My life

11 End... and happy


Meu casamento foi basicamente perfeito, afinal que festa que Dite organiza que não é? Os convidados todos sorrindo e divertindo-se como se fossem humanos e seus deveres não existissem, mas quem poderia culpá-los? Era o inicio de uma nova Era no Olimpo, foi o fim do meu reinado e do meu antigo casamento e também o inicio do meu casamento com Poseidon, meu ex-cunhado. O mundo lá embaixo não deveria ser lembrado então resolvi esquecê-lo um pouco. Eu estava sentada em uma mesa com Poseidon, Apolo, Hermes, Dite, Héstia e Ares. O assunto da conversa estava sendo o novo casal do momento.

–Escuta aqui Apolo se algum dia eu ver essa linda aqui chorando por você, você sabe que mortal ou não eu acabo com você né? –Isso foi dito por Ares com a maior delicadeza do mundo.

–Ares nós teremos um caso, logo ela desapega né gatinha? –Apolo falou sorrindo brincalhão, mas mesmo assim recebeu um olhar feio de Ares.

–E ai quem vai chorar vai ser você meu querido. –Dite falou com falsa cara de dó.

–Sou só eu ou mais alguém aqui consegue imaginar mais o galinha do Apolo sofrendo por uma mulher mais do que a Dite sofrendo por um homem? –Essa questão foi eu que lancei.

–Eu ponho mais fé na força da Dite, aquela ali não vejo chorando por coração partido nunca. –Poseidon obviamente apoiou ela.

–Apolo meu lindo eu confio em você em, aposto nele galera. –Declarou Hermes. –E você Héstia?

–Apolo com certeza não choraria tão fácil.

–Aee está empatado a bagaça. –Comemorei a pré-vitória da Dite. –Vai Ares detona com esse metido.

O pobre Ares ficou encarando Dite, depois Apolo, depois Dite que acenou para ele levemente provavelmente com um olhar de “diga a verdade”. Esse casal era simplesmente maravilhoso, a vontade de fazer Afrodite ficar me invadiu fortemente.

–Eu confio na delicadeza do coração da minha mulher e sei que ela choraria por amor facilmente. –Ele falava para todos, mas olhava apenas para ela. –Apolo vence essa.

Apolo fez deu um escandaloso gritinho de vitória tentando dançar sentado sem muito sucesso já que quase caiu da cadeira levando Héstia junto. Ares e Afrodite ainda estavam se olhando, mas eu só conseguia ver o olhar de Ares que transmitia dor e amor ao mesmo tempo, ele sofreria pela perda daquela mulher maravilhosa e eu não podia deixar. Pedi licença discretamente e fui procurar Têmis entre os convidados. Ela estava próximo ao bar conversando com Dionísio e Perséfone, me aproximei timidamente sorrindo para os três que, pelo que peguei no ar, conversavam sobre os novos Reis.

–Eu acho que Héstia fará com que o Olimpo cresça em todos os sentidos, ela voltará a união para esse reino. –Perséfone falou com ar sonhador.

–Concordo e ainda acho uma pena que ela e Hermes não poderão ser um casal já que ela fez um juramento para Zeus. –Estranho Dionísio com pena de alguém, mas ele parecia sincero.

–Ai que se engana D. Zeus já a liberou desse voto. Ele não era de todo um monstro e pensou que o lar merecia crianças. –Essa revelação de Têmis surpreendeu a todos naquela rodinha incluindo a mim.

–E ela está sozinha por que mesmo? –Perguntou Dionísio inconformado provavelmente pensando que perdeu chance.

–Porque ela queria encontrar um amor e desconfio que achou. –Ela apontou para a mesa onde eu estava sentada antes e vimos Héstia e Hermes conversando mais próximos do que seria necessário. –Tenho certeza que fiz uma boa escolha.

–Por falar em escolhas... –Finalmente me meti de verdade na conversa. –Quem vai por no lugar dos Olimpianos que vão embora? Sei que meu lugar ficou com Héstia, mas e o resto?

–Eles só receberão as devidas honras depois da partida de vocês, mas acho que posso contar para vocês, manteriam isso confidencial não é mesmo? –Os três acenaram positivamente. –No lugar de Poseidon fica você Perséfone, minha querida.

–Eu? No lugar de um dos três grandes? Mereço isso? –Lágrimas de emoção se formaram em seus olhos abertos pela surpresa.

–Creio que não há ninguém mais aqui que mereça, você é magnífica e ajuda a todos Perséfone. Acha que eu não sei de como ajudou o próprio Poseidon, ou Apolo e até mesmo Hefesto e Ares. Fora que o que seria de Hades e o Mundo Inferior sem a rainha? O Olimpo precisa de alguém como você, principalmente para ajudar com os semideuses, e sim eu também sei que os adora. –Perséfone se encontrava com as mãos na boca e lágrimas no rosto diante da fala de Têmis que eu e Dionísio concordamos sem hesitar. Abracei a morena enquanto Têmis continuava. –Para Afrodite coloquei Eros, acho que ele saberia lidar com o cargo alto e para Apolo coloquei a doce Íris.

–Você acha que Íris toparia isso Têmis? –Eu duvidava um pouco.

–Hera você já viu alguém falar não para essa mulher aqui? –D. falava apontando Têmis.

–Do jeito que Íris é ela poderia ser a primeira. –Falei simples.

–Bom se ela fizer isso, o que eu duvido, temos Anfitrite como segunda opção. –Têmis retrucou também de maneira simples. –Agora que tal darmos um passeio? –Acenei positivamente. –Com licença meninos e Perséfone isso é segredo em.

Eles acenaram e eu conduzi a deusa para longe de todos os deuses e convidados para podermos conversar em paz. Eu tentava montar um acordo e mal olhava para a noite linda que estava. Eu precisava salvar o amor de Ares e de Afrodite com extrema urgência ou não viveria em paz nunca porque ela estava desistindo de seu amor para ficar comigo.

–Creio que não foi lá para saber dos novos Olimpianos, estou certa?

–Sim, está. Fui lá falar sobre Afrodite e Ares.

–Afrodite se arrependeu de sua escolha? Ela sabe que ainda da tempo de voltar atrás. –Oh deuses como pedir isso.

–Na verdade eu queria lhe implorar um favor em nome dela, mesmo ela não sabendo disso. –Olhei para ela esperando uma autorização e ela apenas acenou. –Olha eu nem sei om que cara pedir isso então vou ser direta. Teria como pelo menos uma vez ao ano Afrodite e Ares poderem se ver, com Afrodite se lembrando dele e tudo mais? Ou talvez uma vez por década…

A deusa continuou em silêncio e eu finalmente encarei o céu nervosa. Ela provavelmente iria me repudiar por tal pedido, mas era necessário para a felicidade de Ares, mesmo eu não tendo tanta proximidade com ele era visível que ele não seria capaz de viver feliz sem o amor da loira. Afrodite provavelmente ficaria brava comigo se soubesse que eu tinha vindo fazer isso por isso sai naquele silêncio todo.

–Sabe Hera eu admiro o amor puro que sente por esse grupo com quem você anda. Sei que você sabe que Afrodite não sofreria a perda de Ares então sei que está fazendo isso pensando nele e admiro muito isso. Não há uma história que rola nesse Olimpo em que você e ele já tenham sido amigos, no entanto cá está você implorando por algo que o fará o homem mais feliz desse lugar. Você pode não imaginar isso, mas depois de Perséfone e Dionísio, Ares é um dos deuses que mais possuo afeição aqui nesse lugar porque eu sinto nele a naturalidade. Ele é sempre ele mesmo e só tenta melhorar e mudar por ele e por aquela mulher. Sei que para ele só existem duas pessoas nesse mundo, seja deus, mortal ou imortal, que importa e são Afrodite e ele. Ele os coloca no centro do mundo, ele não vive em função dela e sim em função do amor que sente por ela, um amor puro, apesar de tudo, tão puro quanto o que sente por seu grupo. –Não estava muito bem entendendo qual era o ponto da questão ali, mas me mantive calada. –Sabe outro amor que me encanta ali daquela mesa? O de Hermes por você, ele te ama como crianças mortais amam seus irmãos mais novos, ele iria contra todos os deuses do mundo por você e isso é bem visível. E Apolo apesar do seu jeito ama vocês sabia? Ama e muito, ouso a dizer que ele mais a vocês do que a sua própria gêmea…

Ela parou de falar e ficou encarando o horizonte maravilhoso daquela noite memorável. E eu ainda não tinha entendido o porquê de todo o papo sobre os nossos amores. Ora nossos amores estavam explícitos, mas não se deve questionar os pensamentos dos deuses principalmente quando vai deixar de ser um e quer um último favor.

