My White

1 White nightmare.


Dos papéis as tintas novas, intocáveis. Ao tentar ou – simplesmente — do cogitar fazer algo sobre as superfícies brancas — tão puras — algo dentro de mim, corta, agonia, sufoca, esmaga e bloqueia.

Faz um tempo desde que qualquer coisa nesse quarto tenha ganhado forma ou vida. Os papéis em cima de minha escrivaninha, já não se encontraram esbranquiçados, e sim tão escuros quanto as noites que vejo pela janela.

Vejo crianças, jovens, adultos e os mais vividos deixando suas — quase sempre — aconchegantes moradias, com a cabeça tão erguida quanto o Pico Everest, dia a pois dia encarando problemas os quais são submetidos.

Abro o espaço que a entre meu aconchegante canto de agonia e o mundo que apesar dos apesares, permanece tão cheio de vida. Sinto o ar gélido sobre minha face, tudo parece ser irreal, e assim volto para meu casulo de preocupações e culpa.

Abro um caderno qualquer, a procura de algo que possa me salvar escrito por um outro 'eu' de alguns meses atrás ou alguns anos? Dias talvez?

Tudo, volta a ser branco. Mas não mais o branco que um dia deu vida a novas cores.

Aquele branco, hoje és morto.

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