My goodbye letter
1 My goodbye letter
Eu nunca tive uma vida normal, como os meus colegas. Nunca tive alguém que realmente gostasse de mim. E agora, cheguei ao meu limite. Eu não nasci para sofrer. Aliás, eu nunca devia ter nascido.
Os meus pais separaram-se quando eu tinha 12 anos. Até lá estavam sempre a discutir. Eu via o meu pai a bater na minha mãe. Mas ela, não fazia nada. Ao fim de alguns anos, o meu pai arranjou uma mulher mais nova e pediu o divórcio. Agora a minha mãe parece um zombie. Não se preocupa comigo, não fala, não cozinha, raramente está em casa. Apenas se interessa por encontrar um novo namorado. Quase todas as noites ela janta com um homem diferente. O meu pai? Nunca mais o vi.
O resto da minha família? Nunca mais vi a família da parte do meu pai. Bem, os meus avós paternos sempre me odiaram. Os pais da minha mãe já morreram e a sua irmã anda por aí, numa viagem ao mundo. Eu trocava tudo para fazer uma viagem dessas.
Nunca tive muitos amigos. Antes tinha 2 amigas. Há 2 anos, a minha melhor amiga mudou de escola e a minha outra amiga deixou-me e tornou-se amiga das populares, que sempre gozaram comigo. A partir daí, comecei a andar completamente sozinha na escola. Almoço na casa-de-banho. As miúdas populares gozam comigo, chamam-me feia, gorda, totó entre outras coisas. Também já me roubaram coisas e bateram-me. E eu, como sou uma verdadeira croma, não me consigo defender. Fico com um nó na garganta. Já falei com os professores. O que eles fizeram? Nada. Antes, eu era uma das melhores alunas da turma, só com quatros e cincos. Agora apenas tiro três e dois.
No ano passado pedi um rapaz em namoro. O rapaz mais popular da escola, mais giro e mais fixe. Não sei o que me passou pela cabeça naquele momento. Numa festa, cheguei ao pé dele e disse-lhe que gostava dele. Ele estava bêbado e levou-me para a cama. No dia a seguir, quando fui ter com ele, disse-me que nunca se tinha passado nada entre nós e humilhou-me em frente de toda a escola. Odeio rapazes.
Há uns meses, a minha D.T. aconselhou-me a ir ao psicólogo. Eu fui, mas a psicóloga apenas disse que eu tinha depressão e obrigou-me a ir a um psiquiatra. O psiquiatra também não fez quase nada, só disse que não havia nada a fazer. Até os médicos me levaram a este caminho.
Já tentei o suicídio várias vezes, mas nunca consegui. Os meus pulsos e as minhas coxas estão cheios de cicatrizes dos cortes. Já tentei afogar-me, asflixiar-me, atirar-me da varanda, mas nunca consegui. Eu pensava nas pessoas que iam sentir a minha falta. Mas, neste momento, quem vai sentir a minha falta? A minha mãe só pensa em homens, para ela eu nunca devia ter nascido porque eu lembro-lhe o seu ex- marido, ou seja, o meu pai. O meu pai nunca mais me telefonou. As minhas "amigas" não querem saber de mim. A minha vida sempre foi muito difícil. E eu apenas tenho 15 anos...
Agora, que tenho a faca no pulso, já não quero saber de nada. Tarde demais... Podiam-me ter salvado, podiam-me ter ajudado. Mas ninguém se preocupou, mas ninguém se interessou. Arrasto a faca com força e vejo o sangue a cair. Enquanto tenho forças, faço no outro pulso igual. E mais, e mais, e mais, até perder os sentidos.
E ela acabou por morrer...
Fale com o autor