Mystic Forks
4 Capítulo Três: Turn Into a Vampire
Por alguns anos, minha mãe biológica e eu vivemos em uma humilde casa em um vilarejo na França. O vilarejo em que vivíamos não possuía muitos habitantes e todos estavam acostumados a ajudar uns aos outros. Estava tudo indo bem, mas depois que recebemos a notícia de que a Alemanha nazista tinha invadido a Polônia, as coisas se transformaram num caos, não se podia mais confiar em ninguém. A Segunda Guerra Mundial havia se iniciado. No dia 3 de setembro de 1939, a Inglaterra e a França exigiram para que a Alemanha retirasse suas tropas, no entanto a Alemanha se recusou. Sendo assim a Inglaterra e França foram mais dois países a declarar guerra à Alemanha.
Tempos desesperados tomaram conta do mundo naquela época, milhares e milhares de pessoas estavam morrendo e lutando por sua sobrevivência. Tropas militares já começavam a invadir nosso vilarejo. A casa em que morávamos possuía um abrigo subterrâneo – era equipado com coisas necessárias, tais como água, comida, armas e roupas de segurança -, meu avô havia construído aquele lugar, pois sabia que mais cedo ou mais tarde um conflito entre nazistas e judeus poderia acontecer. Minha mãe não pensou duas vezes, nos levou para o abrigo subterrâneo, pois ela tinha em vista a nossa segurança. Eu era apenas uma criança de 12 anos, não entendia muito bem como funcionava a cabeça daquelas pessoas, só o que sabia era que eles iriam nos matar se não fugíssemos dali, eles poderiam invadir a casa e mesmo que não encontrassem ninguém, poderiam explodi-la, então a primeira coisa que surgiu em minha mente foi aconselhar a minha mãe a nos tirar daquele lugar horrível. Ela ficou meio insegura, por que talvez se saíssemos poderíamos não estar vivas para contar, mas se ficássemos também correríamos o risco morrer. Ficamos aproximadamente 20 minutos deliberando sobre sair ou permanecer. Estávamos entre a cruz e a espada.
Fugimos pela saída emergencial do abrigo. As coisas na superfície do vilarejo pareciam calmas demais, havia algo errado, há minutos atrás os sons dos tiros de canhões, bombas, eram audíveis e naquela hora nenhum barulho sequer poderia ser ouvido. Será que recuaram? Não sabia dizer, mas descartava essa hipótese. Estávamos procurando por algum cavalo ou carroça, nada a vista. Iremos morrer, pensei naquele momento. Minha mãe tentava me passar a todo custo uma imagem de segurança só para me acalmar, mas eu sabia que não tínhamos mais chance. Corremos para o outro lado do vilarejo, próximo à padaria, avistamos um homem todo de branco. Ele estava saindo da casa de um de nossos vizinhos, estava carregando uma pessoa ferida em uma espécie de maca com a ajuda de mais um outro homem que também estava vestido de branco. Ambos levaram a pessoa para algo que parecia ser uma carroça. Assim que voltou para buscar alguma coisa, avistou a mim e minha mãe. Ele acenou fazendo um gesto de “esperem aí”. Mamãe já estava me direcionando para o lado oposto da rua, para sairmos dali. Ele caminhava em nossa direção. Senti um arrepio na espinha, não podíamos confiar em ninguém, com certeza ele era mais um soldado nazista e vinha para nos executar. Não importa se ele estava carregando uma pessoa, com certeza a estava carregando para a morte. Segurei a mão de minha mãe com força, estávamos apavoradas. Ele se aproximou de nós, e meu único pensamento era sair correndo de lá.
– Tem mais pessoas além da senhora e da sua filha que ainda estejam aqui? – perguntou o soldado de uniforme branco, loiro de olhos cor de topázio nos alcançando.
Minha mãe nada respondeu ao homem, ela estava nervosa demais para isso, apenas continuou andando e me conduzindo.
– Senhora, eu não sou quem a senhora está achando quem sou. Sou médico e comigo também estão mais dois doutores, estamos juntando todos os feridos e refugiados deste vilarejo para levar à Paris. – o homem continuava a nos seguir.
– Quem me pode garantir que o que senhor está dizendo é verdade? – o tom de voz de minha mãe agora era de aflição.
– Sou o Dr. Cullen, Carlisle Cullen. Sei que na situação atual em que estamos confiar em alguém parece ser algo louco de se fazer, mas eu realmente sugiro que a senhora venha comigo. Provavelmente, a senhora deve ter me visto carregando um de seus vizinhos para a carroça.
– Não vou a lugar nenhum com o senhor. Minha filha e eu, vamos embora por conta própria. Agora o senhor nos dê licença por que monstros fardados estão atrás de nós.
Mamãe puxou-me pelo braço. O médico não desistia, assim que dávamos um passo ele dava outro logo atrás de nós. Seria uma espécie de encurralamento? Ou será que ele realmente estava tentando ajudar? Não sabíamos, mas algo me fazia acreditar nas súbitas palavras do Dr. Cullen. Um simples sentimento de esperança, talvez.
– Senhora, é a última vez que vou lhe pedir. Venha comigo e salve-se da guerra, pense na sua filha. – insistiu o médico.
Mamãe e eu nos entreolhamos. Será mesmo que aquele homem fardado de branco que dizia ser um médico era mesmo de confiança? Não sei o que estava se passando na cabeça de minha mãe, mas agora ela parecia estar acreditando no tal Dr. Cullen, por que se formos parar para pensar, se ele realmente fosse um deles, já teria nos matado assim que nos viu, ele não se daria o trabalho de gastar saliva com gente medíocre de um simples vilarejo.
– Tudo bem. Nós vamos com o senhor. – falou mamãe.
