My boyfriend is a Dragon
4 Dragões existem...
Notas iniciais
Tudo parecia pegajoso, enlameado, com coloração roxa... Amélia tentava se levantar e correr mas não conseguia acabando por escorregar naquela gosma.
–Onde estou? – Perguntou assustada, tentando retirar aquela gosma de si, logo percebeu que a dita gosma estava emanado uma estranha fumaça... Som de algo queimando. Logo percebeu que era ela própria que estava a queimar... Era ácido! A carne de suas mãos se desfazia em um liquido ralo de sangue. Logo começou a ver os ossos de sua mão. Seu corpo se dissolvia. Tentou gritar...Mas sua voz não saia.
–Todos devem sofrer... Como eu sofri! –A voz do homem que os havia perseguido ressoou nas sombras.
–E-eu...Eu não sou culpada...-Chorou.
–Todos são culpados! Todos! –Rugiu, agora não era mais um homem...Amélia pode ver um grande lagarto de escamas roxas a observando... Era um dragão! Este abriu a sua imensa boca, ao invés de fogo, como era de imaginar devido a influência dos filmes e dos livros, um grande jato de ácido foi lançado pelo o monstro.
Esse era o seu fim..Iria derreter...Ser esquecida... Nada mais lhe restaria.
–Nâo! –Gritou Amélia abrindo os olhos subitamente. Tenta se levantar mais uma mão a segura, forçando a ficar deitada.
–Amélia?! Você está bem? Não se levanta ainda...-Era voz de sua mãe, a jovem logo notou que não estava em um local escuro coberto pela gosma ácida, não havia nenhuma indicação da existência de algum dragão. Estava deitada em uma cama, pode identificar ,por uma rápida olhada em sua volta, que aquele não era o seu quarto, tinha alguns de seus objetos pessoais, algumas caixas de mudança...Contudo aquele quarto amplo não era o pequeno quarto apertado na qual tinha vivido grande parte de sua infância e adolescência. Aquela deveria ser a casa que iriam morar. Será que tudo aquilo não passou de um sonho?
–Mãe... O que houve? –Perguntou meio confusa.
–Bem...- Ela parecia sem saber o que falar, olha para trás e outra figura se aproxima da cama.
–Estamos felizes que tenha acordado e que esteja bem, Amélia...-Falou Arthur que pondo a mão no ombro de Olivia, isso parecia acalmar a mulher.
–O que aconteceu? –Perguntou novamente, não estava gostando daquele ar tenso.
–Você não se lembra? – A mãe quase parecia aliviada com o fato.
–Eu...Bem...- E se fosse tudo de fato um sonho? Então falar o que pensava que tinha ocorrido só iria parecer ridículo, não é mesmo? Além disso, nem se lembrava quando tinha chegado ali!
–Trouxe a janta! –Falou Felix entrando no quarto de súbito –Espero que gostem de pizza de calabresa com bastante cebola! –Disse animado.
Amélia logo o reconheceu...Aquele era o primo que Alex havia apresentando quando...Quando... As imagens da perseguição, do combate... Tudo emergia de uma vez em sua mente.
–Não pode ser...- Falou meio irritada. Não! Aquilo só deveria ser um sonho! Tinha que ser!
–Ah? Er...Eu posso pedir outra pizza se você não gosta deste sabor...Tinha de palmito mais tio Erich comeu tudo! –Tentou se justificar o rapaz, Olívia sorriu e logo se levantou e guiou o rapaz para sair do quarto.
–Amélia... –Arthur sentou na cama, ao lado da adolescente – Você se lembra do ocorreu não é?
A garota apenas assentiu, baixo os olhos... Dragões existiam! Alex era um deles e...Arthur...
–Você...- Levantou os olhos e encarou o seu futuro “padrasto”, depois olhou para a mãe –Ela sabe?
–Eu sei...- Disse Olívia.
–Você sabia?! Como? E não me contou? Você sabia que iria se casar com um dragão? Quando pretendia me contar?
–Acalme-se Amélia...Eu pedi para a sua mãe não contar...
