My little baby
1 Blackbird - Oneshot
Notas iniciais
Eu vou escrever este capítulo único e posta-lo logo, ou seja, não será revisado, por isso me perdoem pelos possíveis erros ortográficos..
Então, sem mais delongas, boa leitura!!
" Porra, que calor.." Ouvi o resmungo vindo do canto da sala de aula. " Reclamar do calor não vai fazer com que fique menos quente, sabe , Reyes?" respondi rudemente, o que raramente me atrevia a fazer. Minha atitude me levou a uma chave de braço seguida de cascudos e risadas de nós dois, ate que eu me rendesse. " Tudo bem, tudo bem. Vem, vamos comprar uns picolés."
Saímos da escola sorrateiramente, já que todos já estavam em casa e nós ficamos escondidos debaixo das mesas por algum motivo. Parando para pensar, não foi muito inteligente nos trancamos numa sala sem ar condicionado num dia quente assim..
Levantei o rosto enquanto passávamos por baixo de uma gigantesca árvore, que nos cobria com sua sombra. Alguns raios solares insistentes eram filtrados por entre as folhas e nos atingiam no rosto de vez enquando. Andávamos em silêncio, lado a lado, apenas compartilhando daquela satisfação mútua só por estarmos juntos. E isso me lembra.. de como nos conhecemos, cinco anos atras.
Éramos só dois pirralhos. Era um dia quente como esse e dessa vez estávamos no lugar certo para enfrentar o clima. Eu brincava à beira d'agua na piscina pública, apenas com as pernas mergulhadas na água, o que era o suficiente para me refrescar pelo menos um pouco. Provavelmente tinha as costas sardentas queimadas pelo sol forte e eu não sei se foi isso que fez com que o garoto se aproximasse. A primeira coisa que me lembro de notar era a falha entre os dentes da frente. Uma fenda engraçadinha, que não deixava aquele sorriso menos bonito de forma alguma. Depois de ver o meu rosto ele pareceu um pouco confuso e decepcionado, e depois de um pouco de conversarmos acabei descobrindo que ele esperava uma garotinha brincando sozinha, não um sardento queimado de sol. Eu poderia ter ficado muito bem ofendido, visto como era mimado na época e Reyes não tinha papas na língua, mas foi só o outro sair um pouco e voltar com um filtro solar que eu acabei percebendo sua natureza gentil.
As lembranças me fizeram rir e ser encarado por um Reyes crescido e com as sobrancelhas franzidas. " Por que porra você tá rindo sozinho, Yan?" ele perguntou com um semblante confuso e curioso, que me fazia soltar gritinhos por dentro. Como ele podia ser tão bonito com uma boca tão suja? " Por que você não consegue falar uma frase completa sem um "porra" no meio, Reyes?". E com isso caminhamos o trajeto inteiro até a sorveteria calados, Reyes com um beicinho emburrado e eu com um sorriso bobo.
Depois de pegarmos o sorvete fomos até a minha casa que ficava vazia até pelo menos as 23:00, se eu não aparecesse por lá antes. Minha mãe trabalhava duro, mas às vezes eu me perguntava se ela realmente precisava ou fazia aquilo só para não ter que ficar mais tempo em casa.. de qualquer forma, eu não me incomodava enquanto Reyes preenchesse aquele vazio na casa grande com palavrões e risadas esganiçadas. Quem o vê assim nunca imaginaria que esse mesmo garoto fuma quase metade de uma caixa de cigarros por dia, isso quando eu estou por perto para vigia-lo..
Lembro-me de ficar chocado ao descobrir que aos 12 anos Reyes já fumava e bebia, andando sempre com um canivete por aí. Se metia em brigas constantemente e já apagou em algumas delas, me deixando sozinho para chorar e velar por ele. Sempre que acordava me prometia que nunca mais faria aquilo, apenas para me consolar e no outro dia fazer novamente enquanto eu dormia pensando tê-lo seguro em casa.
O mesmo garotinho que me emprestou filtro solar, o mesmo garotinho que fumava cigarros, o mesmo garotinho que me roubou o primeiro beijo, o mesmo garotinho para quem eu recitei uma música inteira, o mesmo garotinho para quem eu me apaixonei perdidamente..
" Você está viajando hoje,Yan.." Me sobressaltei ao finalmente notar que ele me encarava com aqueles olhos que me deixavam perdido se eu encarasse demais. Balancei a cabeça e abri um sorriso, me aproximando do outro. Mesmo que estivesse quente, ele era gentil o suficiente para não me afastar de um abraco. " Eu só estava pensando.. no quanto eu amo você. E como sou sortudo." Levantei o rosto para ver um Reyes corado, disfarçando com um resmungo indiferente. " É-é mesmo?.. Mmm.. "
Enquanto eu o tiver comigo, eu.. acho que não me importo em suportar mil verões como esse.
Notas finais
AaaaA eu acho que poderia ter me esforçado mais?? Ejjsjsjswquenervoso.
Obrigada por lerem!!! Até a próxima~
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