Notas iniciais
Olá, Sou nova aqui e essa é uma história que estava viva dentro de mim há anos rs' e espero que gostem dela, viu? Beijos da Gabs..

A música rolava alto no andar debaixo, tão alta que me causava uma dor de cabeça terrível. E eu estava no corredor, encostada na parede tentando criar coragem mais uma vez para entrar naquele palco e dançar para aqueles homens babões nojentos. Era assim todo santo dia, desde que meu pai resolveu abrir essa boate embaixo da nossa casa.

Minha vida tinha virado um inferno no ultimo ano. Desde que minha mãe morreu um ano atrás, num acidente de carro, meu pai ficou sem rumo, ganancioso e louco, tão louco a ponto de me obrigar a dançar todos os dias aqui, com mais umas dez meninas. O lado bom, ou não, é que entre elas achei meninas maravilhosas como a Jazz, minha melhor amiga, e a Beth, a mais velha de todas nós, e eu a considero como minha segunda “mãe”, que me ajuda em muitos aspectos. Não cura minha dor, mas alivia saber que ela esta aqui torcendo por mim e pelo meu bem assim como minha mãe faria.

- Como está a minha menina? – Beth surgiu do outro lado do corredor me perguntando.

- Criando coragem – Disse cabisbaixa, sem um pingo de emoção na voz.

Ela chegou mais perto e me abraçou. Talvez era tudo que eu precisava naquele momento. Eu não estava bem, nem um pouco e não sabia o motivo. Simplesmente sentia um aperto no coração como se algo ruim estivesse para acontecer.

- Vai ficar tudo bem. –depositou um beijo em minha testa- Coragem. E não se esqueça de não fitar os olhos deles se não se sentir confortável – assenti. – Agora vai, tá na sua hora – deu uns tapinhas nas minhas costas me impulsionando a ir.

Respirei fundo novamente e criei coragem para entrar. Olhei para Beth mais uma vez e seu olhar me confortou. Seus lábios sussurraram um “Eu te amo, menina” e eu assenti com a cabeça.

Entrei no palco e na mesma hora senti um arrepio ao ver todos aqueles homens com notas altas nas mãos e me comendo com os olhos. Era uma experiência horrível. Eu me sentia um lixo por estar ali. Ao som de “Turn me on” eu dançava na barra de pole dance rapidamente e tentava na maioria das vezes olhar para outro lugar, menos nos olhos daqueles homens nojentos bêbados. De canto de olho ví Jazz entrar no palco e dançar na barra ao lado da minha e naquele momento eu agradeci aos céus por aquilo, a sensação de não estar sozinha ali me fazia bem.

Passei as mãos pela barra e segurei firme. Dei um impulso entrelaçando as pernas e desci até quase chegar ao chão. Subi devagar e olhei para Jazz, que sorriu para mim. Aquela era a hora de fazermos a parte mais difícil do show para mim. Ter que subir até o alto da barra e descer dando leves impulsos até esparcar quando chegar ao chão. E assim fizemos.

Quando finalmente acabamos eu não pensei duas vezes, peguei o dinheiro do chão sem ao menos dar atenção aos elogios que aqueles escrotos diziam e sai dali o mais rápido possível. Fui direto para o camarim onde todas as meninas estavam.

- Oi gente — sorri amarelo para as meninas que estavam na sala.

- Oi – Todas disseram em coro.

Tirei a meia calça e pus o meu short, que estava pendurado na cadeira, por cima do meu body preto de renda e fui com direção a Beth e Jazz que estavam no canto do camarim.

-Nossa – Me joguei no sofá ao lado delas – Que alivio – Afundei meu rosto em minhas mãos.

- Já passou, menina – Beth disse me fazendo olha-la.

-Eu não aguento mais essa vida- O mesmo mal estar de antes se instalou novamente dentro de mim- Eu quero morrer.

-Não pode morrer. Quem vai me fazer companhia e alegrar meu dia? – Indagou Jazz.

-Não fica assim minha menina- Beth disse colocando um fio de cabelo, que havia caído em meu rosto, atrás da minha orelha.

Sorri sem vida.

- Eu me sinto um lixo, um objeto pau-mandado – O choro estava preso em minha garganta.

