My boyfriend is a Dragon
6 Territórios e dragões vermelhos
Notas iniciais
– Entendo...-Foi o que Arthur disse parando de comer a panqueca para analisar a situação depois do relato do seu filho, de fato já esperava uma resposta dos dragões vermelhos, mas convidar para um churrasco? Deveria levar em conta que eles eram bastante excêntricos, pelo menos aquele grupo especifico de dragões vermelhos...Afinal, foram os únicos a aceita-los como parte da “família”.
O grupo estava tendo um café da manhã sentados no sofá novo que tinha chegado na manhã, aos poucos os moveis da sala estavam sendo substituídos por novos. Pratos com panquecas e copos de suco, flutuavam sobre as suas cabeças.
–O que devemos fazer? Será uma armadilha? –Perguntou Erich enfiando uma panqueca na boca e comendo com selvageria. Felix fez cara de nojo e acabou por levitar o seu próprio prato de comida para longe, perdera a fome.
–Não seja tolo, irmão! –Sorriu Arthur –Eles não irão nos fazer nenhum mal... Sabe muito bem disso, mas sendo o território deles devemos explicar o ocorrido na noite anterior... É nossa obrigação.
–E eles também tem que se explicar para nós! – Disse Felix – Afinal, era o dever deles guardar o território! Como eles deixaram passar um dragão púrpura? Eles simplesmente não viram?
Alex concordou, o que aconteceu não fora causado unicamente pela a presença de dragões negros na cidade, como também a falta de controle dos dragões vermelhos.
–Acalmem os ânimos... Erros acontecem, tanto de nossa parte como da deles! O território é grande e não tem como eles ficarem presentes em todas as brechas que podem existir...
Amélia observava tudo aquilo com uma certa curiosidade, agora tinha novos dragões? Do tipo vermelho...Pareciam que estes eram bonzinhos de alguma forma. Pela a conversa pode concluir que viviam em um território sobre a jurisdição dos dragões do tipo vermelho. Era estranho pensar que durante toda a sua vida tenha vivido em um local sobre domínio de dragões! Saber que eles existem e estão ali... Na sua frente, comendo panqueca! Se contasse para alguém com certeza iriam morrer de rir e iriam chama-la de louca!
–Amélia...
A garota se sobressaltou ao ver que Arthur a observava, ela engoliu o pedaço de panqueca que ainda tinha em sua boca e o encarou exibindo um sorriso nervoso.
–S-sim...Arthur...
–Bem, você não é obrigada a ir ao churrasco se não quiser...Muito coisa está acontecendo em tão pouco tempo, não quero te forçar a nada! Na verdade, acredito que estejas confusa com essa situação que nós encontramos...Como ontem, estou aberto aos seus questionamentos!
–Oh...- Ela percebeu que os outros membros da família a observam, menos Alex que de alguma forma estava achando mais interessante observar seu copo de suco vazio do que olhar para ela.
“Idiota!” Pensou irritada.
–Eu queria entender... O que os dragões vermelhos são...E o que eles tem relação com você? Além disso você disse território...Sendo que essa cidade em que vivo pertence aos dragões vermelhos? É isso? Mas eu nunca percebi nada...Digamos, fora do comum...
–Esperava o que? Lagartos gigantes nas ruas? –Riu alto Erich –Isso seria um caos!
–Irmão, ela está certa em perguntar... Afinal o conceito de território para os humanos é diferente dos nossos... Primeiro, Amélia, nós dragões sempre tivemos territórios que temos que proteger, desde a época primordial de nossa existência. Não temos, como vocês, estados, municípios, cidades...Tal organização política-territorial... Nós temos faixas de terras que tomamos pela força e denominamos como nosso! Mas nós não interferimos na ordem já pré-estabelecida pelos humanos que ali vivem... Ou seja, a questão envolve os dragões somente... Humanos estão fora da nossa influência! Um dragão em outro território tem a obrigação de expor sua presença e informar ao responsável do território sobre as suas intenções, tal como entrar em uma casa que pertence a outra pessoa... Se você entrar sem ser convidado, deve ser expulso ou punido!
–Entendi... –Amélia absorvia aquele novo conhecimento, então tais regras só se relaciona a dragões...
