My songs know what you did in the dark
1 So light 'em up
Notas iniciais
A lua escondia-se por trás das nuvens.
O vento assobiava levemente pelo lugar.
Tudo estava silencioso.
O pequeno corpo tremia, o frio envolvendo-a por todos os lados. À sua volta, escombros do que fora uma casa permaneciam espalhados.Finalmente atreveu-se a levantar a cabeça, enquanto abraçava os joelhos firmemente e abria os olhos devagar. Olhou para a frente com a visão um pouco desfocada, piscou algumas vezes, como se finalmente processando a cena onde se encontrava.
Tomando consciência do quão real era o acontecido, só conseguia desejar que tudo não passasse de uma ilusão, um sonho do qual ela não conseguira acordar ainda. Uma parte mais desesperada de sua alma desejava ainda não ter sobrevivido. O que poderia ser pior do que continuar ali para presenciar as consequências da catástrofe sozinha?
Be careful making wishes in the dark
Can’t be sure when they’ve hit their mark
Com o céu noturno nublado acentuando a escuridão, mal poderia avistar um palmo à frente de seu nariz. Apesar disso, levantou-se, ainda agarrada aos papéis que protegera com tanto cuidado. Eram tudo o que lhe restava.
Ela deu um passo à frente, os pés descalços tateando delicadamente o chão em busca de um lugar seguro para pousar. Os escombros afiados pelo chão dificultavam a caminhada na noite de sombras. Abaixou-se e, tateando o chão, localizou pedaços de madeira, pequenos, mas o suficiente. Com a madeira, conseguiu um pouco de fogo a partir do atrito. Com a pequena chama iluminando fracamente, juntou mais um pouco de madeira, formando uma humilde fogueira, que aliviou seu frio, mas juntamente trouxe-lhe a visão. E ver o que a cercava era o que menos queria no momento.
My songs know what you did in the dark
So light ‘em up, up, up
I’m on fire
Segurou os papéis no colo, sentada em frente a sua nova fonte de calor e luz. Tirou sua caneta do bolso, e começou a escrever, continuando suas notas e acrescentando suas observações. Narrava os acontecidos, registrava lembranças, fossem boas ou ruins; também criava suas próprias narrativas. O importante era apenas escrever. A escrita aliviava sua dor, ou talvez apenas a tornava mais suportável.
All the writers keep wrting what they write
Somewhere another pretty vein just died
I’ve got the scars from tomorrow and I wish you could see
That you’re the antidote for everything except for me
Guardou a caneta e dobrou os papeis, também colocando-os no bolso. Segurou um pedaço de madeira como uma tocha e, levantando-se, olhou realmente pela primeira vez o ambiente, analisando cada pedaço do que antes fora uma casa, cada corpo visível nos destroços.
Sentiu, pouco a pouco, os olhos umedecidos pela amargura e impotência. As lágrimas lotavam seus olhos e, incontidas, passaram a descer por seu rosto, limpando a poeira outrora carregada pelo tornado.
Aproximou-se do que fora um dia seu lar, as lagrimas escorrendo pela face, mas o olhar sério, decidido a não se deixar consumir pela tristeza. Atirou a tocha sobre uma mesa de madeira destruída, que rapidamente inflamou-se, e deu um passo para trás. O fogo começou a crescer e se espalhar bem lentamente, enquanto ela apenas observava. Com as chamas, queimava seu passado.
A constellation of tears on your lashes
Burn everything you love
Then burn the ashes
Enquanto o fogo passava a dominar o local destruído, ela virou-se para o outro lado. Começou a andar, talvez em direção às sombras no horizonte. Apenas caminhava, deixando a antiga vida para trás, pois ela não mais existia.
As cinzas do passado eram consumidas pelo fogo, iluminando a noite escura. Mas quanto mais caminhava, menos luz havia. Enfim, retornou à escuridão.
In the dark, dark
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