My Wildest Desire
15 Capítulo 15 - Dor
Notas iniciais
Damon PDV
Meus olhos foram vedados por um pano branco assim que a imagem do corpo sem-vida de Elena pousou-os e se fixou em minha mente. Eu tentava repugnar meus pensamentos e qualquer falsa esperança de que ela levantaria — linda como sempre – e repetiria as palavras ditas por mim alguns minutos antes de Katherine matá-la.
O “Eu te amo” me traria de volta à vida, à realidade, mas ninguém suficientemente capaz de proferir tais palavras estava presente naquele momento.
Katherine e Stefan se entreolharam por uma fração de tempo praticamente impercertível, e eu pude notar pequenas lágrimas brotarem no rosto de meu irmão. Já ela, nada. Seu rosto não transparecia sentimento algum e seus olhos castanho-amendoados eram de umaescuridão profunda.
À medida que Stefan se levantava esboçando uma reação àquela vagabunda assassina, eu também fazia o mesmo, mas antes que pudéssemos ficar equilibrados sobre o chão instável que se formava sob nossos pés, Katherine já se transformara em poeira. Ela simplesmente se foi.
Bonnie acordou num espasmo e sem olhar para trás saiu correndo porta a fora, e naquele instante, o véu que cobria minha visão foi forçado a se desfazer para que eu pudesse, enfim, perceber que nada daquilo era um sonho, mas sim a mais pura e cruel realidade.
O corpo de Elena estava estirado ao chão frio, como uma grande boneca, um fantoche. Ela havia sendo moldada para se encaixar em novas situações e para suportar novas dores. Coisas que a vida lhe ensinaria aos poucos, se já não fosse tarde demais.
Obriguei meu corpo e se levantar e me aproximei de Elena lentamente. Toquei suas bochechas ainda rosadas e entrelacei meus dedos pelos fios de seu cabelo, recostando meu rosto em seu ombro. Um mar de lágrimas se formava em meus olhos e o aperto que eu sentia no peito não podia ser comparado a nada que já vivenciara em meus 154 anos. O que eu mais desejava naquele momento era que meus sentimentos se esvaissem, tomassem um rumo diferente so meu corpo, e que apenas nos desencontrássemos em meio a uma encruzilhada qualquer.
Tomei Elena nos braços e olhei ao meu redor. Stefan encontrou meu olhar em meio ao vazio e fez menção de dizer algo.
_Não – foi só o que pude dizer .
Eu não suportaria ter aquela dor multiplicada por dois, não naquele momento, e por isso pedi que Stefan fosse embora. Ele sabia que era o certo a fazer e apenas se foi, também, sem olhar para trás.
Stefan PDV
Estava tudo acabado, se desmoronando. Eu desejava como nunca voltar ao tempo e reparar o erro de ter deixado Katherine entrar em minha vida mais uma vez. Por mais que eu ainda a amasse, a perda de Elena, provocada pelas mesmas mãos que podiam ser tão suaves, fora demais para mim.
Eu amava Elena de uma forma diferente. Ela era como uma nessecidade, a morfina que alivia a dor da carne e vicia.
Eu precisava encontrar Katherine, fazer com que ela fosse embora para sempre de Mystic Falls a parasse de causar problemas na vida de todos.
Damon também estava sofrendo e por mais que eu odiasse os motivos que o levavam a dor – eram os mesmos que os meus — eu sentia sua angústia junto a mim. Ele fora bom para Elena enquanto eu estive fora, e por mais que eu estivesse fugindo para protegê-la, eu também tentava fugir de sua presença, fugir do erro de magoá-la.
Deixei um bilhete com o porteiro do hotel onde Damon estava hospedado pedindo para que ele voltasse para casa. Não havia mais motivo para que ele morasse ali. Afastei-me do hotel sem escolher uma direção específica e após retomar minha linha de pensamentos claros decidi enfrentar meu medo. Eu iria falar com Katherine, expulsaria aquele demônio que assombrava minha vida desde 1864.
