FLASHBACK ON

Acordei com o pé errado, era uma manhã de primavera, as cores das árvores e flores ainda despertavam do frio inverno, eu estava atrasada, os novos funcionários da clínica chegariam em alguns minutos:

– Damn!

Chamei o elevador apertando três vezes o botão:

– Anda sua porcaria!

Eu estava com pressa fui pelas escadas:

– Olá!

O porteiro disse:

– Oi!

Falei indo direto para a porta:

– Vamos pegar a porcaria do carro, de quem foi a maldita ideia de deixa-lo longe?!

Bufei indo em direção a praça para pegar um café:

– Já estou atrasada...O que são mais dois minutinhos?

Ri e fui para a fila da barraca de café, peguei meu celular para ligar para Ida:

– Hallo?

– Hallo, Ida?

– Ya, o que foi Danielle? Está atrasada!

– Só alguns minutos, enrola os novatos, tenho que tomar um café da manhã.

– Nem todos chegaram ainda, tem mais vinte minutos.

– Certo, obrigada.

Olhei para o rapaz da barraquinha:

– Um café expresso.

Coloquei o dinheiro em suas mãos:

– Sim, um minuto.

Esperei o café olhando para as pessoas que estavam na praça, muitas pessoas vinham ao parque, crianças, jovens, idosos, pessoas da minha idade:

– Com licença...

Um homem alto e forte tocava o meu ombro:

– Sim?

Me virei:

– Pode me dizer que horas são?

– Oh! São 7:40...

Disse olhando para o celular:

– Damn, estou atrasado!

– Não faz mal, o que são alguns minutos a mais?

Rimos:

– É verdade, né Eika?

Disse para sua cadela, em seguida tomou um gole de seu café:

– Que linda! Sempre quis ter um dálmata!

– É mesmo? Haha, pois esta aqui dá muito trabalho!

Peguei meu café:

– Então...Já vou indo.

–E o que são mais alguns minutinhos?

– São...

Fiquei sem resposta:

– Para que está atrasada?

– Trabalho...

– Oh, eu também, mora aqui por perto?

– Sim, aquele prédio na frente da praça.

Apontei:

– Moro naquele.

Apontou o outro prédio do outro lado da praça:

– Quase vizinhos!

Rimos:

– Quase.

– Ham...Espero que você não seja um assaltante.

– Digo o mesmo, sou novo aqui.

– Bem-vindo.

– Obrigado.

– Uh...Bem-Vindos!

Rimos e ele ajeitou a coleira da cadela na mão:

– Obrigado de novo.

– Só você e ela?

– Sim, e você?

– Só eu, meu pai e dois peixes num aquário.

– Bom...Eu tenho que ir agora...

Eu disse:

– Ah claro...Mas, qual o seu nome?

– Danielle.

– Sou Christoff, mas pode me chamar de Chris.

Sorriu e estendeu a mão:

– Ok, Chris...Foi bom falar com você.

– Digo o mesmo, Danielle.

Atravessei a praça e abri meu carro Que cara gato! Suspirei Será que ele é solteiro? Dei a partida no carro e fui para o meu trabalho, encontrei Ida na porta:

– Estava quase se encrencando moça.

– Estou aqui, certo?

– Af, entra logo, estão todos aí.

Tinham quatro novatos de cinco me esperando:

– Bom gente...Meu nome é Danielle, vou mostrar para vocês como a clínica funciona.

Peguei uma lista de chamada em cima da minha mesa, nem prestei atenção nos rostos dos novatos:

– Bom dia, desculpe o atraso...Doutora...Danielle?

– Tudo bem, sente-se.

Nem olhei para responder:

– Annie?

– Estou aqui.

– Adali?

– Presente.

– Barin?

– Aqui.

– Como se sente sendo um dos dois únicos homens da clínica?

– Ham...Normal.

Rimos:

– Muito bem, ham...Edda?

– Eu!

– Christo...

Olhei para os novatos:

– Ah não...

– Hallo Danielle!

Era o Christoff da praça, aquele mesmo:

– Então era para isso que estava atrasado?

Ri:

– Tanto quanto você.

Riu também, olhei para Ida:

– Bom...Vamos lá, né?

Apresentei o lugar todo a eles, isso demorou um pouco com várias demonstrações e as entregas das salas, cada um dos novatos era um veterinário recentemente formado, olhei para eles:

– Então galera...É aqui que vocês vão trabalhar. Alguma pergunta?

– Agora podemos sair para almoçar?

Barin disse rindo um pouco:

– Sim, nós temos uma hora de almoço.

Ri:

– Vamos comer?

Ida me perguntou:

– Vamos.

Todos nós saímos:

– Te dou carona.

Disse a Ida entrando no carro e dando a partida:

– Vamos falar desse novo cara...

– Para Ida.

Ri:

– Ele é um gato.

– Esbarrei com ele na praça, ele me perguntou as horas.

– Uhuuuul! Vai desencalhar!

– O que? Só estou a uma semana sem namorado e você me chama de encalhada?

Rimos:

– Estou brincando, você sabe.

– Não quero nada com ele, somos colegas de trabalho agora.

– Aham.

Falou com sarcasmo:

– É sério!