- Para com isso, Àgata – Jazz veio em minha direção e me abraçou.

Eu já havia me sentido mal assim mais vezes, mas hoje tava insuportável. A mais ou menos uma semana eu tô com esse mal estar, essa coisa ruim dentro de mim. Meu humor não era dos melhores. Eu não encaro, nunca encarei e nunca vou encarar bem o fato de meu pai me obrigar a trabalhar aqui. Um pai de verdade não faria isso.

-Meu pai não me ama. –Esse pensamento ecoava em minha mente varias e várias vezes todos os dias. – Minha vida é um inferno. – Não contive as lágrimas.

-Ei, para com iss..- Beth foi interrompida pelo barulho da porta se abrindo.

Meu pai entrou e todos os burburinhos pararam. Era sempre assim quando ele estava presente, ninguém falava nada, nem respirava.

- Quero todas vocês em 20 minutos lá embaixo, arrumadas. – Disse rude, me olhando de canto de olho. – Menos você — Apontou para mim. – Vamos conversar.

Revirei os olhos. Já sabia que meu pai iria me pedir para dançar para os homens enquanto as meninas se prostituiam nos quartos atrás do palco. Eu era um entretenimento, Uma excitação antes do programa.

- Vem ágata – Disse e saiu, fazendo com que todas as meninas presentes na sala me olhassem com cara de “vai ir ou demorar mais?”.

Levantei e fui em direção a porta, abrindo-a.

- O que quer agora? – Perguntei ríspida.

- Calma. – levantou a mão em sinal de defesa. – A dança é sua e de Jazz hoje.

- Não só hoje, né?

- Também não é assim. Você tem folga as vezes.

- Uma vez por mês, isso é folga? Me poupe. Eu trabalho 24h nesse inferno.

- Desculpa. – Ele desviou o olhar do meu e olhou para a janela que ficava no final do corredor. Seu olhar era um pouco perdido.

- Vou me trocar – Dei de ombros e sai.

Subi as escadas correndo e fui em direção ao andar de cima, ao meu quarto. Abri a porta correndo e fui direto ao banheiro, estava melada de suor e meu cabelo estava nojento, todo sujo do pó que eu uso para não correr o risco de escorregar as mãos da barra.

Demorei uns 8 minutos no banho, menos do que eu queria. Quem sabe eu não poderia me afogar e morrer ali mesmo. Me sequei rapidamente deixando ainda uns pingos de agua em meu corpo, devido ao calor extremo que estava naquele dia, decidi ficar meio molhada mesmo.

Coloquei meu body vermelho e minha meia calça de elastano transparente. Passei meu perfume em todo o corpo e amarrei o cabelo em um rabo de cavalo com topete. Passei um rímel, e uma base com um delineador, também passei um batom vermelho. Eu não estava afim de ousar na maquiagem, nem nas roupas hoje; Eu só queria que o dia acabasse, apenas isso. Desci correndo as escadas e fui para o corredor atrás do palco.

- Você viu meu pó? – Perguntei a Grace, uma das dançarinas.

-Não amiga. – revirei a minha bolsa que estava no chão perto de mim. – Mas pode ficar com o meu, eu não vou dançar agora – Jogou o potinho para mim.

- valeu.

Passei um pouco nas mãos e também nas coxas e no antebraço, mesmo com a calça de elastano eu ainda tinha um certo pavor de cair. Levantei rapidamente, pus o pó na bolsa de Grace e fui em direção a barra no palco.

- Pronta? – Jazz perguntou, na barra ao lado.

- Pronta.

Jazz me acompanhava em todas as danças. Essa foi uma exigência que fiz ao meu pai, disse que não dançaria sem ela e ponto final. E ele também não tinha escolhas, Jazz era minha melhor amiga e ele sabia que eu não dançaria sem ela. A boate geralmente só funcionava a noite, de dia era mais um ponto de prostituição. Meu pai não me deixava fazer programas, ao menos uma coisa certa ele fazia.

