My only fix is you
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Olivia permaneceu com o olhar sobre a loira. Perguntava a si se talvez já tivesse encontrado-a. Mas após muito pensar constatou que nunca vira aquela elegante senhorita. Talvez tivesse a idade próxima a dela. As curvas marcantes e as poucas rugas no rosto deixavam Olivia um tanto interessada. Seria alguém para ser amiga.
A garçonete que cantou Olivia fora atender a loira e Olivia rio ao supor que a loira ganharia uma bela cantada. Quando Bárbara, a garçonete, afastou-se da mesa a loira estava com um largo sorriso. Ganhara uma cantada também.
O celular de Olivia voltou a vibrar. Era Fin. Talvez Nick tivesse contado sobre o fim do relacionamento deles ou talvez fosse algo totalmente diferente, mas ela não quis descobrir. Desligou o celular. A tela ficou preta e ela estava livre de dar explicações para qualquer um que ligasse.
A cafeteria estava ficando vazia. Só havia Olivia, um casal na mesa à sua frente que se beijavam a cada cinco minutos, uma senhora ao celular em uma das mesas do fundo, e também havia a loira elegante sentada em uma mesa distante das demais.
Pela janela de vidro ao seu lado Olivia encarava a neve que caia. Os olhos dela encheram-se de lágrimas por diversas vezes, mas ela não deixou as caírem. Não deixaria. Pegou a xícara de café e dirigiu à boca. O café estava quente demais, amargo demais e ela estava triste demais para reclamar ou pedir outro. Simplesmente o engoliu e voltou a encarar a neve.
Podia ouvir a conversa do casal a sua frente, falavam sobre o casamento. Olivia revirou os olhos e tentou abafar a voz dos dois, tentou não ouvir. Num ato infantil levou as mãos até os ouvidos, os tapou, agora ouvia apenas ruídos.
Fechou os olhos e, diferente das outras vezes, não pensou em Nick ou o imaginou em sua frente. Ela apenas enxergou o breu de suas pálpebras fechadas. Desejou sumir dali, daquele lugar, daquela cidade, daquela vida. Desejou ser outra pessoa.
Olivia abriu os olhos quando ouviu o sino da porta tocando. Uma garota, com aparência de vinte anos, adentrou e dirigiu-se com presa até a mesa da loira elegante. A jovem vestia um moletom cinza e uma calça jeans preta, diferente da mulher, estava casualmente vestida.
A garota sentou-se em frente da loira e as duas mudaram suas feições, ficaram sérias. A jovem mesmo de costas, deu a impressão de estar tensa com a presença da loira. O que elas seriam? Mãe e filha? Sogra e nora? Namoradas? As opções eram diversas e Olivia estava cada vez mais interessada pelo enredo do encontro.
O café acabara e a garçonete aproximou-se da mesa de Olivia.
–Mais um? –perguntou sorridente.
–Como? –perguntou Olivia. Não ouvira o que Bárbara disse, pois estava tentando ler os lábios da loira.
–Café? –perguntou a garçonete rindo-se ao perceber o motivo da distração de Olivia.
–Não. Sinceramente, o café estava horrível. Um chá, por favor. –diz ela agora encarando os enormes cachos da garçonete.
–Tudo bem. Vou fazer o melhor que posso. –diz sorrindo.
–Obrigada, Bárbara. –diz Olivia voltando o olhar para a mesa da loira elegante.
–Posso saber seu nome? –perguntou a garçonete com um sorriso. Olivia prestara atenção no seu nome e isso a deixou momentaneamente feliz.
–Olivia. Olivia Benson. –responde entregando para a simpática garçonete um de seus cartões.
–Muito prazer, Sargento. –diz encarando o cartão. –Vou trazer seu chá.
A garçonete caminha até a cozinha.
***
Gillian estaria mais confortável em seu escritório, mas a pedido de sua cliente foi até uma cafeteria.
–Devo começar? –pergunta Julia, a cliente.