Chegamos em um restaurante e saímos do carro:

– Não sairia com ele mesmo?

– Ida, não!

Sentamos em uma mesa e pedimos o de sempre acompanhado de um suco:

– De jeito nenhum?

– Ida, por que está preocupação?

– Nada, só achei este cara gato.

– Fica com ele então Ida.

Ficamos em silêncio até a comida chegar:

– Mas e se ele te desse mole?

– Ida, chega desse assunto, ok?

– Ih...Ok.

Começamos a comer, ela tinha me deixado nervosa:

– Desculpa.

– Tudo bem...Eu acho que ainda tenho sentimentos pelo Nick, sabe?

– Americanos malditos!

O Nick era meu ex-namorado, seu verdadeiro nome era Nicolas, ele veio da América com a mãe e o pai, namoramos por quase um ano:

– Americano maldito.

A corrigi:

– Oh Dan...Não fique tão mexida, Nicolas não era cavalheiro, não era romântico, nem mesmo bonito ele era, bola para frente.

– É, isso é difícil...Igual ao francês que você arranjou nas férias, chato.

Ri:

– Não se contente com o pouco, ta?

– Ta Ida.

– Te adoro amiga.

– Também te adoro amiga.

Terminamos de comer e fomos para a clínica:

– Olá Danielle.

– Hallo Chris.

– Quando vou conhecer meu chefe?

– Breve, ele está viajando, por enquanto eu e Ida estamos no comando.

– Ah, certo então.

– Qualquer coisa pode me chamar, estou no meu consultório.

Me virei e entrei na sala, me sentei e comecei a folhear antigos relatórios, ouvi alguém bater na porta:

– Entre.

Christoff entrou na sala:

– Sim?

– Me empresta uma caneta?

Ri:

– Claro, pode ficar com esta. Joguei uma velha caneta para ele Ham...Está de carro?

– Não, tive que pegar um táxi, ainda estou sem carro.

– Quer carona? Somos Quase Vizinhos, lembra?

– Ah! Aceito!

Rimos:

– Então vamos ás cinco.

– Ok, até lá, vou para o meu consultório.

Ele saiu da minha sala, me deixando com aqueles velhos relatórios de cães e gatos doentes, depois de mais alguns minutos sem movimento algum na clínica eu resolvi ver alguns bichos internados, encontrei Ida e Barin trocando alguns soros, fiz o mesmo e depois dei remédios.

Até que deram cinco horas, chamei Christoff e fomos para o carro seguindo viagem:

– Chegou aqui em Berlim faz quanto tempo.

– Vai fazer uns dois meses, vim mesmo para trabalhar.

– Ah, legal.

– E você? É daqui?

– Nascida aqui, filha de um alemão e uma italiana.

– Interessante! E qual seria seu sobrenome?

– Olivati, Danielle Olivati. E o seu?

– Schumacher, Christoff Schumacher. Nome bonito Dani!

Sorriu:

– Seu nome é legalzinho, descendências de um sapateiro. Ri Estou brincando!

– Claro.

Riu também:

– Eu posso te levar para conhecer alguns lugares, sabe? Bares, restaurantes, lugares legais para levar a Eika, posso te apresentar algumas meninas, talvez alguns meninos...Vai saber.

Rimos:

– Tenho cara de gay?

Fez um biquinho:

– Não parece, mas como eu disse...Vai saber? Rs.

– Não, eu não sou gay.

Riu:

– Melhor para as menininhas.

– Sabe, não sou de ficar com menininhas, prefiro mulheres feitas.

– Você é o primeiro que vejo.

– Rs, vai me levar mesmo?

– Sim, vou ligar pra Ida pra arranjar um bar bem legal, pode ser? Você bebe?

– Pode ser, sim eu bebo.

– Hoje?

– É, pode ser...Que horas?

– As sete, te busco aqui.

Estacionei o carro em frente ao seu prédio:

– Ta certo...Bom, pelo menos agora eu sei que você não é assaltante.

Rimos:

– Digo o mesmo Senhor Schumacher.

Sorri:

– Pega o meu número qualquer coisa.

– Ah, claro...Deixa eu só pegar meu celular na bolsa....

Peguei o celular e entreguei a ele, peguei o celular dele que estava em seu colo e coloquei meu nome em seus contatos:

– Dani...

– Chris.

Assim eu devolvi o celular dele e visse e versa:

– Até.

– Até mais Dan!

Mudei de rua e estacionei meu carro na frente do meu prédio:

– Interessante mesmo é ele morar a uma praça de distancia do meu prédio.

Chamei o elevador e abri a porta, me deparei com meu pai sentado no sofá da sala lendo alguma coisa:

– Hallo, papai.

– Hallo filha.

– Como foi seu dia papai? Tomou seus remédios?

– Tomei, tomei sim...Hoje eu fui até dar uma caminhada na praça, conheci uns caras que jogam cartas, uma poodle...

– Que bom pai! O senhor almoçou aqui?

– Sim, aqui em baixo...Digo, naquela padaria, comi a sua torta preferida.

– Delícia! Pai, eu vou sair hoje com uns amigos.

– Que amigos Danielle?

– Hehe, Ida e um rapaz novo lá na clínica.

– Hun, está bem.

Fui para o meu quarto...