Mystic Forks
3 Capítulo Dois: He Broke My Neck
Acordei no sofá da minha casa com o pescoço um pouco mole. Aaron tinha quebrado o meu pescoço. Desgraçado, pensei. Não imaginava que ele fosse fazer isso. Eu estava sozinha na sala por um momento, até Emmett adentrá-la.
– Acordou bela adormecida. – por mais que a situação fosse séria, meu irmão nunca perdia a piada e isso era uma das coisas que eu mais gostava nele.
– Foi você quem me trouxe para cá? – perguntei curiosa.
– Você passou horas demais fora, senti saudades da minha irmãzinha. Te vi caída no chão e te trouxe para casa.
– Por quanto tempo eu “morri”? – se um vampiro quebra o pescoço do outro, ele tem uma morte passageira. Não acontece nada demais, é como o desmaio para os humanos.
– Algumas horas apenas.
– Aquele troglodita do Aaron quebrou meu pescoço. Terminei com ele.
– Milagre de Halloween. Por que é que você estava com ele mesmo?
Está aí uma boa pergunta. Desilusão amorosa eu diria.
– Eu sou uma idiota.
– Não, você não é. Só estava cega de amor.
“Cega de amo” essas palavras não paravam de ecoar na minha cabeça. Eu podia estar bêbada, louca, alucinada, hipnotizada, tudo, menos cega de amor. Antes de eu “morrer” algumas horas atrás, eu falei para Aaron que não tinha do que eu me arrepender, pois eu já estava no inferno, mas existe sim uma coisa do que eu me arrependa... De um dia eu ter namorado com ele.
Havia anos em que não sentia medo, por que quando você é uma sanguessuga imortal (para não dizer monstro), não há muita coisa para se temer. Somos basicamente os maiores predadores da Terra. Só que a partir do momento em que o Aaron fez suas ameaças, senti um pouco receio. Acho que já está na hora de eu começar a armar minhas defesas.
Eram quase 18h e a casa já estava arrumada para a festa de Halloween. Alice deixara a sala de estar impecável, ela tinha um dom fantástico para decorações, ainda mais quando se tratavam de comemorações. A sala de estar estava decorada com bexigas nas cores pretas, roxas e laranjas, morcegos de borracha enfeitavam as cortinas. Alguns caixões foram posicionados na entrada indicando o caminho para festa. No jardim, foram colocadas algumas lápides. Irônico, eu diria. Não dormimos em caixões ou muito menos viramos morcegos, são apenas lendas humanas estúpidas.
Alice vinha toda sorridente exclamar sua admiração pelo trabalho feito na casa.
– Oh, como está lindo! Eu sou realmente uma ótima decoradora.
– Claro. – assenti, afinal, ela era mesmo uma ótima decoradora.
– Espero que nossos convidados honra gostem.
– Convidados de honra? Mas que convidados de honra? – perguntei confusa. A quem será que ela está se referindo?
– Sim. Convidados de honra. Os amigos do Carlisle de Mystic Falls.
Amigos de Carlisle de Mystic Falls. Acho que estou começando a me recordar. Stefan Salvatore se não me engano. O tal de Stefan Salvatore e sua namorada virão morar conosco por uns tempos. Stefan é amigo de longa data do Carlisle, todavia, eu nunca sequer vi a cara dele. Só ouvira falar.
– Ah claro, lembrei agora. – falei.
Eu realmente espero que esse Sr. Salvatore não seja um vampiro chato e rabugento de sei lá quantos séculos de vida. Já basta aguentar o mau-humor do Jasper.
– Parece que eles chegaram. – gritou Carlisle descendo as escadas enquanto fitava o vídeo da porta.
Duas silhuetas apareceram diante da nossa porta de entrada. A primeira era de um homem alto, de cabelos curtos castanhos claros, olhos verdes, pele clara e aparentava ter uns 17 anos, desconsiderando o fato é claro de ser um vampiro. A segunda era de uma mulher de estatura mediana, de cabelos compridos castanhos escuros, olhos castanhos, pele morena clara e aparentava ter 17 ou 18 anos. Eu não imaginava Stefan Salvatore dessa maneira, mas sim de barba, bigode e alguns quilinhos a mais.