Não foi difícil encontrá-la. Katherine estava na floresta com três cadáveres ao seu redor e brincava com o corpo drenado deles murmurando algumas palavras em seus ouvidos. Me aproximei.
_Katherine – ela se virou completamente para me encarar. Engoli em seco e continuei a falar – Não dá mais. Você me usou pra chegar até ela e eu não quero mais fazer parte dos seus joguinhos.
Ela me encarou com os olhos de uma criança perversa que ignora a bronca dos pais e continuou a mexer nos corpos.
_Você vai ter que ir embora de Mystic Falls, Katherine – insisti falando entre os dentes.
O silêncio se instalou. Katherine deu de ombros e empilhou os corpos atrás de uma árvore. Ela andou até mim, se colocou ao meu lado apoiando uma das mãos sobre o meu ombro e disse:
_Tudo bem, Stefan – como se se eu estivesse lhe pedindo para passar o sal numa mesa de bar — .
Quando me virei em sua direção ela já não estava mais ao meu lado. Senti firmeza em suas palavras, mas também, tranquilidade demais.
Desta vez estava tudo terminado. Eu nao sabia o que faria dali para frente, mas só o que pude fazer no momento foi voltar para casa.
Damon PDV
Não sabia quanto tempo permanecera ali parado, chorando. Minha noção do tempo se foi junto com minha alma, junto com Elena.
Levantei-me com dificuldade, ainda mantendo o corpo inerte de Elena junto ao meu. Os soluços fugiam sem pedir minha permissão. Nada era como fora um dia, e jamais seria de novo. Seu corpo já frio encostado ao meu fez com que as lembranças da nossa única noite juntos viessem em minha cabeça. Minha sensibilidade ao seu toque era tanta que meu corpo chegava a queimar, e pensar que nunca mais eu sentiria aquela sensação era excruciante.
As lágrimas cessaram e eu não podia mais ficar ali parado. Ajeitei Elena em meu colo e fui cambaleando e me arrastando até a saída daquele maldito lugar. Fui seguindo por dentroda pequena floresta, e de lá eu conseguia enxergar a pensão. Ergui a cabeça e fui andando lentamente em meio aos galhos das árvores que me rodeavam. Cada minuo que se passava se assemelhava com a eternidade. Eternidade com a qual eu já me acostumara a viver, até aquele dia – onde o martírio e a culpa sugariam todo o resto da minha sanidade-.
Ainda com Elena nos braços avistei minha casa de mais perto. O retrato da captura de Katherine e o desespero que tomou conta de mim naquela noite do século XIX, voltou a minha mente, como num esmagar dilacerante que pulsava me causando muita dor. E a dor que eu estava sentindo era semelhante àquela, mas desta vez atingia a todos, não só a mim.
Não pude continuar olhando para o nada e relembrando as diversas dores que já senti. Desviei meu caminho e adentrei a floresta cada vez mais.
O corpo de Elena não iria ficar para sempre em meus braços, e logo logo, sua falta seria notada pela sua família e amigos. Eu tinha de planejar o que falar a Jenna, Jeremy, Bonnie, Caroline... Enfim, eu teria de tomar conta de todos de certa maneira, e teria de controlar minha dor também. Provavelmente montariam um memorial em sua hoemnagem e com certeza eu já estaria longe dali quando isso acontecesse.
Caminhei alguns metros para o sul da floresta e ao lado da mata encontrei algumas arvores cobertas por um cipó fino e algumas roseiras ao redor formando um círculo. A área do círculo estava limpa devido a cobertura, e foi ali que decidi deixar Elena, de uma vez por todas.
Eu voltaria ali sempre que necessitasse, mas eu precisava, naquele momento, me afastar um pouco daquela imagem de Elena em minha cabeça. Caminhei em direção ao hotel e peguei o bilhete de Stefan. Fui para a pensão, assim como ele pediu.
_Stefan, você está aí? – adentrei a casa e esperei por sua resposta -.
Notas finais
Bjus
Fale com o autor