– Ótimo, vamos rápido! Já perdemos tempo demais conversando. Carroças nos esperam mais a frente.
– Para onde foram os soldados? – perguntou mamãe.
– Desde que recebemos o chamado para cuidar dos feridos deste vilarejo, não cruzamos com nenhum deles. Talvez tenham recuado por não haver mais quem matar. Vamos, depressa.
O médico nos conduziu até a saída do vilarejo. Lá, cinco carroças estavam paradas com dezenas de feridos se abrigando para garantirem uma chance de serem salvos. Os outros dois médicos prezavam a situação de pessoas gravemente feridas. Subi na carroça e me acomodei do lado de um senhor que estava ferido no ombro, sua camisa estava ensanguentada. Ele fora baleado. Dr. Cullen vinha logo atrás de mim ele iria se sentar ao meu lado estava ajudando os incapacitados a subirem na carroça. Mamãe sussurrou algo para mim e pude ler em seus lábios que ela sussurrava a frase “eu te amo, querida”, respondi a ela que também a amava. Ela ainda não havia subido na carroça, outras pessoas estavam subindo primeiro do que ela. Era muita gente para pouquíssimo tempo. Estávamos só esperando todas as pessoas subirem na carroça para partirmos. “Boom”. Ouvimos o som do canhão. As tropas militares haviam voltado!
– Temos de ir! – gritou um dos carroceiros.
– Há pessoas para subir ainda! – disse Dr. Cullen.
– Se não formos agora, nós morremos! – insistia o carroceiro.
Soldados vinham atrás de nós montados em cavalos fortemente armados. Aproximavam-se cada vez mais, o carroceiro estava certo, tínhamos que partir naquele exato momento, mas eu não iria a lugar nenhum sem minha mãe. Ela ainda estava no chão.
– Não vou sem minha mãe! – gritei.
– E nem nós, pode ficar tranquila. – disse o Dr. Cullen.
Os soldados estavam quase nos alcançando. Dr. Cullen franziu a testa e fez uma cara de quem queria dizer: “não podemos fazer mais nada a não ser irmos embora sem eles”. Mamãe também sabia que aquela era a única alternativa. Ela estava disposta a se sacrificar por mim. E não só ela, outras pessoas que também não teriam chance de se salvar, aguardavam sua morte para proteger suas famílias. Não, não, não. Eu não ia embora sem ela. Jamais.
– Cuide dela para mim, por favor! – pediu mamãe em um grito de desespero, era seu último pedido antes de morrer.
– Vamos embora! Agora. – ordenou Dr. Cullen.
Os cavalos que puxavam as carroças relincharam em coro, já estávamos em movimento.
– Não! Mamãe, por favor, não me deixe! – eu implorava indignada, mas já era tarde, os soldados já tinham chegado em nosso ponto de partida. Já a tinham pegado.
Eu gritava, berrava, chorava, queria pular da carroça que trafegava o mais rápido que as rodas de madeira aguentavam, queria tentar salvar minha mãe, mas Dr. Cullen me segurava com força em seus braços e cobria meus olhos com a mão, nós dois sabíamos que ela e outros que ficaram já estavam mortos. Eu queria me entregar aos nazistas, não suportaria viver sem ela, eu estava sozinha.
– Vai ficar tudo bem, eu vou cuidar de você! – ele dizia para mim enquanto dava um beijinho em minha testa, mas eu não estava nem aí. Não estava dando atenção a ele ou qualquer outra coisa que não fosse meu sofrimento e a angústia em meu peito. Eu só conseguia chorar e chorar, talvez tivesse doído menos se eu tivesse levado um tiro. A culpa era toda minha! Eu que coloquei aquela ideia suicida em sua mente. Se eu não tivesse aberto a droga da minha boca, nada disso teria acontecido... Ela não estaria morta! Dr. Cullen dava os primeiros socorros aos que estavam levemente feridos, depois ficou o resto da viagem abraçado a mim, numa tentativa tola de me consolar, mas nada que ele dissesse ou fizesse iria me fazer sentir menos culpa. Depois de algumas horas, chegamos a Paris. Alguns feridos foram levados aos hospitais, já outros não resistiram aos ferimentos e faleceram. Dr. Cullen ficou de plantão algumas horas para ajudar os sobreviventes ainda com vida e, eu fiquei dentro na recepção com as recepcionistas até ele terminar o seu horário. Antes de partirmos, ele prometeu a minha mãe que iria cuidar de mim e assim ele o fez, depois que foi liberado do plantão, fomos até o porto da cidade e pegamos um navio para os Estados Unidos.
Ele cuidou de mim como se eu fosse sua filha, assumiu o papel da figura paterna que eu não tive presente em minha vida, Dr. Carlisle Cullen já possuía uma família. Sua esposa Esme e seus outros filhos adotivos me receberam muito bem, eu era o mais novo membro da família Cullen. Quando fiz 15 anos, os Cullen me contaram a verdade sobre o que eram. Era demais para minha cabeça, mas mesmo assim tentei entender que eles não iam me transformar no jantar. Desde que soube do segredo, mantive uma conversa com o Carlisle e Esme. Eu queria ser transformada, queria ser como eles, queria ser feliz ao lado de minha nova família, queria viver eternamente junto com os Cullen, só assim eu poderia seguir em frente e esquecer os fantasmas do meu passado, mas ninguém parecia concordar com a minha decisão, sempre falavam “depois conversamos sobre isso”. No meu 17° aniversário, fiz questão de exigir ser transformada, ninguém parecia ter coragem suficiente para realizar tal ato, mas visto em consideração minhas súplicas e de tudo que eu passei sem minha mãe, Carlisle acabou atendendo meu pedido e me transformando, ele não queria me perder, eu era sua filha, não importava se não tínhamos laços de sangue, agora seríamos para sempre uma família!
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