–Eu tive uma ideia Hera. No primeiro dia do solstício de verão o Olimpo normalmente vira uma festa então eu pensei: se até semideuses vem aqui por que eles não poderiam vir também? Por isso eu os convido a passar todos os primeiros dias dos solstícios de verão das suas vidas aqui no Olimpo com todos os outros. –Meus olhos marejaram no mesmo instante. –Vocês viriam para cá sempre nessa forma até o dia que morrerem no mundo mortal, isso os daria uns cinquenta anos de visitas.

–Nessa forma que estamos aqui hoje? E teríamos direito a nos lembrar de tudo daqui nesse dia?

–Sim. Seria como se nunca tivessem saído tanto daqui, quanto de lá. Seria uma espécie de fenda no tempo de vocês. Assim ninguém aqui de cima sofre por vocês terem partido.

Não me contive em dei um mega abraço em Têmis que correspondeu na mesma empolgação me tirando do chão. Lágrimas de felicidade escorriam livres pelo me rosto, por trás da máscara. Ela me mandou ir contar para os outros e eu voltei correndo para nossa mesa como uma criança. Todos me encararam assustados e logo que notaram lágrimas em meu rosto adquiriram um olhar preocupado, mas logo eu sorri de orelha a orelha e seus olhares viraram de expectativa.

–Vocês não têm noção do que Têmis fez para a gente. –Falei batendo palminhas. O olhar deles aumentou de intensidade. –Nós quatro podemos vir para o Olimpo todos os primeiros dias dos solstícios de verão para o resto de nossas vidas mortais.

Afrodite começou a chorar que se jogou nos braços de Ares que a beijou apaixonadamente. Hermes levantou e me rodou no ar tirando meu fôlego. Poseidon apenas sorria sentado em seu lugar. Héstia se levantou e veio até mim para dar um abraço também. Apolo levantou-se da mesa e foi correndo pela massa de convidados e para minha surpresa ele parou em Perséfone que depois de poucos segundos se jogou em seus braços e foi rodada pelo mesmo, eu nunca poderia imaginar um vinculo ali. A coisa ficou mais estranha quando Hades se aproximou e também abraçou o deus do sol, nota mental para saber mais sobre isso adicionada com sucesso. Depois me sentei assim como todos, mas logo todos acharam um motivo para ter que sair de lá.

–Meu amor eu tenho que ter uma última briga ou conversa com Anfitrite, tudo bem? –Poseidon perguntou acariciando meu rosto, eu apenas acenei e ele me deu um beijo rápido. –Volto logo.

Ele saiu e eu fiquei com os outros dois casais que ali tinham restado, no entanto Afrodite e Ares logo saíram dali em meio a beijos e caricias. Comecei a conversar com Hermes e Héstia dando conselhos para o novo reinada e fui muito bem ouvida.

–Então acho que deveríamos ir nos socializar com todos os outros, o que acha Hermes? –Perguntou Héstia após alguns minutos de conversa.

–Com certeza essa é uma boa ideia. Hera você sobrevive ai sozinha?

–Sabe que sempre sobrevivo maninho.

Os dois saíram e eu fiquei ali tomando um pouco de néctar para relaxar e tentar não pensar que minha vida mudaria dali a poucas horas. Observei um pouco os convidados e todos estavam maravilhosos com áureas deslumbrantes que com certeza era vista pelos mortais como um brilho no céu. E Apolo com essa áurea se aproximava de mim.

–Olha é raro te encontrar sozinha em. –Falou sentando-se ao meu lado e como eu encarou os convidados. –Sabia que já cheguei achar que estava apaixonado por você?

–Já? –Perguntei surpresa com sua falta de sutileza para falar aquilo.

–Sim, mas então vi você e Poseidon e o jeito como se amam e percebi que não era desse jeito que me sentia em relação a você e sim mais o jeito como você e Hermes se sentem. Sabe já que é para eu me tornar mortal e perder tudo aqui em cima, fico feliz que é com vocês.

–Eu não poderia estar mais feliz de ser com as pessoas que mais amo que vou para o mundo mortal, só não queria deixar Hermes para trás.

–Está deixando ele em boas mãos Hera, aquela princesinha, ou melhor, rainha cuidará dele com muito prazer, ênfase no muito. –De repente seu sorriso sumiu e ele encarou um ponto atrás de mim. –Hera quem convidou os semideuses para essa festa? Eu não to pronto para isso.

–Acho que isso é obra de Têmis afinal vocês não vão mais se comunicar com os seus filhos, quem cuidará deles por sinal?

–Os meus fiz Anfitrite jurar pelo Estige que ela cuidará de todos, ou seja, dois semideuses e os deuses menores. –Poseidon falou chegando perto de nós. –Apolo tenho certeza que Perséfone cuidaria dos seus para você, ou até mesmo Hades. –Ele acenou para alguém na multidão e logo Perséfone e Hades se aproximaram.

–O que quer Poseidon? –A morena perguntou animada quando chegou até nós.

–Na verdade sou eu que quero Séfone. –Apolo olhava para baixo claramente envergonhado. –Eu queria pedir para você auxiliar meus filhos, se puder.

–Com certeza ela fará isso e se não conseguir sozinha eu ajudo Apolo. –Hades falou se metendo.

–Exatamente amor, pode deixar Apolo essas crianças vão arrasar. Só tem que me passar uma lista dos não proclamados ainda. –Perséfone estava com cara de quem teve várias ideias para cuidar das crianças do deus do sol.

–Claro vamos até meu templo para acertarmos tudo. –Os três se retiraram conversando animados.

–Meu amor você têm certeza que vai deixar o Percy e o Tyson na mão da Anfitrite? –Perguntei me virando para Poseidon colocando as mãos em sua cintura.

–Sim e Íris falou para mim que ficaria de olho neles mesmo sem eu pedir. Acho que ela gosta deles.

–E eles não gostam nem um pouco de mim. –Ele deu uma risadinha e me beijou.

–Eles vão aprender a te amar então, afinal é agora a madrasta deles. –Ele me deu um sorriso de incentivo. –Olha só eles chegando ali.

Olhei para trás e vi um moreno se aproximando, aquele era o Percy. Lindo como seu pai, sempre com a blusa laranja do acampamento meio-sangue. Logo atrás dele vinha Tyson acompanhado por uma Harpia que deveria ser Ella, o ciclope sorria diferente do seu irmão que possuía em seu rosto apenas um olhar incrédulo.

–Pai o que está acontecendo? Por que fui convocado para o Olimpo se nem sequer estamos no verão? –Quando Poseidon me abraçou por trás ele finalmente me percebeu junto ao seu pai. –E por que em nome dos deuses o senhor está abraçando essa vaca?

–Percy Jackson tenha educação. Deixe o que Hera te fez no passado, por favor, estou contando que você possa fazer isso por mim. Preciso que seja maduro porque temos um assunto importante para tratar. Sente-se. –Me sentei junto com eles, mas acabou ficando só nós três já que Tyson sumiu dali com Ella. –Vou ser direto: eu vou deixar de ser um deus.

–OI? Impossível pai. Tente outra.

–Olha Percy eu cometi um erro, o melhor erro da minha vida, mas ainda sim um erro que custou meu reino e minha divindade. –O garoto possuía uma careta estranha.

–Se vai deixar de ser deus o que acontece comigo pai?

–Anfitrite e Iris cuidarão de você, mas não pense que vai se livrar de mim Percy, eu te obrigo a vir aqui no Olimpo todos os primeiros dias de todos os solstícios de verão pelo resto da sua vida, para poder me ver.

–O que vai fazer da vida agora?

–Daqui a poucas horas eu me tornarei mortal, meu filho. Viverei em Miami como um empresário.

–De deus para um empresário em Miami? Que mudança em. –Percy ainda estava frio com o pai.

