My boyfriend is a Dragon
37 Conseguindo o álibi
Notas iniciais
Ir à escola. Se antes parecia chato agora era quase um martírio. Ora, com tantas coisas ocorrendo, como iria se interessar sobre funções de segundo grau ou quem foram s loucos que desvendaram a estrutura da molécula de DNA? Saber que tem um dragão milenar vivendo nas imediações da cidade, que existe uma máfia secreta que usa dragões extintos como mercadoria... Além disso, com guerras entre dragões que ocorreram no passado e que poderiam ocorrer de novo! Isso tudo diminuía e muito a sua concentração nos assuntos mundanos da aula.
— Então, quais são as novidades? Seu irmão vai te pegar hoje na escola? Será que tem possibilidade de outro strip-tease? – Adriana Bombardeou Amélia com diversas perguntas logo após o sinal estridente anunciar o fim das aulas, finalmente.
— Primeiro, ele não é meu irmão, ele é meu... – Respondeu, imediatamente corou e mordeu o lábio inferior, contar que Alex seria seu namorado não seria boa ideia, pelo menos por enquanto, sabia que Adriana iria aceitar na boa e suas outras amigas (Rebecca e Jessica) também, mas e o resto da classe? E da escola? Não queria chamar a atenção para a sua família de modo a começar ter fofocas em relação ao seu suposto irmão (e o incesto, mesmo que sendo falso!) o que poderia levar uma atenção demasiada aos dragões negros o que poderia pôr em risco as suas identidades secretas.
— O que ele é seu, então? – Provocou Adri.
Amélia se sentiu encurralada, mas foi salva por Rebecca que lançou um olhar severo para a pervertida amiga.
— Deixa ela, Adri. Na verdade, não acredito que a Amélia vai nos contar algo sobre o assunto.
O olhar severo não foi direcionado a Adriana e sim a Amélia, que fitou confusa a amiga.
— Ultimamente você está toda cheia de segredos, mal conversa na escola e muito menos nas redes sociais. Fica com esse olhar sonhador e nos ignora quando fazemos perguntas... Sem contar os dias que faltou desde que você agiu de forma estranha quando Jessica falou daquela dupla de homens mal-encarados, você simplesmente saiu sem dar nenhuma explicação! Sabe quando ficamos preocupados quando não atendeste o celular? E quando começou faltar as aulas? Sei que sua vida está sofrendo grande mudanças, mas ainda somos suas amigas! Merecemos um mínimo de consideração! Ainda mais, se tudo isso for fruto de sua relação com esse seu “irmão” – Ela fez questão de fazer o sinal de aspas com as mãos – Não significa que vai nos excluir de sua vida!
Amélia estava surpresa, não, a verdade era que estava envergonhada. Muita coisa tinha realmente acontecido, sua vida comum, antes de adentrar na família Dragão e se meter em tantas confusões, foi meio que deixado de lado. Suas amigas que a acompanharam desde do fundamental, sempre leais e companheiras, agora estavam perdidas com o que ocorria nas últimas semanas. Elas mereciam uma explicação, contudo, não agora.
— Desculpe... – Falou sincera, abaixado o meu rosto para que elas não vissem que seus olhos agora estavam marejados de lágrimas – Não foi a minha intenção trata-las assim...
— Lógico que não foi! – Agora foi a vez de Jessica interver dando um amoroso abraço em Amélia.
— Rebecca só está brava ao ver que sua vida é mil vezes mais agitada do que a dela. – Provocou Adriana – Principalmente a vida amorosa, aposto que Amélia vai perder a virgindade primeiro que todas nós!
— ADRIANA! – Becca e Amélia exclamaram ao mesmo tempo, as vezes, Adri necessitava de um filtro naquela boca maliciosa.
Depois de se acalmar e o embaraço diminuir, Amélia conseguiu forças para falar novamente:
— Eu peço perdão por meus atos, eu... Na verdade tem muitas coisas que devo contar a vocês. Muitas mesmo, mas infelizmente, precisamente hoje eu não poderei fazer isso. Juro que não estou tentado adiar ou enrolar vocês... Mas hoje tem algo que tenho que fazer, aliás, vou precisar da ajuda de vocês... – Falou expondo um meio sorriso, nervoso e culpado.
Rebecca rolou os olhos, claramente não gostando do que tinha acabado de ouvir.
— Que ajuda você precisa? – Jessica perguntou expondo um sorriso amigável.
— Eu ainda estou de castigo pelo o que fiz antes, vocês não são os únicos irritados por meus atos, sabe? – Mirou de relance Becca que ainda tinha uma expressão emburrada – Quando saí atrás daqueles caras...Eu me meti em uma grande confusão... Do tipo perigosa. – Indiquei meus pulsos ainda enfaixados. As garotas agora tinham um semblante preocupado.
— O que realmente aconteceu? – Insistiu Rebecca, pelo menos sua voz não mais detinha o tom severo e irritado, contudo ainda certo grau de rispidez.
— Eu não posso contar agora... Pois, não se trata de um segredo só meu, também envolve a minha nova família...
— Já sei! Eles são tipo máfia, ao estilo “ O poderoso chefão”?
— N-não! – Respondeu, mas sua voz vacilou, até que a comparação poderia ser verdadeira com toda aquela coisa sobre clãs, famílias, hierarquias, territórios... Enfim! A questão era que seria difícil explicar para suas amigas toda aquela história, mas se Amélia tinha conseguido absorver e se adaptar, elas também conseguiriam.
