Myself
1 único
Lá fora caia alguns flocos de neve sobre o asfalto molhado das ruas da cidade enquanto era noite, mas uma garota de cabelos castanhos e rosto redondo, apenas ignorava quando tinha que terminar algo pra ontem.
Ochako estava sozinha no seu apartamento, sozinha com os cômodos todos envolvidos pela escuridão, uma forma que arrumou para economizar energia, pois a mesada de seus pais não era muito expansiva. Portanto, estava em seu quarto também escuro, tricotando um cachecol com a luz do celular. Às vezes soltava gemidinhos, porque já sentia dores no pulso por fazer os mesmos movimentos há uma hora, e outras vezes simplesmente dava um grunhido de ódio por tudo estar saindo tão medonho. Que tipo de garota Ochako era? A mais destrambelhada e que deixava as coisas para última hora. Quando o sol surgisse, seria véspera de natal e Ochako gostaria muito de presentear o garoto que gostava, então, era mais que certo terminar isso logo antes que fosse tarde demais.
Toga estava envolvida com o seu novo casaco, um muito fofo que custou uma fortuna. Andava na cidade sob uma chuva de neve que acabara de começar e passou a atravessar uma rua, girando e assobiando, por se sentir muito feliz. Parou num prédio velho e observou o andar que planejava subir, todas as janelas estavam sem luz, exatamente como se não houvesse ninguém morando ali. Contudo, ela sabia que só era uma maneira estranha da sua amiga avarenta de economizar dinheiro.
Subiu pelas escadas, os elevadores estavam em manutenção, e teve uma surpresa ao ver a porta do apartamento de Ochako semiaberta. Na verdade, não era uma surpresa, do jeito que era tonta, isso era possível acontecer. Depois de fechar a porta, resolveu ir até o quarto dela e a encontrou de joelhos próxima ao pé da cama, tricotando somente com a luz do celular.
— Ochako.
A garota gritou alto, levou um susto muito grande e Toga riu da sua reação. — É você, Toga... pelo amor, toque a campainha.
Suspirava fundo e Toga tentava conter suas risadas.
— Eu pensei nisso, mas a porta já estava aberta e não vi sentido em tocar a campainha. — Apertou o interruptor do quarto para acender a luz.
Ochako largou o cachecol (ou uma tentativa de um) pela primeira vez e se levantou. — Aberta? Oh, não, Toga! Desligue a luz!
— Vai deixar a visita no escuro? Anda, me prepare um chá e eu trouxe um presente pra ti.
— Você é muito abusada. — Murmurou Ochako, indo até a cozinha e logo todas as luzes do apartamento estavam acesas.
Tomavam chá no quarto, Toga não usava mais o seu casaco caro (no qual, Ochako sentiu inveja), estava apenas com uma blusa de mangas compridas e de gola alta, que era da cor vermelha. Nas pernas uma calça que tampava sua pele alva, Ochako as observava pensando quando seria verão logo para vê-las despidas. E Toga notou.
Colocou o chá sobre a mesa central do quarto e estendeu a sacola que trouxe para Ochako. — Feliz natal!
Ochako piscou os seus olhos redondos, porque a sacola era de uma loja de grife. — Não! Não precisa me dar algo tão caro!
Toga suspirou. — Você tá precisando dar uma repaginada no seu guarda-roupa, toda vez que venho aqui você tá usando esse moletom dos Minions. — Balançou a sacola suspendida no ar e na direção da outra. — Anda, aceita.
Ochako ficou enrubescida por ela notar que usava algo dos Minions e resolveu aceitar, era um casaco mais lindo que sua amiga usava. Toga notou seus olhos brilhando e sorriu satisfeita, no entanto, viu o tricô sobre a cama e pegou.
— O que é esse tricô? Você tá fazendo roupas a mão pra não poder gastar?
Voltou pro mundo quando ouviu Toga dizer “tricô”, pegou imediatamente o crochê dela, antes que fizesse alguma piada. Toga piscou seus olhos dourados e compreendeu o que era, deu um sorrisinho sem vergonha.
— É para Izuku? Fazer a mão é mais romântico, não é? — Disse, enquanto pensava que Ochako era óbvia por agir como uma garota do colegial.
O rosto de Ochako ficou totalmente vermelho, revelando que Toga estava certa. Suspirou e caiu de joelhos no chão.
— Sim... será que pode me ajudar?
Toga arqueou uma sobrancelha, intrigada. — É pra isso ser um cachecol?
Ochako abriu um sorriso. — Você sabe fazer?!
— Claro que não, doida. — Respondeu rindo. — Você sabe que essas coisas femininas não é o nosso forte.
— Ah, então você já pode voltar pra sua casa, porque preciso terminar isso e as luzes ainda estão acesas.
— Você é muito grossa às vezes.
— Você não entende quando tem dinheiro e não ama ninguém.
Toga levantou o nariz descontente com que Ochako disse, se levantou do chão e pensou que iria embora antes mesmo de terminar o seu chá. Quando chegou à porta, deu uma olhada por cima do ombro e encontrou sua amiga totalmente focada em fazer aquele cachecol horroroso. Uma ideia surgiu na sua mente e resolveu voltar pro quarto, dava passos lentos e ficou por trás de Ochako, que obviamente não a notou. Por fim, ficou de joelhos e a trouxe contra os seus seios.
— Ochako sabe que Toga ama Ochako, certo?
Sussurrou no pé do ouvido de Ochako e levou uma mão a um dos seios dela, apalpando-o e tirando um gemido da amiga.
— Toga, já disse para parar...
Toga apertou mais forte o seio dela e deslizava seus lábios da orelha até uma das bochechas gordas de Ochako, que se arrepiava toda com o toque molhado.
— Não se obrigue a ser o que não é... — Lembrou Toga, com sua voz arrastada e gostosa.
Ochako não aguentou e se virou para beijá-la. Um beijo nada tímido, porque estava acostumada de beijar aquela garota toda. Começou numa tarde quando eram mais novas e passaram a se masturbar, desde então os beijos e as carícias nunca morriam, até porque Ochako não tinha sorte no amor e nunca conseguia se envolver com algum garoto. Tinha certeza que Toga existia só para lembrá-la que era uma depravada e uma nada romântica.
— Me mostre suas pernas!
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