My new World
36 Marry me
Notas iniciais
– Bom dia meu amor – Regina disse andando pelo quarto com uma bandeja nas mãos – Dormiu bem?
– Café na cama? – Emma perguntou surpresa – Senhorita Mills, o que você fez? Andou vendo o babaca do Robin Food novamente? – ela franziu a testa.
– Não posso mais fazer uma surpresa pra minha namorada sem ter feito algo errado? – Regina perguntou ignorando o trocadilho de Emma com o nome de Robin e sentando de frente para ela.
– Não sei – Emma pegou uma maçã e deu uma mordida – Me diz você.
– Na verdade – Regina abriu um sorriso enorme ao vê-la mordendo aquela maçã – Eu queria saber se você não gostaria de jantar... comigo... hoje... – suas palavras saíram pausadamente.
– Vergonha? – Emma riu – Meio tarde pra isso amor, já se esqueceu do que você me pediu ontem? – ela mordeu o próprio lábio inferior e sorriu.
– Emma – ela disse num tom de repreensão – para com isso, vamos jantar ou não? – ela perguntou impacientemente.
– Vamos jantar onde? – Branca perguntou entrando no quarto arrastando Henry – Qual será a comemoração?
– Pelo menos ela não chama esperança – Regina disse baixinho revirando os olhos.
Henry correu até ela e a abraçou.
– Mãe estava morrendo de saudades – ele beijou seu rosto – Desculpa por ter deixado ela entrar assim – ele sussurrou para que sua avó não ouvisse.
– Ainda bem que ela não chama esperança? – Emma perguntou confusa após ter ido cumprimentar sua mãe.
– Esperança é a última que morre – Regina disse em meio a gargalhadas que foram cortadas quando Emma a deu um cutucão com o cotovelo.
– Vamos tomar café – Branca disse se sentando ao lado de Emma e pegando a maçã que ela havia mordido, os olhos de Regina se arregalaram – Pega uma maçã Henry, nessas não deve ter veneno.
– Henry – Regina o puxou – Maçã... Sua vó... Anel – ela balbuciou.
– Que? – ele perguntou totalmente confuso e levou alguns segundos até que ele conseguisse fazer a ligação entre as palavras – Droga mãe! – ele disse batendo a mão na testa – anel na maçã? Sério?
– Ai – Branca disse levando a mão até os lábios – Mordi alg...
– Vó – Henry gritou correndo em sua direção – Vamos pegar uma maçã da árvore? – ele disse a puxando – Eu gosto de comer direto da macieira, vamos – eles saíram do quarto.
***
– Tá, deixa eu ver se eu entendi – Henry dizia enquanto ajudava Regina a terminar de preparar o almoço – Você vai pediu ajuda pra todo mundo pra fazer uma surpresa pra ela com uma música do Bruno Mars?
– Exatamente – Regina disse soando mais nervosa do que desejava – Eu quero que seja perfeito Henry, quero surpreendê-la, por isso pedi pra que todos me ajudem, eu disse pra ela passar na prefeitura hoje a tarde pra te buscar, então quando ela chegar a surpresa vai começar...
– Acho uma boa ideia, vai ser totalmente surpreendente.
– Espero que ela goste – Regina disse abrindo um sorriso enorme.
– Ela iria gostar até se você não fizesse nenhuma surpresa mãe — Henry disse sorrindo de volta.
***
Todos estavam preparados na prefeitura e Regina pôde ver que tudo estava começando, ela sentia suas mãos tremerem e realmente queria ignorar aquilo quando seu celular e o telefone da prefeitura começaram a tocar ao mesmo tempo, ela encarou o visor do celular e era Emma.
– Alo? – ela disse totalmente surpresa.
– Amor – Emma tinha uma voz pesarosa – Minha mãe não quis me deixar ir buscar o Henry por que ela tá arrumando meu cabelo pro jantar de hoje a noite, Encantado vai passar por ai pra pegar ele – e foi nesse momento que Regina se deu conta do que estava acontecendo, era Encantado quem devia estar no carro vendo a “surpresa” de Emma.
– Amor – Regina disse tentando conter seu desespero – Eu te ligo depois.
– Am... – Regina desligou rapidamente e desceu até a rua.
Ao olhar para Encantado viu que ele tinha um olhar fuzilante, ela tentou forçar um sorriso e foi até lá explicar o que tinha acontecido, agora tudo estava realmente ferrado em sua visão, todos sabiam que ela queria pedir Emma em casamento, menos ela, aquilo com certeza não estava ajudando em nada.
– Ruby – Regina a chamou em meio aquela multidão – Como você coloca o pai dela dentro do carro como se eu fosse pedir a mão dele? – ela sussurrou.
– Não fui eu – Ruby disse tentando forçar um sorriso – Não sei como acabamos nessa situação, mas eu já dei um jeito de parar com tudo isso.
