altura de seus olhos.
— Não chegue tão perto, fique aqui. – o pai a chamou estendendo a mão.
— Por quê?
— Pode estourar.
A mais nova se sentou ao lado do pai e olhou para irmã mais velha. Finalmente Cass poderia estar entendendo algum poder?
— Você tentou de novo? – Agda perguntou.
— Tentei algumas coisas, mas… – Cass balançava a cabeça fazendo que não.
Cícero suspirou, se levantando.
— Eu vou ver o jantar. Continue tentando! – o pai incentivou antes de sair do quarto.
Cass suspirou e andou até a bateria, pegando suas baquetas para treinar enquanto pensava no que fazer. Olhando para Agda, ela parecia ter o que dizer, mas estava analisando o copo flutuante.
— Foi tudo bem hoje? – a irmã mais velha perguntou.
— Foi. Eu entreguei o caderno para o Thomas.
— Hm… Ele falou alguma coisa? – Cassandra torcia a boca.
— Só que percebeu as diferenças hoje de manhã. Ele também não parecia saber da relação…
Cass deu uma risadinha seca martelando o chimbal com as pontas das baquetas, mantinha um ritmo sólido e ágil que a ajudava a pensar.
— Até parece que ele não ia perceber a própria energia diminuindo. Ele só não confiou em mim para dizer mesmo.
— Não, Cass, ele realmente não parecia saber. Ele estava preocupado com você.
— Uhum. – Cass não parecia convencida.
— E ele disse que se quiser conversar com ele, era só aparecer.
— Eu vou pensar, obrigada.
Agda suspirou antes de sair do quarto e fechar a porta.
*
O outono já havia se estabelecido e a noite era fria. Thomas estava de suéter, tinha outro casaco nos braços e aguardava do lado de fora, pensando que seus pés já estavam bem frios. Deveria entrar e pegar meias? Mas e se Cassandra aparecesse? Já estava esperando ali fazia bastante tempo e ela não havia mandado nenhuma mensagem, nada. Será que ela viria? Esperou mais alguns minutos ouvindo a estridulação dos grilos, sentindo frio, verificou o relógio e aos poucos só aceitou. Ela não vinha dessa vez.
Fale com o autor