Rebecca estava prestes a fazer uma observação (ou mesmo alguma crítica) quando um grupo de garotas quase nos atropelou soltando gritinhos animados. Era o famoso e irritante fã-clube de Tales. Amélia soltou um gemido exasperado, pode ver o dito dragão vermelho rodeado por aquelas garotas dando sorrisos gentis e sendo paciente com suas seguidoras. Como alguém poderia ser tão bom ator? Elas ainda iriam gostar dele depois que descobrissem o quão grosso e chato aquele suposto ídolo adolescente poderia ser? Como que prevendo os pensamentos da garota, Tales lançou um olhar que podia ser muito bem classificado “Humana, cuidado, estou te vigiando!”. Sem pensar duas vezes, Amélia respondeu a aquela ameaça estirando a língua para o dragão que, por alguns segundos assumiu um semblante surpreso, depois furioso e o passo seguinte foi ignora-la.
As fãs miraram com desgosto e raiva para Amélia que tinha ousado tamanha ação. Adriana, por outro lado, bateu palmas.
— Isso foi demais! – Soltou um longo e alto assobio – Bem na fuça daquele metido a besta!
— Eu pensei que você gostava dele... – Lembrou Becca com um meio sorriso no rosto, pelo menos seu humor tinha melhorado.
— Falou bem, Rebecca, gostava! Isso foi antes de quase ver a piroca do Alex! Lógico que agora minhas preferências são outras. – Disse simplesmente.
— Mas... O Tales tinha beijado a mão da Amélia , não é? – Lembrou Jessica com um ar sonhador, provavelmente a garota já estava imaginando um triângulo amoroso.
— Eu e o Tales? – Amélia fez uma careta – Não... Isso nunca aconteceria! Ainda mais, sei que ele gosta de outra pessoa...
— Sério? Que babado! Quem? – Adri além de pervertida era uma grande fofoqueira.
— N-não posso dizer, pois isso é um assunto que o Tales tem que resolver, afinal, ele não pode ficar agindo assim sempre! – Disse irritada, afinal, meio que sentia como se o dragão vermelho estivesse traindo o Sion. Seu novo irmão mais novo, apesar de ainda estar apreendendo sobre as coisas do mundo e sobre si mesmo, não se podia negar a profunda ligação que Tales tinha com o pequeno dragão branco... Logo, aquela postura de galã teria que acabar!
— Pelo visto, você tem muitas histórias “secretas”. – Rebecca, novamente, fez o sinal de aspas com os dedos – Mas, se te ajudarmos hoje, na próxima vez que nós encontrarmos você terá que contar tudo! Principalmente, que confusões você está se metendo... Não quero ser responsável por você se machucar ou algo pior!
Amélia exibiu um grande e brilhante sorriso e se lançou sobre a sua amiga a abraçando.
— Opa! Hora do abraço! – Nisso Adriana abraçou as duas e também arrastou a pobre da tímida Jessica para o ato.
As quatro ficaram ali trocando um afetuoso abraço, aleias aos olhares curiosos dos estudantes do colégio.
— Então... – Começou a dizer Becca depois do momento reconciliação— O que irias pedir?
Amélia suspirou aliviada.
— Preciso de um álibi para hoje à tarde! Diga a minha mãe que estou estudando com vocês... Ou algo do tipo. Preciso que eles pensem que estou em um local... – Iria dizer seguro, mas logo mudou de ideia – Enfim, eu estou de castigo, mas tenho certeza que minha mãe e Arthur não irão ligar se eu estiver em algum lugar aonde não causarei problemas...
— Sei. – Rebecca franziu o cenho.
— Mas, você não vai se meter em problemas, certo? – Inqueriu Jess, preocupada e tocando levemente os pulsos enfaixados da amiga.
— Não! Juro que desta vez, não será algo perigoso...
— Desta vez? – Becca fez questão de ressaltar essa parte.
— Não se preocupe! Vamos te ajudar! Já estava na hora de mais alguém desse grupo ser uma rebelde! – Adriana disse com orgulho – Mas, concordo com a Becca, depois dessa aventura... Você terá que dizer o que diabos está acontecendo contigo!
— De acordo. – Concordou Amélia ainda sorridente, mas dentro de si havia um misto de alivio e desespero. Tinha conseguido um álibi, mas as custas de contar a verdade as suas amigas, sentia que a sua nova família talvez não gostasse muito de saber que três humanas descobrissem sobre o seu segredo...
Mas tinha prometido e ela não era uma pessoa que quebrava aqueles tipos de promessas!
~~**~~**~~
A reserva florestal que envolvia os limites de toda a cidade nunca fora algo que atraísse Amélia, na verdade, sempre fora algo que admirava de longe. E agora estava prestes a adentrar naquele território desconhecido.
— Isso vai ser tão legal! – Exclamou Pietro, o pequeno dragão vermelho, que dava pulinhos de excitação.
Sion segurava as alças de sua mochila com força, talvez tentando ocultar o seu nervosismo, era a primeira vez que se afastava da mansão dos dragões negros para explorar outro ambiente, desta forma, não compartilhava com o entusiasmo de seu amigo.
Amélia, por sua vez, estava motivada. O grupo formado por Pablo, Alex, Felix, Bolt, Scarlet, Erich, Arthur, Tales e Leonard. Sem dúvida, um grupo grande, só esperava que nenhum deles desconfiasse que um pequeno grupo de exploradores os seguia de longe.
— Vamos? – Perguntou aos seus jovens companheiros.
Pietro soltou fumaça pelas suas narinas, parecia mesmo ansioso pela a aventura. Sion assentiu e sua pele alva emitiu um fraco brilhar.
Estavam prontos...
Os três deram seus primeiros passos e adentraram na densa floresta. Objetivo? Encontrar um dragão centenário adormecido em forma de montanha! Algo assim, não devia ser tão difícil de encontrar, não é mesmo?
Fale com o autor