My boyfriend is a Dragon
40 Rival?
Notas iniciais
Havia uma vantagem ao deixar Alex irritado, pelo menos o ar úmido e quente da floresta tinha diminuído dando lugar a uma brisa fria e confortável. O dragão negro tinha se tornando uma espécie de “ar-condicionado” natural, o que em parte ajudou Amélia a recuperar o fôlego, mas não mostrou auxilio na questão de formular alguma explicação plausível para a situação em que se encontravam.
“ E eu estou fazendo tão errado assim?” Analisou a humana, afinal, será que não tinha direito de estar ali também, como todos os outros?
— Eu queria ver o dragão marrom. – falou por fim, segurando com força a barras de sua camisa suja, encarando diretamente o seu raivoso namorado.
— Hã? – essa foi a reação de Alex que franziu o cenho, uma clara expressão que podia ser traduzida como “você é idiota, por acaso?”.
— Exatamente! – disse agora mais firme – E não é só isso! Quero participar das reuniões e dos planos! Tipo, sei que da última vez eu fiz uma grande besteira, mas isso foi em parte por que queria mostrar que podia ser útil! Esse sentimento não mudou! Ainda quero ajudar, ser útil, participar... Não sou o tipo de garota que fica só observando enquanto vejo minha família em perigo! Eu... Não posso, não... Eu não quero ficar de fora!
— E isso justifica se pôr em perigo? – rosnou o rapaz.
— E, por acaso, se eu pedisse para ir junto vocês deixariam?
— Não! – agora Alex praticamente urrou, mas isso não diminuiu a coragem de Amélia.
— Aí está a resposta para a sua pergunta!
— Você é apenas uma humana... – começou a argumentar.
— E desde quando ser apenas uma humana me faz ser incapaz?
— Você foi capturada antes. Quer mais provas do quanto... – parecia se conter, mas as palavras não ditas foram entendidas.
Quer mais provas do quanto es incapaz.
Alex cerrou o punho, o ar a sua volta se tornou ainda mais frio. Pelo visto, o rapaz se arrependera do que tinha quase dito, mas já era tarde para voltar a atrás. O desastre estava feito. Amélia mordia o lábio inferior para conter as lágrimas.
Não iria chorar ali. Na frente de todos. Não iria parecer fraca! Não era fraca!
— Opa! Tempo! – o dragão marrom, deve enfatizar que o mesmo ainda estava pelado e assistia tudo, sentando no chão da floresta com o um olhar de criança entusiasmada ao assistir sua série favorita na TV – Essa humana me acertou com uma nutella!
Alex forçou o seu olhar desviar da humana para, por fim, encarar a sua inconveniente audiência.
— E o que isso tem de importante?
— Eu estava invisível na hora! Os outros dois dragões não sabiam como agir e foi ela que tomou a iniciativa! Conseguiu presumir aonde eu deveria estar e me acertou bem na cabeça! Tipo, sei que humanos tem suas limitações e tal, mas... Uma garota sem treinamento, conseguiu contra-atacar um dragão invisível! Não acha isso surpreendente?
Amélia podia não conhecer muito bem aquele novo personagem, na verdade, o primeiro encontro com o esse dragão marrom, além de traumático fora bem embaraçoso, contudo, o fato dele a estar ajudando naquele momento a fez mudar o seu conceito inicial sobre aquele rapaz nudista.
— Isso é verdade? – lançou a pergunta para Sion e Pietro que observavam toda a briga apreensivos.
— S-sim. – respondeu de imediato o dragão branco.
— Eu pensei em lançar meu fogo, mas poderia acertar o Sion, então... Amélia teve a ideia de usar a minha Nutella. – explicou o mais novo, gesticulando durante toda a sua fala, talvez dando mais dramaticidade ao evento.
Alex voltou o seu olhar para Amélia que engoliu em seco, esperou a avaliação final.
— Talvez eu tenha me expressado mal quanto ao fato de você ser... – massageou o pescoço, tendo dificuldade em achar as palavras. Nisso a humana teve que rir, Alex com o seu imenso orgulho tinha uma incrível dificuldade de se desculpar.
— Incapaz? – auxiliou não deixando ocultar o tom sarcástico.
— Isso. – deu os ombros, o clima frio tinha diminuindo, novamente a umidade e quentura da floresta se destacava – Mesmo que esse guardião não fosse de fato ataca-los, na verdade, não sei por que ele agiu dessa maneira com vocês, já que conosco só ficou observando...
— Ei! Eu tenho maneiras diferentes de avaliar as pessoas, ok? E o que você sabe sobre ser guardião, hein?! Sou um profissional treinando e...
