Notas iniciais
Demorou, mas saiu ... E vou dar spoilers... MENTIRA.... Esperamos ansiosamente que gostem. Boa Leitura...

Diretora K.

– Vamos logo, fale qual aluno foi encontrado? – meu corpo todo tremia.

– Harry Hansen! – ele falou engasgando.

Meu susto foi grande, a família Hansen era muito tradicional, seus descendentes estudavam na escola a muitos séculos. Dar a noticia pra família seria horrível, mas já sabia que teria de partir de mim.

– Onde o encontraram? – Não sei porque estava tão calma, mas minha mãe sempre me dissera que em situações turbulentas era minha função ser racional.

– No corredor da biblioteca, estava destruído, identificamos pela tatuagem nas costas.

Lembrei de que realmente ele tinha um dragão tatuado nas costas, eu ficava brigando com ele para colocar a camisa nas aulas. Por que alguém o mataria de maneira tão cruel?

– Vamos, preciso ver de perto. — Falei puxando Jeremiah para fora da sala.

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Athenodora

Cheguei ao quarto e me sentei, estava exausta, precisava de um banho, logo atrás chegaram Jow que estava toda suada e suja de vermelho, parecia sangue, mas lembrei que ela pintava e Felly que sorriu pra mim, seu cabelo estava preso em um rabo de cavalo alto, o que era estranho pois ela odiava prende-lo. Elas se dispersarão pelo quarto e eu me manti imóvel no sofá. Felly cantava feliz uma musica do Justin Bieber, e Jow havia colocado seus fones e tirava as manchas vermelhas das mãos. Elas praticamente me ignoraram e cada uma foi fazer suas “coisas”. Chateada!

Peguei meu celular e coloquei no youtube, estava vendo vídeos da Demi Lovato e já queria sair dançando, quando Madson entrou no quarto sorrindo de orelha a orelha, ela puxava alguém, vi um braço, me pareceu familiar, mas ignorei. Parei de ignorar quando vi o resto do corpo que se juntava o braço. E tremi!

– Oi Athen! – Logan, o menino por quem ela veio brigar comigo sorriu e ela me fitou levantando uma sobrancelha.

– Oi Lo! – Respondi indiferente, mas meu corpo tremia, ele era o cara mais gostoso que eu já havia pego, cabelos castanhos e rebeldes que desciam até seus ombros, olhos castanho esverdeados, tatuado e magricela. Perfeito. Mas não ia pirar e agarra-lo não queria mais brigar com a Madson.

Ela o puxou pra um canto e eles conversavam enquanto ele mexia nos cabelos freneticamente.

Os autofalantes da escola fizeram um apito antes de a voz da diretora surgir chamando a todos imediatamente para o auditório, não sei o que havia acontecido, esperava que fosse uma noticia boa.

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Jeremiah

– Professor infelizmente não será tão fácil identificar o culpado, tem sinais de queimaduras, afogamento, e marcas roxas de força nas partes que ainda estão inteiras.

O homem da autopsia falava enquanto apontava para o corpo, ou o que havia sobrado de um corpo do aluno Harry.

– Entendo, vou ver se nas câmeras da escola algo aparece, precisamos dar pra família uma explicação plausível pra tal ocorrido.- Me despedi do rapaz e sai rumo a sala de segurança.

Passei por alguns alunos que murmuravam sobre o assassinato de Harry, e seus amigos choravam como menininhas, o que era quase inimaginável.

A sala da segurança era monitorada por dois vampiros, Jenny e Ralf eles eram gêmeos, se não fossem do sexo oposto não saberia quem era quem. Pedi a eles para ver as gravações das ultimas horas de segurança. De inicio nada de anormal, alguns alunos lendo em corredores, outros se beijando, deveria lembrar de conversar com eles depois. Foram longas quatro horas de filmagem até que algo me chamou atenção, Harry estava saindo da biblioteca, nem sabia que ele lia. Ele passou pelo corredor e seguiu rumo aos dormitórios, meio minuto depois voltou como se tivesse esquecido de algo. Foi então que aconteceu.

Quatro pessoas acreditava que fossem pessoas, era difícil de discernir, pois estavam cobertas dos pés a cabeça por longas capas pretas, e usavam máscaras, de uma cara assustadora, eles o pararam abruptamente e ele se viu confuso e acuado, uma das figuras o segurou por um dos braços de repente, o torcendo e foi ai que a sessão de gritos começou, e logo foi abafada por outra mão, os quatro sombrios agiram muito rapidamente enquanto quebravam seus braços e pernas, um deles estendeu a mão e ele começou a pegar fogo, era horrível presenciar aquilo. Mais elementos foram envolvidos, como o ar que o sufocou e a água que o afogara. Até agora seu corpo pegava fogo dos pés até a cintura, mas foi se espalhando pra cima, em seu tórax e costas. Ele tinha um olhar assustador, de sofrimento e dor.