–Claro. Quando quiser, querida. –responde Gillian encarando os olhos castanhos da cliente. Eram mais claros do que os da morena de seus sonhos.
–Faz dois meses, Doutora. Dois meses. Não vejo melhora. Talvez eu seja um caso perdido. –diz Julia baixando a cabeça.
–Por que pensa isso? –pergunta Gillian.
–Simplesmente penso. –responde.
–Julia, você tem amigos e, pelo que disse na última consulta, está se apaixonando por alguém. Acho que teve uma grande melhora. Não?
–É... Talvez. –responde.
Julia foi diagnosticada com depressão. Vem melhorando há algum tempo. Agora possui amigos e um pretendente. Agora já não gosta de ficar sozinha. Faz um mês que perdeu o habito de mutilar-se. Continua fumando, mas logo conseguirá parar. O tratamento dela precisa de alguns medicamentos, mas nada muito forte. O trabalho de Gillian seria fácil se todos os casos fossem como o de Julia, se todos os seus clientes tivessem uma melhora significativa como de Julia.
–Talvez você não queira que haja melhora. –Gillian permanece séria.
–Por que eu iria querer continuar doente? –pergunta Julia irritada.
–Você acha que assim é mais fácil. Não precisar relacionar-se com as pessoas, socializar com o mundo...
–Não. Eu gosto dos meus amigos novos, mas...
–Fale. Você não quer admitir pra si mesma? –pergunta Gillian bebendo o último gole de café em sua xícara.
–Não estou preparada. Vou continuar a socializar com o mundo, se isso deixa à senhorita, e minha mãe, alegres.
–Deveria fazer isso por você, não pelos outros. –Gillian larga a xícara sobre a mesa.
Gillian verificou o relógio. Mais dez minutos e a consulta terminará.
–Eu sei que faltam apenas dez minutos. –diz Julia ajeitando-se na cadeira.
Bárbara, a garçonete que cantou Gillian assim que ela sentou-se, se aproximou da mesa.
–Mais café? –perguntou.
–Não, obrigada. –responde Gillian sorrindo. A garçonete retribui o sorriso e vai para outra mesa.
Julia encara suas mãos. Gillian passeou o olhar pela cafeteria que estava com pouco movimento.
–Não tenho mais nada pra dizer hoje. –diz Julia fazendo Gillian voltar o olhar para ela.
–Tudo bem. Semana que vem, se quiser, podemos voltar ao assunto. –diz a psicoterapeuta com certo alivio pela consulta estar acabando.
O silêncio permaneceu ali, na mesa delas, mas logo foi quebrado pelo som do sino acima da porta. Gillian olhou para a mulher que saia e por um breve momento pode jurar ser a mulher de seus sonhos. Os cabelos ondulados e curtos. E mesmo com a roupa de inverno cobrindo o corpo da morena, eram as mesmas curvas. Mas fora apenas um olhar de relance, não era possível ter certeza.
–Doutora? –chamou Julia.
–Sim? –voltou o olhar para a cliente.
–Acabou o tempo. –responde.
Mais uma vez o sino toca. A mulher voltou. Agora Gillian pode dar uma boa olhada no rosto e era ela. Por um segundo pensou estar, finalmente, delirando, imaginando coisas. Mas logo percebeu que, de fato, aquilo não era fruto de sua imaginação.
A morena pegou uma touca, talvez tivesse esquecido ao sair, sobre a mesa e sorriu. Agora Gillian tinha certeza, era a mulher de seus sonhos. A mulher que ela sonha há anos. Agora estava vestida e Gillian poderia a achara mais linda do que em seus sonhos. Pessoalmente ela era simplesmente maravilhosa.
Um pedaço de Gillian queria correr e apresentar-se para a mulher. Mas não pode. Sua vergonha e timidez não a deixaram fazer isso.
Com a touca em mãos a morena corre para a porta e a abre, fazendo o sino tocar novamente.
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