–Olha Percy eu não sou o único que foi castigado, muita coisa aconteceu aqui. Apolo, Afrodite e Hera também virarão mortais. –O menino ficou admirado.

–E quem é que vai ser a rainha desse lugar?

–Héstia é a nova rainha e Hermes o novo rei…

–Novo rei? Mas o que diabos aconteceu aqui? E, por favor, comece do inicio dessa vez.

–Percy você sabe que eu amava uma mulher que não podia ter não é mesmo? –O menino acenou. –Essa mulher é Hera e ela acabou se apaixonando por mim e a gente acabou ficando ai o caos começou porque ela quebrou um juramento com isso então ela ficou mal e foi curada por Apolo, no entanto a vadia da sua futura sogra chamou Têmis para nos julgar. –Percy riu do xingamento a Atena. –E Têmis puniu os envolvidos. Eu, Hera, Afrodite e Apolo vamos virar mortais, Zeus perdeu um pouco de poder e a coroa e assim Hermes e Héstia se tornaram reis do Olimpo.

–Mas isso faz sobrar vaga no Olimpo não é mesmo? Quem vai substituir quem vai embora?

–Isso eu respondo. –Falei me metendo na conversa. –Guarde segredo Percy, mas quem pegará as vagas são Perséfone, Iris e Eros.

–Até que não é uma má ideia. E os filhos daqueles que vão embora? E eu e Tyson?

–Nós os veremos uma vez por ano. Dos meus filhos Anfitrite e Iris vão cuidar como já falei. A Séfone e Hades cuidarão dos de Apolo e os de Afrodite provavelmente ficarão na mão de Ares e com certeza com ajuda de Eros.

–Ares cuidando do chalé 10 será divino. –Percy falou rindo. –Pergunta final, vocês dois estão mesmo juntos? Assim de verdade?

–Nós nos casamos meu filho. –Poseidon falou apertando minha mão.

–Você como humana não tentará me matar, nem me sequestrar e nem tirar minha memória?

–Sabe que fiz isso pelo bem da humanidade, mas enfim não farei isso novamente. Juro pelo Estige. –Falei sorrindo sem saber o que mais poderia fazer.

–Então será um prazer tê-la como madrasta Hera. –Ele estendeu a mão e eu apertei. –Agora se me permitem tenho que ir parabenizar Héstia.

Ele se levantou e foi para longe de nós. Eu sorria feliz por ter conseguido uma paz com o garoto que basicamente me odiava, agora só faltava Jason.

–Sabe se os romanos também foram convidados? –Poseidon acenou negativamente. –Então eu já volto.

Transportei-me daquela festa até o acampamento Júpiter. Surgi em meio ao refeitório em plena hora do jantar e chamei atenção de todo mundo para mim, mesmo sem querer. Olhei ao redor procurando o loiro de olhos eletrizantes e o encontrei junto com Reyna, Frank, Nico e Hazel. Os cinco me olhavam surpresos como os outros e ficaram mais surpresos ainda quanto eu fui até eles e sem esperar convite me sentei junto a eles.

–Jason Grace temos um assunto pendente. –Falei simples e ele continuou calado. –Vim lhe pedir desculpas pelo transtorno que te causei ao te sequestrar e sumir com sua memória.

–Eu já lhe perdoei por isso Juno.

–Venho hoje como Hera, menino. Vim lhes contar uma novidade: Eu e Zeus não somos mais os reis do Olimpo. Ou eu e Júpiter, como preferirem. –Quatro deles ficaram boquiabertos, mas Nico me olhou apenas com curiosidade. –Hermes e Héstia agora são seus reis. Poseidon, Afrodite, Apolo e eu viraremos mortais como punição por alguns erros. Se quiserem posso leva-los para o Olimpo nesse instante.

–O acampamento meio-sangue está lá? –Essa pergunta veio de Nico.

–Apenas os chalés do Poseidon, da Dite e do Apolo.

–Então Will está lá... nossa ele vai ficar sem pai... Percy também... –Nico estava processando a informação ainda.

–E a Piper... E todos os outros... –Agora era Jason que processava tudo. –Hera leve-nos para lá agora, por favor.

Fiz o que foi pedido e logo nós seis estávamos no Olimpo em meio a multidão. Eles imediatamente se dispersaram e eu fui ao encontro de Poseidon que estava com Apolo e um menino loiro que era basicamente ele em uma versão adolescente. Os alcancei ao mesmo tempo em que Nico chegou lá abraçando o loiro adolescente pelas costas e sorrindo para Apolo.

–Pai eu queria te apresentar meu namorado. –Falou o loiro miniatura puxando Nico para o seu lado. –Esse é Nico di Angelo, filho de Hades.

–Então você acha que pode namorar meu filho sem me pedir? Fácil assim? –Apolo fez uma cara de sogro mal para o garoto que não diminuiu nem um pouco o seu sorriso, muito pelo contrario. Apolo tirou a cara de mal e também sorriu. –Prazer finamente conhecê-lo, ouvi muito sobre você.

O garoto diminuiu um pouco o sorriso e ficou vermelho junto com seu namorado. Aposto que estava pensando no que o outro tinha falado para o pai sobre ele, talvez nem fosse nada, só Apolo tirando uma com a cara do menor. Hades e Perséfone se aproximaram de nós e Apolo foi logo falando com eles.

–Olha só Hades, o que acha desse namoro aqui? –Nico apertou o braço do loiro ao seu lado.

–Nico e Will estão finalmente namorando? Adorei. –Obvio que quem disse isso não foi Hades e sim Perséfone.

–Vejam só se meu genro não é também meu futuro filho adotivo... Acho digno esse namoro. –Hades soltou um riso leve e depois manteve um sorriso. –Apolo sinto que será uma tarefa bem emocionante cuidar de seus filhos, são cheios de hormônios essas crianças.

–Vai ser tudo de bom, já conheci vários eles são demais. –Perséfone batia palminhas.

Sentindo o assunto familiar brotando puxei Poseidon e discretamente nos retiramos do grupo. Senti-me sendo transportada pelos ares e quando tudo voltou ao normal senti meus pés tocando areia. Olhei para o horizonte e encontrei o mar magnifico a minha frente, ou melhor a nossa frente, já que Poseidon estava ao meu lado me abraçando. Nos sentamos na areia e eu quebrei o breve silêncio:

–Por que tudo hoje parece estar reluzindo? Tudo parece perfeito e feliz.

–Isso é porque os deuses pela primeira vez em um longo tempo não estão brigando. Acho que com esse novo poder vai demorar a surgir uma oposição.

–Assim espero tudo por mais noites como essa. –Falei me encostando em seu ombro.

–Tudo por mais noites com você Hera.

–Teremos todas as noites para o resto de nossas vidas meu amor. –Minha voz saiu carinhosa enquanto eu brincava com sua mão.

–Para sempre?

–Sabe eu já pensei que para sempre é tempo demais para se viver feliz, mas agora viveremos um novo para sempre então para sempre Poseidon. –Larguei sua mão e acariciei seu rosto. –Eu te amo muito sabia? Tenho medo que nossa mortalidade afete a gente.

–Tenho certeza que nosso amor continuará intacto sabe por quê? –Neguei. –Ele é forte demais para alguém conseguir mexer, agora relaxe, linda, vamos curtir nosso ultimo momento como deuses onde nossa história começou.

Ele me aninhou em seus braços e ficamos curtindo nosso momento em silêncio em meio a beijos e carícias. Nada precisava ser dito em nossa despedida como deuses e ele me fez ter a certeza de que nosso amor não mudaria não importa o quanto nós mudássemos. Só que como dizem os mortais: tudo que é bom dura pouco. E assim foi nosso momento interrompido por nossos amigos mais Têmis, sua assistente e os dois filhos de Poseidon.

–Ei pombinho chegamos. –Apolo falou se metendo entre mim e Poseidon.

–É sempre um prazer vê-lo Apolo. –Poseidon falou sarcástico.

–Eu sei, agora de acordo com Têmis ali chegou nossa hora. –Ele se jogou na areia com cara de poucos amigos. –Eu disse para ela que a festa estava só começando, mas ela não quis me ouvir de jeito nenhum.