– Quanto as dragões vermelhos... Eles tem a habilidade de controlar o fogo! –Começou a explicar Felix fazendo gestos com as mãos enquanto falava – Eles podem cuspir fogo, que aliás é bem nojento! Podem também controlar e manipular chamas! Tipo se riscar um fósforo ele pode controlar aquela chama...Parecem meio que magos em um circo! –Ri o rapaz –Sabe? Aqueles que engolem tochas com chamas sem se queimares? Eles são meio loucos também...Afinal as chamas não os queimam! Eles caminham sobre brasas, fazem uns truques malucos! O churrasco vai ser bem divertido! As festas deles sempre tem truques bacanas!
–Eles são uns esquisitos... –Resmungou Erich com boca cheia, pedaços de panqueca saindo pelos cantos. Amélia teve que desviar o olhar.
“Eles não são os únicos esquisitos!” Criticou em pensamento.
– Eles também são nossos amigos... Theodor, antigo líder desse território, foi o primeiro a perdoar a raça dos dragões negros... Logo o clã dos dragões vermelhos seguiu o seu exemplo... Nós devemos muito a ele! Pablo é o seu filho mais velho e é o atual líder... Não temos nada a temer a esse churrasco ao não ser algumas queimadoras –Disse Arthur – Eles não costumam se “conter” muito nas festas...
–Seria divertido se Amélia fosse! –Falou Felix sorridente.
Amélia sorriu para o novo “primo”... Não parecia ser algo tão ruim, além disso tinha uma certa curiosidade de saber mais sobre aquele mundo desconhecido. Além disso, não podia ficar sempre fugindo, se sua família agora era composta de dragões teria que interagir com outros dragões de outros tipos eventualmente...
Ela abriu a boca para responder mas foi interrompida pelo rosnado de Alex.
–Não a force ir Felix... Só por que você não quer ficar sozinho na festa! Além disso, nós vamos para lá por negócios e não diversão! –Falou o rapaz – Ela será a única humana em meio a diversos dragões... Acredito que ela não vai querer isso!
–Acho que eu posso muito bem opinar a respeito disso! Quem é você para saber o que penso ou acredito?
–Já vai começar! –Sussurrou Felix para Erich com olhar de uma criança excitada assistindo um filme que adora.
–Eu só estou sendo racional! –Rosnou Alex.
–Eu nem sabia que você poderia ser racional... Nossa! Novas descobertas todos os dias! –Ironizou.
–Você não sabe interagir com outros dragões...
–E nem você sabe interagir com humanos... Então estamos quites!
–Você é uma fêmea teimosa... Eu estou tentando te proteger, não vê?
–E eu não me lembro de ter pedido para me proteger! Eu sei me cuidar! E não em chame de “fêmea” eu tenho um nome!
–Em meio a dragões que cospem fogo? Eu quero é só ver você tentar se proteger sem a minha ajuda! –Riu com escárnio Alex.
–Pois você vai ver...Por que eu vou a festa!
–Eba!! –Gritou Felix comemorando o resultado, os dois adolescentes o encararam e o rapaz se encolheu –Desculpe interromper a briguinha de casal! Eu não sabia que era um momento íntimo!
– E NÃO É!! –Responderam simultaneamente o dito “casal”.
–Parece que estamos resolvidos! –Sorriu Olívia que observa tudo tranquilamente em uma poltrona comendo suas panquecas –Isso significa que eu também vou!
Arthur cuspiu o suco que tomava.
–Ah? C-como assim, querida? –Perguntou confuso.
–Ora...Se minha filha vai eu também devo ir! Ou está com vergonha de me apresentar aos outros amigos seus?
–Lógico que não! –Respondeu rapidamente.
–Então, como eu disse antes, está resolvido! – Se levantou animada –Amélia! Temos que escolher as roupas perfeitas para essa ocasião! Afinal será a minha primeira festa com dragões!
Amélia suspirou, sua mãe era realmente doidinha, contudo também queria mostrar a um certo dragão que iria a festa e além disso, ria arrasar!
–Tem razão mãe! Vamos! –Disse animada a garota piscando para Alex que por sua vez rosnou.
As mulheres logo saíram as sala tagarelando sobre roupas e maquiagem, felizes deixando os dragões meio confusos no local. Menos Felix, este estava se divertindo com tudo aquilo.
–Hum...Fêmeas humanas são esquisitas... Elas são fracas e mesmo assim querem parecer fortes? Não querem ser protegidas? Querem ir para locais perigosos? –Questionava Erich limpando a boca suja com as costas da mão –Por isso escolhi não flertar com nenhuma fêmea, principalmente humanas...