***
– Mas e se ela beber o anel acidentalmente? – Henry perguntou sério ouvindo a 3ª proposta da mãe – Você sabe como ela é...
– Ela não vai beber – Regina disse dando os últimos retoques na maquiagem – Tenho certeza.
– Você pode contratar um violinista – Henry disse sorrindo – E pedir pra ele tocar uma música romântica...
– Não seria demais? – Regina o questionou imaginando a cena.
– Claro que não – ele sorriu – Aposto que ela vai gostar.
Regina hesitou um pouco mais depois cedeu, ela contratou um violinista, fez as reservas no restaurante, encomendou as rosas vermelhas, escolheu uma música e a cada minuto que passava se sentia mais nervosa, ela nunca tinha se imaginado em uma situação como essas, mas era Emma, a mulher que ela amava, a mulher que ela queria ao seu lado para sempre isso fazia todo seu esforço valer a pena.
O tão esperado jantar estava chegando, Emma estava se trocando enquanto Regina terminava o banho, Regina tinha escolhido um vestido preto que tinha detalhes em renda com rosas desenhadas pelos ombros.
– Amooor – Emma gritou do lado de fora do banheiro – Parece que meus pais vão mesmo jantar com a gente e eles vieram me buscar – ela abaixou a cabeça – Se importa se eu for primeiro?
– Não querida – Regina tentou não demonstrar decepção em sua voz – Tudo bem, eu só vou terminar e já vou.
– Até já – Emma disse se virando e saindo do quarto.
***
Emma olhava para a porta do restaurante de 5 em 5 minutos e nada de Regina aparecer, ela sentia que tinha algo estranho acontecendo, pois desde que foram morar juntas Regina estava diferente, como se quisesse dizer algo à ela mas nunca dizia, ela estava realmente preocupada pensando no fato que de talvez Regina não sentisse mais a mesma coisa, seu coração se partia só em pensar nessa hipótese.
– Licença – Regina disse com um meio sorriso enquanto puxava uma cadeira para se sentar ao lado de Emma – Me desculpem pelo atraso, as coisas não querem colaborar hoje.
– Você está linda – Emma disse a olhando dos pés a cabeça – Eu perdi alguma coisa hoje?
Nesse momento o violinista começou a tocar atraindo a atenção de todo restaurante para si, ele vinha andando pelas mesas e pararia ao lado da mesa onde eles estavam.
– Odeio violinos – Emma disse enquanto levava a taça de vinho até os lábios – Me lembra velórios, sempre que eu tinha que acompanhar alguém em um velório vinha esse som maldito, fora que parece que esse cara tá encarando a nossa mesa – Regina engoliu em seco e deu um sinal para que ele não se aproximasse – Eu mereço mesmo...
– Fica calma mãe – Henry dizia em choque se lembrando de que a ideia tinha sido dele – Ele tá indo pro outro lado olha – ele apontou.
– Acho que podemos pedir – Regina disse tentando não deixar que suas emoções a entregassem.
Eles pediram e não demorou muito para que a comida chegasse, o jantar continuava tranquilo e quem mais falava na mesa era Mary, Regina estava cada vez mais entediada e sorriu ao ver o Garçom a olhando para saber se já podia entregar as taças de champanhe, ela deu um sinal com a cabeça e voltou a ouvir o que eles diziam.
– E depois Emma – Encantado tagarelava sobre uma série de tv – Acredita que o Teddy pediu a mão dela num restaurante?
– Jura? – Emma perguntou surpresa – Ele nem podia ter escolhido um lugar mais romântico?
E mais uma vez Regina engoliu em seco, aquele realmente não era seu dia, aliás, não devia ser seu ano.
– Mas isso não foi o pior – Encantado dizia em meio a gargalhadas, Regina viu o garçom cada vez mais próximo – Ele colocou a aliança no fundo de uma taça de champanhe.
As risadas altas de Emma e Encantado invadiram o lugar atraindo até mesmo alguns olhares, Regina queria se enfiar embaixo daquela mesa e morrer, como tudo podia dar tão errado? Não tinha como piorar.
– Não acredito que ele colocou o anel dentro de uma taça, que imbecil – Emma disse tentando conter as risadas – Ele não podia fazer algo mais criativo? Só o Teddy mesmo, aposto que a Robin não aceitou.
Regina começou a dar um sinal desesperado para o garçom que acabou entendendo que era pra deixar a taça de champanhe na mesa ao lado onde estavam Rumple e Belle, ao ver o anel no fundo da taça Belle começou a chorar e a dizer que aceitava abraçando Rumple que encarava Regina com um olhar mortal, pelo visto dava pra piorar e muito.
