Notas iniciais
EO VOLTCHAY SEUS LINDO(A)S! Acreditam que essa cap tava pronto faz umas tres semanas? :'v *desvia de pedras* GENTE DESCULPA, é que eu tava com uma preguicinha de revisar Ç-Ç e ainda esses dias a bad bateu na minha porta e eu abri, então senhoras e senhores eu tava no chão :') MAAAAAS agora eu tô melhorzinha, e ainda por cima ACHEI UMA PESSOA DELICIA PRA BETAR AS MINHAS FICS ENTÃO VAI DEMORAR MUITO MENOS O PROXIMO CAPITULO o/ DORA CHAN I LOVE U CARAI )o) Agora sentem-se, relaxam e leiam essa capitulo fodedor, por que eu pressinto vem tiros ;u;

"Do sofrimento emergiram os espíritos mais fortes, as personalidades mas sólidas estão marcadas com cicatrizes."

—Khalil Gibran

My dear new neighbor...

Capitulo oito: Almas quebradas

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Quando finalmente chegamos á saída, eu sou obrigado a soltar Vini (a contragosto), pois a porta só tem espaço para uma pessoa passar. Meus olhos inchados doem por finalmente verem a luminosidade depois de quase três horas dentro de um local escuro como aquele e eu ponho a mão na frente deles os protegendo do Sol .

Finalmente paro de chorar então fico um tempo parado olhando como a minha mão brilha quando fica na frente do Sol, enquanto Vini manda algumas mensagens de texto no celular.

“O céu de São Paulo está tão azul... Geralmente ele é tão cinza...”

Sinto uma mão agarrar a minha.

—Eu mandei umas mensagens para a Juliana, meu irmão e Mia, ele vai ver no intervalo do Show. Vamos peguei um carro emprestado no caminho... –Diz ele me puxando em direção ao estacionamento.

Me pergunto se ele tem carteira ou até mesmo idade para dirigir, mas estou cansado demais para discutir e apenas me deixo ser puxado em silêncio.

Vini me leva para uma caminhonete usada modelo C10 1972 vermelha, e aperta o alarme a abrindo, entro em silencio e ele também. Logo ele dá a partida e estamos na estrada.

Seguimos tranquilamente em um silêncio incômodo por alguns quilômetros, mantenho os meus olhos na janela o tempo todo enquanto sinto os de Vini vacilando da estrada para mim, de mim para a estrada. Ele está visivelmente sem saber o que fazer.

Vê-lo sem graça seria divertido se o clima não estivesse tão tenso.

Por fim, Vini desiste de andar sem rumo e vai direto a um drive-tru do Mc’ Donalds.

“Você precisa comer, deve estar faminto.” Justifica ele.

E eu seguro a resposta sarcástica que deseja sair de minha boca, que depois matar aula e beber pela primeira vez na minha vida, vomitar no banheiro, beber mais um pouco, escovar os dentes com uma escova minha que misteriosamente estava na bolsa “mágica” de Juliana, dançar feito uma puta, beijar o meu vizinho o qual e nem conheço direito, chorar na frente dele igual a uma criança e fugir num carro “emprestado” o qual eu nem faço ideia de onde ele tirou, “Fome” deveria ser a ultima coisa que estou sentindo agora.

Continuo calado ainda sem conseguir o encarar por vergonha.

Ele faz o pedido de um Big Mc com fritas e refrigerante para um cara na janela e logo dirige a outra janela e o pega de uma moça, faço a menção de pegar a carteira na mochila para pagar, mas ele me impede.

—Eu pago, pode deixar. –Diz ele pagando e pondo o lanche no meu colo.

—Obrigado...-Digo sem jeito.

Ele sorri e nós ficamos em silencio novamente, abro o pacote e retiro logo o sanduiche da caixa onde ele fica, dou uma enorme mordida nele finalmente reparando que na verdade, eu estava com fome pra caralho.

Vini dirige até um parque, onde ele estaciona na beira da pista bem embaixo de uma árvore.

Como em silencio olhando Vini com um canto de olho, ele não me encara, apenas tira o cinto, pega um maço de cigarros do bolso e retira um cuidadosamente o acendendo com um isqueiro que por acaso estava no carro.

Olho-o surpreso, vendo-o ele dar uma enorme tragada.

Tomo um pouco de refri e finalmente tomo coragem pra o perguntar.

—V-você tem carteira?

Ele me olha, parecendo dez vezes mais velho que o garoto sorridente que se apresentou na minha escola, e então deixa a fumaça do cigarro sair de sua boca.

—Sim. Tirei ano passado. –Mais uma tragada. -Por que...?

