Mystical
1 Prólogo
Notas iniciais
Terça-feira, 12 de outubro de 2013, nove e meia da noite.
Era uma noite fria de lua cheia em Misty, no Maine. Michael Knight e sua irmã, Jenna, estavam sozinhos em casa. Seus pais sempre o deixavam no controle, já que ele era 4 anos mais velho que sua irmã de 12 anos.
Passava um filme de terror na TV, e os dois estavam sentados no sofá da sala, assistindo. Jenna tinha uma xícara de chocolate quente nas mãos.
- A que horas você acha que a mamãe e o papai vão chegar? – Perguntou Jenna.
- Eu não sei, em algumas horas – Michael respondeu.
- Já são nove e meia e eles ainda não chegaram.
- Jenna, é o aniversário de casamento deles, e nove e meia nem é tão tarde.
Ela não disse mais nada, apenas continuou a assistir o filme.
Ding dong. A campainha soou.
- Eu vou atender – Michael disse.
- Não – Jenna segurou seu braço – A mamãe disse para não atender a porta enquanto ela estivesse fora.
- Ah, cale a boca – Ele se soltou da mão dela e foi atender.
Quando abriu a porta, o vento gelado da noite penetrou em sua pele, mas foi só isso. Não havia ninguém do lado de fora.
- Quem é? – Jenna perguntou, do sofá.
- Ninguém – Ele respondeu, sentando-se.
- Como assim ninguém? Alguém bateu na porta.
- É, mas não tinha ninguém, Jen, talvez fosse algum daqueles moleques que batem na porta e correm.
- Sério, Michael? Nessa parte da cidade? Só temos dois vizinhos aqui.
- Vai entender, né? – Ele disse, dando um gole na xícara de chocolate quente dela.
- Ei, isso é meu! – Ela reclamou, pegando a xícara da mão dele.
Ding dong. A campainha tocou denovo. Eles ignoraram.
Segundos depois, ela voltou a tocar.
- Eu vou acabar com esses pirralhos – Michael disse, levantando-se do sofá. Jenna sabia que os moleques não teriam chance contra seu irmão, pois, apesar de ter apenas 16 anos, já era maior até que o próprio pai e lutava jiu-jitsu.
- Eu tô ficando com medo, Mike.
- Você tem medo de tudo – Ele foi abrir a porta.
Mais uma vez o vento gelado o fez tremer de frio, e mais uma vez não havia ninguém lá fora.
Michael saiu da casa e deu uma olhada na varanda. Não havia ninguém por perto mesmo.
Ele olhou para a floresta, procurando por alguém escondido, mas não precisou se esforçar muito para perceber que havia sim alguém. Uma mulher vestindo um longo vestido preto e com um chapéu velho. Ela começou a andar, saindo da escuridão da floresta.
- Quem é você? – Michael perguntou.
A mulher não respondeu, apenas continuou andando.
- Olha, meus pais não estão em casa! – Ele avisou, pensando que a mulher estava ali por conta de seus pais.
- Eu sei, e por isso estou aqui, meu querido – Ela finalmente falou e então gargalhou, com uma voz grossa.
- Porra! – Michael disse e então correu para dentro da casa, trancando a porta.
- O que houve? – Jenna perguntou.
- Tem uma mulher lá fora – Ele respondeu, estava branco como papel.
- Isso não tem graça, pare!
- Não é brincadeira, Jen, vamos nos esconder.
Jenna olhou pela janela da sala e viu que era verdade. A mulher estava se aproximando.
- Oh meu deus, quem é ela?
- Eu não sei, mas com certeza ela não está procurando o papai nem a mamãe. Vamos!
Os dois correram para se esconder.
A maçaneta foi girada. A porta não abriu. A bruxa chutou a porta. Cada chute que a mulher dava deixava a porta mais fácil. Três foram o suficiente para que ela se escancarasse.
- Crianças – Ela chamava, com uma voz áspera – Venham aqui, crianças, eu vou leva-los para uma casa feita de doces – Ela deu novamente a gargalhada aterrorizante que Michael havia ouvido antes.
A bruxa andou pela sala, procurando pelas crianças, então se virou ao ouvir o barulho da porta batendo atrás de si e percebeu que as crianças haviam fugido. Estavam correndo em direção à floresta.
Por entre a floresta longa e sombria, Michael e Jenna corriam rapidamente, desviando-se de galhos baixos das árvores e plantas mortas.
Jenna tropeçou e caiu.
- Michael! – Ela gritou por ajuda e seu irmão prontamente parou e a ajudou a levantar-se.
- Rápido – Ele exclamou – Ela está vindo!
Os dois voltaram a correr desesperadamente. Jenna na frente. A floresta parecia mais densa a cada passo, estava cada vez mais difícil correr no meio das plantas no chão, até que conseguiram ver algo. Uma luz.
- Estou vendo luzes! – Jenna gritou, avistando as luzes – É a cidade, não está muito perto e minha perna está doendo muito, não vou conseguir correr mais, Mike!
- Só mais um pouco, Jen – Disse Michael, que estava bem atrás dela – Estamos quase chegando.
Jenna ouviu seu irmão gritar e então parou, olhando para trás. A mulher de preto estava com ele nas mãos.
- Não! – Ela gritou.
- Corra, Jen, corra!
- Não, Mike! – Ela gritou uma última vez, antes que a bruxa girasse o pescoço do garoto em 180 graus.
Jenna soltou um grito agudo e então voltou a correr, enquanto chorava pela cena terrível que havia presenciado.
A bruxa gargalhou alto e continuou a correr atrás da garota.
- Socorro!!! – Ela gritava, enquanto tomava cuidado para não tropeçar, afinal, se isso acontecesse, seria seu fim.
- Não adianta tentar, criança, ninguém foge da bruxa má! – Ela gargalhou novamente.
- Socorro!!! – Jenna gritou novamente, o que fez a bruxa gargalhar mais alto.
Quando percebeu que estava perto de sair na cidade, Jenna correu mais rápido. Estava muito perto, já conseguia ver algumas pessoas. Hoje era um dia de festas na cidade. Estava cheia de brinquedos do parque de diversões.
Jenna estava feliz. Achou que iria conseguir.
Estava a apenas alguns passos de sair da floresta. A bruxa continuava atrás dela.
Quando passou da última árvore e foi para onde havia pessoas, ela olhou para trás e percebeu que a bruxa estava a lhe encarar de longe, atrás de uma árvore. Não conseguia ver seu rosto pois um véu preto cobria, mas sabia que ela estava com raiva por ter fracassado.
Jenna procurou um policial que monitorava a festa.
- Com licença! – Ela disse, euforicamente.
- O que houve criança? – O policial perguntou, percebendo que ela estava muito nervosa.
- Tem uma mulher na floresta, ela pegou meu irmão! – Jenna respondeu, aos gritos.
- O que?
- Ela nos perseguiu pela floresta, mas não conseguiu me pegar.
Jenna começou a chorar.
- Ela matou meu irmão.
- Calma, calma – Ele tentou acalmá-la – Onde estão seus pais?
- Eles saíram para jantar.
- E vocês estavam sozinhos em casa?
- Sim.
- Olha, vamos te levar à delegacia e chamar seus pais, tá bom?
- Não! Ela ainda está lá, vocês têm que pegá-la agora, ou ela vai fugir!
- Tenha calma, nós vamos mandar uma equipe para buscar seu irmão.
Jenna olhou uma última vez para a floresta antes de entrar na viatura. Ainda conseguia ouvir a gargalhada da bruxa ecoando em sua mente.
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