–Tenha juízo, Apolo. No mundo mortal já são quase quatro horas da manhã. -Falou Têmis. -Poseidon como não estava lá trouxe seus filhos para de despedirem de você. Não demore.

Nos levantamos quando Percy e Tyson vieram para abraçar o pai. Foi um lindo abraço em conjunto.

–Escutem aqui: tudo que precisarem peçam em nome de Anfitrite ou de Íris elas se comprometeram em cuidar de vocês. -Poseidon olhava profundamente para os dois. -Podem continuar visitando meu antigo castelo como antes. Sei que não éramos tão próximos, mas sentirei falta de vocês.

–Também sentiremos sua falta papai. -Percy falou abraçando ele mais uma vez. -Se cuide como mortal e quem sabe um dia a gente se encontre.

–Quem sabe meu filho…

–Até mais papai. -Tyson pulou em cima de Poseidon o abraçando por uma última vez.

–Agora já chega meninos precisam voltar, digam adeus. -Têmis falou.

–Adeus papai. -Falaram em uníssono.

–Adeus meus filhos. -Com isso os meninos transformaram-se em pó e sumiram. -E agora Têmis?

–Agora vamos as instruções de como viverão. Vocês possuirão memórias como se sempre tivessem vivido como mortais e tivessem construído uma vida e um relacionamento. June e Ethan moram em um apartamento no centro. Karen mora no mesmo prédio, porém na cobertura. No momento ela divide esse apartamento com o Christopher se isso vai continuar assim depende de vocês, mas já devo avisar que vocês possuem personalidades fortes que sempre geram conflitos apesar de tudo. Ethan é um cara ocupado, mas amavél principalmente com vocês três, é empresário no ramo de revistas e comanda principalmente a seção de turismo, apesar de ter poder sobre todas as outras, sua assistente se chama Katie Miller e estará presente no casamento que sua esposa organizou já que é esposa de um colega de trabalho do noivo. Vocês quatro irão ao casamento ou pelo menos estão convidados, já que o noivo tem um enorme carinho pela June, creio que irá reconhecê-lo querida. Karen tem um desfile importante semana que vem, mas creio que saberá disso quando chegar. Chris saí em turnê no fim do mês. E para a informação de vocês hoje é 16 de fevereiro. Querem saber de mais alguma coisa?

–Se eu brigar com a Karen eu tenho uma casa? -Perguntou Apolo.

–Sim, uma casa a beira-mar e tem também uma em New York, sua cidade favorita. E Apolo você vai conhecer algo chamado ressaca daqui a poucos minutos.

–Eu andei bebendo?

–Você tem esse costume de dar e ir a várias festas, dessa vez Karen foi junto. Agora já chega. Vocês devem ir.

–Sentirei tanta saudades de vocês. -Falou Hermes que até agora estava calado, sua voz saiu triste.

–Maninho como vai viver sem mim? -Eu o abracei e ele me apertou. Logo todos se juntaram ao nosso redor em um abraço grupal. -Eu amo vocês.

Uma sensação estranha me invadiu. Senti que cada célula do meu corpo estava explodindo, cada órgão sangrava, minha cabeça girava e meus pés não tocavam o chão. Então senti todo o meu corpo caindo sobre algo macio e só enxerguei o escuro, eu estava dormindo.

O despertador toca violentamente em meus ouvidos ecoando pelo quarto, peguei meu celular e desliguei aquele barulho infernal. Ao meu lado Ethan se remexia sem despertar, lhe dei um beijo na testa e me levantei. Coloquei meu hobe e fui para cozinha fazer meu preciso café. Repassei mentalmente os compromissos do dia:

*Ir para a igreja conferir tudo meio-dia.

*Conferir o salão de festas duas e meia da tarde.

*Auxiliar as famílias dos noivos na casa da mãe da noiva quatro horas da tarde.

* Ir para a igreja auxiliar meus funcionários para a recepção dos convidados as cinco da tarde.

*Ir me arrumar cinco e meia da tarde.

* Seis e meia da noite: horário previsto para os convidados chegarem.

*Sete horas da noite inicio do casamento.

Peguei uma xícara de café e me sentei no sofá colocando uma música animada para tocar enquanto mandava mensagem para Karen pedindo um favor que ela teria prazer em fazer: me ajudar com roupa para a noite. Imaginei que ela não me responderia por ser apenas nove e meia da manhã de um sábado, porém ela respondeu.

Desço ai em meia-hora. Vamos no seu carro.”

Concordei e fui para meu quarto tomar meu banho, passando na cozinha para deixar minha xícara e pegar uma para Ethan. O acordei bagunçando mais ainda seus cabelo negros só que ele demorou para abrir aqueles olhos cor do mar e tão esplendido quanto ele. Ele me deu um selinho e pegou a xícara.

–Mo vou sair com a Ka comprar uma roupa para hoje a noite e acho que de lá vou direto para o trabalho então venho para cá mais ou menos uma cinco e meia para a gente se arrumar tá?

–Nossa como minha mulher é ocupada, nem para passar o fim de semana comigo. -Ele fez um biquinho fofo.

–Dramático. -Mostrei-lhe a língua -Sei que daqui a pouco vai para o escritório.

–De fato tenho reunião com os editores hoje. -Lancei um olhar de não disse.

–Quer que eu compre algo novo para você também?

–Apenas um relógio que já enjoei dos meus. -Ele é basicamente um colecionador de relógios.

–Enjoou nada, só quer um novo mesmo.

–Você me conhece bem. -Falou sorrindo.

Lhe dou um selinho e vou para o banheiro. Escovei meus dentes, coloquei meu pijama no cesto de roupas e entrei debaixo do chuveiro. Tomei meu banho rápido e fiquei um tempo relaxando com o chuveiro ligado, desliguei ele e me enrolei numa toalha me secando. Sai do banheiro e fui até o armário escolher algo para vestir, Ethan já havia saído do quarto. Peguei um vestido preto grosso que ia até metade das minhas coxas e coloquei um sobretudo da mesma cor por cima. Coloquei um scarpin preto e para completar uma echarpe creme -minha favorita. Apenas passei um batom roxo opaco e sai de frente do espelho para não pensar em mudar de roupa.

Vou até a sala e abro a varanda para deixar o frio invadir minha casa, esse ano ele veio com tudo. Um arrepio me atingiu e logo senti Ethan me abraçando por trás e beijando meu pescoço.

–Já disse que você é linda? -Perguntou encostando a cabeça em meus ombros.

–Hoje ainda não.

–Você é linda, maravilhosa, perfeita e minha o que te deixa mais linda, maravilhosa e perfeita ainda.

–Sabe o que é lindo, maravilhoso e perfeito? -Perguntei me virando para ele colocando os braços ao redor de seu pescoço.

–Eu? Obrigado. -Convencido como sempre. -Brincadeirinha.

–Você também, mas nós dois juntos somos mais lindos, maravilhosos e perfeitos do que separados.

–Eu amo você minha linda. -Ele fala acariciando meu rosto.

–Eu também amo você meu anjo. -Lhe roubo um beijo que é interrompido pelo barulho do interfone. -Tenho que ir, não se esqueça de vir para casa as cinco.

Lhe dou um beijo rápido e pego minha bolsa em cima do sofá saindo em seguida. Fora do apartamento Karen me esperava encostada na parede com um óculos de sol e cara de ressaca.

–Borrou o batom queridinha. -Falou assim que me percebeu. Peguei o celular e usei como espelho para arrumar meu batom e tirar os borrões. -Bem melhor assim, vamos logo porque preciso de um café urgente.

–Mais uma daquelas festas do Chris? -Perguntei enquanto esperávamos o elevador.

–Dessa vez foi na casa dele pelo menos. -Plim. Entramos no elevador.

Plim. Fomos até o meu carro e sem demora saímos do prédio em direção ao shopping, ao meu shopping favorito. Ele ficava pertinho do nosso prédio e geral das lojas de lá já me conheciam e a Ka também. Ali nós já tinhámos uma rotina que nenhuma queria quebrar. Era chegar e ir para a cafeteria do senhor Lorenzo, melhor cappuccino de Miami sem a menor dúvida.

–Vejam só se não são os sóis das minhas manhãs. -Falou o senhor assim que nos viu. -O de sempre?

