Notas iniciais
Espero que gostem! Desculpa a demora, tava viajando ;*

POV DAWN

Ele não podia morrer, eu não deixaria, afinal, éramos melhores amigos, mas ele não se lembrava por culpa da minha mãe. Quem mandou ela apagar a memória dele?

Eu continuava voando de volta para casa, que ficava em uma nuvem (sim, numa nuvem), minha mãe sabia que eu estava o protegendo, pois eu o adorava. Cheguei em casa, morrendo de fome, fui até a cozinha e vi minha mãe e meu irmão, Paul, comendo macarrão.

– Finalmente… — Paul murmurou e me sentei ao lado de minha mãe.

– Onde estava filha? — Minha mãe me perguntou e sorri.

– Estava fazendo meu trabalho… — Sussurrei, fitando o chão.

Minha mãe, Johanna, suspirou e se levantou para lavar a louça. Paul me olhava friamente e eu não sabia porque. Resolvi subir para meu quarto e descansar um pouco. Meu Piplup pulou no meu colo e o acariciei, ele estava meio alegre e, diferente de mim, sorria.

– Piplup, será que ele vai lembrar?

– Pip-pip-lup! (Claro que sim!)

Suspirei e me joguei na cama, observando uma foto minha e do Ash de quando éramos mais novos. Foi igual uma selfie, eu tive que tirar a foto com a câmera virada para nós. Ela estava lá, num porta retrato, em cima da cômoda.

Ouvi alguém bater na porta, abri devagar e lá estava minha mãe, com uma cara meio triste. Dei-lhe um sorriso inocente e deixei-a entrar no meu quarto.

– Filha, por que quer voltar a ser amiga dele? Sabe, ele nem se lembra e…

– E por que apagou a memória dele mãe? A senhora não sabe o quanto doeu vê-lo me encarar como uma estranha… Doeu muito no coração… — Me desatei a chorar.

Eu não era forte para isso, afinal, ele era meu único amigo durante muitos anos. Eu estava chorando bastante, não chegava ao ponto de berros e tudo o mais, mas as lágrimas eram várias e não paravam de descer dos meus olhos.

Mamãe me abraçou, tentava me acalmar mas não conseguia. Ela se levantou e saiu, me encarando com um sorriso triste. Em seguida, tive uma ideia, peguei Piplup e o coloquei nas minhas costas, pedindo para que ele se segurasse na minha nuca.

Comecei a voar a toda velocidade, cheguei num sobrado um pouco afastado da cidade. Fui para a janela à esquerda e havia um quarto de garoto lá. O quarto era branco, havia uma TV na direita e uma cama na esquerda. Ash estava lá olhando o teto.

– Oi! — Eu disse e ele me olhou, pulando de susto. — Calma aí garoto!

– Menina, que me matar do coração?! Eu poderia estar me trocando!

– Desculpa… — Abaixei minha cabeça e me sentei no parapeito da janela. — Não se lembra de mim? Sou eu, a Dawn… Nós gostávamos de brincar juntos e éramos melhores amigos…

Ele me olhou confusa e veio até mim. Olhei em sua mente (eu aprendi a olhar) e vi um vazio quando ele tentava se lembrar da infância. Suspirei e dei um pouco da minha infância para ele.

– Dawn… ME LEMBREI! — Ele berrou e ri.

Olhei para a lua e ela estava brilhante como na noite em que o conheci. Ash também olhou para ela e sorriu, começou a se lembrar do dia em que me conheceu ao acaso.

Ele andava de bicicleta na rua, tinha 7 anos. Enquanto andava, um carro passava e quase o atropelou, mas fui mais ligeira e o peguei antes de ser atropelado.

– Ash… Tenho que ir… Nos falamos mais depois, ok?

– Ok, tchau… Dee-dee.

– NÃO ME LEMBRA DISSO! — Berrei furiosa e voltei para casa, alegre.

Entrei sorrateiramente pela janela e deixei Piplup na caminha dele, coloquei meu pijama e me joguei na cama, contente com a vida.