My dear angel
11 Capítulo 11
Notas iniciais

POV ASH
Após aquilo, me vesti para ir ao velório de Pearl. Desci as escadas e me deparei com mamãe conversando com alguém no telefone, aparentava ser alguém importante.
– Entendo... Acalme-se Palmer, e peça para Barry se acalmar também. Eu e Ash já estamos indo no velório.
Minha mãe desligou o telefone e me encarou tristemente. Nós conhecíamos a família de Pearl desde que se mudaram para Pallet, há dois anos. Fomos os primeiros a recebê-los.
– Ash, querido... Vamos? Pedi carona ao Prof. Carvalho...
– Ele também vai? — Questionei.
– Sim.
Ouvimos a buzina do carro e entramos. O Prof. era um senhor de seus 50 anos, tinha cabelos curtos e grisalhos, olhos pretos, algumas rugas no rosto e uma pele meio morena.
Por incrível que pareça, o senhor de idade era o avô de Gary. O Prof. Carvalho cuidou dele desde que ele era bebê, já que seus pais morreram num acidente de carro. Sinceramente, isso me dava dó, mas depois dos ataques, desisti de ter pena.
– Oh Sam... Tenho pena do Palmer, cuidou tão bem dos meninos... — Comentou a Sra. Ketchum.
– É, lembro do dia em que ele descobriu da doença do Pearl... Chegou chorando na minha casa, pedindo consolo... Eu é que to precisando de ajuda com o Gary, criei meu neto e agora ele está no manicômio.
Pearl tinha a minha idade, estudava na sala de Misty e Tracey. Ele tinha um irmão gêmeo chamado Barry, ambos eram bem amigos, moravam com o pai, já que a mãe morreu no parto deles. Vida sofrida, mas é assim mesmo. Após alguns minutos, chegamos no velório.
Ao adentrarmos o local, vi meus amigos lá, chorando bastante. Cheguei até eles e os abracei, mas em seguida vi Barry lá, com os olhos inchados e o rosto completamente molhado pelas lágrimas. Andei até ele e o cutuquei, quando o loiro se virou, eu o abracei fortemente.
– E aí cara? E agora? — Perguntei.
– Me sinto perdido… Meu irmão se foi e não sei o que fazer…
Fitei o chão e deixei algumas lágrimas escaparem. Eu não era do tipo que chorava muito, e nem era amigo próximo de Pearl, mas praticamente crescemos juntos, então eu estava triste mesmo. Depois do velório, fomos para o enterro, o que foi pior ainda.
Acabamos voltando de noite para casa, o Prof. Carvalho foi jantar conosco, já que ultimamente estava sozinho em sua casa. Se não fosse pelos Pokémons, ele não estaria ali com a gente. Uns minutos mais tarde, subi para meu quarto, tirei a camiseta para sentir o vento e fiquei tentando contemplar a noite, o que era praticamente impossível.
– A-Ash? — Ouvi a doce voz de Dawn na janela.
– Oi Dawn… Está melhor?
– Sim… Mas por favor, coloca uma camiseta!
Ri um pouco e vesti uma regata branca. Ela entrou, coloquei Deep Purple para ouvirmos enquanto minha mãe e o senhor de idade conversavam lá embaixo. Ela me contou que havia avisado que passaria a noite fora e estranhei, o que minha anja iria fazer?
– P-posso pedir uma coisa?
– Claro, o que?
– Posso dormir aqui com você?
Arregalei meus olhos, realmente, não esperava aquilo vindo de uma anja. Eu a encarei, tentando processar tal informação.
– Como é que é?
– Eu queria dormir aqui com você… Mas se não quiser…
– Claro que quero! Mas onde você quer dormir?
– Queria dormir aqui, abraçada com você Ash.
Eu deveria de estar louco. Minha anja? Um ser puro e “inocente” queria dormir aqui comigo? Não, isso só podia ser realmente loucura! Afinal, pelo que eu saiba, anjos não podem nem namorar! Puxei-a de leve e a fiz sentar-se na minha cama.
– Dawn, vocês podem dormir com outra pessoa?
– Sim, anjos podem amar! Tudo aquilo de perder as asas por amar é pura fantasia!
– Ok, mas com um humano pode?
Ela encarou o teto com um olhar inocente, coisa que eu achava muito fofa. A azulada voltou a me encarar um pouco corada e negou com a cabeça. Suspirei, sentando ao lado dela e acariciando sua bochecha vermelhinha e lisa.
– Certo, mas temos de fazer isso escondidos, se bem que ninguém me espia enquanto eu durmo. — Ri um pouco, deitando com as costas encostadas na parede. — Vem cá, vou te abraçar.
– T-tá bem… É que eu nunca dormi com ninguém dessa forma, mas acho que vai dar.
Eu a abracei, coloquei meus braço em volta de sua cintura e por baixo de suas asas, ela estremeceu um pouco com tal ato, mas aparentemente gostou daquilo.
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