–Com certeza. -Ka respondeu e fomos nos sentar em uma mesa livre no canto.

–Então, você e o Chris vão no casamento né? Enzo conta com vocês lá.

O casamento de hoje é um dos mais importantes da minha vida porque é de um amigo meu. Enzo Lewis. O conheci em um táxi, ele era o motorista e eu estava tendo uma daquelas noites, isso foi um dia antes de ele pedir a namorada em casamento e eu como amante de casamentos o ajudei. Depois nos encontramos em um pequeno evento para comunidade que organizei e ele me apresentou sua noiva Camile, ou apenas Cami, conversamos bastante aquela noite e ele acabou conhecendo o Ethan que logo se identificou com o cara com o assunto futebol. Nos tornamos amigos e logo essa amizade começou a fazer parte do cotidiano e Enzo se tornou meu anjo da guarda e eu a dele. Foi uma espécie de amizade a primeira vista. Enzo não tem muito dinheiro e eu lhe dei essa festa de casamento e tomo conta dela para que seja perfeita. Não será uma festa de arromba porque conheço a origem discreta dos noivos, mas mesmo assim vai ser perfeita.

–Terra chamando June. -Karen estalava os dedos em frente aos meus olhos. Meu cappuccino já havia chegado. -Eu vou ao casamento sim, mas só respondo por mim.

Te explico a história da Karen com o Chris enquanto tomo meu cappuccino maravilhoso. Os dois se conheceram na semana da moda em New York, depois acabaram se esbarrando na semana da moda de Milão também. Chris ia nos desfiles pelo irmão modelo e Karen pelo trabalho de estilista. No inicio esses dois eram só brigas, discretas, durantes os eventos, mas em uma das festa pós-desfile acabaram ficando e esse caso se estende desde então. Quando tão de bem Chris mora com a Ka e quando estão brigados ele vai para a casa dele. Pelo fato de ser muito ocupada Karen nunca quis um relacionamento sério, mas o com Chris estava sendo muito duradouro ( mais duradouro do que ela gosta de admitir).

Terminamos nossos café e fomos para o lugar depois da cafeteria: a loja de relógios preferida de Ethan. Apesar de eu não gostar muito do atendimento daquele lugar, é onde vende os relógios favoritos de meu marido então sempre que posso passo lá. A vendedora, como de praxe, nos atendeu com olhar feio. O que acho bem interessante é que quando o Ethan está comigo ela dá um sorriso enorme.

–Queremos ver relógios masculinos. -Ka falou por mim.

–Claro, vou pegar os mostruários. -Nos sentamos e logo ela voltou. -Esses são nossos lançamentos.

Não precisei olhar todos porque aquele prata com o fundo azulado, combinaria perfeitamente com Ethan. Olhei para Karen para confirmar e pelo brilhos em seus olhos tive certeza de que era aquele o relógio perfeito. Faria meu marido usa-lo no casamento.

Próxima parada é a loja de vestidos, preferi dessa vez aquela de vestidos de gala para combinar com a ocasião. Se está pesando “ué mas a Karen não é estilista?” Ela é, mas nem sempre curte usar seus modelitos já que eles são mais extravagantes, o casamento vai ser mais discreto. Eu confesso que sou um pouco indecisa para comprar vestidos assim, acho que todos ficam bom em mim.

–June só acho que para essa noite azul safira é o que ficaria mais lindo em você. -Karen falou tentando me tirar da seção de cores neutras.

–Não quero chamar atenção Ka.

–Acredite que com os vestidos arrasadores que o Júlio fez para a noiva e suas madrinhas você não chamará mais atenção que elas. -Ela olhou para a vendedora ao nosso lado. -Gatinha fala para ela que azul safira vai ficar perfeito.

–Senhorita June azul ficará muito bom com seu tom de pele e ainda mais com a noite. -A moça falou sorrindo. -E não falo isso só porque a senhorita Karen mandou.

–Ta bom, ta bom…

Sai da seção neutra e fui até onde os azuis estavam reunidos. Demorou para achar algum que me agradasse, mas acabei encontrando um azul teal para a tristeza de Karen que queria que eu usasse um safira. Um vestido longo de alça com um decote V, também possuía bordados com um tom mais escuro de azul . Vez da Ka achar um para ela, ai a palhaçada começa a complicar já que ela enrola demais para isso.

–Hoje você deveria usar verde Kari. -Falei já tentando ajudar.

–Mas eu vi um violeta de arrasar Ju, vou pegar para você ver. -Ela foi e voltou com um vestido tomara que caia curto e bem adolescente.

–Kari não acha que a idade de você usar isso já passou?

–Você é uma estraga prazeres June Adams. -Ela esticou o vestido para a pobre vendedora e foi até a seção dos verdes, mas é claro que não gostou de nenhum. -Odiei todos. Que tal vermelho?

Sabe o conceito de discrição? Então, a Karen não sabe. Ela pegou um vermelho escândalo, até provou no entanto não gostou. Depois pegou um carmim mega curto e decotado que também não ficou legal. Tentou depois um vermelho longo, mas falou que ficou com cara de velha.

–Que tal um champagne ou pêssego? -Sugeriu a vendedora. -Temos um lançamento lindíssimo e vai deixar você jovem e delicada.

–Gostei do jeito que falou. Pode me trazer esse lançamento. -A moça foi rápida para trazer o tal vestido que era simplesmente fantástico. Champagne com detalhes dourados bem claros, soltinho da cintura para baixo. -AimeuDeus achei maravilhoso, vou provar.

O vestido ficou simplesmente maravilhoso em seu corpo com o profundo realçando seu seio e o cumprimento até quase um palmo para cima do joelho deixou ela maravilhosa. Sabe o que faltava ali? Nossa próxima loja: os sapatos.

–Sabe do que precisamos agora Ju? -Karen perguntou saindo do provador.

–Sapatos arrasadores. -Falei simples e ela deu um gritinho animado indo pagar seu vestido e eu fiz o mesmo.

Saímos dizendo tchau para a vendedora e fomos comprar a segunda maravilha do mundo, os sapatos. Nisso não temos loja favorita porque sapatos são maravilhosos não importa quem os assina, mas fomos para a que trabalha um amigo nosso. Ka já chegou dando pulinhos e abraçando o Josh.

–Minha musa como você está?

–Brilhando e você Josh?

–Tentando alcançar seu brilho. Ju como está princesa? Gastando o dinheiro do maridão? -Dei um abraço nele.

–Estou ótima, sempre. -Josh estudou comigo e com Karen no ensino médio, ele é nosso melhor amigo desde então. Ele me apresentou o Ethan numa festinha na praia do pessoal da faculdade alguns anos depois, meu cupido.

–O que as moças querem hoje? Qual a ocasião?

–Sapato para usar com essas belezinhas aqui. -Ka e eu mostramos nossos vestidos novos para ele que deu um gritinho excitado.

–Maravilhosos. Karen para você tenho esse aqui que… -Eles se afastaram e eu parei de ouvi.

Vaguei pela loja vendo alguns sapatos até que achei um rosa magnifico que tive que pegar, também peguei um verde maravilhoso até que achei o azul que combinou totalmente com meu vestido. Salto agulha de uns 10 cm perfeito. Peguei os três pares com ajuda de uma mocinha e fui até onde Josh e Karen babavam por um sapato.

–É esse, Josh, tem que ser esse. -Virei para ver o sapato e definitivamente era aquele sapato.

–Tem que ser esse Ka. -Falei me juntando a eles.

–É esse, vou levar. -Ela o pegou como e fosse feito de cristal.

Fui pagar meus sapatos e quase tive um surto quando olhei para a maquininha de cartão e não foi por causa do valor.

–Pelos deuses mais sagrados desse mundo, Karen já faltam quinze para meio-dia. -Falei assustada.

–Corre. Eu volto de táxi. -Ela exclamou.

Peguei minhas sacolas e corri para a praça de alimentação. Comprei um lanche no Mc e comi em menos de cinco minutos depois corri mais um pouco. Dez minutos para chegar a igreja. Saí do estacionamento. Oito minutos. Peguei a avenida que liga praticamente a cidade inteira. Sete minutos. Semáforo fechado. Cinco minutos. Semáforo abre e eu piso fundo no acelerador. Três minutos.Pego a rua da igreja, mais um semáforo fechado. Um minuto. Cheguei.