–Você escolheu o celibato tio...Por que nenhuma garota iria te querer! –Falou Felix risonho.
– O que disse?! –Rosnou Erich, mãos começando a ser envoltas em chamas azuladas.
–Não comecem a brigar...De novo! –Mandou Arthur massageando a testa – Já temos coisas de mais para nós preocupar...
– Pai...Você podia as fazer dormir usando sua especialidade...Desta forma elas não iriam ao churrasco! –Sugeriu Alex.
–Se eu fizesse isso... Quando elas descobrissem, quem de vocês gostaria de enfrenta-las em uma briga?
Os três dragões permaneceram quietos não respondendo.
–Então...Como a minha namorada disse antes... Iremos ao churrasco! –Sorriu meio nervoso Arthur.
–Eba! –Gritou animado Felix recebendo um olhar irritado dos outros três.
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Um das coisas que Amélia notou ao sair do carro foi a grande casa em que se encontravam, na verdade os dragões vermelhos moravam em uma espécie de condomínio horizontal, só deles!
“Todos os dragões são ricos de algum modo?” Pensou meio intrigada. A “casa” que na verdade poderia ser definida como mansão, dois andares, amplo jardim. Uma explosão foi ouvida, uma grande jato de chamas se elevou no ar advindo do que seria o quintal, não se podia ver como ela foi produzida pois havia um muro composto por cerca-vivas bloqueado a visão. Amélia se sobressaltou. O grito de felicidades e a música alto começou.
–Yeah!! Começou a festa! Chegamos bem no início do churrasco! –Disse animado Felix ao seu lado, já começando a dançar ali mesmo.
–Ainda dá tempo de voltar...- Sussurrou alguém ao seu ouvido. A garota se virou e notou que Alex estava ao seu lado, vestindo uma roupa formal, até demais para um churrasco... Contudo que ficava de certa forma atraente nele.
“Não! Definitivamente esse dragão idiota não é atraente!” Pensou a garota, irritada.
–Eu disse que iria para a festa e eu vou! –Falou decidida dando os primeiros passos em direção a casa.
–Isso vai ser interessante! –Riu Felix.
–Você está se divertido com isso...Não é mesmo? –Resmungou o outro dragão jovem tentando não ficar olhando para a humana a sua frente.
“Por que ela tinha que se vestir deste modo?! Ela quer impressionar os dragões vermelhos tanto assim?” Pensou furioso, afinal Amélia estava bela com um vestido curto florido “ Eu não em entendo! Por que estou irritado pelo o que ela se veste! Eu só devo estar doente!”.
–Eu me divirto com a reação de vocês dois... Tão fofos!
–Idiota! –Rosnou.
–Por favor...Eu peço a vocês...Nada de brigas! –Disse Arthur ficando entre os mais novos, Oliva segurava o braço do namorado e parecia bastante animada com o “show” de chamas que era lançadas da casa – Não queremos confusão! Viemos aqui nós explicar e...
–Nós divertir! –Disse Olívia puxando Arthur consigo –Quero beber e dançar! Vamos! Vamos!
Alex ficou surpreso com o fato de seu pai ser literalmente arrastado pela a humana, aquilo o deixava ainda mais confuso, dragões são fortes ...Mas eram facilmente manipulados pelas fêmeas?
– Espero que eles tenham bebidas boas...- Resmungou Erich se encaminhando também para a casa.
– ... Tsc...Odeio esses churrascos! –Resmungou Alex acompanhado o grupo.
–Quem sabe você não consiga chamar a Amélia para dançar...Quando se desculpar com ela! –Sugeriu o seu primo.
–D-dançar? –Um certo rubor dominou as suas bochechas –E me desculpar? Nunca!
–Vocês dois são muito teimosos...-Suspirou longamente.
“Don't, don't, don't, don't
Don't, don't, don't, don't stop the party
Don't, don't, don't, don't,
Stop, stop, stop
The, the, the
Don't stop the party”
O som alto de música eletrônica começou a ressoar da música. Felix começou a dançar e repetir as palavras da música.
“Don't stop the party
Don't, don't, don't, don't
Stop, stop, stop
The, the, the
Don't Stop The Party”
De relance Alex observou Amélia também dançando enquanto esperava a porta da casa se aberta para que assim o grupo pudesse entrar. O movimento do corpo esguio dela... Os cachos de seu cabelo vibrando com os movimentos.
–Talvez...Esse churrasco não seja tão ruim...-Sussurrou o jovem dragão negro.
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