Ela viu Rumple fazer um gesto com a mão direita e uma caixinha com o anel surgir em seu colo, ótimo, Emma e Belle teriam um anel de noivado igual e ela nem podia culpar ninguém além de si mesma.
– Vou ao toalete – Regina disse se levantando e indo até o banheiro.
Assim que fechou a porta atrás de si ela encarou o grande espelho em sua frente, sentiu todo peso que estava em suas costas e não pôde evitar que algumas lágrimas escorressem por sua face, como podia dar tudo tão errado? Seria isso um sinal de que ela não devia pedi-la em casamento? Seus pensamentos foram cortados pela porta se abrindo.
– Amor? – Emma perguntou surpresa ao vê-la chorando – Tá tudo bem?- ela se aproximou.
– Sim Emma – ela respondeu limpando as lágrimas que escorriam por sua bochecha tentando disfarçar – Eu só estou com dor de cabeça.
– Não mente pra mim... – Emma disse com a voz baixa e entrecortada – O que tá acontecendo?
– Nada Emma – a morena passou as mãos pelo rosto e se virou – Eu só quero ir pra casa.
– Você não me ama mais – Emma disse a encarando com um olhar profundo, ela não conseguia mais aguentar aquela situação e agora tinha visto Regina chorando – Você não quer mais ficar comigo!
– Como você pode dizer isso? – Regina estava inconformada com o que tinha acabado de ouvir.
– Como eu posso dizer isso? – Emma se aproximou a empurrando até a parede e aumentou o tom de voz – Desde quando começamos a morar juntas você mudou; me evita, parece preocupada com outras coisas o tempo todo!
– Eu realmente me preocupo com algo o tempo todo – Regina disse tentando se controlar – Mas isso não quer dizer que eu não ame você ou que não queira estar com você!
– Com certeza não né – Emma disse se virando – Eu que sou a babaca da historia, que entende tudo errado...
– Não era pra tudo estar tão errado assim se você me escutasse e fizesse o que eu te peço – Regina não conseguia mais se controlar – Você nunca faz nada que eu peço, hoje cedo já acordamos com a sua mãe enchendo o saco, depois te pedi para buscar o Henry e quem apareceu? Seu pai! – Regina balançava a cabeça de um lado pro outro – E ainda por cima você nem me esperou pra vir até aqui!
– Você disse que eu podia vir na frente – Emma gritou a empurrando – Eu não tenho uma bola de cristal para poder prever quando essas coisas vão acontecer! – ela concluiu saindo do banheiro com os olhos cheios de lágrimas, todos a encaravam e ela correu para fora do restaurante.
Regina se deparou com os olhares de reprovação dos pais de Emma e saiu atrás dela, Emma saiu andando sem direção até que chegou a beira da praia perto da onde ficava o castelo de Henry, ela se sentou em baixo de uma árvore enorme e começou a chorar com a cabeça entre os joelhos, pra ela tudo estava claro, aquilo seria o fim.
Emma se surpreendeu ao ver Regina atrás dela descalça e suando, ela puxou a mão de Emma pra que ela se levantasse mas Emma se soltou e levantou “sozinha”.
– Vai embora – ela disse enquanto esfregava os olhos vermelhos.
– Amor – Regina disse a puxando pra perto e levando as duas mãos até o rosto da loira – Calma, eu não vou embora – ela encarava os olhos de Emma que continuava olhando para os próprios pés – Eu não vou te deixar sozinha Emma... – ela forçou Emma a olhar em seus olhos – ela levantou uma das mãos e alguns fios de barbante desceram das árvores com fotos dela e de Emma em vários momentos, fotos que Emma nem sabia que existiam, um doce aroma de rosas as atingiu quando algumas pétalas caiam pelo chão e tudo era iluminador por velas, magia era realmente incrível – Eu ainda me lembro de como nos sentimos aquele dia no seu antigo apartamento – Regina beijou o rosto de Emma e levou os lábios até o ouvido dela – E toda vez que eu olho pra você é como se fosse a primeira vez – ela sorriu contra o ouvido de Emma fazendo com que ela se arrepiasse – Eu me apaixonei por uma princesinha mimada e ela é a melhor coisa que já foi minha... – ao terminar ela beijou Emma, seus lábios se tocaram de uma forma doce e calma, Emma podia sentir toda aquela tensão acabando quando seus lábios se separaram devagar – Vem – Regina disse puxando em direção ao meio da praia, Emma pode ver muitas velas por ali mas todas apagadas, Regina ficou de frente para ela e após alguns segundos considerando se devia ou não fazer aquilo voltou a falar – Emma, você me trouxe felicidade em uma vida repleta de tragédias – ela respirou fundo – Você me deixaria passar o resto da minha tentando te proporcionar o mesmo? – Nesse momento ela levantou a mão direita e as velas que estavam na beira da praia se acenderam formando a frase “Emma, casa comigo?”
***
Fale com o autor