–Você pediu? Como ousa!? –Rosnou a garota.
–Acalme-se...Por favor e me dê uma chance de explicar... Eu responderei todas as suas perguntas... Sorriu amistoso o homem. Amélia estava confusa e indecisa, uma parte dela queria arrumar suas coisas e sumir dali e outra queria ficar e saber a verdade...O que escolher?
–...O que vocês são? –Perguntou depois de um longo silêncio, afinal o que adiantava fugir? Quem garantia que outro “dragão” não iria ataca-la? E queria dar uma chance a Arthur...Precisava, ansiava, por entender o que estava acontecendo, sua mente clamava pela racionalidade.
–Meu filho deve ter explicado, de forma sucinta o que nós somos...
–Sim...Ele falou que são dragões... Mas...Bem...Vocês não parecem...
–Com lagartos gigantes que cospem fogo? –Completou o mais velho rindo – Não, nós não parecemos como esses dragões... Mas esses lagartos são apenas uma de nossas formas... Antes de mais nada vou contar um pouco sobre a nossa história... Dragões existem desde os primórdios do tempo, não sabemos ao certo como surgimos...Mas existimos, existem teorias mas muitas delas estão envoltas em misticismos e religião que acaba por deturpar a realidade... O que importa é que de fato somos reais, nossa forma primitiva é como é descrito nas lendas, lagartos grandes que aterrorizavam pessoas e eram caçados por cavaleiros... Isso, em parte, era verdade, éramos seres orgulhoso, humanos para nós eram como insetos...Alias estávamos mais preocupados em guerrear entre nós do que nos preocupar com humanos... Isso teve consequências, além dos humanos começarem a nos caçar e se especializar nisso... Acabamos por nos destruir e tal ponto que estávamos quase em extinção... Para sobreviver assumimos uma forma mais segura, que nós permitisse viver em paz ...Desta forma assumimos a forma humana...
– Como? Isso quer dizer que essa forma não é real?
– Você não acredita em magia, não é mesmo? Bem, como os humanos explicam em seus livros, seriados e filmes...Parece ser algo bem ilógico e que com isso é permitido fazer tudo que quisermos, tendo que somente pronunciar determinadas palavras ou misturar alguns ingredientes em um caldeirão...Magia, para nós, é como uma ciência... Ela não é fácil de manipular e apresenta limitações e regras... Vocês chamam de sobrenatural coisas que não sabem explicar, não é mesmo? Para nós tudo isso é explicável...Entretanto, vocês ainda não tem o conhecimento o suficiente em certas áreas de sua ciência para entender...Por isso não vou aprofundar a explicação nesse quesito. O que aconteceu no passado é que todas as raças de dragões remanescentes fizeram um feitiço ancestral que resultou em no que somos hoje... Detemos duas formas: uma humana e outra dragão... Podemos mudar de forma de acordo com a necessidade... Lógico que a forma humana é bem mais conveniente.
– Aquele homem...Digo, Dragão... Que nós perseguia...Por que queria nós matar?
Arthur suspirou longamente.
–Primeiro devo pedir desculpas por causa disso... Nunca pensei em colocar você e sua mãe em perigo! Eu me mudei para cá, junto com a minha família, por que acreditávamos que era seguro...-Massageou a testa como se buscando palavras para explicar a situação – Houve uma guerra interna em nosso povo... Primeiramente devo explica que depois de feito esse feitiço que nós deu essa dupla identidade humana/dragão foi criada um conselho composto com os representantes de cada raça, o líder do conselho seria escolhido em cada 20 anos , seria feito um rodízio, cada raça teria sua vez como líder... Assim era garantia que todos contribuíssem e participassem...Unidos em prol de nossa sobrevivência... Na última eleição para líder de conselho, entretanto... Houve uma traição, o líder escolhido foi assassinado... De início se pensou que fosse um membro da raça dos dragões púrpuras, devido a forma como foi morto...Por meio de ácido...- Amélia se lembrou do liquido roxo que o homem que os atacou tinha lançado – Por isso, os membros desta raça foram perseguidos como traidores...Todavia, eles não eram os reais culpados...
