Acordei — com o sol batendo em meu rosto, deixando as claras o meu cabelo bagunçado. Fui cambaleando até o banheiro, aonde tomei um banho rapido, fazia bastante frio lá fora, já era de se esperar. Escovei meus dentes e sem comer algo, fui em direção a escola. Caminhando para a escola por debaixo de algumas árvores, Antonela sentiu um pingo pousar em seu braço, logo olhando pra cima, percebeu que as arvores e os bancos estavam molhados — pingos de ontem a noite — pensou, não dando importância. Continuou seu trajeto até a escola, era longe, não tão longe que faria você pensar em 1 hora de caminhada. Costumava se encontrar com alguns "colegas" na pracinha... Chegando lá, as unicas pessoas que habitavam aquele local eram: Julie, Thalyson, Gabriela & Breno — Vocês vão agora não? — perguntei, podendo ver a fumaça saindo da minha boca. — Só estamos esperando a Joyce — me respondei Julie, dando um daqueles risinhos falsos para Gabriela. — Ah — bufei, andando um pouco mais rápido. Um pouco aérea, pude ouvir passos rápidos vindo em minha direção. — Não está com frio ? — perguntou Breno bem agasalhado, surpreso por eu estar só de uniforme. — Um pouco — disse, olhando para frente, andando em direção a escola. — Esqueceu de se agasalhar ? — perguntou novamente. Breno fazia perguntas demais, isso me irritava um pouco. Parei imediatamente na esquina do colégio, percebendo, logo ele parou também. — O que foi ? — reclamou ele, me olhando confuso. — Eu gosto de sentir frio — disse, com um pouco de dificuldade para respirar, dando passos devagar para chegar a escola. Comecei a cantar baixo, o trecho de uma musica que gosto muito "Foi você, que fez meu mundo desandar..." —Gosta de strike? — perguntou Breno, tentando quebrar o silêncio. Percebi que não era só eu que ouvia a melodia. —Não — respondi seca, seguindo adiante. Chegamos na porta do colégio, entreguei minha caderneta, percebi ele parar no portão central, então me encostei na pilastra para o esperar. — Sr. Piazon? Ele olhou para a porteira confuso, sem entender tal motivo para ela pronunciar o seu sobrenome. — Diga — disse ele, parando no portão central do colégio. — Sua caderneta será entregue no ultimo turno e você está na sala EM-03 — Obrigado — Breno agradeceu a porteira pela informação e voltou a andar. — Sabe aonde é a sala EM--- — É a minha sala — olhei para ele emburrada, e desviei o olhar antes que respondesse. — Você é sempre assim ou acordou de mal-humor? — perguntou ele, me olhando confuso enquanto andávamos pelo corredor. — Só acho que o destino ta brincando comigo — apenas respondi e ele riu — Aqui é nossa sala — disse irônica, entrando na mesma. Antonela realmente não gostava dos seus "colegas de classe", observou todos os grupos sociais da sala e chegou a conclusão que não se encaixava em nenhum deles, então teria que aguentar seu novo "amigo", que está no mesmo estágio que ela, o zero... —Você é a Antonela Bertoli? —perguntou uma garota de olhos puxados, um pouco menor que eu, usando óculos, enfim: uma nerd bonita! —Como você sabe meu nome? —respondi, parando de escrever e apoiando meu cotovelo na mesa. —Eu sei de tudo que se passa nessa escola —ela riu, com alguns cadernos na mão. —Ah, sou eu sim, por quê? — perguntei, de cenho franzido. —Seu histórico escolar diz ter talento em ciências do corpo, certo? — perguntou, ignorando completamente minha pergunta. —É, por quê? —respondi. —Por quê seu recreio é diferenciado dos demais, todos os alunos novos tem que marcar presença no laboratório — explicou ela, me dando sono. —Que horas apareço lá? —perguntei, com cara de quem acabou de acordar. —É após a primeira aula, daqui a pouco — me olhava sorridente. —Eu apareço por lá então —respondi, me virando pra frente, voltando a copiar. —Mas você nem sabe aonde é —disse indignada com a minha falta de atenção. —Eu procuro — disse, de cenho franzido, a encarando. —Ok — respondeu, voltando ao seu lugar. A aula de