Pego umas fritas, fingindo que não estou surpreso.

—Quantos... Quantos anos você tem? Tipo, de verdade?

Ele levanta a cabeça soprando mais fumaça, sinto vontade de tossir mais a seguro, não quero parecer uma criança.

—Dezoito, entrei na escola mais atrasado que as outras crianças... Mas se é sobre o cigarro que está curioso, eu fumo desde os catorze.

Fico em silencio, ainda surpreso.

Quem é o Vinicius afinal?

Se eu parar para pensar. Eu não sei absolutamente NADA sobre esse cara, ele já quase me abusou, já me beijou, me levou pra um show no cu de SP e ainda assim a única coisa que eu sei é que ele tem um irmão músico e curte pintar o cabelo.

Só.

Me xingo mentalmente, pensando em que se ele fosse um estuprador mesmo eu estaria completamente fodido.

Enquanto eu me perco em meus pensamentos e perguntas. Vinicius joga as cinzas do cigarro pra fora da janela, e direciona seu corpo pra mim.

—Afinal, o que foi aquilo Victor...? Eu te assusto tanto assim? –Sinto os olhos azuis me encarando, mas mesmo assim desvio o rosto.

—Você não me assusta. –Digo simplesmente, pelo menos não me assustava até agora.

—Então o que é? –Ele chega mais perto e sinto o cheiro do tabaco. –Tem haver com o que a Juliana disse... sobre a sua mãe?

Guardo o Big Mc’ na hora, de repente toda a minha fome desapareceu. Olho para a janela observando algumas crianças brincarem no parque com as suas famílias e a dor volta.

—Também, não precisa falar se não quiser... Eu não vou te obrigar a nada. –Sinto ele se afastando.

Mesmo ele dizendo isso me sinto acurralado, continuo olhando para a família feliz e concluo que realmente não tenho mais nada a perder mesmo.

—Depressão. –Digo

—O que?

—A minha... mãe. Ela tem depressão. –Olho o filho da família cair do balanço e começar a chorar e logo a mãe correr para o acudir vendo se ele não estava ferido. A dor parece ainda mais forte. –Meu pai largou a gente quando eu tinha nove anos, algo... algo sobre ele estar se sentindo preso e atrasado com a gente ou não aguentar mais viver com a minha mãe ou alguma merda de desculpa de um puta covarde como essas. Então ela começou a se trancar no quarto, comer pouco, dormir pouco, ela não conseguia nem mais olhar para mim, por que eu sou muito parecido com ele, sabe...? -Rio amargurado as lágrimas teimam a descer, mas dessa vez eu consigo segura-las. — Foram exatos três meses dela apenas no quarto trancada se alto-medicando, até ela decidir parar de chorar e se lamentar e ... Bem culpa deus e o mundo, incluso a mim. Mudou os horários do emprego pra ficarem contrários aos meus, parou de me fazer comida e comprou estoques e mais estoques de congelados, parou de ir na minha escola, de me perguntar como foi o dia, de falar comigo, de me olhar nos olhos... De agir como se eu existisse...

Abaixo a cabeça escondendo mais e mais lágrimas que insistem em descer, quando consigo me recuperar, levanto a cabeça e falo aos soluços com um sorriso amargo.

-Sabe... Sabe o que ela me disse quando... Bem, quando eu disse "o que eu era de verdade"?

Olho diretamente para ele e no mesmo momento, sei que não preciso esclarecer o que quero dizer com isso. Todos "nós" sabemos o que é "isso". A maioria passa por isso. E grande parte dessa maioria, passa por experiências nada boas na vida por conta "disso".

-'Eu sinto muito meu filho... -Continuo. -Os homens irão desgraçar a sua vida de uma maneira horrível', ela disse isso me deixou sozinho como se nada tivesse acontecido e você sabe o que é pior? Mesmo eu repetindo veementemente que era mentira, anos depois descobri que ela estava COMPLETAMENTE certa, sabe o que é ter que ouvir isso da própria mãe e logo depois sentir a confirmação na pele? Já foi tão ignorado por alguém que tentou até o ultimo recurso para chamar a atenção dela, e depois acordar em um hospital sozinho e sem ninguém? -Pergunto mostrando a pequena cicatriz desenhada em meu pulso a um tempo a trás. -Sabe o que é desejar nunca ter nascido? Tem uma noção Vinicius? Já passou por algo assim?

Vini olha meu rosto vermelho, molhado e indignado. Ele não parece surpreso, nem divertido, nem triste. Apenas melancólico.