Carlisle fora os atender, estava sorrindo bastante, queria ser o mais recíproco possível. Fazia tempo que eu não o via sorrir deste jeito. Talvez a emoção de rever o amigo seja gratificantemente relevante, por que segundo ele, não o via há bastante tempo – e com bastante tempo quero dizer, anos e até mesmo séculos.
– Oh Sr. Salvatore! É muito bom te ver de novo! – saudou Carlisle.
– Dr. Cullen, também é muito bom revê-lo. Esta é Elena Gilbert, minha namorada. – dissera Stefan.
– É um prazer, Srta. Gilbert. Sinta-se a vontade!
– Oh, o prazer é todo meu Dr. Cullen. – disse a garota.
– Disponha. É uma honra poder ajuda-los. Vamos entrem!
Carlisle os apresentou primeiro à Emmett e Jasper e depois seria a nossa vez.
– Stefan e Elena, estas são minhas filhas: Rosalie, Alice e Selena.
– Stefan Salvatore! É um prazer conhecê-las – dissera Stefan Salvatore com um toque de formalidade – Esta é minha namorada, Elena Gilbert.
– Prazer! – dissemos em coro.
Stefan Salvatore era um cara bem educado, boa pinta, mas era comprometido com Elena Gilbert, doce, simpática e... Humana. Eu podia ouvir o coração dela bater a quilômetros e quilômetros daqui. Podia sentir o cheiro do sangue correndo em suas veias. Não que isso seja um problema, pois convivi com Bella – minha cunhada- e muitos outros humanos, mas não sei se Jasper iria se sentir confortável com sangue fresco caminhando pela casa toda manhã, tarde e noite.
– Bom, meu filho mais velho, Edward, sua esposa e sua filha ainda não chegaram. Foram visitar o pai da minha nora. – explicou-lhes Carlisle.
Carlisle fora os apresentar a casa. Cada cômodo, cada metro quadrado e depois os instalou em um quarto de hóspedes. Não sei se Stefan seguia a mesma dieta que a nossa, entretanto, se não seguisse, ele iria ter que achar um jeito de caçar em outro lugar que não seja Forks.
– Gostei do Stefan, simpático, educado e lindo. – homem para Alice é igual sapato, ela não deixa de reparar em nenhum e no final leva todos, de ambos os tamanhos, modelos, cores e etecetera.
– De novo não, Alice. Stefan é tudo isso sim, mas ele tem namorada. E o cara mal chegou e você já está dando em cima dele. – o que mais me irritava na minha irmã era o fato dela tentar bancar o cupido para cima de mim.
– Não estou dando em cima dele, estou apenas dizendo o que achei dele.
– Ãham, e eu adoro o Halloween.
Se Alice não namorasse com Jasper, eu poderia até achar que ela estava tentando algo com Stefan, porém vou descartar essa ideia pelo menos por enquanto. A festa começaria daqui algumas horas e, eu particularmente não estava com nenhuma vontade de ficar aqui, não enquanto estivesse sendo realizada essa bobagem. Rosalie vinha desfilando esplendorosamente em seu vestido curto preto decotado. Até Rosalie está entrando na onda da Alice, pensei.
– Por que está com essa cara? – perguntou Rosalie.
– É a única que eu tenho. – rebati.
– Hum, e depois eu sou a chata. Você devia se arrumar, vou pegar até um copo de sangue para você.
– Não quero nada, eu estou bem. E não vou arrumar por que eu já estou fantasiada... Para vida toda. – desabafei.
– Ah Selena... – acabei deixando Rosalie sem palavras, percebi que fui rude de mais com ela, mas era a verdade.
Pode parecer até que eu esteja demonstrando arrependimento da minha “doce” eternidade, só que eu não estou. O que acontece é que às vezes eu sinto uma sensação de vazio dentro de mim, eu não tenho amigos, tudo que me restou foi a minha família adotiva (que é claro que eu não os tocaria por nada), e isso faz com que o para sempre seja solitário, amargo. Assim como Rosalie, sinto falta da vida humana, mas foi graças a Carlisle que me tornei o que sou hoje. As memórias de tudo o que aconteceu, ainda estão frescas em minha memória...
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