português havia acabado, e estavamos perdidos naquele enorme colégio. Me levantei e logo Breno se levantou, me seguindo. — O que você quer ? — perguntei, parando em frente a cantina. — Só to procurando o laboratório baixinha — zoou ele, rindo. — Não sou baixa, sou normal — respondi, irritada com seu afronto. — É baixinha — disse, bagunçando meu cabelo. — Isso é considerado perseguição sabia? — apressei os passos, tentando deixa-lô pra trás. — Não estou te perseguindo esquentadinha, só to indo na mesma direção — respondeu rindo, realmente achava graça disso. Finalmente Antonela e Breno acharam o tal laboratório, aonde tinha muitas pessoas com palitóis brancos e óculos. — Demoraram pra chegar hein — disse a nerd, entregando nossos palitóis e óculos. — Estavamos perdi-- — Passamos na cantina para comprar alguns doces — respondi, com um olhar de reprovação para Breno, que mordeu meu dedo. Sentamos em nossas mesas, o trabalho era em dupla, conscequentemente faria com ele. Acho muito errado permitirem acido sulfúrico no laboratório, podem deformar alguém com isso! Acho que só eu penso em maldades assim. Entregaram um sapo morto para nós dois. — A gente vai abrir esse treco ? — disse me referindo ao sapo, olhava com nojo para a nerd. — Não é treco, é um sapo, e não, vocês não vão necessariamente abri-lô — disse ela, na frente da classe, explicando o que iriamos fazer. Diz ela, que temos que colocar um pouco de acido sulfúrico exatamente na barriga no sapo, que nojo! Breno estava bem atento, prestando atenção em tudo que a nerdzinha falava, eu só ouvi a parte do acido. Antonela e Breno foram pegar o recipiente ao mesmo tempo, que acabaram encostando suas mãos, assustada, Antonela começou a tremer a mão, deixando o acido derramar encima dela, ele se desintegrou em contato com sua pele. — A sua mão, está intacta — disse, assustado. — Não diga — respondi, revirando os olhos num tom sarcástico. — Não tem como, é impossível — questionou, ainda olhando para a minha mão. — Você não pode contar a eles, eles não devem saber. — Posso? — perguntou, tocando em minha mão. Elevou minha mão para a claridade, que estava normal, sem nenhum tipo de machucado, perfeita como era desde quando nasci. Estava impressionado com aquilo tudo, que era novo para mim, estava assustada, mas meu medo maior era ele contar a alguém sobre tal. Todos sairam do laboratório, ficamos só eu e ele. Breno ainda pasmo com o "dom", jogava todo tipo de coisa na mão de Antonela, ela odiava isso — acho que ele pensa que sou mutante, já não gostava dele, agora vou ser ameaçada com esse segredo — pensou ainda emburrada por ele ter prendido ela no laboratório. — Realmente você acha que vai acontecer algo com a minha mão ? — perguntei, o olhando nos olhos. — Qualquer pessoa per-- — Perderia a mão com esse tipo com acido né ? — completei a frase, desviando o olhar. — Isso é um avanço na ciência, você é superior ao ser humano — exclamou ele, sorrindo como se tivesse descoberto a América. — Eu não sou superior ao ser humano, eu sou normal! — exclamei, me levantando para sair do laboratório. — Não, desculpa — puxou meu braço, já tirado o paletó. Antonela saiu correndo pelo corredor, realmente estava envergonhada por ter percebido isso, antes mesmo dela saber controlar. Uma pontada de tristeza surgia apesar de todo o seu esforço para parecer forte. Fui agarrada por trás, puxada com força contra os braços de Breno. — Me solta garoto! — exclamei, tentando me libertar de seus braços. — Desculpa, não sabia que era diferente — se desculpou, ainda me prendendo. — Não sou diferente, sou normal! — gritei, me soltando e voltando a seguir em frente. — Ta bom, você é normal, você é normal — disse ele, tentando me persuadir. Minha única reação foi chorar, — idiota! — pensei quase que gritando, fui andando com Breno até o refeitório, quando me sentei, ainda nervosa. — Eu nem sei o que falar — disse ele, totalmente sem graça, me vendo