Começamos a dançar assim que “Wet the bed” tocou, Deslizei minhas mãos pela barra e com a ajuda das pernas subi até o alto e desci rodando até parar a centímetros do chão, Fiquei de pé e me virei de costas para o público e desci deslizando com o bumbum na barra, Novamente me apoiei com as mãos e dei um impulso empurrando minhas pernas para cima até ficar de cabeça para baixo e fui descendo até encostar as mãos no chão e sair da posição. Tudo estava fluindo bem, exceto uma movimentação estranha que surgiu no fundo da boate a poucos metros de Eu e Jazz. Três homens entraram e um deles se sentou e estava olhando diretamente para mim, os outros dois estavam inquietos e cochichando um no ouvido do outro. Nesse momento eu não sabia o que fazer, não sabia se entrava em choque ou se continuava a dançar, eu estava desnorteada com a forma que aquele rapaz me olhava. Ele usava um capuz e estava de óculos, isso me atrapalhava a ver claramente seu rosto; Pela primeira vez tinha olhado para um homem que me assistia, eu sempre me concentrava na dança e não gostava de olhar os rostos a minha volta.

O rapaz por um momento desviou seu olhar de mim e se juntou aos dois colegas, os três agora cochichavam e se mexiam de uma forma suspeita, quando olhei para Jazz vi que ela também estava estranhando o movimento lá atrás, mas continuávamos dançando. Dei mais um giro na barra e voltei a atenção a eles, me assustei ao ver que o rapaz que me olhava retirou o capuz e pôs uma máscara preta que cobria seu rosto deixando apenas os olhos e a boca de fora, seus colegas fizeram o mesmo. A essa altura meu coração estava quase pulando pela boca de tão forte que batia, os três se moveram vindo em direção ao centro da boate e o rapaz que estava me olhando tirou uma arma da cintura e atirou duas vezes num quadro próximo a porta, fazendo com que todos olhassem para trás, em seguida, anunciou um assalto. Se antes meu coração estava acelerado, agora ele parecia querer rasgar o meu peito, eu entrei em estado de choque total ao perceber que eles estavam vindo em direção a mim e Jazz. Larguei a barra, já entrando em pânico, e me joguei no chão com o rosto para baixo como todos estavam fazendo.

- Botem tudo que tiverem de valor no chão, do lado de vocês. – Ordenou um deles. – E se alguém tentar alguma gracinha, Vai fazer uma visita ao diabo mais cedo.

Os três estavam se aproximando, dois passaram por nós e foram em direção ao fundo da boate. Um deles recolheu todos os objetos de valores que foram colocados no chão pelos clientes e pouco depois seus olhos rolaram a boate em busca de algo a mais de valor que estivesse por ali. Levantei um pouco a cabeça e procurei meu pai, mas nada, nenhum sinal dele. Olhei para Jazz e ela estava com o rosto virado para o outro lado, estiquei meu braço na tentativa de toca-la, mas estava longe demais.

Os dois rapazes voltaram com um saco preto em mãos, cheio de grana provavelmente, e foram em direção ao outro que havia ficado, meu coração se aliviou ao ver aquela cena. Levantei a cabeça na esperança de vê-los irem embora, mas minha esperança acabou ao ver um deles se aproximando de mim.

- Levanta – ordenou ele – você vem comigo. – Levantei a cabeça lentamente e travei ao fitar aqueles olhos cor de mel, eu estava com tanto medo que mal respirava. – è surda, porra? Mandei levantar.

- Não vou com você, nem fodendo. – meu corpo estremeceu, depois dessa eu estava me preparando pra morrer, literalmente.

Suas mãos foram rápidas e ágeis, em questão de segundos já estava com uma arma apontada para minha cabeça.

- Eu não pedi sua opinião, eu disse que você vai e ponto final. – assenti balançando a cabeça.

A essa altura do campeonato eu não tinha mais saída, ou eu ia, ou morria. A primeira opção era bem mais viável, é claro, não tive escolhas a não ser me render sem reclamar. Minhas mãos foram amarradas e meus olhos vendados, sai sendo puxada por ele sem ao menos poder falar com Jazz, ela estava como uma estátua no chão, parecia até morta.Meu coração ia sair boca a fora a qualquer momento, eu estava em pânico, sem saber para onde estou indo e com quem estou indo, eu sentia como se a qualquer momento eu fosse ter um troço e desmaiar.

Notas finais
Espero que tenham gostado, comentem a opinião de você é bem importante. beijos.