Luna, minha assistente, já me esperava na porta da igreja. Eu sai do carro e ela entrou indo estacioná-lo entendendo meu quase atraso. Eu fui entrando, mas não consegui andar nem um metro sem alguém me interromper.

–June as flores da decoração são orquídeas brancas e azuis ou brancas e rosas?

–Brancas e azuis. O buquê já veio da loja?

–Ainda não senhora.

–Tenho que levar ele comigo duas e meia, agilize a loja por favor.

–Sim senhora.

Continuei meio caminho para o tapete vermelho que estava absurdamente torto. Aquilo estava um crime para os olhos.

–Courtney… -Gritei esperando ser ouvida e fui.

–Sim, senhora?

–Espero que alguém já esteja consciente do quão torto está esse tapete. Alias cade o pessoal da decoração? Não estou vendo flores, fitas, nem nada que deveria estar aqui.

–Eles trouxeram a decoração errada, em breve estarão de volta.

–Eu avisei para o Hugo que nem sempre é bom mudar. -Falei mais para mim mesma do que para o garoto. -Por falar em Hugo cadê ele?

–Com os músicos, senhora. -Acenei para ele e segui até a frente da igreja onde Hugo estava ralhando com os músicos.

–Decidam-se logo, daqui a cinco minutos vou querer ouvir isso perfeito. -Falava bravo.

–O que está imperfeito Hugo? -Cheguei perguntando.

–Os belezas aqui estão brigando sobre quem fará a entrada do noivo.

–Ainda não decidiram, sério isso? -Observei os dois músicos com seus violinos, reparei em suas confianças. O loiro transmitia mais confiança que o ruivo que parecia novo na banda. -Toquem para mim.

Primeiro o loiro tocou, mas achei frio demais para uma entrada tão importante quanto aquele. Depois o ruivo tocou, apesar da falta de confiança, ele demonstrou emoção naquela pequena parte da música, mas ainda assim não estava perfeito. Faltava algo naquela versão de “All of me”.

–Ta faltando algo… -Olhei para o resto dos meninos do grupo e no chão bem atrás vi um violão ao lado de um violoncelo. -Isso… -Todos me olharam com cara de interrogação quando me infiltrei para pegar o violão. -De quem é esse?

–É meu. -Falou o mesmo loiro do violino.

–Um menino de muitos talentos então… toque junto com seu colega aqui. -Ambos me encararam. -Acham que conseguem se encaixar?

–Podemos tentar se nos der um tempo. -O ruivo falou tímido com o outro concordando ao seu lado.

–Só isso que faltava da parte musical Hugo? -Perguntei virando para meu assistente.

–Sim June.

–Então tudo certo. -Virei para os meninos. -Daqui meia hora passo aqui, dá?

–Sim senhora.

Dei de costas e continuei a andar pela igreja atrás de mais coisas erradas. A luz da entrada me lembrou de algo, a lista de convidados. Fui até as duas garotas que estavam sentadas próximas a porta.

–Meninas tudo certo com os convidados?

–São cento e oitenta mesmo? -Perguntou Lisa, uma velha funcionária apesar de ser nova. Começou conosco aos dezoito anos.

–Sim e lembrem-se de separar a família da noiva com a do noivo devido a alguns conflitos. Na igreja precisam manter postura.

–Pode deixar June, mais alguma coisa? -Por mais que alguém ache que Lisa me trate como igual eu sei que não.

–Só isso por enquanto Lisa. -Me afastei delas.

Olhei ao redor procurando Courtney o encontrando discutindo com um grupo de iniciantes que provavelmente foram contratados por Hugo e ainda não tiveram tempo de me conhecer. Fui logo me aproximando deles.

–Posso saber qual é o problema Courtney?

–Gente se recusando se reportar a mim senhora. -Fala sério… tinham que ser novatos.

–Entendam algo, tá vendo o Courtney aqui? -Eles acenaram. -Nem com dez anos de trabalho chegariam aos pés dele sabe o porquê? Porque ele sabe reconhecer quem é superior. Vocês são estagiários que ele tem que auxilar e sorte de vocês que ele está auxiliando. Courtney vem aqui. -Puxei ele um pouco para longe do grupinho. -Isso é problema pessoal?

–Eles se achavam superiores a mim na escola e se recusam a me obedecer aqui. -Ele respondeu com a cabeça baixa.

–Não permita que eles façam isso enquanto trabalham na minha empresa, você está aqui porque foi nosso estagiário número um, se quiser pode esfregar isso na cara deles eu deixo. -Entendam, se tem algo que eu odeio é gente que rebaixa os outros por prazer, odeio isso desde a escola. Voltamos para perto do grupo. -E a decoração, chegou?

–Devem ser aquelas caixas que estão entrando nesse exato momento. -Ele apontou para a porta principal onde vários funcionários estavam deixando caixas. -Dou bronca pelo erro ou relevo?

–Releva, próximo evento voltamos para nossa antiga decoradora. -Falei simples. -Preciso de três novatos emprestados Courtney.

–Sam, Patrice e Taylor vão.

Os três me seguiram até o centro da igreja onde estava o tapete vermelho. Apontei todo o tapete e perguntei:

–Veem algo errado nesse tapete? -Dois acenaram negativamente e apenas um fez sinal positivo.

–Como é o seu nome garoto? -Perguntei ao que respondeu sim.

–Sam, senhora.

–Sam poderia mostrar aos seus amigos o que tem de errado nesse tapete?

–Está horrivelmente torto. Vejam ele em comparação a linha dos bancos. -Com cara de desdem os outros dois acompanharam seu olhar.

–Isso mesmo Sam e o trabalho de vocês é arrumar isso. -Eles acenaram positivamente. -Alguém sabe que horas são?

–São… meio dia e quarenta e cinco senhora. -Falou a garota.

Agradeci e dei de costa os deixando cuidar da visão infernal que o tapete estava proporcionando. Voltei até o local da banda para ver se os meninos haviam chegado a algo apresentável.

–Meninos toquem para mim.

E assim eles começaram tocar aquela música maravilhosa, eles estavam quase alcançando a sintonia. Mais algum tempo de ensaio e a música estaria perfeita. Bati palmas depois do término e eles sorriram felizes pela aprovação.

–Ficou muito bom meninos, agora eu quero perfeito. Ensaiem mais. -Eles confirmaram com a cabeça. -Quem vai tocar a entrada da noiva? -Vários levantaram a mão. -Toquem para mim.

Eles foram até seus instrumentos e começaram a tocar “Esperança”, na mais perfeita forma que conseguiram, lindo de se ouvir. Música para emocionar qualquer um que tenha um coração, ou talvez eu apenas tivesse um fraco por essa música.

–Maravilhoso meninos, bom trabalho.

Me afastei do grupo e sentei em um banco observando tudo ao meu redor se fazendo a acontecer. Mais de vinte pessoas necessárias para fazer um sonho se tornar realidade e, por mais inacreditável, eu estava no comando daquilo tudo. Eu amo meu trabalho, porque diretamente eu torno o sonhos de dezenas de pessoas realidade em apenas um ano. Realizar sonhos é o maior prazer que alguém pode ter nesse mundo mesmo que o sonho não seja o seu. Lembro-me bem do dia em que o sonho realizado foi o meu. Hugo foi quem organizou tudo se recusando a me deixar participar da organização do meu próprio casamento. Foi um casamento discreto na cobertura de um prédio de Miami, tinham no máximo oitenta pessoas já que minha família e do Ethan são pequenas, a maioria eram amigos. Hugo arrasou. Minha lua de mel foi em Bora Bora, na Polinésia Francesa, uma semana apenas eu e Ethan, sem celulares, computadores e comunicação. Quando voltamos parecia que nossos negócios estavam um caos, mas valeu a pena.

–June está me ouvindo? -Luna tirou-me de meus devaneios.

–Perdão Luna dei uma viajada aqui.

–A senhora está bem?

–Com um pouco de fome, mas bem por quê?

–Tá meio estranha. Deveria ir almoçar sabia? Mc’Donalds não sustenta ninguém por um dia inteiro sabia? -Levantei a sobrancelha para ela. -Vi a embalagem no seu carro. Por falar nisso a chave aqui.