— De qualquer forma... – Alex continuou falando ignorando deliberadamente o dragão marrom – Vocês os protegeu, lhe devo perdão. Um dragão não deve inferiorizar um ato de bravura!
— Obrigada. – disse a garota animada, pelo menos tinha ganhado um elogio, já era alguma coisa.
— Mas, isso não significa que está menos encrencada... Afinal, você... Digo, vocês três nem deveriam estar aqui!
— E por que não? – para a surpresa de todos, Sion se manifestou – Afinal, vocês foram buscar esse dragão marrom por minha causa, não é? Eu sou um dragão branco, preciso do apoio dele no conselho!
— D-dragão branco!? – o dragão guardião/stalker exclamou (e também perguntou) estupefato, mas fora (ou continuo sendo) ignorando.
— Bem... – Alex ficou meio sem fala quanto aquilo.
— Sim. – Tales interveio – Esse é mais ou menos o plano, mas não precisamos de sua presença aqui para conversar com o ancião.
— Como não? Estamos falando do meu futuro! – Sion rosnou, Amélia estava maravilhada com a súbita audácia do dragão branco, normalmente tão retraído, o que poderia ser um indicativo que o garoto de cabelos platinados tinha acumulado aquela cólera dentro de si por algum tempo, logo sendo esse o momento da “explosão” – Sei que posso não ter muita experiência... Não faz nem dois meses que despertei para esse mundo, mas aprendi muita coisa desde então e... Não quero ser tratado como um fardo ou alguém que deve ser protegido de tudo o que está acontecendo como se eu fosse frágil demais...
— Você não é um fardo. – tentou amenizar Tales – Nós só estávamos...
— Eu não imaginei que pensavas assim. – Arthur, líder dos dragões negros, tinha finalmente chegado. Amélia engoliu em seco, mas pelo visto, o seu futuro padrasto estava concentrado em Sion e não nela, por hora ela estava salva.
— Pois eu penso. Doí saber que me excluem de seus planos ou mesmo proibindo de usar minhas habilidades para ajuda-los. Sei que fizeram com boas intensões, mas...
— Eu disse para deixar o garoto participar. – comentou Erich que também tinha alcançado o irmão – Não se pode inibir o instinto dragão! Se o garoto quer lutar, então deixo-o lutar!
— Erich, não pretendo deixar que eles entrem em uma luta física, são apenas filhotes!
— Pois, sinto muito em discordar, irmãozinho, mas esses filhotes já foram atacados por um dragão verde e inclusive um deles fora baleado.
A expressão de dor que se fez no rosto de Arthur fez o coração de Amélia latejar. Afinal, que pai ou tio gostaria de saber que seu filho e sobrinho sofreram tais ataques e não estivera ali para impedir? Era evidente que Arthur se culpava por tudo... Tio Erich não devia jogar sal na ferida!
— Não estamos em guerra.
— Ainda. – frisou Erich.
— Não, não irei permitir que outra guerra se inicie. Não irei permitir perder mais de meus amigos e familiares. Devemos evitar que algo assim se repita! – disse isso em meio a um rosnado quase urro, depois se voltou para Sion – Já perdi muito ao longo desses anos... Sinto muito se minhas ações tenham levado a sua exclusão dos planos, julguei de forma errônea que você não deveria... Bem, es tão novo, não digo de idade, mas em relação a tudo isso! Política! Intrigas! Conflitos! Não queria te lançar em meio a...
— Eu não estarei enfrentando isso sozinho. Vocês estarão ao meu lado. – Sion sorriu, tinha se aproximado do seu guardião e tocado a sua mão como para confortá-lo. Arthur soltou um longo suspiro e finalmente voltou seu olhar para Amélia.
— Pelo visto, nem você posso apartar do perigo, não é? – falou resignado – Será que todos os meus filhotes tem algum problema quanto a me desobedecerem?
A garota sabia que devia estar nervosa ou mesmo se sentindo culpada, pois estava ali, diante do seu futuro padrasto, enquanto deveria estar de castigo, mas o sentimento que a dominava era a felicidade, Arthur a considerava como parte de sua “ninhada”, deveria admitir que ser considerada um filhote era estranho, mas era assim que os dragões tratavam seus filhos, logo ser incluída desse modo a alegra muito. Arthur deve ter reparado no sorriso bobo no rosto da enteada pois soltou outro suspiro, levando as mãos a testa em um falso sinal de enfado.