chorar. — Por quê você ainda me segue? Sou uma estranha pra você — gritei irritada por ele não ir embora. — Você não é tão estranha assim, já até me acostumei com suas patadas — ele sorriu, estava sendo sincero — Não sou? Tem certeza? — gritei novamente, o olhando nos olhos. Peguei uma caneta, rasgando meu braço, que logo voltou ao normal. — Sou super normal, qualquer pessoa faria isso — disse rouca, olhando a ferida se fechar. — Errr.... como você faz essas coisas? — me olhou de lado, ainda observando meu braço. — Como consegue ser imune a essas coisas? — Isso nasceu comigo, não tem como parar — limpei uma ultima lagrima que contornava meu rosto. — Deveríamos dar um jeito nisso — seu olhar era de surpresa, com um pouco de desespero. — Não tem jeito! — exclamei, com um olhar de reprovação. — Então você pode expandir seus poderes, assim se tornará mais forte — ele sorriu, se levantando. — Não devo ser a única estranha — me levantei, o encarando. — Devem ter alguém igual a mim — fitava o chão, sem acreditar no assunto que conversava com ele. — Não, você é unica — sorriu Breno, meio sem jeito, que me puxava contra seu corpo. Breno a abraçou como se a entendesse, só que isso que eles acabavam de descobrir era apenas o começo. Logo, deu um beijo na testa de Antonela, que ficou um pouco envergonhada. — Vamos baixinha ? — disse ele, meio sem jeito, passando a mão por tras da cabeça. Andamos a escola toda, meu objetivo não era conhece-lá, e sim encontrar a biblioteca, até que finalmente, consegui o que queria. — Vou ficar aqui — disse Antonela, entrando na biblioteca. — Mas nem conhecemos o resto da escola — exclamou Breno, puxando o braço dela. — Vai falar que tem medo de andar sozinho? — disse irônica, realmente sua ajuda não era mais necessária. — Eu não tenho poderes pra descobrir a escola em segundos — disse irônico, passou a devolver com a mesma moeda. — Vo-você ta louco? — gritei em um dos corredores da biblioteca, aonde logo apareceu alguém mandando os dois se calarem. — Que foi? Acha que eu vou contar a alguém ? — ele riu, falando num tom sarcástico. — Não fala isso alto, alguém pode ouvir. Irritada, tentou empurrar Breno sem deixar cair os livros, mas mesmo assim os menores cairam no chão. — Idiota! — exclamei com raiva, me abaixando para panhar os livros. — Assim você vai ser expulsa da biblioteca — zoou ele, se encostando em uma das estantes que nos cercava. — Só quero um pouco de paz ! — gritei novamente, saindo do corredor para realmente não ser expulsa. — Quer que eu suma do teu lado baixinha?— perguntou ele, acompanhando seus passos. — Você faria isso por mim? — parei para olha-lô nos olhos. — Relaxa ae, depois eu te acho. — ele riu, saindo do corredor. Finalmente estava sozinha, me sentei na última mesa da biblioteca, que ficava ao lado de uma enorme janela, aonde dava para ver o portão central por inteiro. Coloquei meus livros encima da mesa, separando assunto por assunto, os menores se tratavam de anjos, os médios sobre arcanjos, e os grandes, sobre demônios. As vezes penso estar um pouco equivocada sobre procurar por demônios, mas eu não sei nem por onde começar! E também, cortar o braço me lembra da “Garota infernal”, que era um demônio e foi morta pela melhor amiga. Já pensou o Breno me matando? Nem consigo imaginar uma coisa dessas! Eu não sou um demônio, não posso ser! [...] — A biblioteca fecha em cinco minutos — disse a recepcionista da biblioteca, me dando um susto. — Posso levar alguns livros pra casa? — perguntei, agora mais relaxada. — Todos esses? — perguntou ela, erguendo a sobrancelha. — Não vou poder né? — respondi, me levantando, ajeitando meu casaco. — O máximo permitido são 5 livros — ela disse, sem jeito. — Então eu levo os 5 — sorri, pegando 2 livros sobre anjos, 1 livro sobre arcanjos, e 2 sobre demônios. — Tenha uma ótima leitura — disse ela, fechando a biblioteca. Caminhei até o portão central, aonde Joyce se jogava pra