–E quem era? –Perguntou curiosa ao ver que o outro se reteve na sua narrativa.
– Os dragões negros foram os culpados... Mais precisamente, meu pai...
Amélia ficou surpresa com aquela revelação, agora entendia por que o dragão púrpura culpava Alex... Eles foram perseguidos injustamente. Aquela marca horrenda em seu rosto...Seria um sinal desta perseguição e da punição como traidores?
–Dragões negros tem como habilidade manipular a magia...Podemos, de certa forma, imitar a habilidade da raça de outros dragões... Meu pai era o líder do nosso clã, desta forma não foi difícil ele fazer parecer que o líder escolhido parecesse ser assassinado por um dragão púrpura...Meu pai queria se tornar líder, queria acelerar a próxima eleição, já que os dragões negros eram os próximos no rodízio e além disso queria implantar o caos e desta forma construir seu governo...Ele queria eliminar o conselho e implantar um império sendo ele o imperador... Meu pai era louco...Eu não concordei com ele, me opus a sua ideia... Me uni a facção de dragões que queira tira-lo do poder... E assim se iniciou a guerra... Ela acabou faz alguns anos, 10 para ser exato, e meu pai...Foi morto...
A garota não sabia o que falar, tudo aquilo parecia mais literatura fantástica do que algo real, mas ela tinha presenciado o ataque do dragão púrpura, além disso também tinha visto os poderes de Alex... Tudo aquilo, por mais louco que fosse, era real.
–A guerra acabou, mas os dragões negros foram perseguidos pela a maioria das raças ainda considerados como culpados...Muitos de nós morreram devido a isso... Recentemente foi nos dado, finalmente, o perdão pelo próprio conselho pelos atos de egoísmo de meu falecido pai...Todavia, nem todos concordam com tal decisão...Muitos acreditam que devido nossas habilidades deveríamos ser eliminados...
–Minha mãe...Ela sabia de tudo isso quando começou a namorar você!? –Amélia agora encarou sua mãe que ouvia toda a conversa sentando em uma cadeira ao lado da cama.
–Ela sabia... Lógico que não no começo...Quando nossos flertes começaram a se tornar mais sérios...Eu tive que contar...
–E se ela não aceitasse? Tipo...Não vejo muitas pessoas falando por aí que dragões existem! Óbvio que se trata de um segredo! Você iria matá-la se ele revelasse o segredo?
–Amélia! –Interveio Olívia horrorizada com a insinuação.
–Não... Querida, ela tem direito de saber... Se sua mãe não aceitasse eu me afastaria, contudo antes...Eu teria que faze-la esquecer de tudo...-Explicou Arthur.
–Esquecer?
–Cada dragão negro tem uma certa especialidade... tal como um dom... O meu é a capacidade de manipular a mente, com essa capacidade posso fazer pessoas esquecerem eliminando suas lembranças e criando outras em seu lugar... Mas eu não precisei fazer isso, sua mãe me aceitou do jeito que sou...Aceitou viver ao meu lado...
–V-você vai me fazer esquecer também...Se eu não aceitar?! –Perguntou Amélia desesperada.
–Não é algo que gostaria de fazer a você Amélia... Sinceramente, odeio mexer na mente de outras pessoas... Alterar... Manipular...Eu odeio isso...Sem falar que sofro muito usando minha especialidade...-Ele segurou a mão da adolescente com delicadeza – Eu quero que nós dê uma chance... Podemos ser dragões, ter poderes, mas ainda somos uma família normal, como qualquer outra...Tenho emprego, hobbies chatos como jogar xadrez e ler livros de detetive...Como todo pai, sofro com as crises de rebeldia do meu filho... Você vai ver que apesar de tudo que lhe contei agora, não somos diferente dos humanos comuns...
–Mas você pode prometer que não serei atacada novamente? Que minha mãe está segura ao seu lado?
–...Eu realmente pensei que estávamos seguros...-Sussurrou apertando levemente a mão da garota –Por isso peço perdão novamente...Eu farei de tudo para protege-las... Terá que confiar em mim...