Nós três, Jenny, Ralf e eu olhávamos o vídeo como um filme de terror, com olhos fixos esperando o pior, era possível ver sua carne se deteriorando até que finalmente, não sei se por piedade ou por maldade uma das figuras o torceu o pescoço com força e ele caiu inerte, já sem vida, as quatro silhuetas saíram andando, em direção as sombras e sumiram,

Demoramos cerca de um minuto em silencio e imóveis, como por luto, mas na verdade era choque. Já havia presenciado cenas terríveis, mas essa, dentro da escola e com uma pessoa conhecida me revirou o estomago. Quatro criaturas frias e sem identidade estavam matando alunos “ Inocentes “.

Algo realmente precisava ser feito.

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Luciel

Sai da sala de musica com um pouco de dor de cabeça, as meninas do coral cantavam muito alto, eu não gostava de musica na verdade, mas era isso ou culinária.

Desde o dia em que fui chutado pela loira gostosa não a tirava da cabeça, os olhos de um azul profundo e celestial, os cabelos loiros como se fossem tingidos pelo sol, o corpo como, bem como de uma sereia, o cheiro de flores que ela emanava, tudo ficou marcado na minha cabeça, e quando eu menos queria pensar sobre isso eu a via, de longe com as amigas, distraída e sorridente, e ignorando minha existência.

Eu havia ouvido boatos sobre o comportamento dela, diziam que ela deixava os vampiros sugarem seu sangue em troca de sexo, mas sinceramente não conseguia acreditar.

Eu estava andando pelos corredores e lembrei que tinha um trabalho de biologia pra entregar dai a dois dias. Então mudei meu rumo e fui em direção a biblioteca, o corredor estava bloqueado por fitas, tipo aquelas de filmes policiais, e muitas pessoas tiravam fotos do lugar e o inspecionavam, eu não sabia o por que da aglomeração então perguntei pra algumas garotas do clube das bruxas o motivo daquela cena toda. Elas me explicaram que um dos meninos vampiros, Harry , havia sido assassinado de maneira cruel, o nome não me era estranho, mas minha memoria não me ajudava a recordar de onde eu conhecia. Até que lembrei. Harry era o menino vampiro que havia espalhado coisas sobre a menina loira, ele havia mordido-a na festa da fogueira e ela o estava evitando fiquei processando por alguns segundos a informação, e então segui para o auditório quando uma das meninas bruxas puxou o meu braço

– Você tem uma coisa... Uma sombra, sua aura é tão tempestuosa. – ela falou arregalando os olhos. – Não acha Jenifer? – ela perguntou pra amiga, sem tirar os olhos de mim.

Jenifer era a mais velha entre as bruxas, ela era sobrinha da professora de magia, seus grandes olhos verdes se arregalaram, quando ela me fitou.

– Como não havia percebido antes? – ela perguntou mais para ela do que para nós. – Você transparece o seu pai.

Eu gelei, minha intenção nessa escola nova era que ninguém soubesse minha descendência. Ela não havia citado o nome do meu pai, mas não era necessário, podia ver que ela já havia entendido. Pensei em dar mil desculpas e dizer que ela estava enganada, mas decidi seguir rumo o auditório, enquanto ela e a amiga ficaram rindo baixinho.

Pelo jeito ser filho de Lúcifer era uma cruz que teria que carregar.

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Fellypa

Após o pronunciamento da diretora, fomos em direção ao auditório, não havia mais ninguém nos corredores portanto sabíamos que estávamos atrasados, eu segui mais a frente mexendo no celular, Jow e Athen estavam bem atrás de mim, de braços dados e conversavam distraídas, e um pouco distantes delas Madson andava abraçada no garoto de cabelos longos. Chegamos ao auditório bem depressa a diretora já fazia um discurso então resolvemos esperar para não tumultuar. O que não adiantou muito, pois ela nos olhou e na medida em que os olhos delas nos fitaram, o restante de olhos seguiram para nós, todos nos encaravam.