-Não. -Diz ele. -Eu não faço a mínima ideia do que é ser ignorado pela própria família. Na verdade eu e meu irmão sempre fomos os mais vistos e a maior preocupação dela.

Encosto no banco puto, ele é maldito mimado eu sabia.

-Mas sabe... Isso nem sempre é bom Vick. -Diz ele com o odioso sorriso irônico voltando a face. -Ao contrario do seu pai o meu sempre foi presente e rigoroso, como esperado de um ex-policial civil. -Riu ele esbanjando sarcasmo. — Eu deveria ter sempre as melhores notas, a melhor aparência, a melhor educação, a melhor reputação para me adaptar nos padrões da família, nos padrões dele. Assim como ele claro, afinal -O sorriso abriu mais um pouco mostrando a maioria de seus dentes brancos, mas seus olhos estavam tristes. — Você deve na frente de todos ser o melhor exemplo, o mais inteligente o mais engraçado, o mais religioso isso é o suficiente para ser bom. Quem liga, se pelas costas dos outros você bebe meia caixa de cerveja e espanca sua mulher? Se você pula a cerca com a primeira puta que aparece toda semana? Quem se importa se você fez a sua mulher na frentes dos outros ter que andar com quilos e mais quilos de maquiagem, roupas caras, um sorriso falso e na quando ela tá sozinha beber até desmaiar para esquecer a merda de vida que ela tem? Quem se importa se você era um policial de merda afundado em erros e corrupções. Ninguém liga de quem você é de verdade desde que você represente papel pré -determinado para agradar a todos.

Olho para ele petrificado, aquilo tudo era verdade? Procuro em seu rosto algum vacilo, algum semblante de mentira, porém percebo que seu corpo está tremendo.

—Meu Deus Vini...

-Minha mãe não disse coisas horríveis quando meu irmão se assumiu gay ou eu me assumi bi. -Continua ele olhando para mim, não acusador, ou mesmo irritado. E sim completamente compreensivo. — Em vez disso, ela teve que fazer as malas do meu irmão porque meu pai o expulsou de casa e tentou segurar em vão o braço dele tentando me proteger enquanto ele me batia com uma garrafa de cerveja quebrada ou chutava as minhas costelas, tudo pra "eu virar homem". Vick eu não faço a menor ideia de como é ser ignorado. Mas eu sei muito bem o que acordar em uma sala de hospital sozinho em estado quase morto mesmo sabendo que minha mãe estaria desesperada do lado de fora chorando, sei o que é me acabar em sexo e drogas me aproveitar de gente inocente pra esquecer meus problemas, sei o que é desejar nunca ter nascido Vick, sei o que é querer desistir porque a sua vida tá na merda mas mesmo assim ter que continuar por ter gente que depende de mim. Sei como é me sentir sozinho. -Ele fala me olhando gentilmente e levando devagarinho a minha mão onde abaixo tem os cortes de estilete até uma longa cicatriz de um corte em sua clavícula até o início do seu ombro, involuntariamente acaricio o local preocupado, ele sorri. -Todos nós temos cicatrizes Victor, longas e profundas ou rasas e curtas. No fundo, todos nós somos quebrados.

Mais lagrimas caem de meus olhos elas são grossas e intensas. Pois dessa vez não choro só por mim, choro por ele, choro por nós, choro pela a minha mãe e a mãe dele, choro até pelo idiota do irmão dele e choro por esse puta mundo injusto.

Me odeio por ser tão gay.

Então Vinicius novamente me abraça forte, ele ainda treme e eu sinto que ele está se segurando para não acompanhar minhas lágrimas também então me afasto um pouco e olho intensamente para seus olhos tristes e ele olha para os meus.

Quando percebo estou sentindo um leve gosto de tabaco em meus lábios misturado com um doce gosto de chantilly em minha boca. Nos beijamos lentamente e em silencio afundando e esquecendo nossas próprias tristezas e tentando confortar as do outro.

Quando terminamos Vinicius me olha seriamente seu rosto está perigosamente perto.

-Vick...

-Sim?

-Se eu soubesse que era só me abrir assim pra você, que você me retribuiria assim teria feito isso antes... -Respondeu ele com um sorriso sacana no rosto e rapidamente atacando o meu pescoço.

Puta que pariu.

-Ou... Vini para... -Começo tentando o empurrar, mas ele apenas ri e segura minha cintura forte. -...!

-Heeey, -Ele põem um dedo em minha boca. -Já transou em um carro... Vi.c.tor....?

-WAAAAAAH! SEU FILHO DA PUTA!

Notas finais
. . . Desculpa, eu ainda amo vocês ;u; *corre*
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.