Amélia ficou pensativa, era tanta coisa que tinha descoberto... Já estava confusa e irritada com o casamento da sua mãe e a mudança em sua vida e agora teria que adicionar dragões a essa equação...Aumentando ainda mais o problema.
– Amélia... Eu realmente o amo...Sendo dragão ou não eu o amo...-Falou Olívia –Eu sei que é pedir demais que você aceite toda essa situação...Mas...
–...Eu vou dar uma chance...- Disse a garota – Eu não quero ser uma pessoa que julga a situação de forma precipitada e depois se arrepende...Eu...Acho que devo lhes dar uma chance...
–Oh...Querida! –Olívia abraçou a filha, chorando de emoção. Amélia logo correspondeu o abraço, tentando conter as próprias lágrimas...Tinha tantas emoções dominando sua cabeça, não sabia nem como deveria agir...Só sabia que não queria estar sozinha e também não queria causar infelicidade a sua mãe....Daria uma chance...Se não desse certo simplesmente esqueceria...
–Obrigado... –Sorriu Arthur se levantando e deixando as duas mulheres mais à vontade.
– E ai?
Arthur não pode esconder um pequeno sorriso se formar em seus lábios ao ver seu filho no corredor o esperando.
–Erich? Felix?
–Eles estão na sala assistindo UFC...-Falou o jovem dragão- Pai...Ela ...A fêmea...Está bem?
– O nome dela é Amélia, não é educado chama-la desta forma... Eu já expliquei...
–Eu sei...Eu esqueço...-Resmungou.
–E ela está bem... Como a mãe dela, Amélia é bastante especial e corajosa...
–Isso significa que não iras apagar a memória dela? –Alex parecia meio feliz apesar de se esforçar para parecer indiferente.
– Ela nós deu uma chance para conquistar a confiança dela... E eu também devo avalia-la...Sou obrigado também a avalia-la...Infelizmente.
–Eu sei...
–Animo... –Arthur deu um cafuné nos cabelos negros do filho, desarrumando-os –Logo tudo irá se acalmar...
–Não iremos nós mudar de novo...Não é? –Perguntou quase em um sussurro o mais novo.
–Não...Eu prometi a você que não mais faria isso, não é mesmo?
–Mas...O dragão púrpura...
–Acredito que foi um caso isolado...
–Espero que seja isso mesmo...
Os gritos vindo da sala fez que eles interrompessem a conversa. Ao chegarem no local notam vários objetos flutuado, Alex teve que desviar de uma faca que vinha em sal direção. Aquele era o poder de Felix...
–Eu disse que ele estava roubando! –Brandiu Felix, mas objetos subiam no ar, estavam reagindo com a fúria do jovem.
–Roubando? O grande Dragon não rouba! Isso é impossível! A luta terminou de forma limpa e justa! –Rosnou Erich batendo o punho, que no momento estava envolto em um fogo azul, na mesa a partindo no meio.
–Ainda acho que ele está roubando...Aquele golpe era ilegal!
–Você nem assiste UFC! Como sabe?! Essa é a primeira vez que assiste comigo!
–Ora...Sabendo! –Deu os ombros.
–Seu moleque! –Rosnou novamente Erich tentando agarrar o mais novo que, por sua vez, lançou os restos de pizza no rosto do tio –FELIX!
–Esse golpe eu chamo de super-ataque do grande Felix! –Piscou divertido.
–Eu vou te mostrar os meus golpes...-O tio começou a estalar os dedos do seu grande punho. Logo os dois começaram a brigar ali mesmo na sala. Objetos voavam, moveis quebravam...Era um caos.
–Pai...Você acha mesmo que Amélia vai aceitar essa zorra? –Sussurrou Alex ao pai não conseguindo desviar de uma fatia de pizza eu lhe acertou a cara.
–Que os nossos deuses nós ajudem...-Balançou a cabeça de forma reprovativa Arthur... Espera mesmo que a humana conseguisse ver os valores que aqueles rapazes tinham, além dos incontáveis defeitos que tinham.
Fale com o autor