— Então, acabou? Já? – o dragão marrom parecia decepcionado, quem sabe esperava mais drama familiar para entretê-lo, quem sabe o trabalho como guardião deve ser muito entediante...
— Vá vestir alguma coisa! Pelos deuses ancestrais! Ficar balançando sua linguiça por aí... Temos garotas presentes! – ralhou Felix que era um indicativo da chegada dos outros membros da comitiva.
— Dragões necessitam desse tempo de liberdade, sabe? Faz bem para o réptil interno. – comentou Erich, o que não surpreendeu Amélia, já que aquele dragão negro em particular tinha uma tendência a prática de nudismo.
— Tio Erich! – rosnou Felix.
— Onde está a sua roupa... Er... Perdão, nem sabemos o seu nome. – comentou Arthur.
— Hum... Por aí. – o dragão marrom foi muito explicativo fazendo um gesto vago para a floresta – Olha, eu não recebo muitas visitas! Não me culpem por estar pelado todo o tempo!
— O nome dele é Felipe Montecarlo. – informou Bolt.
— Ei, eu posso me apresentar sozinho, sem ajuda, muito obrigado! – Felipe bufou e diante de todo seu corpo, da cintura para baixo, começou a desaparecer. Era estranho e também maravilhoso ver algo assim ocorrer, pelo menos para Amélia.
— Não sei se isso é uma melhora da situação anterior. – comentou Leonard mirando criticamente a nova versão de Felipe – É meio esquisito ver e conversar com um meio-homem.
O dragão marrom rolou os olhos.
— Como vocês são exigentes. Vieram aqui criticar minha nudez ou ver o dragão ancião?
— Tem razão. Não devemos perder mais tempo... – Pablo falou autoritário, mas antes lançou um olhar de soslaio para o seu irmão caçula: Pietro. Esse de imediato se escondeu atrás de Sion. O chefe dos dragões vermelhos fez um sinal negativo com a cabeça, bem provável que deixaria o sermão para depois.
Pelo visto, tudo transcorreu bem melhor do previsto por Amélia. No final, pelo menos parecia, tinha conquistando o seu lugar no grupo (mesmo que fosse pelo o uso de sua teimosia). Enquanto começou a andar para acompanhar o grupo alguém interveio em seu caminho.
— O que você pensa vindo aqui? – Scarlet não era uma garota de fazer rodeios, pelo visto – Não consegue ver que só atrapalhas?
— Olha...
— Não! Você não tem serventia aqui! Só é uma humana fraca! Você tem o seu mundo comum, não tente mergulhar no nosso mundo!
Amélia começou se irritar.
— Arthur vai ser meu pai, o mundo dele também faz parte do meu agora!
Scarlet fez uma careta.
— Eu não entendo... O senhor Arthur é inteligente o bastante para ver o quanto essa união é um erro.
— Como é?
— Não me leve a mal, mas humanos e dragões não devem se relacionar pelo o simples fato deles se tornaram o ponto fraco do dragão. Você deve saber bem disso, foi sequestrado e quase levou a captura dos membros de sua “família”. – Scarlet fez questão de destacar as aspas com seus dedos.
— Posso ser fraca agora... Mas se eu não me engano, foram os “fracos” humanos que caçaram os dragões e quase o levaram a extinção, não é mesmo? Por isso vocês agora adquiriam a forma humana, para se integrar em nossa sociedade!
O olhar furioso lançado pela dragão púrpura demonstrava que Amélia tinha adquirido um ponto naquela pequena batalha.
— De qualquer forma. – a garota deu os ombros – Você não faz bem para ele.
Nisso Scarlet indicou Alex que estava alguns metros à frente conversando algo com Sion e Pietro.
— Eu, por outro lado, poderia ser o par ideal para ele.
— Hã? – a humana sentiu como seu cérebro tivesse sofrido um pequeno curto-circuito, não era possível que aquela dragão estivesse insinuando que sentia algo por Alex?
— Ele está quase um dragão maduro... Você não sabe? Existe uma reunião anual dos dragões que estão sem parceiros e digamos férteis... Já imaginas a finalidade dessa reunião? Estimular os acasalamentos. Eu estou quase na idade de participar dessa reunião, bem como Alex.
— Você não deve estar falando sério?
Scarlet apenas sorriu de forma muito arrogante o que só gerou um desejo súbito de socar aquela cara feliz. Amélia se controlou com muito esforço.
— Oh! Já falei que você está muito linda assim? Coberta de lama e insetos? Aposto que Alex gosta de garotas meio selvagem, não é? – nisso ela se afastou gargalhando.
Amélia chegou em uma horrível conclusão: tinha ganhando uma rival.
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