Mystic Falls
21 Dessa vez, Blaine me mostra quem realmente é.
Notas iniciais
V
Depois das aulas terminarem fui pra mesa do refeitório, comendo aos poucos meu purê de batata, esperando a Hayley. Fiquei pensando no que rolou no corredor antes do almoço. O Stefan querendo me falar algo, o Blaine interrompendo, quase como soubesse que Stefan queria se desculpar. Suspirei. Do outro lado do refeitório a Hayley entra com um cara louro, rindo com ele e o puxando de forma ansiosa para a mesa que eu estou. Ela parecia uma criança de tão feliz. Eu ri revirando os olhos. Esse deve ser o tal Jeremy que ela gostou tanto. Realmente ele era bem bonito.
–OI! – ela disse com um sorriso de orelha a orelha. Tentei sorrir também pra eles dois, mas acho que não devo ter obtido muito sucesso.
–Iaí! – sorri.
–Esse é o Jeremy. Jeremy, essa a minha colega de quarto, Valentina. – ela sorri mordendo os lábios inferiores, seus olhos brilhando. Jeremy acenou com a cabeça sorrindo.
–Oi Jeremy! A Hayley não parava de falar de você cara! – eu ri, ela arregalou os olhos ficando paralisada. Ô-ou. Eu acho que não deveria falar isso.
Ela me olhou como se quisesse me matar. Jeremy olhava pra ela com um sorriso no rosto.
–É sério?- ele riu. – Ela falou o que de mim?
–Hã... Acho que tá na hora de nós dois passearmos um pouco né? Depois a gente se falava Valentina! – ela disse, puxando o Jeremy pelo braço, e ele tentando voltar. Eu ri com eles dois. Eu não deveria ter falado isso. Ela deve estar me xingando pra caramba.
Aí eu o vi entrar no refeitório. Sempre seguro, sempre firme, sempre atraindo olhares por onde passa. Stefan estava vindo em minha direção, e eu tentei parecer normal. Oh não. Blaine vem logo atrás dele, acenando pra mim sorrindo de uma forma que encantadora. Suspirei e baixei a cabeça. Ele ultrapassou Stefan e sentou do meu lado, encostando os lábios nos meus. Stefan parou no meio do refeitório, e depois virou bruscamente sentando com ela. Não, não pode ser. Ele poderia sentar com qualquer outra pessoa, menos com a Taylor. Minha vontade era de ir lá e arrancar os seus olhos com o meu garfo. Stefan falava com ela tocando seu rosto, beijando a sua mão. Ela olhava pra as suas amigas como: ‘’ viu como eu tenho todos aos meus pés?’’ ele continuava a falar com ela, sempre acariciando seu rosto e mexendo em sua crina. Digo, mexendo em seu cabelo. Suspirei. A raiva me tomava de uma forma rápida, meu rosto queimando de ódio.
Blaine tocava em meu rosto, fazendo carinho nele. Eu me virei pra vê-lo. Ele gostava mesmo de mim. Suspirei, beijando seu rosto e o oferecendo um pouco da minha maçã fatiada. Ele recusou e começou a falar do filme de ontem. Eu ouvia com atenção, de vez em quando olhando pra mesa onde Taylor estava. Stefan parecia tão entediado quanto eu. Ele suspirava com mão no queixo, fingindo se importar.
–Valentina?
–Hã?
–Eu quero falar algo com você depois. Falar não, fazer. –- ele sorriu. Cerrei os olhos. Como assim fazer alguma coisa? Dei de ombros.
O sinal tocou e eu e o Blaine saímos juntos do refeitório. Ele parou no meio do corredor, olhando pra mim enquanto segurava minha mão. Seria romântico se essa hora todo mundo não andasse no corredor.
–Lembra que eu disse que queria falar uma coisa...? – ele olhava nos meus olhos. Ajoelhou-se a minha frente. Ainda segurando a minha mão. De repente todo mundo parou pra olhar. Será que...? Não pode ser. O Blaine me pedir em namoro? –E eu te disse que não iria falar e sim fazer. – ele sorria pra mim. –Kendall! – Blaine gritou pra um amigo, que trazia uma lata grande com ele. Olhei para aquilo confusa. O que é que ele tá fazendo? Eu ri sem entender nada. Blaine abriu a lata com as duas mãos, levantou-se e sorriu pra mim. – Foi ótimo brincar de ser seu namorado, linda. – beijou meus lábios com ternura e se afasta. Em seguida joga a lata de tinta em mim. A lata de tinha preta. Ele ria descontroladamente, junto com seu amigo Kendall.