– Meninas sentem-se, por favor! – ela falou seria e friamente, o que era estranho vindo dela. – nós seguimos para a primeira fila, onde tinha alguns lugares vazios e nos sentamos. – Como eu estava um de nossos alunos foi encontrado morto de maneira bem estranha, havia resquícios de uso de magia, elementos para ser mais exato, e uso de força bruta, nossas câmeras de monitoramento, flagraram o momento do assassinato e Jermiah vai nos mostrar exatamente o que aconteceu.

Não havia percebido a presença de Jeremiah que estava mais ao fundo em frente a um computador, o projetor da escola começou a mostrar as cenas do assassinato e elas eram horríveis, os quatro vultos de capuz me causavam arrepios e nesse momento grande parte dos presentes choravam e se lamentavam, eu não conseguia esboçar uma reação, era muito violento, não conseguiria desejar isto nem mesmo a Harry. A diretora mandou tirar o vídeo no exato momento em que ele começou a pegar fogo, acho que ela havia entendido que todos ali já tinham visto demais. Então ela continuo falando.

– Nossa segurança foi duplicada com magia, e mais guardiões, apesar de eu achar que os criminosos vieram de dentro da escola. — ao dizer isso ela nos olhou e um burburinho começou.

Não vi o exato momento em que Athenodora se levantara, mas ela já estava bem na frente da diretora e o burburinho sessou.

– A senhora acha que fomos nós? – ela não gritava exatamente, mas sua voz ecoou pelo auditório, uma voz magoada. – A senhora nos conhece a vida toda, e acha mesmo que teríamos coragem de matar alguém daquela forma?

Todos ali pareciam encaixar algumas peças, até que um dos amigos de Harry falou as lagrimas:

– Vocês teriam motivos de sobra, estavam com raiva que ele estava acusando a prostituta de sangue. – ele falou com muito ódio e então entendi o que estava acontecendo, Mad e Jow se levantaram, Mad tinha uma expressão seria e Jow já chorava, elas ficaram imóveis me olhando, a diretora e Athen faziam o mesmo. Então me ergui e falei.

– Eu poderia dizer que estou chocada que pensem isso de mim, ou das minhas amigas. – olhei para trás para fitar melhor meus colegas. – A uma semana atrás vocês se matavam para sair com uma de nós, e de repente somos as criminosas aqui? – me voltei para a diretora – A senhora nos conhece desde que éramos pequenas, viu nosso crescimento, nos ajudou... sabe quem somos e o que somos melhor que qualquer um desses babacas aqui. Eu realmente estava magoada com Harry, mas daí mata-lo, eu não teria essa coragem, e ponho minha mão no fogo por minhas amigas. Isso é ultrajante. Vocês não tem provas de que fomos nós e estão nos julgando pelo que acham que sabem.

Eu realmente tinha a necessidade de colocar isso pra fora, desde o incidente na arvore eu não havia desabafado com ninguém, Athen e as meninas perguntaram inúmeras vezes se eu queria conversar e eu não sentia essa necessidade, mas aquilo havia tomado proporções absurdas.

– Querem saber a verdade? Vocês são um bando de adolescentes vazios que julgam os outros pra se sentirem um pouco melhor consigo mesmos. Athen é julgada por sair com vários caras, Jow por ser infantil, Mad por ser provocante e eu por ser sereia. Elas podem escolher o que eliminar dessa lista mas eu não posso e não quero deixar de ser quem sou. Tenho orgulho da minha raça e da minha integridade e eu juro por tudo que eu acredito que vou provar pra vocês que somos inocentes! — falei praticamente sem respirar,- E quando eu encontrar os culpados, vocês realmente vão ter motivos pra me chamar de assassina pois vou matar um por um.

Tive um momento de lucidez depois dos meus berros e de ver a cara de todos que pareciam bonecos de cera imóveis, a diretora me olhava surpresa, de acordo com a vida eu sempre me mantive calma e equilibrada, acontece que sou filha do mar, e assim como ele eu mudo muito depressa.

– Bem... amanhã é a chegada dos novatos do primeiro ano, haverá uma reunião na fogueira, são as tradições e por mais que não esteja de acordo essa “ festa de boas vindas “ deve ser feita, suas aulas de hoje estão canceladas, descansem e nos vemos amanhã!

Jeremiah falou surgindo das sombras onde estava, e todos fomos liberados, saímos de lá sobre pressão, não queria falar com ninguém, queria dormir e acordar com a consciência de que aquilo era um sonho ruim, mas sabia que mesmo que eu dormisse cem anos, ao acordar minha realidade me esperaria, e agora ela estava mais dura do que nunca.

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