–Obrigada Luna, salvação da minha vida. -Peguei a chave e coloquei em minha bolsa. -Que horas são?

–Uma e vinte já, vai ter que almoçar no shopping. -Falou determinada a me fazer almoçar.

–Ta bom, ta bom. Eu vou almoçar, feliz?

–Com certeza.

Peguei minha bolsa e fui saindo da igreja. Andei um pouco pela rua até achar onde Luna havia estacionado meu carro porque esqueci de perguntar isso a ela. Dessa vez dirigi com mais calma voltando para o shopping sem quase bater o carro ou passar em semáforos vermelhos. Cheguei ao shopping em segurança e sem ninguém buzinar para mim.

Subi rápido para a praça de alimentação, eu realmente estava com fome. Convenhamos que Luna tinha razão e fast-food não mata a fome de nenhum ser humano. O único restaurante que gosto graças a Deus não estava tão cheio. Olhei ao redor e encontrei a mesa perfeita para me sentar, nela tinha um moreno lindíssimo já almoçando. Sentei-me ao seu lado o assustando, mas depois ele sorriu de lado enquanto eu fazia uma cara de flerte para ele.

–Vem sempre aqui coisa linda? -Perguntei passando meu pé em sua perna.

–Normalmente acompanhado. -Falou aumentando o sorriso.

–Duvido que a companhia seja melhor que a minha. -Mordi meu lábio inferior e ele passou a mão em meu rosto descendo o para meu ombro fazendo cara de quem não presta.

–Acho que rola um empate em. -Levanto uma sobrancelha para ele que ri e me dá um selinho . -O que faz aqui amor?

–Luna me fez vir almoçar porque eu estava “meio estranha” -Falei tentando imitar sua voz. -Ai como já estava com fome eu vim.

Levantei a mão e uma garçonete veio me atender com um sorriso no rosto, fiz meu pedido de sempre e ela se foi rebolando como sempre. Essa eu percebo que não é provocação e sim o jeitinho dela de ser. Ethan continuou seu almoço comigo mexendo em seu cabelo.

Roubo um pouco de coca do seu copo já cansada de esperar, mas então a garçonete volta com a primeira maravilha do mundo: a parmegiana. Comi em silêncio com Ethan brincando com minha madeixas escuras. Melhor refeição da minha vida. Cansada depois de comer encosto a cabeço no ombro do meu moreno.

–Meu amor sabe o que merecemos? -Perguntei mexendo em sua mão.

–O que precisamos minha rainha? -Ai como eu amo esse homem.

–De uma segunda lua de mel. Pensa só eu e você de volta a Polinésia Francesa no nosso bangalô observando aquela imensidão azul ou fazendo aquele cruzeiro ao pôr-do-sol abraçados sem lembrar que o resto do mundo existe.

–Ver você com medo dos tubarões…

–Ou você com brilho nos olhos por vê-los tão de perto…

–Melhor viagem da minha vida.

–Sabe uma coisa que nunca irei me arrepender?

–O que seria? -Perguntou acariciando meu rosto.

–Nunca irei me arrepender de cada sim que já te disse. Você foi a melhor coisa que já aconteceu na minha vida.

–E você foi a melhor coisa que já aconteceu na minha vida minha rainha.

Ficamos um tempinho ali, mas ambos precisavam voltar a trabalhar. Ele foi pagar a conta e voltou me oferecendo uma bala de menta que aceitei de bom grado já que era minha preferida. Abracei sua cintura e descemos juntos até o estacionamento, seguimos até meu carro onde ele me prensou, puxando meu cabelo ele me beijou sem a menor dó. Um beijo deliciosamente intenso que ele mesmo interrompeu.

–Amanhã você é minha entendeu? -Ele me olhava com desejo e isso me enlouqueceu.

–Me leva para casa que eu sou sua agora. -Falei o puxando para outro beijo que ele terminou mordendo meu lábio.

–Se pudéssemos eu já estaria te jogando em nossa cama nesse momento, mas temos um compromisso. Tente chegar mais cedo em casa.

–Com certeza. -Lhe dei um beijo rápido. -Até mais tarde meu amor.

–Até minha linda. -Ele abriu a porta do meu carro e eu entrei logo ele fechou a porta. Ligo o carro e abaixo o vidro. -Eu te amo June Adams

–Eu te amo Ethan Adams.

Ele se afastou enquanto eu comecei a dirigir para fora do shopping. Sem pressa voltei para a igreja sob o sol que não tinha força o suficiente para cobrir o frio que estava. Preferia mil vezes estar a caminho da minha casa com Ethan me seguindo, mas como não era possível estacionei em frente a igreja subindo sua escadaria sem tanta animação.

Adentrei a igreja já procurando Hugo para avisar que só voltaria para lá na hora da festa ou talvez um pouco antes. Minha procura foi interrompida por Luna que me entregou um batom e me apontou o banheiro, meus lábios ainda estavam levemente inchados e com poucos rastros de batom. Tirei esse resto e passei o batom bordô que Luna havia me entregado. Peguei um pente em minha bolsa e dei um jeito no meu cabelo que Ethan bagunçou. Me peguei sorrindo lembrando dele e tudo pareceu mais colorido naquele momento. Devolvi o pente em minha bolsa e sai do banheiro voltando a procurar Hugo.

–Hugo… -Chamei-o alto em tom de brincadeira. -Cadê você Hugo?

–Estou bem atrás de você ragazza. -Virei encontrando um Hugo fazendo uma reverência escandalosa.

–Está tudo dando certo?

–Sim senhora. A decoração já está certa também.

–Certo, então eu vou indo para o salão. Conto que você vai ficar de olho em tudo aqui.

–Vou ficar sim, não se preocupe patroa.

Me despedi e chamei Luna que estava num canto com Gabriele. A ruiva veio apresada ao meu chamado.

–Estou indo para o salão, vai comigo?

–Vou, quem devo levar? -Pergunta já com o celular para anotar os nomes.

–Quero o Courtney, o Sam, a Patricia ou Patrice não importa eu quero essa ai mesmo e o Taylor.

–Vou buscá-los, nos encontramos lá.

Assenti e caminhei até a saída da igreja reparando na decoração branca e azul maravilhosa que a equipe havia feito. Peguei minhas chaves e entrei no carro dando partida logo em seguida ligando uma música para curtir o caminho até o salão, mas mal deu para terminar a música eu cheguei ao salão, dois minutos depois Luna chegou com os outros e entramos juntos.

A arrumação no salão já estava bem adiantada então meu trabalho foi curto e antes das três da tarde eu não tinha mais o que fazer. Liguei para a noiva para saber se podia ir mais cedo e graças a Deus ela aceitou e até agradeceu. Avisei Luna falando para ela me ligar caso precisasse de alguma coisa e fui embora em direção a casa da noiva.

Cami mora um pouco afastado do centro em um condiminio de classe média. Chegando lá fui recebida por Estela, mãe da Cami, que me avisou que ela estava tendo seu dia de noiva, coisa que eu já esperava. As famílias dos noivos estavam reunidas na sala com um clima um pouco tenso porque os irmãos da noiva não se dão tão bem com as irmãs do noivo, uma longa história que eu desconheço até hoje. Quando me notaram todos se calaram para eu começar a explicar como funcionaria tudo.

–Então lembrem-se: família da noiva na direita e família do noivo na esquerda. -Falei finalizando as explicações. -Dúvidas?

–Não, obrigada June, estávamos um pouco nervosos com relação a algumas coisas. Essa revisão foi boa.

–Que nada Estela, esse é meu serviço. -Falei lhe dando um abraço. -Então nos vemos a noite pessoal, até mais.

Todos se despediram e Estela me levou até a porta da casa me dando um abraço final. Entrei no carro, olhei no relógio e ainda eram quatro da tarde, peguei meu celular para mandar uma mensagem para Ethan.