cima do Breno, que a comia com os olhos. Desviei o olhar quando ele notou minha presença. — Antonela, e-espera! — gritou ele. Quando olhei pra trás, vi que ele tentou vir atrás de mim, mas Joyce o segurou pelo braço. Ele ficou parado, me vendo ir, a obedecendo. Antonela fez seu trajeto para casa sozinha, irritada por ele ter obedecido Joyce, ao invés de ir atras dela, — demente — pensava enquanto olhava pra rua. Cheguei em casa realmente estressada, joguei minha mochila no sofá e fui pro meu quarto, ler. Meu primo não estava em casa, concerteza saberei quando ele voltar, só se a menina for muda né? Me foquei em ler primeiro os dois livros sobre anjos. Antonela tentava ler com precisão, mas era interrompida com gemidos vindo do outro lado do corredor — grande idiota — pensei enquanto voltava a ler. Resumindo para vocês: Anjos são muito poderosos no mundo sobrenatural, que nos ronda e blablabla, Sua forma verdadeira são fatais para a maioria dos humanos, mas algumas pessoas especiais podem ver seus rostos sem surgir efeito, os demônios também não pode olhá-los na sua forma verdadeira. Concluindo, não sou uma anja :( Decepcionada, passou a ler o livro sobre Arcanjos, vai que eu sou uma arcanja linda? — acabei rindo com esse comentário estupido — Ah, atrapalhei em alguma coisa ai? — perguntou Rafael, só de toalha. — Nem um pouco — sorri irônica, recebendo uma risada como resposta. — Jaé jaé — disse rindo, fechando a porta do meu quarto. Antonela começou sua leitura sobre Arcanjos, fez um resumo para entender bem do que se trata. Todos os arcanjos possuem habilidades inerentes a todos os anjos, mas em um nível elevado, e possuem outras habilidades mais especial que os anjos são incapazes de usar, são extremamente poderosos, seres celestes que foram criados por Deus, e estão imbuídos de um imenso poder e autoridade. Decepcionada novamente, percebeu que não era uma arcanja. Só restava dois livros de demônios. São seres poderosos, mentirosos e não muito fáceis de derrotar,apesar de sua natureza sobrenatural, demônios são simplesmente almas humanas corrompidas após passarem centenas de anos no inferno sendo torturadas, alguns demônios podem ter habilidades psíquicas, como mover objetos com a força da mente ou até mesmo jogar outros homens para longe. — que porra velho! — disse, quebrando o silêncio que rondava sobre meu quarto. Olhando para a janela dava pra perceber o sol se pondo, o rosado sendo trocado pelo azul-escuro do céu, me fazia perceber que nem tudo se procura, as vezes as coisas vem até a nós. — ANTOONEELA — grita Rafael, no andar de baixo. — TOO INDO — respondi, para deixa-lô mais calmo. Desci as escadas um pouco apressada, para saber o por quê de me chamar. — É aquele seu amiguinho do outro dia né ? — disse ele, com um pouco de repugnância. — O Breno tá ai? — abri um sorriso imediato, quando percebi que ele estava no sofá. — Ah... é tô — sorriu ele, que estava meio acanhado. — Vem — suspirei mudando meu estado feliz, para o normal desânimo. Subimos a escada, parando no meu quarto, ele realmente estava arrumado, pela primeira vez, já que o Rafa é um vagabundo nato. Fui em direção ao guarda-roupa, enquanto Breno se sentava na cama, ainda me observando. — O que você quer? — olhei para o mesmo, me lembrando do ocorrido de manhã. — Eu vim me desculpar — confessou, não tendo coragem de me olhar nos olhos. — Ta desculpado, pode ir — levantei seu rosto com o indicador, fazendo o olhar bem em meus olhos. — Ah...errrrr...vim saber como está — disse ele, abrindo um sorriso colgate. — Estou muito bem — disse sorrindo, logo voltando ao atual desânimo. — E ae, descobriu alguma coisa? — perguntou, vendo os livros que estavam sobre minha cama. — Só sei que não sou uma anja nem uma arcanja — respondi, pegando minha roupa para tomar banho — já você descobriu outras coisas né? — dei um sorriso colgate, saindo do quarto.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.