Não consegui me mexer. Não conseguia falar, não conseguia pensar no que estava acontecendo. A tinta escorreu pelo meu cabelo, pelo meu corpo, e se duvidar deve ter sujado até minhas roupas íntimas. Só consegui ouvir as pessoas em minha volta rindo, gritando, cochichando. A pergunta é: por quê? Ele parecia tão engraçado, parecia gostar tanto de mim... e agora... e agora ele joga em mim toda essa tinta na frente de todo mundo.
Taylor. Foi ela. Ela que planejou tudo isso contra mim, pra eu poder me afastar do Stefan. E como grande final me ridicularizando na frente de todo mundo.
Agora entendi o porquê Blaine parecia desconfortável quando nós falávamos dela.
Agora entendi o porquê de a Hayley dizer que ela nunca perde.
Agora eu entendi o porquê Stefan dizia que ele não prestava. Stefan!
–VOCÊ É UM HOMEM MORTO BLAINE! – a voz de dele ecoou pelo corredor, fazendo todo mundo parar de rir. Limpei meus olhos, abrindo com dificuldade. Podia ver Stefan imprensando Blaine na parede com seu antebraço preso no pescoço do cretino. Blaine chutava o ar, enquanto o rosto de Stefan começa a se transformar, assim como no meu sonho. Algo dentro de mim queria que Blaine morresse, mas uma parte dizia que aquelas veias pretas no rosto de Stefan era algo que nem todo mundo podia saber.
–Stefan! – ele olhou pra mim. Sibilei um ‘’ seu rosto. ’’ E ele largou Blaine no chão, massageando seu pescoço. Stefan veio me abraçar, recuei.
–Não. Não pense que você estrangulou esse idiota que você tem todo o apoio do mundo agora. Fica com a Taylor!
–Eu não gosto dela.
–Ah é esqueci. Esqueci que o fodão e NÃO GOSTA DE NINGUÉM! – eu gritei a ultima parte me virando pra ir embora. Ele puxou meu braço, fazendo ficar de frente pra ele.
Eu me debati. Eu só queria sair dali, tomar um banho, fazer minhas malas e sair daquele internato infernal. Eu não queria que ele se desculpasse nem que o Blaine se retratasse. Sentiria falta de Hayley, mas precisava ir. Precisava sair dali. Agora.
–Me solte! Me solte agora! – eu agradeci estar lambuzada de tinta, por que pelo menos ninguém podia ver as lágrimas escorrendo do meu rosto.
Stefan me olhava com pena, o que me fez sentir ainda mais raiva dele e de todo mundo que me rodeava.
–Eu vou matar você! – Blaine grita indo correndo de encontro a Stefan. Ele me larga e se vira, acertando em cheio o rosto de Blaine. Ele cambaleia, mas volta tentando acertar pelo menos uma vez Stefan, mas não funcionara. Stefan socou seu nariz e depois rapidamente sua barriga, finalizando com um chute em sua caixa torácica, e de repente me pergunto se Blaine não morrera, afinal ele não se mexia, estirado no chão. Ninguém se mexia para ajudá-lo. Depois de tanta pancadaria tento correr para o meu quarto, mas Stefan segura meu braço novamente.
–Me solte seu desgraçado. Você não gosta de mim, então me deixe ir embora. – eu nunca estive tão irada em minha vida. Se eu visse Taylor, acho que a mataria com dentadas.
–Você não entende não é? Não entende que tudo o que eu disse na biblioteca foi da boca pra fora. Não entende que eu só disse isso por ciúmes do Blaine, disse aquilo pra não ficar por baixo. Você não sabe o quanto eu me arrependi de ter dito aquilo pra você. Nunca em minha existência eu disse uma coisa tão ridícula. Até você chegar nessa escola eu não sabia que eu lutaria tanto por uma garota. Até você chegar nessa escola eu achava que todas as mulheres eram iguais, que qualquer uma se derreteria por mim e pronto. Até você chegar nessa escola eu não sabia que alguém poderia ficar tão linda irritada. Até você chegar nessa escola eu não sabia que tinha sentimentos. – ele suspirou.
Eu já estava chorando desde o começo. Ele tirou minha franja ensopada -que antes era loura e agora se tornou preta — do meu rosto. Limpou a minha bochecha e me deu um beijo. Eu chorei mais ainda, e então ele me abraçou. Não queria nem saber se eu estava suja ou não. Me segurou forte pela cintura. Soluço alto e ele me aperta contra o peito. O abraço forte, e nada no mundo poderia ser tão bom quanto aquilo. para o Blaine, dizendo adeus permanentemente a ele.
–Vamos sair daqui. – ele disse, puxando a minha mão em direção ao meu quarto, e eu dou uma última olhada
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