“Estou indo para casa agora”

Não esperei resposta, apenas bloqueei o celular e liguei o rádio em uma estação qualquer antes de começar a dirigir. Com uma certa pressa em menos de vinte minutos cheguei no prédio em que moro. No momento em que parei meu carro Ethan estava desligando o dele na vaga ao lado. Saímos sem nem olhar um para o outro e continuamos lado a lado até o elevador, continuamos não nos olhando até o elevador chegar -o tiozinho do elevador estranhou nossa atitude. Subimos até nosso andar sem nos olhar. Ethan saiu apressado do elevador comigo em seu encalço, ele abriu o apartamento, entramos, ele fechou a porta e finalmente me olhou.

Seus olhos com desejo, sua cara de enlouquecido, em menos de dois segundos ele me alcançou grudando uma mão em meu cabelo e outra em minha bunda enquanto me puxava para um beijo ardente. Com as mão por baixo de sua camisa eu arranhava suas costas. Ele começou a tentar desabotoar meu sobretudo, eu o ajudei para ser mais rápido afinal não estava mais com frio. Com meu sobretudo no chão ele me virou de costas puxando meu cabelo para deixar meu pescoço livre para ele beijar enquanto abria meu vestido. Graças ao vestido dispensar sutiã ele arrancou o vestido me deixando apena de calcinha. Gemi baixinho quando suas mãos quentes me tocaram.

–Isso está muito injusto. -Falei me virando para ele e beijando seu pescoço. -Você está muito vestido.

Comecei a desabotoar sua camisa beijando cada novo pedaço de pele exposto. Quando o tecido estava livre voltei para sua boca e me livrei dele enquanto empurrava Ethan para o sofá caindo em seu colo. Ele agora usava as duas mãos para apertar minha bunda enquanto eu puxava seu cabelo e o beijava loucamente. Ainda retribuindo meus beijos ele se levantou comigo em sua cintura e nos levando para o quarto e finalmente me jogando na cama.

–Ethan quer pelo amor de Deus sair do banheiro? -Gritei já preocupada com o horário. -Você não é a noiva.

–Já você, linda desse jeito poderia muito bem ser. -Falou finalmente saindo do banheiro apenas com uma toalha enrolada na cintura.

–Pare de me bajular e se arruma, também sou organizadora dessa festa. -Revirei os olhos.

–Claro patroa, seis horas em ponto sairemos daqui.

–Por falar em você se arrumar comprei um relógio maravilhoso para você.

–Posso ver? -O sorriso dele ficou mais largo, é claro.

–Está ali em cima da cama, fui pegar enquanto enrolava ai. -Ele foi correndo para a cama logo abrindo a caixinha.

–Meu Deus amor que maravilhoso. Vou usá-lo hoje mesmo. -Ele veio e me deu um selinho. -Obrigado mo.

–Use-o hoje mesmo, porque depois ele vai pro fundo da gaveta. -Falei rindo acompanhada por ele, ele sabe que eu praticamente tenho razão.

Enquanto ele entrou no closet eu fiquei fazendo minha maquiagem, algo discreto, mas bonito e com brilho. Antes de passar meu batom um a cozinha beber uma água para relaxar um pouco. Mandei uma mensagem para Hugo.

“Daqui pouco chego ai e espero que tudo esteja perfeito. -June”

“Está como nos contos de fadas patroa. -Hugo”

Relaxei com a mensagens e voltei para o quarto onde Ethan mexia nos meus outros dois sapatos novos como se fosse uma criança descobrindo novas coisas.

–Isso são sapatos, uma grande invenção da humanidade. -Falei rindo encostada no batente da porta, ele fez uma linda careta.

–Mais sapatos dona June? -Perguntou levantando uma sobrancelha.

–Relógio novo senhor Ethan?

–Tá bom venceu. -Se aproximando de mim ele me puxou pela cintura. -Agora me dá um beijo.

–Só porque ainda não passei batom. -Lhe dei um beijo que foi interrompido pela campainha. -Devem ser a Ka e o Chris, eles vão com a gente. Se arruma logo.

Peguei meu batom que estava em frente ao espelho e fui atender a porta dando de cara com uma Ka maravilhosa e um Chris esbanjando sua beleza como se fosse um deus grego. Ele vestia um terno e uma camisa azul clarinha, deixou a barba por fazer mesmo, já ela estava um poço de delicadeza com aquele vestido champagne e com o look incrementado com lindíssimas joias e maquiagem delicada.

–A noiva já saiu do banho pelo menos? -A fama de Ethan demorar para se arrumar vai longe entre nossos amigos mais íntimos. Isso quem falou foi Chris. -Nossa saiu em alto estilo, eu pegava.

Virei para onde Ethan estava com um terno cinza maravilhoso usando também seu novo relógio. Outro deus grego. O cabelo ainda estava um pouco molhado isso o deixava mais lindo ainda. Definitivamente eu e Ka somos mulheres de muita sorte.

–Vai sonhando gatinho. -Falei brincando indo para a frente do espelho da sala passar meu batom. -Esse ai é só meu.

–Aposto que se eu quisesse ele não resistiria ao meu charme juvenil. -Ele se gabou.

–Oh palhaço sou mais novo que você. -Ethan falou ajeitando a gravata ao meu lado.

–Somos todos lindos, jovens e ricos e seremos atrasados se não formos logo. -Ka falou já puxando Chris e eu para fora do apartamento dando tempo apenas de pegar minha bolsa.

Ethan saiu ainda com uma mão na gravata com a outra segurava a chave. Em frente ao elevador encontramos dona pops com seu gato no colo, gato um tanto medonho como a própria, porém ela era simpática, ele não tanto. Recebemos apenas um sorriso silencioso da velha e retribuímos. Plim.

–Sabe Ju estou com altas expectativas sobre esse casamento. O Enzo e a Cami formam um lindo casal e ela é lindíssima. -Comentou Ka descontraída.

–Fora que o Enzo é super gente boa. -Ethan acrescentou.

–Concordo.

O Chris era o único de nós que não tinha tanta intimidade assim com o casal porque quase sempre estava viajando em turnê então frequentou poucas das nossas reuniões, mas mesmo assim já simpatizava com Cami por ela entender um pouco de música. Plim.

O caminho até a igreja foi ao som de músicas antigas para todo mundo adquirir uma certa nostalgia. Tocou até músicas que tocaram no meu casamento há sete anos atrás, inacreditável. Eu ficava fazendo a batida com a mão e Ka cantava com o Chris. Alheios ao mundo chegamos a igreja com um sorriso sincero estampado no rosto.

Os três entraram e foram se sentar juntos, já eu fui atrás de Hugo. O encontrei em uma salinha com o noivo, os pais e Luna. Luna arrumava a gravata do noivo e Hugo dava as últimas instruções para os pais dele.

–E ai Enzo pronto para encarar a vida de casado? -Perguntei como amiga.

–Com a Cami eu encaro tudo Ju. -Ai como ele é um fofo.

–O mundo precisa de mais pessoas como você sabia?

–Lindas? -A arte de se achar passa com a convivência.

–Românticas… e humildes também. -Ele riu um pouco da ironia. -Ela já chegou?

–Ainda não. -Ele me olhou apreensivo. -Relaxa Enzo, sabe que aquela lá te ama mais que tudo nessa Terra.

Ele deu uma leve relaxada e ficou quieto enquanto eu deixava a salinha caminhando para até onde a banda se encontrava, os meninos me garantiram que estava tudo certo então não demorei muito ali com eles. Fui para a entrada da igreja espera a noiva. Encarei o horizonte de Miami em seu crepúsculo. Após alguns minutos a noiva chegou em uma limousine, mas continuou fechada lá dentro esperando dar sua hora. Quando ela saiu e eu a vi um flash me invadiu. Um casamento em um jardim no inicio de uma noite com a noiva cercada por cinco amigos mais o noivo que estava tão maravilhoso quanto ela. Não entendo o porquê, mas um lágrima de emoção escorre dos meus olhos. Luna leva a noiva para igreja, mas eu não consigo me mover, continuo encarando o horizonte.

–Acho que essa é a vida que eu pedi para Deus, então se tem alguém ai em cima me vendo… -Falei agora olhando para o céu. -Obrigada por me deixar ser tão feliz.

Quando abaixei a cabeça um homem que entrava piscou para mim, um dos homens do flash que tive. Lancei-lhe um sorriso involuntário e entrei para assistir o casamento.

Notas finais
E é isso eu finalmente consegui acabar
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!