Notas iniciais
Olá! Olha mais um capítulo aí minha gente! Espero que seja proveitoso. Boa Leitura!

P.D.V. Nico:

– O que é que você quer Nico? – Pergunta-me Thalia, ao chegarmos a uma região mais isolada da floresta.

– O que é que você acha? – Pergunto, pegando em sua mão e ali lhe depositando um beijo – Desde o dia em que nos declaramos não tivemos nem um segundo só para nós – Digo enquanto subo os beijos por seu braço até o pescoço, orelha, e logo na bochecha e boca.

Ficamos assim nos beijando calmamente até que nos faltou o tão necessário ar, fazendo com que nos separássemos. Logo envolvo sua cintura com meu braço direito e com o esquerdo lhe tomo a mão, e seguimos caminhando, sem aparente destino correto, em total e absoluto silencio, somente aproveitando a presença um do outro.

Seguimos assim por alguns minutos, até avistarmos uma grande arvore congelada com enormes raízes descobertas que daria uma bela morada. Guio Thalia até a grande arvore e me sento entre duas raízes, logo abrindo espaço entre minhas pernas para que ela possa se sentar também, logo lhe envolvo em meus braços e coloco meu queixo sobre sua cabeça, apreciando seu cheiro, enquanto ela solta seu leve peso sobre mim.

– Não é estranho? – Pergunta, após um minuto de silencio.

– O que é estranho? – Lhe questiono, curioso por ela abordar esse assunto.

– Nós, aqui assim – Fala se virando de lado para mim – Eu não consigo compreender exatamente quando tudo mudou, não sei se foi no dia em que você me confortou assim que conhecemos tudo isso aqui, não sei se foi no dia em que eu acordei no hospital e você estava lá para me apoiar. Mas em algum momento mudou o que eu sinto por você e isso é um pouco estranho, pois não tem nem dois dias que estávamos afastados, mas eu já estava com saudades, e isso é um pouco novo de mais para mim, eu não estava acostumada a ter ninguém, mas agora eu sei que eu lhe tenho e isso para mim é estupendo e ao mesmo tempo assustador! – Confessa, me deixando surpreso – Não vai falar nada?

– Para mim não mudou muito além do fato de que agora sou correspondido – Lhe confesso.

– Como assim?

– Thalia – Digo seu nome calmamente, lhe erguendo de entre minhas pernas e colocando-a sobre meu colo de lado agora podendo olhar para ela no mesmo nível – Eu sempre gostei de você! – Conto.

– Como assim sempre gostou de mim? Você vivia implicando comigo!

– Sim, mas era o meu jeito de ser notado por você! Desde o dia em que você chegou ao orfanato, e saiu para chorar embaixo de um pé de arvore, eu estava lá te olhando, admirando de coração partido enquanto você chorava, mas eu não tive coragem de me aproximar. E ai você foi se enturmando e nunca foi me notando, e eu não tinha mesmo nenhuma coragem de me aproximar. Ai eu comecei a tentar te esquecer, e logo depois eu fiquei conhecido e do nada eu comecei a implicar contigo, e logo depois você comigo e eu vi que você ao menos me notava desse jeito, e assim foi se seguindo ate tudo isso começar – Lhe Expliquei, vendo sua face e seus olhos se burlarem entre vários sentimentos sendo que o primeiro e o último foi a confusão.

– Você estava mi olhando no dia em que eu cheguei ao orfanato? – Me pergunta após minutos de silencio.

– Você só ouviu isso do que eu disse? – Perguntei divertido.

– Não, mas foi á parte que mais me chamou a atenção – Responde, com a maior naturalidade.

– Quer dizer que eu gostar de você durante todos esses anos e tentar chamar sua atenção secretamente com um ódio que ate mesmo eu achei que era verdadeiro não é suficiente interessante para você? Mas alguém que te observou chorar no dia em que você chegou ao orfanato é? Esclareça-me isso por favor que eu esta confuso.

– É que eu não me lembro de nada daquele dia, só de eu está debaixo da arvore chorando, eu não me lembro de como cheguei lá, de quem me levou ao orfanato, tanto que eu pensei que eu cheguei desmaiada e eles me deixaram ali – Me conta.

Fico confuso no momento, pois não consigo compreender o que isso significa, afinal como é possível que ela se esqueça de algo que eu vi acontecendo, algo que é importante para seu passado.

– Eu me lembro claramente do dia em que você chegou – Começo a lhe contar – Eu já estava lá a uma semana, sentado em uma poltrona ao lado de uma enorme janela, foi quando um carro estacionou em frente ao orfanato, e segundos depois uma pessoa desceu do lado do motorista e foi ate a parte de traz do carro e abriu a porta para você – Conto, fazendo círculos em sua mão, grudada na minha – Foi a primeira vez que eu te vi. Você estava vestida uma roupa de velório e estava com os cabelos cortados na altura do queixo, com uma carinha fofa de quem já tinha muito chorado. Você falou algo com a pessoa e logo depois bateu nela e fez birra, ai saiu correndo rumando aos fundos do orfanato. Eu não resisti e te segui, logo te encontrando lá, debaixo da arvore, chorando – Finalizo vendo que ela tenta puxar algo de sua mente, mas pela face de desespero percebo que nada ela consegue – Conseguiu lembrar de alguma coisa? – Lhe incentivo a compartilhar comigo.

– Eu não sei, eu não consigo ver nada exato, está tudo escuro, eu só me lembro de chorar debaixo de uma arvore e só – Fala frustrada – Você sabe quem era a pessoa? Se era homem ou mulher? Você lembra alguma característica? – Pergunta ansiosa, me olhando agora com olhos reluzentes pela esperança.

– Não. Era uma época de chuva e por isso não estranhei, mas a pessoa que estava com você usava um capote com capuz, e estava com o rosto coberto, eu não vi sua cara – Lhe respondo, infelizmente arrancando as suas esperanças – Mas tinha um porte jovem e masculino, devia ter mais ou menos uns 16 anos, já que a roupa era folgada nele a ponto de o capuz cobrir toda a sua cara, mas isso também pode desconverter todas as possibilidades de ser homem, pois pelo incomodo de uma roupa larga a pessoa poderia esta andando de um modo diferente, assim poderia ser uma mulher! – Lhe conto detalhes que por mim como criança não foram perceptíveis, mas que agora são bem claros.

Ficamos por certo tempo em silencio, ate que notamos que já deu a hora de ir embora. Pegamos o mesmo caminho pelo qual ante tínhamos vindo e seguimos adiante. Quando chegamos a beira da floresta eu puxo Thalia para um ultimo beijo antes de deixa-la ir à frente, para despistar os outros, logo pego um caminho que me levara a arrodear o acampamento, me fazendo chegar por outra parte, mas ainda fico preocupado com Thalia, ela estava muito pensativa. Ouço um barulho a minha esquerda, para dentro da mata, mas logo de lá sai um coelhinho, e eu prefiro adiantar meus passos caso seja alguém do acampamento que estava a nossa procura.

Logo passo por todo o caminho e me preparo para entrar no acampamento, ainda preocupado com o quê que pode está havendo com Thalia.

Notas finais
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